© 2013 Alex Martins porque as verdadeiras vitórias são aquelas que a gente nunca comemora...

Pride (In The Name Of Love) – U2

 

 

Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias. O mundo parece ter virado do avesso e sensações que pareciam óbvias transformaram-se em novidades daquelas que nos fazem ficar sem chão. Contar todas as histórias seria algo demasiadamente longo e com certeza algo se perderia no meio da narrativa. Justamente por isso, mais fácil é se prender ao ponto mais importante disso tudo. Tentar narrar apenas o sentimento mais intenso, o que mais marcou.

No fundo pouco importa o local onde eu estava. Pouco importa se estive em São Paulo, Brasília, Paris ou Bombaim. Importa a sensação de orgulho, o quanto eu vibrei por uma vitória daquelas que não se divulga. Não existe um prêmio com esse nome, mas deveria se premiar quem aprende a crescer de forma plena. O adolescer adulto é duro e cansativo, acredito que mais doloroso até do que o adolescer infantil. Ter responsabilidades cansa, amedronta e em certa conta dói.

Nessas horas eu procuro me lembrar da forma como fui educado. Da maneira como fui deixando de ser criança e me tornei adulto. Sei que ainda sou um adulto em constante mutação e vejo isso nos jovens que crescem ao meu redor. Vejo as grandes mudanças pelas quais passam, deixando de ser dependentes e passando a assumir suas opiniões e principalmente as responsabilidades de seus atos.

Nos meus 13, 14, 15 anos eu já trabalhava. Ainda moleque eu tinha minhas responsabilidades, mas meus atos ainda eram vigiados e de certa forma chancelados por meus pais que davam as ordens ou permissões necessárias para tudo. Pouco a pouco fui ganhando autonomia até conseguir me ver livre e autônomo. Algo que a meu ver só chegou mesmo na faculdade, já com meus 17, quase 18 anos.

O que eu vi foi algo um pouco mais veloz, mesmo num período muito mais paternalista e protetor da nossa sociedade. A fome faz com que o homem aprenda a caçar e pescar. A necessidade faz com que se aprenda e eu vi jovens aprenderem de forma bastante rápida, vi jovens crescerem bem mais rápido do que o esperado.

O melhor disso tudo é perceber que enquanto os observo crescendo, acabo crescendo junto. Consigo fazer novas coisas e me sinto cada vez mais livre. Aproveito melhor a juventude e me encanto mais com a idade que vai se somando. Observo neles coisas que vivi e a partir disso corrijo rotas erradas que escolhi em minha vida.

Mais do que ações, me assusta o que ganhei em sentimentos. Como aprendi a ser mais livre com o que sinto, mais honesto comigo mesmo. Assumo de maneira mais livre que amo ou odeio, que adoro ou detesto ou que algo simplesmente não me importa. Percebi o quanto é mais simples apenas sentir.

E nisso se junta mais um motivo de gratidão a esses jovens, se primeiro veio a sensação de carinho, depois a preocupação, e se seguiu o orgulho até que apareceram o medo, o desespero e uma alegria desmedida que de alguma forma se traduz de maneira crua e simples num singelo amor.

Porque nessas horas a gente percebe que as verdadeiras vitórias são aquelas que a gente nunca comemora, os maiores prêmios são aqueles que a gente nem se dá conta e o verdadeiro vencedor é na verdade aquele que mais aproveitou a disputa.

Por isso eu posso dizer que venci, posso dizer que vencemos. Posso afirmar que alguns podem até ter chegado na nossa frente, mas duvido que alguém tenha crescido, aprendido e se divertido tanto quanto a gente. Afinal, todos sabemos que o que vale é o lazer e que se não for pra ser divertido, não vale a pena.