© 2013 Alex Martins Porque só o passar do tempo nos ensina a valorizar e a expressar a nossa verdadeira beleza...

When I Sixty Four – The Beatles

 

 

Muitas vezes ouvimos frases que marcam. Frases que aparentemente chegam aos nossos ouvidos sem motivo algum e ficam. Outras vezes essas frases marcam pelo número de vezes em que as ouvimos num determinado período. Parecem mantras que se tornam populares aos nossos ouvidos.

Ouvi de mulheres diferentes, em momentos diferentes e situações diferentes a reclamação das mesmas que o tempo passou e elas não possuem mais seus 20 anos. Dito de forma a parecer que a passagem do tempo é algo negativo. Como se o tempo fosse inimigo e os 20 anos marcassem uma data especial, uma espécie de ápice pessoal e tempo ideal para a realização de sonhos.

Interessante que pelo menos algumas das mulheres que reclamaram da passagem do tempo fazem parte do meu círculo de amizades a muito tempo. A grande maioria eu já conhecia antes mesmo delas completarem os tais 20 anos de idade. E posso garantir com quase 100% de certeza que as mesmas são pessoas muito mais interessantes hoje acima dos 30, em alguns casos perto ou acima de 40 anos do que eram nos seus 20 anos.

Geralmente o tempo faz bem a quem é inteligente. Por mais que se sofra e a vida seja dura, só o tempo é que pode trazer a maturidade necessária. Só o tempo ensina a gente a aproveitar melhor o que cada idade pode fornecer e por isso só o tempo pode ensinar formas de realçar belezas outrora escondidas ou descartadas.

Se um bebê é belo aos olhos de todos, uma criança é sempre vista como fofinha e simpática e o jovem tem na plenitude física e no fogo da inquietude os atributos que o tornam interessantes, só mesmo o adulto é que passará a ser visto pelas suas próprias características e por isso reconhecido por um tipo pessoal e próprio de beleza. Nesse caso a beleza não reside mais no grupo a que se pertence, mas sim ao indivíduo.

E é assim que eu vejo cada uma dessas mulheres que em momentos diferentes reclamaram dos 20 anos terem passado. Muito mais belas agora do que no passado. Afinal, hoje elas são muito mais plenas e reconhecíveis por suas características do que pela rigidez do corpo. As curvas podem ser outras, a pele pode trazer marcas e até o cabelo pode ter se modificado. Mas no caso delas tudo foi lindamente alterado pelo tempo. As experiências criaram a força expressa nas pequenas marcas no rosto. Os dissabores que cada uma passou podem ter se tornado gramas a mais ou a menos. Os banhos de chuva podem ter modificado o brilho dos cabelos. Mas tudo isso trouxe um novo brilho aos olhos, um andar mais altivo, um sorriso mais verdadeiro e uma confiança que não se encontra ainda em quem pouco viveu ainda no início da vida adulta.

Mesmo a mulher que amo, é muito mais bela aos meus olhos hoje do que a 15 anos atrás quando nos vimos pela primeira vez. Hoje ela se tornou muito mais encantadora e bela, se tornou mais completa, mais viva. Não que antes não fosse bela, ela era, sempre foi, mas hoje traz mais de si nessa beleza. Vai além do físico, chega a algo que se pode de alguma forma chamar de alma, uma beleza mais ampla.

E é essa a beleza ampla que me encanta, que me faz por vezes sonhar ouvir e viver a música dos Beatles que nomeia o texto. Chegar aos meus 64 anos ao seu lado. Aproveitando cada segundo e reinventando esse amor e carinho. Descobrindo novas facetas dessa beleza que se altera a cada dia.

Não falo só dela, falo de todas. Minha mãe é mais bela a cada dia, minha irmã também. Minha avó apresenta um tipo bem peculiar de beleza encantadora e isso acontece com todo mundo, mulheres e homens. Porque só o passar do tempo nos ensina a valorizar e a expressar a nossa verdadeira beleza, aquela que irradia de dentro pra fora e não o contrário.