Change The World – Blubell

 

 

Sábado fui a um show, evento pra mim totalmente despretensioso. Pouco esperava além de algumas risadas, ouvir músicas que de alguma forma me fariam curtir o passar do tempo e principalmente estar bem acompanhado por alguém que muito estimo. Não era o objetivo pensar em algo, aliás, pensar era algo totalmente fora da proposta para uma noite de sábado. Não que pensar seja ruim, muito pelo contrário. Apenas o objetivo era só o relaxamento total.

Entretanto, confesso que fui rindo música a música e percebendo  que em muitos casos uma nova roupagem torna muito mais palatável algo que num primeiro contato não consegue passar do status de horrendo. Não que eu tenha achado músicas como Ai se eu te pego;  Tche tche rerê e Eu quero Tchu, eu quero Tcha  tenham realmente subido ao status de música, não chego a grau, mas confesso que o contato com essas músicas se tornou muito menos irritante com uma nova roupagem.

E com isso na cabeça (e outras músicas realmente mais interessantes sendo tocadas) um monte de coisas começou a passar pela minha cabeça. Primeiro o mais óbvio, pensei nas mães que de uma forma ou de outra tentam disfarçar alguns alimentos para que as crianças comam sem tanta birra, com o dia das mães tão próximo não tive como fugir dessa linha de raciocínio. E até confesso ser um tema interessante. Afinal a gente doura a pílula um monte de vezes no nosso cotidiano, só que outra ideia surgiu e acho que hoje seguir por essa trilha vale mais a pena.

No show, o Nico Nicolaiewski oferece suas versões (eu recomendo o show pra quem puder assistir, foi bastante divertido, até o fim do mês no Teatro Eva Hertz em São Paulo, depois volta pra Porto Alegre e as poucos deve rodar o país todo). A sua forma de ver essas canções extremamente populares. A sua forma de contar histórias que todo mundo ali já conhecia.

Quantas vezes a gente não faz isso? A literatura vive de contar a mesma história muitas vezes, cansei de contar em quantos livros eu já reconheci o mito do herói, e o mais engraçado, mesmo sabendo disso, posso dizer com total segurança que gostei de vários desses livros. Não pelo mito em si, mas pela abordagem totalmente pessoal que o autor deu, pegando uma ideia aparentemente batida e contando do seu jeito, reforçando aquilo que lhe pareceu mais importante e deixando pra lá aquilo que não lhe interessou, sem no entanto esquecer dos fatos todos, apenas dosando bem os pontos da história.

De alguma forma é isso que eu espero dos meus alunos. Sei que falo muita coisa, sei que as vezes sou chato pra caramba e fico pegando no pé em detalhes que para alguns parecem  não fazer sentido. Acontece que no fundo, eu só quero que eles sejam de certa forma como o Nico foi em seu show. Quero que eles contem a sua versão do que aprendem comigo. Quero que eles reproduzam as mesmas histórias que a humanidade vem reproduzindo há anos com a sua experiência de vida e seu olhar. Quero que seu olhar seja capaz de produzir algo melhor do que eu ofereço hoje.

E confesso que me empolgo com cada leitura mais profunda que percebo. Confesso que toda vez que vejo alguém que já não funciona mais apenas como receptor de ideias, mas que passa a aceitar as ideias e de alguma forma tenta mostrar a forma como interpretou aquilo eu me vejo mais feliz. Não falo dos sofismas que vez ou outra surgem. Falo das leituras embasadas e das histórias criadas com raciocínio lógico, estrutura e informação. Nessas horas eu percebo que uma parte do meu trabalho valeu a pena.

Porque mais importante que ler o mundo é saber como é que eu o interpreto. De nada adiantam as palavras e frases soltas se elas no fundo não fazem sentido algum. É preciso ir além do básico. É preciso querer dizer ao mundo o que se pensa, mas antes disso é preciso ter sobre o que pensar e a partir desse ponto realmente emitir alguma opinião.

Escolhi hoje uma música do Eric Clapton que eu adoro, numa versão que me encantou na primeira vez que ouvi. Pena ter sido num comercial de banco. Estranho imaginar um banco querendo realmente mudar o mundo, ou realmente apaixonado por seus clientes. Isso também é algo a se pensar. Quem sabe alguém posta sua opinião sobre o tema nos comentários?

Agora eu deixo o texto, e a canção, que confesso, se tivesse voz e soubesse tocar bem o suficiente, cantaria com toda a força para muita gente. Só mudando o tempo verbal, deixando pra lá o pretérito imperfeito e partindo com tudo para o presente. Eu posso e vou mudar o mundo de muita gente com a mesma força positiva que essas pessoas têm mudado o meu mundo. Principalmente de quem tem me ensinado a ver tudo com um olhar muito mais leve e divertido.

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