Orinoco Flow – Enya

 

 

Hoje seria mais um dia em que inventaria uma desculpa para não escrever. A cabeça ainda está confusa e isso é verdade. Tem muita coisa acontecendo, e isso também é verdade. Tudo o que eu escrevi no último post ainda é válido.

Acontece que eu mesmo assim tenho coisas a dizer. Tenho medo de dizer as coisas, mas elas estão todas aqui na minha cabeça, pedindo pra sair. O medo que me trava e me faz fugir é apenas mais um sinal de toda a fragilidade pela qual passo nesse momento. E nem estou fugindo apenas de coisas ruins, tem muita coisa boa também acontecendo por aqui. Eu só não estou conseguindo raciocinar de forma clara sobre tudo o que acontece comigo atualmente.

Nessas horas, perceber que pequenas lições podem vir de todos os lados é essencial. Nessas horas é interessante perceber que ser professor é também (e principalmente aprender com os alunos). Escrevo isso porque o que me trouxe aqui hoje foi um conjunto de falas de alunos. Sem entrar no mérito da questão, algumas coisas chatearam um dos meus grupos de alunos, o grupo com o qual acabo passando mais tempo e que tem o aspecto mais familiar.

Momentos de raiva foram comuns nesses últimos dias. Lágrimas escorreram dos olhos, palavrões escaparam dos lábios, muita raiva percorreu os pensamentos de cada um. Mas além disso, muita coisa adulta veio da boca desses jovens, muita fala madura e questionamento coerente. Dias depois da raiva eclodir, vejo uma mensagem no facebook onde uma das alunas posta a música que dá título ao post. Dizendo que apesar da tristeza e da perda do gás que mantinha o grupo, agora todos precisam viajar, viajar em novas idéias para que todo o pique ressurja novamente e as aulas passem a ser de novo risos, alegria, brincadeira e produção em alto nível.

Outro aluno, pouco tempo depois fez o seguinte comentário sobre a música postada “Independente do lugar pra onde navegaremos, o que importa é que estaremos no mesmo barco.” Mais lúcido que isso impossível. Perceber que apesar da dor existe algo de bom. Que o fato de estarmos juntos é o que nos torna realmente fortes e no final é o que vale a pena. Perceber que a gente é que deve aprender a dar valor ao que a gente faz. Não importa muito o que os outros pensem, a gente sempre vai ter a consciência tranquila porque sabe que faz as coisas certas, sem medo de qualquer julgamento.

Pode até parecer besteira, mas na minha atual fase, onde a cabeça pesa e as coisas parecem ser um fardo muito maior do que realmente são, ler essas palavras me parece ser um alento de bom senso e esperança que me faz falta. Fiquei orgulhoso de saber que isso veio de gente que bem ou mal eu ajudo a formar, gente que sempre me surpreende com humildade, humanidade, inteligência, amizade e lucidez.

Nem sei se eles vão ler o que eu escrevi aqui. Mas era necessário contar o que me fez dormir mais leve hoje. Mesmo com o mundo caindo sobre mim, cheio de coisas boas e ruins, coisas que me travam e me impedem de pensar direito, hoje eu me senti leve. Só resta agradecer a eles, os jovens que mesmo que por pouco tempo, tiraram o enorme peso que cai sobre os meus ombros.

4 respostas para “Orinoco Flow – Enya”

  1. ai é covardia Alex, me fazer chorar as 23;47 da noite. Com certeza estaremos no mesmo barco, todos juntos, independentemente do que acontecer. beijoos

  2. Um prato cheio para sua psicóloga.
    Independente disso, realmente eles sao fantásticos. Sinto muita falta!
    Voce nao me falou do campeonato, ja foi? Por isso estão tristes?
    Beijos enormes.

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