© 2013 Alex Martins porque se alguns aparentemente brilham mais do que outros, só o fazem porque os outros preparam o palco para que os alguns brilhem...

Stars – Simply Red

 

 

Tantas pessoas vendo a Lua, as fotos postadas mostrando um sorriso doce e uma pinta bem perto desses lábios sorridentes (Vênus trazendo todo o seu charme). Confesso que nunca vi tanta gente postando fotos da Lua ou do céu. Acho que só em eclipses vi uma formação no céu chamar tanto a atenção de todos nós na geração computador.

Eu fui até a sacada do prédio onde moro e até arrisquei uns cliques, mas confesso que fiquei mais atendo ao olhar em volta. Procurar outras coisas no céu que poderiam também ter chamado a atenção de quem olhasse. Agora mesmo enquanto escrevo, sentado aqui no sofá, as nove horas da noite, se olhar para fora do apartamento, em direção a sacada e para o alto fica fácil ver a constelação de Escorpião. Fica rápido encontrar a brilhante Antares, coração do escorpião que caminha pelo céu.

E poderia passar um bom tempo vendo e citando outras constelações (já que a Lua mesmo não consigo ver mais daqui de onde escrevo). É incrível como mesmo não fazendo tanto sucesso assim quanto a Lua as estrelas estão sempre lá no céu. Pouco importa que a gente não saiba seus nomes, que não lhes dedique atenção como a outros astros que todo mundo conhece por nome e sobrenome se tivessem. Elas estão lá e fazem seu papel, servem de guia a quem se interessar por seguir seus passos noite a noite e embelezam sempre os corações apaixonados.

Não pretendo aqui ficar falando do que realmente são estrelas ou outros astros, quem me conhece sabe o quanto gosto de Astronomia, só que o momento aqui é outro pede outra leitura. Deixo os conhecimentos científicos de lado por um instante para me apegar a poesia que tanto prendeu tantos hoje a noite e a formas de se ler o que a poesia escondeu.

A ternura da busca pelo belo sorriso da Lua, me fez pensar em como cada um tem que saber levar o seu mágico papel silencioso. As estrelas todas estavam lá (e são muitas mais e muito maiores do que qualquer satélite como a lua). E não se importam com um pseudo segundo plano no gosto popular. As pessoas acham a lua mais bonita e ponto. Chamam geralmente todas as estrelas de estrelas, não se importam em saber que uma chama Antares, outra Aldebaram, Deneb ou qualquer outro nome que tenha sido inventado por algum observador no passado.

Fazer o que deve ser feito independente do reconhecimento é uma difícil lição. A gente sempre espera um muito obrigado, um parabéns, um reconhecimento pelo bom trabalho. A gente sempre espera algo em troca. Só que a gente deveria apenas fazer por fazer. Fazer o que a gente acredita e porque a gente acredita. Pena ser tão difícil isso.

Difícil também é reconhecer o valor de todos em um resultado. A noite só é tão bela pela presença de todas as estrelas que brilham e dançam ao redor da lua, que recebe do Sol a sua luz. E a gente esquece de agradecer a todos estes. Como esquece de agradecer aos pequenos agrados que recebemos diariamente.

Se a escola que eu trabalho está limpa quando eu chego, é porque alguém fez o trabalho antes que eu chegasse, bem como alguém construiu o espaço, organizou as salas, matriculou os alunos, cuidou para que os mesmos entrassem no horário nas respectivas salas e garantiu que estes recebessem o lanche nos horários corretos.

Tanta gente invisível. Tanta gente que sem a sua presença em algum momento, o meu trabalho simplesmente não existiria. E isso sem falar dos diversos outros que eu simplesmente não tive como citar. Será que eu realmente consigo ver a grandeza do papel de cada um?

Engraçado como a gente valora uns mais que os outros, diz que  existem trabalhos,  carreiras e histórias de vida mais importantes dentro do grande grupo social em que estamos inseridos. Ok, uns estudam mais, outros produzem mais, uns são mais habilidosos e outros mais espertos. Só que no fundo todos somos apenas humanos e valorar minimamente esse lado em cada um deveria ser uma lição daquelas que a gente aprende em casa. Aliás o quanto eu aprendi com faxineiros, pedreiros, médicos, escritores, artistas ou qualquer outro profissional que seja é extremamente pouco se comparado ao que eu aprendo diariamente com pessoas, pessoas de todas as idades, saberes e valores.

Porque é difícil para a gente lembrar que embaixo de cada personagem social somos todos apenas humanos, com os mesmos direitos e deveres. Se alguns aparentemente brilham mais do que outros, só o fazem porque os outros preparam o palco para que os alguns brilhem.