When I Sixty Four – The Beatles

 
http://youtu.be/VH9-UYX8RlQ
 

Muitas vezes ouvimos frases que marcam. Frases que aparentemente chegam aos nossos ouvidos sem motivo algum e ficam. Outras vezes essas frases marcam pelo número de vezes em que as ouvimos num determinado período. Parecem mantras que se tornam populares aos nossos ouvidos.

Ouvi de mulheres diferentes, em momentos diferentes e situações diferentes a reclamação das mesmas que o tempo passou e elas não possuem mais seus 20 anos. Dito de forma a parecer que a passagem do tempo é algo negativo. Como se o tempo fosse inimigo e os 20 anos marcassem uma data especial, uma espécie de ápice pessoal e tempo ideal para a realização de sonhos.

Interessante que pelo menos algumas das mulheres que reclamaram da passagem do tempo fazem parte do meu círculo de amizades a muito tempo. A grande maioria eu já conhecia antes mesmo delas completarem os tais 20 anos de idade. E posso garantir com quase 100% de certeza que as mesmas são pessoas muito mais interessantes hoje acima dos 30, em alguns casos perto ou acima de 40 anos do que eram nos seus 20 anos.

Geralmente o tempo faz bem a quem é inteligente. Por mais que se sofra e a vida seja dura, só o tempo é que pode trazer a maturidade necessária. Só o tempo ensina a gente a aproveitar melhor o que cada idade pode fornecer e por isso só o tempo pode ensinar formas de realçar belezas outrora escondidas ou descartadas.

Se um bebê é belo aos olhos de todos, uma criança é sempre vista como fofinha e simpática e o jovem tem na plenitude física e no fogo da inquietude os atributos que o tornam interessantes, só mesmo o adulto é que passará a ser visto pelas suas próprias características e por isso reconhecido por um tipo pessoal e próprio de beleza. Nesse caso a beleza não reside mais no grupo a que se pertence, mas sim ao indivíduo.

E é assim que eu vejo cada uma dessas mulheres que em momentos diferentes reclamaram dos 20 anos terem passado. Muito mais belas agora do que no passado. Afinal, hoje elas são muito mais plenas e reconhecíveis por suas características do que pela rigidez do corpo. As curvas podem ser outras, a pele pode trazer marcas e até o cabelo pode ter se modificado. Mas no caso delas tudo foi lindamente alterado pelo tempo. As experiências criaram a força expressa nas pequenas marcas no rosto. Os dissabores que cada uma passou podem ter se tornado gramas a mais ou a menos. Os banhos de chuva podem ter modificado o brilho dos cabelos. Mas tudo isso trouxe um novo brilho aos olhos, um andar mais altivo, um sorriso mais verdadeiro e uma confiança que não se encontra ainda em quem pouco viveu ainda no início da vida adulta.

Mesmo a mulher que amo, é muito mais bela aos meus olhos hoje do que a 15 anos atrás quando nos vimos pela primeira vez. Hoje ela se tornou muito mais encantadora e bela, se tornou mais completa, mais viva. Não que antes não fosse bela, ela era, sempre foi, mas hoje traz mais de si nessa beleza. Vai além do físico, chega a algo que se pode de alguma forma chamar de alma, uma beleza mais ampla.

E é essa a beleza ampla que me encanta, que me faz por vezes sonhar ouvir e viver a música dos Beatles que nomeia o texto. Chegar aos meus 64 anos ao seu lado. Aproveitando cada segundo e reinventando esse amor e carinho. Descobrindo novas facetas dessa beleza que se altera a cada dia.

Não falo só dela, falo de todas. Minha mãe é mais bela a cada dia, minha irmã também. Minha avó apresenta um tipo bem peculiar de beleza encantadora e isso acontece com todo mundo, mulheres e homens. Porque só o passar do tempo nos ensina a valorizar e a expressar a nossa verdadeira beleza, aquela que irradia de dentro pra fora e não o contrário.

Spaceman – The Killers

 

 

Incrível como pequenas fatos mudam tanto a nossa perspectiva em relação a vida e ao mundo. Incrível como muitas vezes um único fato faz tanta coisa na vida de alguém. Engraçado como em meu último texto eu tentei agradecer por estar alegre e do nada recebi uma mensagem onde me disseram que eu não ligava pras lágrimas que causei. Confesso que isso ficou martelando a minha cabeça, por ter vindo de onde veio, como veio e sem a devida cobrança pela determinada lágrima.

Confesso que num momento imaginei que a felicidade de alguém pode simplesmente machucar alguém pelo simples fato dela existir. Eu sou daqueles que realmente acredita que é impossível ser feliz sozinho, mas não quer dizer que eu precise ter alguém ao meu lado e sim que eu preciso que os próximos a mim estejam felizes para que eu me sinta também feliz. Uma espécie de efeito manada.

Claro que um sonho seria poder fazer as pessoas felizes apenas pelo exemplo. Queria que a minha felicidade contagiasse todo mundo e sinto pena de quem acaba sentindo o oposto pelo fato de ver alguém feliz. Isso dito, vale a pena falar de exemplos que realmente marcam. Vivemos num país de baixa idolatria. Um país sem heróis e que tenta de todas as formas destruir os poucos heróis que tem. Direto vejo gente chamando Tiradentes de engodo, Zumbi ter sua orientação sexual contestada e colocada acima de sua importância histórica (o que a orientação sexual de alguém muda nos seus atos?)

Quinta e sexta estive ao lado de um dos raros heróis brasileiros atuais. Um dos únicos da área de ciência e tecnologia, com certeza o mais popular dessa área. Trabalhei como voluntário num evento organizado pelo Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro. Primeiro homem de nosso país a conseguir realizar um sonho de provavelmente muitas de nossas crianças. Já o havia conhecido antes, então o jeito simples e sem afetação não foi novidade. Nem mesmo a forma atenciosa como atendeu todas as crianças ávidas por uma foto, um abraço um autógrafo (levei um livro autografado pra minha namorada, ninguém é de ferro e mesmo trabalhando tive meu momento tiete).

O que pude perceber ali, é que muita gente idolatra o que ele fez. Principalmente as crianças. O que me incomoda é saber que muita gente inveja a conquista dele. Muita gente briga por um brilho maior do que o da estrela estabelecida. Como se o sucesso do outro de alguma forma impedisse o seu. Pessoas buscam erros  nas menores ações, nos menores passos e fazem questão de divulgar.

Parece que é proibido para o famoso cometer um erro. Ele não pode ser humano, tem que ser perfeito. Os detratores querem sempre a falha e nunca realçam as qualidades. E eu me pergunto o porquê. Seria muito mais justo entender que todo mundo erra e que mesmo errando como todo mundo, tem gente que consegue ir além dos erros e conseguir acertos que maravilham muita gente e servem de inspiração.

Fico pensando se por estar feliz e dizer isso eu de certa forma incomodei, imagine como incomodam aqueles que realmente inspiram e principalmente o peso que eles carregam por isso. Porque mais do que fazer o duro é manter o exemplo. Isso não depende de quem faz, depende bem mais de quem olha saber ter o olhar livre o suficiente para ver apenas o lado positivo. Depende de quem vê perceber que as glórias muitas vezes são bem mais do que merecidas.

Não se busca a perfeição e a plenitude. Busca-se sempre o melhor exemplo. Todo mundo quer ser a melhor pessoa possível e minimizar seus erros. Infelizmente a gente sempre vai errar em algum ponto, causar alguma lágrima, mas reitero que mais importante que as lágrimas que a gente causa (e de alguma forma tenta estancar a dor de quem chora) são os sorrisos que a gente cria.

I’ll Take Care Of You – Etta James

 

 

Durante muito tempo em minha vida eu vivi fechado dentro dos meus medos, meus sonhos, minhas histórias. Não me lembrava de como era bom ser cuidado. Aliás, me pergunto se alguma vez em minha vida realmente deixei alguém cuidar de mim. Sempre eu é que tinha que cuidar, resolver, fazer agir, servir.

Hoje eu tento aprender a ser cuidado. Cuidar é bem mais fácil. Ver o sorriso no rosto de quem se gosta é o mais justo e desejado pagamento que se espera por algo que se faça. Mas e o contrário? O receber? Deveria ser fácil. Nunca foi.

Eu agora aprendo e ensino a receber. Tem sido uma experiência nova e gratificante. Partilhar e não mais dominar. Conversar e não apenas decidir. E como tenho aprendido nesses dias. Como tenho crescido. Foi bom perceber os primeiros sinais da maturidade em minhas ações. Não tenho mais pressa, não tenho mais tanto receio. Apenas faço o que acredito ser o certo, ouço, penso e construo junto.

Não fico mais desesperado esperando algum tipo de aprovação. Eu sei o que sou e o que pode ser esperado de mim. É claro que posso mudar e tenho mudado um pouco mais a cada dia, mas a essência está ali o tempo todo e é isso o que eu realmente ofereço. Não me preocupo mais com detalhes por vezes pequenos demais. Apenas vejo o essencial, o resto a gente muda junto, cresce junto e cria junto as nossas próprias manias.

É assim que tenho vivido. Curtindo dia a dia e crescendo junto com quem se propõe a me ensinar tanta coisa em tão pouco tempo. Vivo como se fosse eterno (e em meus sonhos mais profundos eu desejo que realmente seja assim), aproveito como se fosse efêmero e rápido. Sem, no entanto, cair na falha fácil e adolescente de sufocar pelo excesso. Apenas curto o máximo de cada momento e percebo o quanto ele sempre será único, não importa o que eu viva, sei que cada momento, seja ele bom ou ruim, nunca voltará a ser vivido.

O engraçado nessa história toda é perceber que um hiato de 15 anos é que realmente me ensina. Esse hiato é que me prova que somos realmente a soma de tudo aquilo que de uma forma ou outra nos marcou em nossa vida. E são muitas vezes marcas pequenas, como conversas enevoadas por fumaça de cigarro (que eu nunca consumi) e café (que nunca fez parte da minha dieta) num passado distante que se tornaram a base para toda a alegria que eu sinto hoje. O café virou suco e a fumaça ganha o perfume de lavanda e outras flores. Fica o sorriso, a voz doce e a pessoa.

Se no passado eu falei mais que ouvi. Disse coisas que de uma forma ou de outra marcaram, fui também marcado pela cena. E assim tudo se repete. No passado marquei e fui marcado, hoje ensino e aprendo, cuido e sou cuidado.

Porque eu percebo a importância do meu sorriso para o outro. Percebo que as pessoas não devem ser protegidas da dor que sentem e sim ter companhia nesses momentos. Não posso viver a dor do outro, posso sim (e devo) é encontrar formas de minimizar o sofrimento de quem amo, como quem me ama de alguma forma tenta a todo instante encontrar formas de me dizer que quer me ver feliz.

E assim eu ando de mãos dadas, dou carinho e atenção. Mas também recebo tudo em mesma força e intensidade. E o que é melhor, percebo ser tudo isso natural tanto pra mim quanto pra ela. Nada se força. Se faz apenas aquilo que se quer, como se quer e quando se quer. Amar não dá trabalho, amar requer apenas a vontade de dar ao outro um pedaço de você e receber do outro o pedaço dele que lhe é ofertado. Por me ensinar que amar é tão simples que eu te agradeço tanto por ter entrado em minha vida e finalmente ter me ensinado como é bom cuidar e ser cuidado.

Panic – The Smiths

 

 

Eu realmente tenho passado por mudanças mil. Aos poucos fui colocando cores na minha vida (os mais próximos vão entender que isso é bem mais literal do que aparenta). Hoje consigo ver mais cores no mundo e com mais alegria comemorarei o dia do azul amanhã em tons bem mais coloridos.

Apesar de tão alegre, devo, entretanto, me lembrar do pânico que senti quanto tudo isso começou. É muito difícil mudar, é muito complicado seguir adiante numa nova história e mudar aquilo que se vive, mesmo quando o que se vive não nos agrada. A gente sente medo do novo, mesmo sabendo que o novo é  melhor que o atual, mesmo sabendo que nada pode ser pior do que o atual.

O medo faz parte da vida. Chego até a dizer que ele é necessário e nos torna previdentes, o problema é quando eles nos impede de fazer o que deve ser feito. Eu vivi por muito tempo assim, vencido pelo medo, escondido da luz preso no quarto escuro da minha mente.

Quem nunca teve que enfrentar os próprios fantasmas? Quem nunca teve que dizer a si mesmo que era hora de ter coragem e dar um pequeno passo adiante? Eu fiquei anos até conseguir, por isso entendo quem não consegue, mas digo, vale a pena enfrentar toda a dor e sair da zona de conforto que nada tem de confortável só para de repente conseguir ver um céu azul e bonito.

Eu já não acreditava e confesso que se não tivesse tido gente que acreditasse em mim talvez eu não tivesse conseguido. Tem horas em que a gente simplesmente perde a coragem e precisa de algum apoio. Eu tive,amigos, família, médicos, psicólogos, alunos. Gente que soube que eu precisava de ajuda e não negou. Gente que me ajudou a vencer o medo.

E vencer o medo não quer dizer destruí-lo, quer dizer apenas poder ir além dele. O medo continua lá, mas ele serve apenas de alerta. Ele nos diz que algo incomoda e nos faz ficar mais cuidadosos. Não quero que ele suma. Preciso dele, como preciso da alegria e de todo o amor que estou sentindo. O medo de certa forma me traz juízo.

Ele só não pode ser tão forte como já foi. Não quero mais o pânico, quero o equilíbrio. Quero apenas o medo que faz pensar e não mais o que impossibilita. E quero que mais gente consiga vencer suas barreiras. Quero ajudar como fui ajudado. Quero mais gente chegando ao seu pote de ouro no final do arco-íris.

Porque não tem graça ser feliz sozinho. É muito mais divertido ver a alegria no rosto de todo mundo ao mesmo tempo. Eu não quero rir enquanto você chora, quero sorrir com você. E com toda a alegria que eu sinto nesse momento, certamente eu sei que de alguma forma posso ajudar alguém a ser mais feliz.

Lembro do Espantalho, inimigo do Batman que espalha o tal gás do medo. Eu queria ter algo mais próximo do que o Coringa criou, uma espécie de gás do riso. Eu quero ver todo mundo tão feliz como eu. Eu quero ver o mundo realmente alegre e colorido, como é colorido o que aparece diante dos meus olhos e brilha intensamente em meu coração. Quero todo mundo junto, tudo misturado, sorrindo, rindo e gargalhando. Porque assim como eu, todo mundo merece ser feliz.

Thank You – Alanis Morissete

 

 

Ontem foi um daqueles dias estranhos em que o bom humor aparece no rosto e nada, mas nada mesmo parece ser capaz de se intrometer na alegria que se apresenta. Nem sou uma pessoa que comemore tanto assim os próprios aniversários. Não sou de festas e agitos, sou mais recluso e de certa forma tímido nessas comemorações.

Acontece que ontem foi um dia diferente. Acordei mais cedo, sem despertador e feliz. Acordei sem sono e acesso. Já sorrindo me preparei para o dia que se mostrou especial já em seus primeiros instantes. Raramente faço isso, mas confesso que foi acordar e já ligar o tablete pra ver o que estava escrito no facebook.

E entre mensagens pessoais carinhosas e postagens em aberto no perfil. Li muita coisa que me fez verter a primeira lágrima do dia. De alguma forma eu me senti importante para gente que é importante para mim. De alguma forma eu me senti abraçado por quem eu queria abraçar e não podia naquele momento, seja pela distância, seja pelo tempo, seja pelo que já virou passado.

Reconhecer o carinho de alunos e ex-alunos foi algo que mexeu comigo. Ler mensagens de carinho de quem eu de alguma forma tentei ajudar e perceber que estas pessoas ainda possuem algum carinho por mim foi algo emocionante. Descobrir que muitos deles cresceram e se tornaram adultos felizes com suas escolhas, responsáveis por seus atos e atuantes nesse mundo. E é justamente essa gente que ainda se lembra de mim (tá certo que o facebook ajuda a lembrar da data) e perde alguns minutos de sua vida para me mandar uma mensagem, mais ou menos elaborada.

Não só eles, pai, mãe, irmã, tios (um deles me cumprimentou uma semana antes…rs, valeu Tio), primos, amigos. Gente que me faz bem. Gente que cada vez mais faz sorrisos chegarem ao meu rosto. Claro que hoje eu tenho um sorriso especial, cerejeira em flor que me faz sentir tão leve, mas é essa gente que é minha gente que me faz feliz. E então cairam a segunda e a terceira lágrimas do dia.

Nunca tive um aniversário tão feliz. No fundo não me lembro de uma fase tão feliz em minha vida. Não nos últimos anos pelo menos. Dizem que o aniversário é recomeço e meu recomeço veio alguns dias antes, com cheiro de chuva e terra molhada. Cheio da água que lavou toda a dor que senti nos últimos anos. A água que levou todas as lágrimas ruins , deixando só as de alegria que agora marcam o meu rosto.

Por isso eu só agradeço a quem me parabenizou, agradeço a quem de alguma forma me transmitiu um pouco do seu carinho e digo que desejo a você a mesma felicidade que estou sentindo agora.

Friday I’m In Love – The Cure

 
http://youtu.be/wa2nLEhUcZ0
 

Raras vezes eu tive tantas músicas na cabeça pra escrever um post. Raras vezes eu tive a cabeça tão cheia de ideias, o coração quente e a mente fervilhando. Tanta coisa aconteceu e eu não sei bem nem como ou por que. Tanta coisa mudou de uma hora para outra e no final tanta coisa boa aconteceu e ainda acontece.

Veio agora a flor da cerejeira em minha mente, as floradas que já vi e as histórias que ouvi sobre o evento. Me vem sempre em mente a ideia de felicidade. Ver a florada é de alguma forma Alcançar uma felicidade plena, como de certa forma agora sinto.

Outra leitura interessante que se faz é a que associa o tempo de vida do samurai ao tempo de floração extremamente curta dessa planta. Eu associo agora com outra realidade. Penso que a flor simboliza o que penso. As flores surgem rápidas e fagueiras enquanto a gente fica alegre e em desordem, e de repente elas até somem, mas a árvore que trouxe o sonho continua e a gente fica contente em cuidar dela para que as flores sempre apareçam. Os samurais eram as flores que protegiam a árvore que era seu senhor.

Não quero flores novas, quero a mesma flor e deixo isso bem claro. Mas remeto no caso a floração como a renovação da alegria. E remeto ainda ao fato de que o período entre as florações é aquele hiato no tempo em que a gente se afasta da árvore, em que fica contando as horas (que parecem anos) para novamente chegar perto da cerejeira que a gente sempre encontra em flor.

O mais interessante é perceber que a floração demora um tempo. Após ser plantada, a árvore tem que crescer um pouco, maturar, ser protegida até esteja forte o suficiente para dar ao mundo as flores. É meio assim que me sinto. Penso nisso e me lembro de um tempo que passou. Uns 15 anos passaram rapidamente diante dos meus olhos como se não tivessem existido. Lembro-me da semente ser plantada a tanto tempo atrás. Lembro-me de imaginar que nunca veria as flores dessa cerejeira. E não é que o mundo nos prega surpresas? Sexta-feira, quando esperava apenas ver a cerejeira fortalecida, percebi o quanto ela cresceu e pra minha surpresa, as flores se abriram diante dos meus olhos.

Eu vi a florada acontecer. E tento reter na memória o tempo em que cada botão se abriu até que a árvore ficou toda colorida e eu sorrindo mais e mais a cada tempo. Nem vi o tempo passar, se foi um dia todo que imaginei ser breve. E de repente veio um dia longo quase eterno, em que senti falta da flores, esperei ansioso nova florada que veio forte e bela hoje novamente. Pena que a florada se foi e agora aguardo ansioso pelo tempo de rever novamente a beleza dos sakurás.

Como disse, pensei em muitas músicas para hoje. A ideia era alguma coisa que falasse de felicidade, a MPB tem diversos bons sons nessa linha. Ai pensei em como me senti e um verso de Infinita Highway não me sai da cabeça “…Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão…”, tentei  voltar no tempo até o fim dos anos 90. Mas no fundo, pra me lembrar do tempo que passou e retornou, acho que The Cure  acaba como melhor opção.

Afinal foi uma sexta especial, cheia de possibilidades e sonhos. Uma sexta que fez com que uma semana pesada se tornasse leve e talvez a melhor de um ano marcado por sonhos de recomeço e mudança. Se não cheguei lá ainda, ao menos percebo que estou no caminho.

Tão diferente foi essa semana (e esse post) que a foto que o ilustra nem minha é. É uma foto de uma cerejeira que serve pra que eu me lembre sempre da minha cerejeira em flor quando algo apertar no meio peito. Não digo aqui o nome de quem fez a foto, mas aviso que se ela quiser, pode e deve solicitar a autoria da foto no comentário

Pride (In The Name Of Love) – U2

 

 

Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias. O mundo parece ter virado do avesso e sensações que pareciam óbvias transformaram-se em novidades daquelas que nos fazem ficar sem chão. Contar todas as histórias seria algo demasiadamente longo e com certeza algo se perderia no meio da narrativa. Justamente por isso, mais fácil é se prender ao ponto mais importante disso tudo. Tentar narrar apenas o sentimento mais intenso, o que mais marcou.

No fundo pouco importa o local onde eu estava. Pouco importa se estive em São Paulo, Brasília, Paris ou Bombaim. Importa a sensação de orgulho, o quanto eu vibrei por uma vitória daquelas que não se divulga. Não existe um prêmio com esse nome, mas deveria se premiar quem aprende a crescer de forma plena. O adolescer adulto é duro e cansativo, acredito que mais doloroso até do que o adolescer infantil. Ter responsabilidades cansa, amedronta e em certa conta dói.

Nessas horas eu procuro me lembrar da forma como fui educado. Da maneira como fui deixando de ser criança e me tornei adulto. Sei que ainda sou um adulto em constante mutação e vejo isso nos jovens que crescem ao meu redor. Vejo as grandes mudanças pelas quais passam, deixando de ser dependentes e passando a assumir suas opiniões e principalmente as responsabilidades de seus atos.

Nos meus 13, 14, 15 anos eu já trabalhava. Ainda moleque eu tinha minhas responsabilidades, mas meus atos ainda eram vigiados e de certa forma chancelados por meus pais que davam as ordens ou permissões necessárias para tudo. Pouco a pouco fui ganhando autonomia até conseguir me ver livre e autônomo. Algo que a meu ver só chegou mesmo na faculdade, já com meus 17, quase 18 anos.

O que eu vi foi algo um pouco mais veloz, mesmo num período muito mais paternalista e protetor da nossa sociedade. A fome faz com que o homem aprenda a caçar e pescar. A necessidade faz com que se aprenda e eu vi jovens aprenderem de forma bastante rápida, vi jovens crescerem bem mais rápido do que o esperado.

O melhor disso tudo é perceber que enquanto os observo crescendo, acabo crescendo junto. Consigo fazer novas coisas e me sinto cada vez mais livre. Aproveito melhor a juventude e me encanto mais com a idade que vai se somando. Observo neles coisas que vivi e a partir disso corrijo rotas erradas que escolhi em minha vida.

Mais do que ações, me assusta o que ganhei em sentimentos. Como aprendi a ser mais livre com o que sinto, mais honesto comigo mesmo. Assumo de maneira mais livre que amo ou odeio, que adoro ou detesto ou que algo simplesmente não me importa. Percebi o quanto é mais simples apenas sentir.

E nisso se junta mais um motivo de gratidão a esses jovens, se primeiro veio a sensação de carinho, depois a preocupação, e se seguiu o orgulho até que apareceram o medo, o desespero e uma alegria desmedida que de alguma forma se traduz de maneira crua e simples num singelo amor.

Porque nessas horas a gente percebe que as verdadeiras vitórias são aquelas que a gente nunca comemora, os maiores prêmios são aqueles que a gente nem se dá conta e o verdadeiro vencedor é na verdade aquele que mais aproveitou a disputa.

Por isso eu posso dizer que venci, posso dizer que vencemos. Posso afirmar que alguns podem até ter chegado na nossa frente, mas duvido que alguém tenha crescido, aprendido e se divertido tanto quanto a gente. Afinal, todos sabemos que o que vale é o lazer e que se não for pra ser divertido, não vale a pena.