Homeworld – Yes

Kepler imaginou que encontraria a força divina em suas observações, mesmo a negação de suas crenças não o fez desistir

Finalmente vou poder fazer uso da minha banda predileta. Aquela que eu gosto de ouvir sempre que fico nervoso, irritado ou pensativo. A maioria das músicas do Yes, não possuem, digamos assim, um sentido muito claro para alguém declaradamente cético como eu. As músicas são em geral bastante pautadas em cima do fantástico, só falta citarem gnomos e fadas em versos soltos bastante Nova Era. Entretanto as melodias produzidas me fascinam. Gosto de ouvir mesmo. E justamente para o que eu quero falar hoje uma das músicas serve perfeitamente.

O personagem de hoje é Kepler, matemático e astrônomo/astrólogo alemão que viveu entre os séculos XVI e XVII. Ficou famoso por formular as 3 leis fundamentais da mecânica celeste. Sua história sempre me fascinou, a ponto de eu fazer dele um de meus ídolos. Isso, graças a forma como ele chegou em sua principal descoberta, a forma como ele viveu.

Justamente por isso Homeworld do Yes (clique aqui para ouvir a música). A letra fala da busca por uma luz verdadeira. Justamente uma busca parecida com a que Kepler teve. Eu, em brincadeiras com amigos comento que gosto do Kepler por ele ser o cara mais “zicado” da história da ciência. Pela versão de sua vida que eu ouvi de uma professora de física no colegial (hoje chamado ensino médio), Kepler foi alguém que sempre se deu mal em sua vida, mas nunca desistiu e até sua maior vitória lhe trouxe dor, pois derrubou aquilo que ele acreditava.

Kepler era um protestante que perdeu emprego num mundo onde católicos e protestantes brigavam. Perambulou até chegar a Tycho Brahe, uma pessoa que ele não gostava (segundo a versão que ouvi e agora repasso). Com a morte de Brahe, um exímio observador apesar de seu comportamento questionável, ele acabou recebendo seus dados e com as observações de Marte conseguiu perceber que a órbita desse planeta é uma elipse.

Ai está a grande perda de Kepler. Uma de suas frases é “Os céus contemplam a glória de Deus.” Ele acreditava cegamente que pelo fato da circunferência ser a forma geométrica perfeita, Deus só poderia fazer com que as órbitas de todos os planetas fossem também circunferências, pois seriam a representação da força divina.

Ainda pelo que conheço da história de Kepler, ele sofreu em diversas outras áreas de sua vida. Teve problemas de pele, sua mãe foi acusada de bruxaria e viu seus entes mais próximos morrerem, fora a perseguição religiosa que sofreu. Mesmo com tudo contra ele ainda conseguiu produzir muita coisa e seguir a sua vida.

Ter publicado seus dados mesmo sendo algo muito doloroso para si, pois mexia com aquilo que lhe era mais caro (sua crença), faz de Kepler um herói para mim. Ele entra no rol dos personagens estilo super-heróis antigos, que fazem as coisas que tem que ser feitas, independente sofrerem por isso. Essa postura é algo que eu busco, tento fazer aquilo que acredito ser certo, mesmo que respingue em mim, confesso que nem sempre consigo.

É claro que muitos biógrafos dizem que ele era uma pessoa de difícil trato, chato pra caramba pra ser mais honesto, que como professor era péssimo e talvez a perda do emprego por motivos religiosos tenha sido bom para seus alunos de matemática. Claro também que sou o oposto dele, eu sou cético e ele era um religioso fervoroso, além de acreditar na astrologia, algo que confesso não me atrai. É correto também, afirmar que em sua época todos os astrônomos eram também astrólogos e fazer previsões para os reis era uma de suas atribuições.

Porém, eu reitero o que já disse em outros posts, transformo em ídolos pessoas por pequenas coisas, cada um tem algo a ser visto com ótimos olhos. No caso de Kepler, o sentido de dever, algo que busco sempre conseguir. Continuo esperando os ídolos de vocês que visitam este blog. No domingo falarei de outro cientista.

Bicycle Race – Queen / Tour de France – Kraftwerk

Muitos deles devem ter Lance Armstrong como ídolo

Essa semana está meio baixo astral. Baixou a tristeza aqui e os temas rarearam um pouco. Hoje que reparei que era o dia de postar algo novo no blog. E o tema? Difícil escolher. Em mim está aquela sensação de que por mais de saco cheio que eu esteja, algumas coisas devem continuar. Eu devo continuar fazendo aquilo a que me propus, independente da minha vontade.

Ao pensar nisso. Lembrei-me de alguns heróis de carne e osso. Pessoas que nas suas áreas foram muito acima do esperado e se tornaram exemplos míticos. Pessoas que conseguiram se transformar em exemplos em alguma área. Já falei um pouco disso antes, temos aqui no Brasil o péssimo hábito de exigir santidade dos nossos ídolos, eles devem ser bons em tudo.

Eu não penso assim, talvez por isso acabe respeitando muita gente que se destaca em sua área. Pretendo falar de alguns nessa semana e talvez na próxima. O título da música escolhida diz tudo. Eu pensei em escolher tour de France do Kraftwerk (pra ver o clipe clique aqui), mas acabei também optando pelo saudoso quarteto britânico Queen e a música bicycle race (clique aqui para ver o clipe). Na verdade, fiquei com as duas,por gostar muito de ambas.

O personagem de hoje é Lance Armstrong, um dos mais famosos atletas do mundo e multicampeão da mais famosa prova ciclística do mundo, a Tour de France. Armstrong venceu a prova por 7 vezes e isso depois de diagnosticado e tratado de um câncer nos testículos, cérebro e pulmão.

A obstinação desse atleta é que me faz falar dele. Raras pessoas teriam a força de vontade que ele teve, de lutar contra uma forte doença, vencer a doença e mais do que isso se tornar um vencedor pleno numa atividade física que exige muito do corpo, imagine do corpo de alguém que teve câncer espalhado pelo corpo?

Falo dele também pelo seu lado teimoso. Depois de aposentado do ciclismo em 2006 resolveu voltar a competir e nesse ano na volta da França está dando uma canseira nos que vinham competindo direto. Até agora está em terceiro na classificação geral, apenas 8 segundos atrás do primeiro lugar, se colocando como uma dos favoritos ao título, junto com seu companheiro de equipe Alberto Contador.

As brigas dentro da equipe Astana, causadas pelo choque de egos entre os dois grandes ciclistas até poderiam entrar aqui. Pois demonstram a sede de vencer, mas prefiro fugir do assunto. Apenas torço para que o Lance Armstrong consiga vestir a camisa amarela em algum dos dias dessa volta da França e acredito que o Contador acabará ganhando.

Mas vamos ao que interessa. Ver um exemplo como o desse ciclista me faz pensar que muitas vezes choro sem motivos reais. Que não deveria abaixar a cabeça para as coisas ruins que ocorrem no meu dia a dia. Também vejo que deveria lutar mais por meus objetivos. O desejo é a principal fonte de energia para a vitória. E as conquistas devem sempre servir de estímulos para vencer novos desafios.

Não apago as suspeitas de doping desse atleta, principalmente em sua primeira vitória no Tour de France em 1999. Nem vejo isso como algo positivo em sua biografia. Ele não é um exemplo por isso, mas sim por lutar e lutar muito.

Você tem algum herói? Gostaria de falar dele? Durante a semana eu devo falar de outras pessoas que admiro, artistas, cientistas, gente comum.

O Parque da Juraci – Genival Lacerda e Zeca Baleiro

Só é possível que você sente numa dessas cadeiras na beira da praia porque alguém as fez e as colocou lá

Na quinta eu falei da relação causa e efeito nos relacionamentos, mas ela atinge todos os pontos da nossa vida. Por mais que eu deseje isso (tenho que admitir), não dá pra viver isolado do mundo ou mesmo independente das outras pessoas.

Um exemplo disso é a música que eu escolhi para este texto. Adoro Zeca Baleiro e ouvindo uns CDs antigos encontrei essa música gravada junto com o Genival Lacerda. O clipe encontrado no youtube (clique aqui para ver) para o Parque de Juraci também é bastante divertido. Até porque não dá pra levar a sério nem fugir do riso em qualquer situação que o Genival Lacerda apareça. Até o hábito que ele traz em suas músicas de trabalhar com sentido duplo aparece, onde a frase Juraci que parque é confundida com Jurasic Park. Confesso que gostei da tirada dos autores do clipe.

Mas voltando ao que interessa. Na música, o Zeca fala que recebeu um convite para visitar um parque com a Juraci, mas ao chegar lá o parque já não existe, foi substituído por um restaurante por quilo. Ele descreve a história demonstrando as sensações que tomam conta do cantor. Primeiro a alegria eufórica pelo convite e depois a raiva e ira ao perceber-se sem o parque e de certa forma enganado.

Quantas vezes isso não acontece diariamente conosco? Você planeja algo nos mínimos detalhes, deixa tudo bem claro, porém, devido a outras pessoas seu planejamento vai por água abaixo. Por mais óbvio que alguns comportamentos possam parecer, nunca podemos prever o que o outro fará em determinada situação.

É comum no trabalho você seguir seu ritmo e se ver parado, pois depende do serviço do outro que ainda não fez a sua parte. Você se arruma pra sair e vai ao ponto de ônibus num dia chuvoso e um motorista passa numa poça te sujando inteiro no dia de uma entrevista de emprego. Coisas assim, bem lei de Murphy acontecem aos montes.

Talvez eu pareça um tanto misantropo, aliás, talvez eu até seja mesmo. Mas confesso que muitas vezes gostaria de depender menos do outro. Gostaria que as minhas ações fossem mais responsáveis pelo que sou e pelo que produzo do que as ações dos outros. Entretanto, sei que isso não passa de um sonho irreal e distante. Não existe independência social, até o mais isolado dos ermitões sofrerá as ações de pessoas que ele nem ao menos sabe que existem.

Confesso que algumas vezes essa dependência me dá medo. Gostaria sim de poder depender mais de mim em diversas situações. Gostaria de controlar mais partes de todos os processos que fazem parte da minha vida. Pelo menos em alguns aspectos. Assim como em muitos casos também gostaria de não intervir tanto na vida do outro.

Sei que muito da minha atividade profissional é feita para o outro. Sem a resposta do outro não vale a pena escrever, fotografar, dar aulas. Aliás, dar aulas talvez seja uma das ações que mais influencia na vida de outras pessoas. Eu sei disso e nem é esse o ponto que me preocupa. Nessa linha, o que me preocupa é algumas vezes encontrar pessoas que observam você como um guia a ser seguido.

São pessoas que atuam de forma completamente oposta ao que eu penso. São pessoas que deixam tudo na mão do outro e assumem isso. Suas idéias nunca são exatamente suas, nem as vontades. São pessoas que precisam de líderes sempre e infelizmente gente que é manipulada e parece gostar disso. Gente que não percebe que pode sim mostrar quem é e a que veio.

Provavelmente a situação correta seja o meio termo, nem sentir o incômodo que eu sinto nessa dependência e muito menos não perceber que se pode interagir sem aceitar tudo pronto. Sei também que atuamos de forma diferente em cada situação. Se quiser, conte uma situação em que se sente incomodado com a dependência do outro para algo em sua vida, ou então uma situação em que adora isso.

O Homem dos Olhos de Raio X – Lenine

Tudo aquilo que fazemos espelha nos que são mais próximos a nós

Dentre todas as formas de influência das ações, talvez a mais simples e visível seja a que é vista nos relacionamentos. Como uma pessoa apaixonada age, como uma pessoa por quem se apaixona age, como cada um reage ao outro. De certa forma retomo aqui algumas idéias e até uma frase que já usei antes, só que num momento de ira. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, frase de Antoine de Saint Exupery num livro que eu confesso que odeio, O pequeno príncipe.

Devo admitir entretanto que a frase é ótima, traz um peso bastante forte a influência que causamos uns aos outros. Aliás dá um certo tom ao peso que devemos todos carregar por sermos responsáveis por todas as nossas ações com as pessoas que nos cercam.

Para falar disso demorei um pouco na escolha da música. Acabei parando no cantor e compositor pernambucano Lenine. Gosto muito do som dele, músicas divertidas, com uma levada interessante sem nunca perder a característica de sua terra, o cara abre a boca e você sabe que ele veio do Nordeste. De sua imensa lista de músicas uma conta uma história que tem tudo a ver com o que eu quero dizer. O homem dos olhos de raio x (clique aqui para ver o clipe da música), fala de como um homem ficou fragilizado ao sentir-se apaixonado por uma mulher. Mostra que todas as ações da amada geram reações fortes no cantor.

Isso conseguimos ver em qualquer relacionamento. O grau de envolvimento gera ações e reações constantes, o que um faz interfere no comportamento do outro de forma positiva ou negativa. Tem gente que leva na boa essa situação, tem gente que se sente amedrontado e tem gente que adora controlar o outro com suas reações.

Particularmente me preocupam as pessoas que se divertem manipulando aqueles que se interessam por elas. Pra mim são pessoas tão frágeis de caráter que nem mereciam ser amadas. Vejo como pessoas que fazem qualquer coisa para reafirmar a si mesmas que são amadas. Por outro lado, quem não percebe esse tipo de atitude também está sendo frágil e bobo. Tem tanta falta de amor próprio como quem controla e precisa aprender a observar o que acontece a seu redor.

É claro que todos temos nossos momentos de fraqueza. Nesses momentos é que costumamos ter as atitudes mais infames tanto conosco quanto com o outro. O que deveríamos fazer é nos policiar para evitar tais movimentos.

Entretanto, nem tudo o que ocorre nos relacionamentos gira em torno de manipulação emocional barata. Quando no flerte, buscamos quaisquer sinais de aceite da outra parte. Durante o relacionamento, os sinais de confirmação funcionam como gasolina para que o relacionamento continue fluindo e para que as ações realizadas continuem seguindo a mesma linha.

Um olhar atravessado, uma mudança no tom de voz, um telefonema não retornado podem servir de sinal de alerta. Muitas vezes esse alerta vem como sinal de desespero, precedido da frase: “O que eu fiz de errado agora?” Muitas vezes, entretanto, nada aconteceu de errado, apenas um mal dia, ou, num caso pior, o relacionamento ruiu porque tinha que ruir.

Esse ruir, entretanto, muitas vezes machuca mais do que deveria, gera uma certa dependência da relação e é nesse ponto em que ocorrem as manipulações que tento combater aqui. O choro público, uma declaração mais forte, promessas vazias acabam inclusive destruindo o que restou de positivo de um relacionamento. Terminar e aceitar isso de cabeça erguida talvez seja a melhor forma de se retomar uma história no futuro, quando os movimentos de um voltarem a modificar positivamente os movimentos do outro e não passarem a gerar movimentos antagônicos, a presença de um faz o outro se levantar e ir embora. O nome de um gera mal estar se pronunciado próximo do outro e assim vai. Para se manter como num estágio equilibrado, não adianta um apenas estar apaixonado como na música do Lenine, mas sim os dois devem saber o que sentem e se respeitar acima de tudo

So Far Away

Trazer para perto os que temem se mostrar

Fechando a semana de relacionamentos virtuais trago uma banda dos anos 80. Dire Straits é uma banda que eu curto muito. Fez muito sucesso principalmente com seu disco Brothers in arm, com vários sucessos. Um deles é justamente a música de hoje (clique aqui para ver o clipe da música) So far away. Ela fala de uma pessoa que retorna a uma cidade que não gosta sem o seu amor que está distante e deixa claro que a distância não é suficiente para diminuir esse amor.

História bonita não acham? Justamente é isso que acreditam as pessoas que buscam namoros pela internet. A importância não é nada comparada com o amor. O amor não tem fronteiras. Nos últimos posts eu falei de relacionamentos totalmente virtuais, porém, algumas pessoas saem desse mundo virtual e trazem para a realidade.

O trazer para o mundo real onde as coisas não são tão facilmente ajustáveis é o ponto mais interessante de tudo. Você se arrisca a ver tudo aquilo que sonhou entre bits ruir ao perceber que a outra parte digita melhor do que age. Por outro lado existem surpresas positivas. Conheço histórias (sim é bem mais que uma) de pessoas que se conheceram através da internet e descobriram que o ao vivo não era somente bom, mas melhor do que o virtual.

É claro que não citarei nomes, mas duas amigas minhas pelo menos trocaram realmente de cidade, aliás trocaram de continente em busca do amor, e pelo tempo em que estão nesses relacionamentos e a forma como falam de suas novas vidas e do que estão fazendo na sua reconstrução profissional fora do país, só posso dizer que as histórias realmente deram muito certo. Um final mais do que feliz.

Isso falando de gente que mudou até de país. Se eu for olhar para gente da mesma cidade ou de cidades aqui mesmo no Brasil, a lista é até grande. Afinal, a internet funciona apenas como mais um canal de comunicação. Se conhece gente no trabalho, na escola, na rua, por que não na internet? Essa é uma fala constante de algumas pessoas e sou obrigado a concordar com ela em gênero, número e grau. Você conhece as idéias das pessoas e se relaciona com elas.

As pessoas também acabam entrando em chats, sites de relacionamento e até mesmo em sites especializados em formar casais. Agências de namoro modernas e virtuais, onde as pessoas colocam seus perfis, dizem o que querem, o que gostam e o que buscam. Uma forma a mais de driblar a solidão.

Eu particularmente nada tenho contra estes meios todos. Confesso que acho alguns deles mais engraçados do que outros. Nos chats, por exemplo, achei coisas super engraçadas. Ainda é claro a forma como alguns se fantasiam nos chats. Lê-se coisas como eu adoro baladas, saio pra dançar todo fim de semana, mas a pessoa está a 1 da manhã teclando todos os dias na mesma sala de bate-papos. Isso é comum. Talvez esse seja o risco, seja a pessoa que frustre ao se conhecer. Talvez seja alguém que queira sim sair pra dançar, mas não tem coragem de fazer isso só e é capaz de ao fazer isso, mesmo acompanhado, a pessoa não consiga se sentir a vontade.

Ou ainda pessoas que não se sentem a vontade com a própria imagem e mandam fotos de outras pessoas, escondem quem são e mentem a respeito de si mesmos. Essas pessoas são o risco de se passar do virtual ao real. Na verdade pessoas acabam se aproveitando do sofrimento de outros e podem até ser perigosos.

Mas reparem, eu não sou contrário a essa passagem do virtual para o real, na verdade a acho até bastante útil e talvez a verdadeira função da internet, unir as pessoas, comunicar, relacionar. Só digo que devemos sempre tomar alguns cuidados. Coisas simples como não se expor mais do que se deve (isso vale pra adolescentes principalmente). Vai conhecer uma pessoa? Procure um lugar público e pelo menos deixe com alguém o local onde você vai estar e maneiras de contato. Procure referências sempre. Não custa nada se prevenir.

Eu mesmo uso a rede para me contactar com novas pessoas, fiz e faço amigos, conheço gente e não sinto medo em afirmar isso. Apenas procuro fazer isso de forma segura e sou daqueles que não acredita que o mundo virtual substitui o real, ele pode apenas ampliar um pouco mais as opções. Se você quiser contar alguma boa história sobre relacionamentos virtuais que passaram ao real, será bastante interessante ler. Aguardo as histórias.

Já sei Namorar

o amor da sua vida pode estar muito além de onde sua vista pode alcançar

Sexo virtual foi o tema de terça-feira. Hoje ainda continuamos no mundo virtual, mas em outra instância. Ainda nos relacionamentos, mas agora falo dos namoros virtuais, relacionamentos que nascem e crescem na internet e do uso da ferramenta para manter e aquecer alguns relacionamentos.

Como tenho feito nos últimos posts, coloco um link pra um clipe de uma música que serve de título para o post. Hoje resolvi usar Já sei namorar dos tribalistas, clique aqui para ver o vídeo no youtube. Os Tribalistas foram um projeto de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, consta que reunidos para gravar um disco solo do Arnaldo Antunes, os 3 começaram a compor algumas músicas e resolveram lançá-las em um cd. O resultado fez muito sucesso no Brasil e algum sucesso no exterior.

A música escolhida fala da frivolidade das relações hoje, afinal diz que já se sabe namorar, beijar de língua, só falta sonhar mesmo, porque o resto todo já se sabe. Um verso entretanto me chamou a atenção, logo na primeira estrofe aparece a seguinte afirmação: “Já sei onde ir/ Já sei onde ficar/ Agora, só me falta sair” realmente para muita gente falta sair. Falta partir para o mundo real e é esse o mote.

Não estou em uma campanha contra o mundo virtual, afinal eu mesmo passo horas e horas por semana usando a internet para as mais diversas atividades. Apenas estou tentando dissecar parte do que ocorre aqui no mundinho virtual. Nesse aspecto, também não quero dizer que todo mundo deve ganhar as ruas e se relacionar com todo mundo das mais diversas formas. Apenas quero falar que tem gente que só se relaciona via computador.

Diferente do pessoal da terça-feira, que faz do sexo virtual sua única forma de sexo, as pessoas que fazem uso da internet para namorar buscam outro tipo de satisfação, não é um prazer mecânico, mas sim uma ação emocional e sensorial. As pessoas querem se conhecer, querem sentir-se amadas e querem amar. Para tanto precisam de alguma intimidade com outras pessoas e essa intimidade é o namorar.

Onde as pessoas se conhecem? Locais costumam ser padrões, como trabalho, vizinhança, escola, igreja, clube, cursos, enfim, quaisquer lugares onde se tenha espaço para ser visto e tempo suficiente para se mostrar quem realmente se é. É claro que existem os casais que se formam nas baladas e em encontros fugazes e mesmo assim passam a vida toda juntos, mas a regra é as pessoas se conhecerem e se empolgarem com um certo tempo de contato.

Nesse ponto a internet acaba tendo certas vantagens, visto que, o que se vende são apenas as idéias, as imagens muitas vezes são forjadas (idéias também, mas isso é mote pra outro post), as pessoas falam o que pensam e emitem opiniões e acabam por agrupar-se de acordo com o que pensam. Ai podem surgir relacionamentos desse contato virtual, não pelo interesse físico, mas por um suposto interesse de idéias.

Parte desses relacionamentos sobrevive todo o tempo no mundo virtual. Pessoas de países diferentes, cidades diferentes, mundos diferentes conversam entre si através de um computador. Chegam a virar confidentes e, de alguma forma estranha, chegam mesmo a enamorar-se mesmo sem o contato físico e real. Aqui, entretanto, diferentemente do que disse sobre sexo virtual, o peso da imaginação é bem menor, é claro que existe, mas existe também uma pessoa real, que imagina-se saber o que pensa sobre determinados assuntos e é justamente por essas idéias que as pessoas se apaixonam. Existem casos que vão pro mundo real e dão certo e casos que naufragam (eu vou falar desse tipo de coisa no post de domingo).

As pessoas criam encontros virtuais e marcam horários com chats e câmeras com a mesma seriedade que se vai com a(o) namorada(o) ao cinema ou a um restaurante. Raramente é algo escondido, não existe motivo pra isso ser escondido, existe cobrança, existe o tal relatório diário de como foi seu dia, existem todas as convenções de um namoro real, afinal para os envolvidos é um namoro, apenas sem o contato físico que existe nesse tipo de relação. Para mim, alguém ligado ao mundo real a história inicialmente pareceu coisa de louco. Conversando com gente que passou ou passa por isto comecei a entender a lógica.

Para quem namora por computador, isso não é forma de suprir carência, é apenas a maneira que encontraram de se aproximar da tampa de sua panela independente do local onde ela esteja e em muitos casos, realmente existe uma passagem para o mundo real. Esse tipo de relacionamento não é para todo mundo, eu não me veria realmente preso a alguém que não vá ver e tocar e que mora a uma distância irreal de mim, mas tem gente que encara isso e até mesmo se programa para diminuir essas distâncias. Cada um sabe como lida com aquilo que lhe incomoda. No fundo, o que importa é que as pessoas sempre partam em busca de sua própria felicidade.

Erotica

Criar uma imagem falsa sobre ser belo e atraente às vezes funciona como fuga para algumas pessoas

Continuo falando de Internet nessa semana. O tema é bastante vasto e a forma como nos relacionamos com ela sempre traz a luz diversas boas idéias para se discutir. Hoje voltando para casa do trabalho (viva, férias!!!) Rádio ligado numa emissora que não falava do trânsito (viva, férias!!!) e as músicas rolando. Eu estava meio sem idéias pra música de hoje. Quero falar de um tema meio pesado. E até controverso. Sexo Virtual. Pensei em colocar eu sei do Legião Urbana, pensei em alguma outra canção eletrônica como a Computer Love, mas nada me agradava.

Ai o rádio me deu a solução. Fazia um tempão que eu não ouvia Madonna. Nessa onda de comoção pela morte do Michael Jackson, a rainha do Pop seria a melhor solução. Enquanto Michael sempre fez de tudo pra infantilizar-se, Madonna explora a sua sexualidade ao máximo, canção como Material Girl, ou Like a Virgin exploram bem o assunto sexualidade.  Logo para o que eu pretendo discutir hoje, ela é a artista ideal. Dentro do seu repertório, a música que mais me cativou para o tema foi a mais escancarada. Erotica,música que dá título ao álbum lançado em 1992 praticamente descreve uma transa. E é justamente disso que quero falar. Talvez use Justify my love no próximo post.

Calma pessoal, não vou aqui ficar contar preferências ou narrar contos eróticos, nem tenho cacife pra isso. Mas vale a pena falar de algo que até hoje nunca entendi. O sexo virtual. Conheço gente que só paquera, namora e transa pelo computador. Gostaria de saber como isso é possível. Fantasiar até faz parte do jogo, mas apenas fantasiar me parece até certo ponto medo demais.

Outro dado interessante é o alto número de sites eróticos que existem na internet principalmente a quantidade de gente que dá vida a esses sites, muitos deles com acesso restrito. As salas de chat erótico também fazem um sucesso tremendo e ver o que as pessoas buscam nelas em parte é o tema deste post.

Conhece-se gente em tudo quanto é lugar, até na internet. Isso é um fato normal e corriqueiro. Ao se conhecer as pessoas, a tendência é que relacionamentos surjam, amizade, ódio, namoro, casamento, seja lá o que for, as pessoas se relacionam de uma forma ou de outra. Com o advento da internet e a facilidade de comunicação surgiu uma parcela da população que se comunica e até jura amizade e fidelidade mesmo sabendo que nunca vai se ver ao vivo. E dentro desse grupo, vale a pena falar de outro grupo. Um pequeno grupo que cria todas as suas relações, inclusive as sexuais totalmente pela internet.

Para escrever esse texto, por uma semana visitei chats eróticos de grandes portais como Terra e Uol, queria entender o que era aquilo que as pessoas me falavam e principalmente ver se valia a pena gastar teclas com o assunto. E confesso que rendeu muita risada e principalmente medo.

Eu ri de muitas das histórias que li nos chats, dos comportamentos que observei e tive medo de algumas ações. Tem horas em que você percebe que as pessoas envolvidas naquele espaço virtual enxergam aquilo como realidade e fazem de tudo para viver aquilo como real. Procurei conversar com algumas pessoas sobre o que exatamente ocorre ali, porque fazem uso do espaço e coisas do gênero. Poucos estiveram abertos a esse tipo de contato.

Mas no geral, o que encontrei foram pessoas tímidas que disseram não conseguir nada fora dali, nem mesmo conhecer pessoas ao vivo. Então criam um personagem e expressam toda a sua sexualidade reprimida ali. Vivem aquilo de forma intensa e sentem aquilo como se realmente fosse o sexo mais real, divertido e saudável da face da Terra.

Tem o grupo dos que se dizem frustrados com seus relacionamentos reais e buscam apimentar as relações, partindo inclusive para encontros reais e algumas vezes com seus parceiros do mundo real, mas isso é tema pra outro post. E o terceiro grupo, menor, é o de gente que entra ali simplesmente pela farra, tirando sarro da situação e dos envolvidos, inclusive eles mesmos, por passarem horas de seu dia imaginando coisas e escrevendo para que possam se masturbar. As pessoas que buscam realidade mesmo, conhecer as pessoas ao vivo e tudo mais formam um grupo extremamente pequeno.

Nesse jogo virtual, me intrigou o primeiro grupo. Gente normal que se acha menos, gente que fantasia para poder ter uma sensação real que não consegue. Gente que tem medo e nem sabe ao certo do que. Um número extremamente alto de gente que foge de sua própria realidade.

Vejam, eu não critico a fantasia, acho saudável até. A indústria erótica movimenta muita grana e de forma honesta emprega muita gente. Estimula e brinca com o desejo de muitas pessoas e de muitas formas. Em alguns casos, realiza esses desejos ou os torna viáveis. O que eu critico aqui é o apenas fantasiar, viver num mundo de fantasia sem ter consciência disso. A música da Madonna fala de muitos desejos, brincadeiras e formas de se satisfazer sexualmente, se a pessoa se sente atraído por elas, por que não fazer ao vivo? Por que apenas fantasiar na frente de um computador?