While My Lady Sleeps – John Coltrane

 

 

Hoje eu cheguei em casa tão cansado. Parecia que eu queria dormir eternamente. O corpo demonstrou-se assim tão frágil que eu sentei e cochilei assim de repente. Hoje eu senti falta e depois de meses voltei a abraçar o violão. As cordas desafinadas nada produziram ao meu toque. Os acordes não vieram. A música infelizmente não está em mim.

Sobrou ligar o rádio pra deixar a mente vazia, quem sabe alguma coisa aparecia e tocava minha mente a ponto de me fazer entender exatamente o que está acontecendo. O sono é irreal. Não era pra ser tão intenso. Parece até que eu quero esperar o tempo seguir seu caminho e acordar só quando o turbilhão tiver chegado ao fim.

Acontece que eu realmente não sei o motivo. Não sei de onde o sono vem. Não estou fugindo de nada, muito pelo contrário. Raras vezes eu quis encarar a vida tão de frente quanto agora. Raras vezes me senti tão corajoso. Raras vezes me senti forte o suficiente pra admitir que sinto desejos, sinto saudades e tenho vontades. Que existem pessoas que fazem meu coração bater mais forte e o tempo ora parar ora acelerar. Assim como tem gente que me faz sentir raiva, ódio, asco. Agora eu consigo assumir que tenho reações ante as pessoas que eu vejo todos os dias. Raras são as pessoas que entram naquela zona de limbo, formada por pessoas que simplesmente não fazem diferença alguma em minha vida.

Ainda assim, o cansaço me domina. Nada achei no rádio, fuçando nas minhas músicas achei uma do Coltrane que me ganhou. Ouvi a música umas 3 vezes seguidas enquanto simplesmente deixava a mente voar. O som do sax de Coltrane de certa forma me reconfortou. Não se já disse aqui, mas gostaria de aprender a tocar saxofone, quem sabe um dia eu aprenda, a outra opção seria trompete. O duro é que provavelmente eu toque esses instrumentos tão mal quanto toco violão. Quem sabe um dia.

Mas voltando a crise existencial e ao sono eterno. Não sei o que me incomoda, já pensei na gripe que me ataca, já pensei nos medos que eu sinto. Todo mundo sente medo de algo. Procurei as coisas das quais eu fujo. E nada realmente parece me parar. Nada do que eu fujo é tão forte a ponto de me fazer querer que o mundo acabe ou que o tempo passe tão depressa a ponto de me fazer sonhar em entrar num buraco até que o tempo passe e tudo se resolva naturalmente sem a minha influência.

Mesmo assim eu tenho sono. E tento descobrir o porquê. Se adormecido ainda eu tivesse sonhos, pesadelos ou assombros talvez eu realmente pudesse entender. Mas o cansaço me domina de verdade. Enquanto dirigia me senti um pouco tonto. E fechei os olhos pra fugir da realidade, até que uma buzina explodiu em minha face e me fez acordar mesmo que um pouco.

A se eu pudesse entender o que acontece. Mas a vida não é assim tão simples, a gente sofre e o motivo desaparece. As vezes a gente lembra, as vezes esquece. A gente nem sempre sabe o que nos oprime.

E assim eu sinto o coração apertado em busca de uma resposta. Se alguém souber o que me falta, pode me dizer. Eu sei que hoje eu sinto falta de tanta coisa. Mas nada me parece faltar a ponto de me fazer fugir. Você já se sentiu assim? Frágil sem saber o motivo? Quer falar sobre? Como lidou com a breve fossa sem motivo?

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