© 2013 Alex Martins Porque eu percebo a importância do meu sorriso para o outro...

I’ll Take Care Of You – Etta James

 

 

Durante muito tempo em minha vida eu vivi fechado dentro dos meus medos, meus sonhos, minhas histórias. Não me lembrava de como era bom ser cuidado. Aliás, me pergunto se alguma vez em minha vida realmente deixei alguém cuidar de mim. Sempre eu é que tinha que cuidar, resolver, fazer agir, servir.

Hoje eu tento aprender a ser cuidado. Cuidar é bem mais fácil. Ver o sorriso no rosto de quem se gosta é o mais justo e desejado pagamento que se espera por algo que se faça. Mas e o contrário? O receber? Deveria ser fácil. Nunca foi.

Eu agora aprendo e ensino a receber. Tem sido uma experiência nova e gratificante. Partilhar e não mais dominar. Conversar e não apenas decidir. E como tenho aprendido nesses dias. Como tenho crescido. Foi bom perceber os primeiros sinais da maturidade em minhas ações. Não tenho mais pressa, não tenho mais tanto receio. Apenas faço o que acredito ser o certo, ouço, penso e construo junto.

Não fico mais desesperado esperando algum tipo de aprovação. Eu sei o que sou e o que pode ser esperado de mim. É claro que posso mudar e tenho mudado um pouco mais a cada dia, mas a essência está ali o tempo todo e é isso o que eu realmente ofereço. Não me preocupo mais com detalhes por vezes pequenos demais. Apenas vejo o essencial, o resto a gente muda junto, cresce junto e cria junto as nossas próprias manias.

É assim que tenho vivido. Curtindo dia a dia e crescendo junto com quem se propõe a me ensinar tanta coisa em tão pouco tempo. Vivo como se fosse eterno (e em meus sonhos mais profundos eu desejo que realmente seja assim), aproveito como se fosse efêmero e rápido. Sem, no entanto, cair na falha fácil e adolescente de sufocar pelo excesso. Apenas curto o máximo de cada momento e percebo o quanto ele sempre será único, não importa o que eu viva, sei que cada momento, seja ele bom ou ruim, nunca voltará a ser vivido.

O engraçado nessa história toda é perceber que um hiato de 15 anos é que realmente me ensina. Esse hiato é que me prova que somos realmente a soma de tudo aquilo que de uma forma ou outra nos marcou em nossa vida. E são muitas vezes marcas pequenas, como conversas enevoadas por fumaça de cigarro (que eu nunca consumi) e café (que nunca fez parte da minha dieta) num passado distante que se tornaram a base para toda a alegria que eu sinto hoje. O café virou suco e a fumaça ganha o perfume de lavanda e outras flores. Fica o sorriso, a voz doce e a pessoa.

Se no passado eu falei mais que ouvi. Disse coisas que de uma forma ou de outra marcaram, fui também marcado pela cena. E assim tudo se repete. No passado marquei e fui marcado, hoje ensino e aprendo, cuido e sou cuidado.

Porque eu percebo a importância do meu sorriso para o outro. Percebo que as pessoas não devem ser protegidas da dor que sentem e sim ter companhia nesses momentos. Não posso viver a dor do outro, posso sim (e devo) é encontrar formas de minimizar o sofrimento de quem amo, como quem me ama de alguma forma tenta a todo instante encontrar formas de me dizer que quer me ver feliz.

E assim eu ando de mãos dadas, dou carinho e atenção. Mas também recebo tudo em mesma força e intensidade. E o que é melhor, percebo ser tudo isso natural tanto pra mim quanto pra ela. Nada se força. Se faz apenas aquilo que se quer, como se quer e quando se quer. Amar não dá trabalho, amar requer apenas a vontade de dar ao outro um pedaço de você e receber do outro o pedaço dele que lhe é ofertado. Por me ensinar que amar é tão simples que eu te agradeço tanto por ter entrado em minha vida e finalmente ter me ensinado como é bom cuidar e ser cuidado.