Esconderijos

Quase não se vê

Como segundo post, resolvi falar um pouco da forma como o mundo se apresenta pra mim.

As vezes eu me sinto como esse lagarto ai da foto. Procurando se esconder de tudo o que está ao redor e em busca de algo interessante que passe diante dos meus olhos, algo que me faça dar um passo adiante

Se nada me fizer andar, fico ali parado mesmo. Só observando o mundo, sem querer fazer parte dele. Na verdade eu me sinto externo ao mundo. Alheio ao que acontece, como um observador perdido numa rua movimentada de uma cidade em que não se conhece nada.

Vejo as coisas como se nunca fossem comigo, isso de certa forma incomoda, é verdade. Mas também é verdade que me permite fazer certos apontamentos e mesmo dizer algumas coisas com muito mais calma. Ser crítico sem envolvimento é sempre mais fácil.

Por isso eu fotografo da forma que fotografo, fazendo recortes de cenas que passam diante dos meus olhos, eu adoro as teleobjetivas, elas me permitem selecionar apenas a parte da cena que quero comentar ou destacar. Ao contrário das grande-angulares que te inserem dentro da cena, eu nunca me sinto parte.

Essas reações distantes também me permitem uma leitura diferente, é possível entender porque uma pessoa sente dor se você não a sente, ou não se influência por ela. Dessa forma você consegue dissecar a cena toda e entender exatamente qual foi o pisão no calo que causou a dor.

Dor aliás que me persegue, porque se eu consigo ler a dor do outro, a minha fica mais difícil, ela está guardada em mim e não consigo ver de fora. Eu gostaria de conseguir, confesso. Talvez isso me fizesse ser alguém melhor e mais alegre.

Alguns amigos me dizem que eu me escondo dos meus medos e a dor é resultante dessa fuga. Talvez isso seja realmente verdade. Afinal quem não se esconde em algo? Existe alguém 100% autêntico e com tanta coragem? Eu até assumo que tenho medo das pessoas, medo daquilo que não consigo entender

Aliás, se você ler esse post, que tal se abrir um pouco? Fale do seu esconderijo, fale daquilo que você foge. Fale do que você gostaria de mudar.

Prisioneiros

Alguém já viu uma cela com grades assim?

     Pois é, virei blogueiro, ou pelo menos tentarei virar. A idéia é sempre que me surgir algum assunto interessante vir aqui. Falar aquilo que penso e da forma como penso.

Começar algo nunca é simples, mas é sempre necessário. Escolher o tema do primeiro texto também não foi tão fácil. A primeira opção e justamente a que venceu foi falar daquilo que mais me incomoda. A vida urbana, a forma como as cidades nos dominam.

Com um grupo de amigos fotógrafos, estou tentando dissecar a urbe e mostrar o que vejo e sinto dela. Acho que nesse espaço posso brincar um pouco com isso. Sem me aprofundar muito, quero ao menos lançar as idéias que estou desenvolvendo nesse ensaio fotográfico.

Eu sempre fui (e ainda sou) uma pessoa que teme multidões, pessoas me assustam e nunca escondi isso de ninguém. O que talvez tenha escondido nesse tempo todo é que sinto uma certa inveja da forma leve como todo mundo encara a multidão. E justamente pra tentar ler essa multidão que eu procuro entender as cidades. Se repararmos, num ambiente urbano vivemos presos em regras.

Ninguém se pergunta o motivo, mas todos se vestem de forma parecida, possuem sonhos parecidos, comem coisas parecidas, se divertem de forma parecida e até se irritam pelos mesmos motivos. Você já se perguntou pelo real motivo de ter que trabalhar todos os dias? Por que as mulheres usam saias e os homens calças compridas (calma não quero andar por ai de saias)? Por que é divertido ficar dançando a noite toda? Por que fico com raiva toda vez que um folgado não cede lugar no metrô pra um idoso?

Até respondemos essas perguntas, mas concorda que todas as respostas são superficiais? No fundo, a resposta mais coerente pra essas e diversas outras questões seria por que todo mundo age assim também. E nessa brincadeira, confesso que me sinto como as formigas no filme FormiguinhaZ, onde a diversão delas é dançar macarena todo mundo junto.

Essa padronização acaba surgindo também em quem deveria transgredir as regras. Os artistas adoram se dizer diferentes, mas será que fogem desse lugar comum? Os conceitos de belo e feio são padrões, e preferencialmente padrões simples de serem decodificados por qualquer pessoa que veja o que se apresenta.

Existe espaço para o realmente diferente na nossa sociedade? Infelizmente acredito que não e ai me sinto preso também dentro desse contexto. Atrás de grades dispostas sempre da mesma forma, por que é assim que sempre foi e assim sempre será.