Doing The Unstuck – The Cure

 

 

Já fazia um bom tempo em que eu não me dava o direito de sentar e ver um bom filme. Tenho alguns em casa lacrados,outros guardados junto com alguns móveis que ainda não trouxe para casa e pouco coragem de ir ao cinema sozinho. Mas era hora de mudar o ciclo, ouvi isso a semana toda, seja na terapia, seja de amigos, seja de pessoas que eu nunca tinha visto.

De certa forma foi o que fiz, ou pelo menos tentei fazer. Arrisquei, fiquei dias tomando coragem, mas finalmente arrisquei. Novos amigos, novas ideias, novas piadas. Um mundo novo que se abre, não vou cair na besteira de falar que é um mundo melhor. Até porque bom e ruim são relativos demais. É apenas um mundo diferente.

E com certeza falei mais do que devia, agi de forma diferente da que deveria, fiz coisas que nem sei porque fiz. Mas a gente age de forma estúpida pelos mais diversos motivos e por sorte muitas vezes somos entendidos em nossos atos mais estúpidos e rudes. Afinal, estar a vontade não é fácil, ser você mesmo de forma que não mostre apenas o seu pior lado é terrível. Aliás, um dia eu preciso escrever sobre isso, quando entender o que faz sempre o nosso pior lado aflorar quando a gente fica sem chão. Mas isso fica pra outra hora, a ideia é ter pensamento positivo. EXCELSIOR!!!!

Um dos filmes que vi nesse fim de semana, com essa nova turma, foi o ótimo  “O Lado Bom da Vida”. História de um homem obcecado pela ex-esposa que o traiu, e que após meses num hospital psiquiátrico tenta retomar a vida. A briga com os remédios, a briga consigo mesmo e a dificuldade em se acertar no mundo que parece todo contrário a aquilo que ele pensa, vive e quer não chega a ser a grande surpresa da história. Qualquer um que já tenho vivido com quem já teve suas crises psicológicas ou mesmo tenha passado por elas compreende a sensação.

A graça toda do filme, pelo menos a meu ver, está em outro ponto da história. Enquanto no mundo real, equilibrar as mudanças de humor, o longo período de adaptação e as mudanças físicas causadas pelas medicações é uma tarefa árdua. No filme, é apresentada uma terceira via. Não uma receita mágica e indolor,mas um caminho que passa pela aceitação das próprias limitações associada a uma mudança lenta e gradual de hábitos partindo de uma premissa (no caso do filme) nem sempre racional.

A verdade é que não precisamos ficar presos a um único desejo. Não podemos fechar a porta para o que se apresenta. Às vezes desejamos algo tão distante e tão irreal só para podermos fugir da responsabilidade de viver algo. Minha psicóloga me fala isso de vez em quando, eu falo isso de vez em quando. Acho que todo mundo já deve ter ouvido isso alguma vez na vida, é daquelas frases padrão, como mãe perguntar se você vai sair de casa sem blusa.

A questão é saber se a gente ouve apenas ou chega a realmente prestar atenção na frase e seguir adiante.  O personagem do filme fez isso sem perceber. Pouco a pouco foi levado a uma história nova que não queria como parte de sua vida. Ou pelo menos que ele acreditava não querer. Ele não se boicotou e foi adiante, mas e no mundo real? Quantas vezes a gente não se boicota sem saber? É algo a se pensar.

Porque eu não preciso gostar apenas de uma cor. Posso gostar do mundo preto e branco ou colorido. Tanto faz, basta apenas me permitir isso e principalmente perceber não estou num filme, mas sim no mundo real. Aqui as coisas não acontecem apenas por  obra do acaso. Se a gente não aprender a apreciar tudo o que está ao nosso redor e ampliar a nossa lista de desejos, muita coisa vai se perder e viver vai se tornar uma experiência muito mais dolorosa.

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