Thank You – Alanis Morissete

 

 

Ontem foi um daqueles dias estranhos em que o bom humor aparece no rosto e nada, mas nada mesmo parece ser capaz de se intrometer na alegria que se apresenta. Nem sou uma pessoa que comemore tanto assim os próprios aniversários. Não sou de festas e agitos, sou mais recluso e de certa forma tímido nessas comemorações.

Acontece que ontem foi um dia diferente. Acordei mais cedo, sem despertador e feliz. Acordei sem sono e acesso. Já sorrindo me preparei para o dia que se mostrou especial já em seus primeiros instantes. Raramente faço isso, mas confesso que foi acordar e já ligar o tablete pra ver o que estava escrito no facebook.

E entre mensagens pessoais carinhosas e postagens em aberto no perfil. Li muita coisa que me fez verter a primeira lágrima do dia. De alguma forma eu me senti importante para gente que é importante para mim. De alguma forma eu me senti abraçado por quem eu queria abraçar e não podia naquele momento, seja pela distância, seja pelo tempo, seja pelo que já virou passado.

Reconhecer o carinho de alunos e ex-alunos foi algo que mexeu comigo. Ler mensagens de carinho de quem eu de alguma forma tentei ajudar e perceber que estas pessoas ainda possuem algum carinho por mim foi algo emocionante. Descobrir que muitos deles cresceram e se tornaram adultos felizes com suas escolhas, responsáveis por seus atos e atuantes nesse mundo. E é justamente essa gente que ainda se lembra de mim (tá certo que o facebook ajuda a lembrar da data) e perde alguns minutos de sua vida para me mandar uma mensagem, mais ou menos elaborada.

Não só eles, pai, mãe, irmã, tios (um deles me cumprimentou uma semana antes…rs, valeu Tio), primos, amigos. Gente que me faz bem. Gente que cada vez mais faz sorrisos chegarem ao meu rosto. Claro que hoje eu tenho um sorriso especial, cerejeira em flor que me faz sentir tão leve, mas é essa gente que é minha gente que me faz feliz. E então cairam a segunda e a terceira lágrimas do dia.

Nunca tive um aniversário tão feliz. No fundo não me lembro de uma fase tão feliz em minha vida. Não nos últimos anos pelo menos. Dizem que o aniversário é recomeço e meu recomeço veio alguns dias antes, com cheiro de chuva e terra molhada. Cheio da água que lavou toda a dor que senti nos últimos anos. A água que levou todas as lágrimas ruins , deixando só as de alegria que agora marcam o meu rosto.

Por isso eu só agradeço a quem me parabenizou, agradeço a quem de alguma forma me transmitiu um pouco do seu carinho e digo que desejo a você a mesma felicidade que estou sentindo agora.

Friday I’m In Love – The Cure

 
http://youtu.be/wa2nLEhUcZ0
 

Raras vezes eu tive tantas músicas na cabeça pra escrever um post. Raras vezes eu tive a cabeça tão cheia de ideias, o coração quente e a mente fervilhando. Tanta coisa aconteceu e eu não sei bem nem como ou por que. Tanta coisa mudou de uma hora para outra e no final tanta coisa boa aconteceu e ainda acontece.

Veio agora a flor da cerejeira em minha mente, as floradas que já vi e as histórias que ouvi sobre o evento. Me vem sempre em mente a ideia de felicidade. Ver a florada é de alguma forma Alcançar uma felicidade plena, como de certa forma agora sinto.

Outra leitura interessante que se faz é a que associa o tempo de vida do samurai ao tempo de floração extremamente curta dessa planta. Eu associo agora com outra realidade. Penso que a flor simboliza o que penso. As flores surgem rápidas e fagueiras enquanto a gente fica alegre e em desordem, e de repente elas até somem, mas a árvore que trouxe o sonho continua e a gente fica contente em cuidar dela para que as flores sempre apareçam. Os samurais eram as flores que protegiam a árvore que era seu senhor.

Não quero flores novas, quero a mesma flor e deixo isso bem claro. Mas remeto no caso a floração como a renovação da alegria. E remeto ainda ao fato de que o período entre as florações é aquele hiato no tempo em que a gente se afasta da árvore, em que fica contando as horas (que parecem anos) para novamente chegar perto da cerejeira que a gente sempre encontra em flor.

O mais interessante é perceber que a floração demora um tempo. Após ser plantada, a árvore tem que crescer um pouco, maturar, ser protegida até esteja forte o suficiente para dar ao mundo as flores. É meio assim que me sinto. Penso nisso e me lembro de um tempo que passou. Uns 15 anos passaram rapidamente diante dos meus olhos como se não tivessem existido. Lembro-me da semente ser plantada a tanto tempo atrás. Lembro-me de imaginar que nunca veria as flores dessa cerejeira. E não é que o mundo nos prega surpresas? Sexta-feira, quando esperava apenas ver a cerejeira fortalecida, percebi o quanto ela cresceu e pra minha surpresa, as flores se abriram diante dos meus olhos.

Eu vi a florada acontecer. E tento reter na memória o tempo em que cada botão se abriu até que a árvore ficou toda colorida e eu sorrindo mais e mais a cada tempo. Nem vi o tempo passar, se foi um dia todo que imaginei ser breve. E de repente veio um dia longo quase eterno, em que senti falta da flores, esperei ansioso nova florada que veio forte e bela hoje novamente. Pena que a florada se foi e agora aguardo ansioso pelo tempo de rever novamente a beleza dos sakurás.

Como disse, pensei em muitas músicas para hoje. A ideia era alguma coisa que falasse de felicidade, a MPB tem diversos bons sons nessa linha. Ai pensei em como me senti e um verso de Infinita Highway não me sai da cabeça “…Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão…”, tentei  voltar no tempo até o fim dos anos 90. Mas no fundo, pra me lembrar do tempo que passou e retornou, acho que The Cure  acaba como melhor opção.

Afinal foi uma sexta especial, cheia de possibilidades e sonhos. Uma sexta que fez com que uma semana pesada se tornasse leve e talvez a melhor de um ano marcado por sonhos de recomeço e mudança. Se não cheguei lá ainda, ao menos percebo que estou no caminho.

Tão diferente foi essa semana (e esse post) que a foto que o ilustra nem minha é. É uma foto de uma cerejeira que serve pra que eu me lembre sempre da minha cerejeira em flor quando algo apertar no meio peito. Não digo aqui o nome de quem fez a foto, mas aviso que se ela quiser, pode e deve solicitar a autoria da foto no comentário

Pride (In The Name Of Love) – U2

 

 

Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias. O mundo parece ter virado do avesso e sensações que pareciam óbvias transformaram-se em novidades daquelas que nos fazem ficar sem chão. Contar todas as histórias seria algo demasiadamente longo e com certeza algo se perderia no meio da narrativa. Justamente por isso, mais fácil é se prender ao ponto mais importante disso tudo. Tentar narrar apenas o sentimento mais intenso, o que mais marcou.

No fundo pouco importa o local onde eu estava. Pouco importa se estive em São Paulo, Brasília, Paris ou Bombaim. Importa a sensação de orgulho, o quanto eu vibrei por uma vitória daquelas que não se divulga. Não existe um prêmio com esse nome, mas deveria se premiar quem aprende a crescer de forma plena. O adolescer adulto é duro e cansativo, acredito que mais doloroso até do que o adolescer infantil. Ter responsabilidades cansa, amedronta e em certa conta dói.

Nessas horas eu procuro me lembrar da forma como fui educado. Da maneira como fui deixando de ser criança e me tornei adulto. Sei que ainda sou um adulto em constante mutação e vejo isso nos jovens que crescem ao meu redor. Vejo as grandes mudanças pelas quais passam, deixando de ser dependentes e passando a assumir suas opiniões e principalmente as responsabilidades de seus atos.

Nos meus 13, 14, 15 anos eu já trabalhava. Ainda moleque eu tinha minhas responsabilidades, mas meus atos ainda eram vigiados e de certa forma chancelados por meus pais que davam as ordens ou permissões necessárias para tudo. Pouco a pouco fui ganhando autonomia até conseguir me ver livre e autônomo. Algo que a meu ver só chegou mesmo na faculdade, já com meus 17, quase 18 anos.

O que eu vi foi algo um pouco mais veloz, mesmo num período muito mais paternalista e protetor da nossa sociedade. A fome faz com que o homem aprenda a caçar e pescar. A necessidade faz com que se aprenda e eu vi jovens aprenderem de forma bastante rápida, vi jovens crescerem bem mais rápido do que o esperado.

O melhor disso tudo é perceber que enquanto os observo crescendo, acabo crescendo junto. Consigo fazer novas coisas e me sinto cada vez mais livre. Aproveito melhor a juventude e me encanto mais com a idade que vai se somando. Observo neles coisas que vivi e a partir disso corrijo rotas erradas que escolhi em minha vida.

Mais do que ações, me assusta o que ganhei em sentimentos. Como aprendi a ser mais livre com o que sinto, mais honesto comigo mesmo. Assumo de maneira mais livre que amo ou odeio, que adoro ou detesto ou que algo simplesmente não me importa. Percebi o quanto é mais simples apenas sentir.

E nisso se junta mais um motivo de gratidão a esses jovens, se primeiro veio a sensação de carinho, depois a preocupação, e se seguiu o orgulho até que apareceram o medo, o desespero e uma alegria desmedida que de alguma forma se traduz de maneira crua e simples num singelo amor.

Porque nessas horas a gente percebe que as verdadeiras vitórias são aquelas que a gente nunca comemora, os maiores prêmios são aqueles que a gente nem se dá conta e o verdadeiro vencedor é na verdade aquele que mais aproveitou a disputa.

Por isso eu posso dizer que venci, posso dizer que vencemos. Posso afirmar que alguns podem até ter chegado na nossa frente, mas duvido que alguém tenha crescido, aprendido e se divertido tanto quanto a gente. Afinal, todos sabemos que o que vale é o lazer e que se não for pra ser divertido, não vale a pena.

Não Sei Quem Sou – Inocentes

 

 

Tenho pensado em muitas coisas nestes últimos dias, até mesmo tem me faltado um pouco de coragem para escrever. Escrevo quase sempre sobre coisas muito pessoais. Preciso ter certeza do que penso para que as palavras não me soem falsas no exato momento em que partem dos meus dedos para o computador e dali para o blog que agora você lê.

Acontece que de alguma maneira eu pareço diferente. Algumas ações novas, algumas perguntas novas, novas ações, novos medos e até mesmo novas coragens. Eu acho que já não sei quem sou. E guardo aqui uma frase ouvida na última sexta a noite, durante um instigante curso de fotografia. A gente não quer ser algo, a gente é, gostando ou não do que se é, isso é tudo o que a gente pode mostrar ao mundo. A frase não foi exatamente dirigida a mim, mas ficou na minha cabeça mais do que as que realmente e pessoalmente me foram dirigidas.

Depois de uma semana intensa onde foquei muito do meu trabalho em dizer aos jovens que eles devem se expressar de maneira verdadeira a partir daquilo que conhecem eu aqui me vejo sem saber exatamente o que eu tenho pra falar, ou mesmo se tenho algo pra falar que mereça ser dito. Paradoxo interessante que parece vai ser levado adiante por mais um tempo ainda.

Eu vejo algumas dessas mudanças, falo com gente nova, vivo experiências novas e me arrisco mais. Mas ai outro paradoxo, nessa busca pelo novo, no fundo eu me percebo buscando aquilo que já conheço. Não que eu queira voltar no tempo, não é isso, aliás, muito pelo contrário. Mas de alguma forma, enquanto o novo parece brilhar diante dos meus olhos, o antigo também ganha forma, coisas que eu de certa forma desprezei no passado, agora parecem me encantar.

Penso que provavelmente essas mudanças pelas quais tenho passado estejam me jogando de volta ao passado. Parece que eu aprendi a olhar de um jeito diferente o que já passei e assim aprendi a valorar o que vivi de outra forma. Aquilo que já me foi valoroso hoje não interessa e o que eu já descartei me faz falta, percebo isso hoje e de certa forma tento recuperar o que perdi.

Percebo que tenho mais coragem. Percebo que os estranhos me amedrontam bem menos do que antes. Não que tenha deixado de ser tímido, apenas enfrento de forma um pouco mais corajosa a timidez.  Se ainda tenho minhas travas e cometo os mesmos erros descritos no texto passado, hoje eu arrisco de forma mais clara, talvez ainda tentando entender quem eu realmente sou.

Quem eu sou? Perguntaram-me isso de formas distintas pelo menos umas 5 vezes nos últimos 10 dias. Acho que pela primeira vez em minha vida eu não tive a menor ideia de como responder. Sempre achei que poderia ser definido por aquilo que faço. O problema é que de uma forma ou de outra faço coisa pra caramba, algumas dessas coisas até mesmo muito conflitantes, praticamente opostas.

Talvez eu seja definido não pelo que faço, mas sim por aquilo que não consigo fazer. Tenho meus limites como qualquer um e eles acabam sendo bem mais claros do que as coisas que eu consigo fazer. Provavelmente eu faça algo pelo simples fato de que eu consiga fazer aquilo. De forma quase automática não sou barrado e sigo adiante. Por outro lado, coisas simples as vezes parecem tão difíceis. Ainda é mais fácil tentar desvendar os segredos do universo do que pedir um telefone ou algo similar.

Hoje mesmo cheguei a ouvir que pareço duas pessoas. Percebo infelizmente isso ser verdade, hoje sou duas pessoas. Uma parte de mim que acha que tem que seguir adiante e outra que fica parada por não ter a menor ideia do caminho a ser seguido. Preciso achar o caminho e descobrir quem sou, porque só assim vencerei os meus maiores medos e as verdades que falo terão sabor de verdade para quem ouve.

Doing The Unstuck – The Cure

 

 

Já fazia um bom tempo em que eu não me dava o direito de sentar e ver um bom filme. Tenho alguns em casa lacrados,outros guardados junto com alguns móveis que ainda não trouxe para casa e pouco coragem de ir ao cinema sozinho. Mas era hora de mudar o ciclo, ouvi isso a semana toda, seja na terapia, seja de amigos, seja de pessoas que eu nunca tinha visto.

De certa forma foi o que fiz, ou pelo menos tentei fazer. Arrisquei, fiquei dias tomando coragem, mas finalmente arrisquei. Novos amigos, novas ideias, novas piadas. Um mundo novo que se abre, não vou cair na besteira de falar que é um mundo melhor. Até porque bom e ruim são relativos demais. É apenas um mundo diferente.

E com certeza falei mais do que devia, agi de forma diferente da que deveria, fiz coisas que nem sei porque fiz. Mas a gente age de forma estúpida pelos mais diversos motivos e por sorte muitas vezes somos entendidos em nossos atos mais estúpidos e rudes. Afinal, estar a vontade não é fácil, ser você mesmo de forma que não mostre apenas o seu pior lado é terrível. Aliás, um dia eu preciso escrever sobre isso, quando entender o que faz sempre o nosso pior lado aflorar quando a gente fica sem chão. Mas isso fica pra outra hora, a ideia é ter pensamento positivo. EXCELSIOR!!!!

Um dos filmes que vi nesse fim de semana, com essa nova turma, foi o ótimo  “O Lado Bom da Vida”. História de um homem obcecado pela ex-esposa que o traiu, e que após meses num hospital psiquiátrico tenta retomar a vida. A briga com os remédios, a briga consigo mesmo e a dificuldade em se acertar no mundo que parece todo contrário a aquilo que ele pensa, vive e quer não chega a ser a grande surpresa da história. Qualquer um que já tenho vivido com quem já teve suas crises psicológicas ou mesmo tenha passado por elas compreende a sensação.

A graça toda do filme, pelo menos a meu ver, está em outro ponto da história. Enquanto no mundo real, equilibrar as mudanças de humor, o longo período de adaptação e as mudanças físicas causadas pelas medicações é uma tarefa árdua. No filme, é apresentada uma terceira via. Não uma receita mágica e indolor,mas um caminho que passa pela aceitação das próprias limitações associada a uma mudança lenta e gradual de hábitos partindo de uma premissa (no caso do filme) nem sempre racional.

A verdade é que não precisamos ficar presos a um único desejo. Não podemos fechar a porta para o que se apresenta. Às vezes desejamos algo tão distante e tão irreal só para podermos fugir da responsabilidade de viver algo. Minha psicóloga me fala isso de vez em quando, eu falo isso de vez em quando. Acho que todo mundo já deve ter ouvido isso alguma vez na vida, é daquelas frases padrão, como mãe perguntar se você vai sair de casa sem blusa.

A questão é saber se a gente ouve apenas ou chega a realmente prestar atenção na frase e seguir adiante.  O personagem do filme fez isso sem perceber. Pouco a pouco foi levado a uma história nova que não queria como parte de sua vida. Ou pelo menos que ele acreditava não querer. Ele não se boicotou e foi adiante, mas e no mundo real? Quantas vezes a gente não se boicota sem saber? É algo a se pensar.

Porque eu não preciso gostar apenas de uma cor. Posso gostar do mundo preto e branco ou colorido. Tanto faz, basta apenas me permitir isso e principalmente perceber não estou num filme, mas sim no mundo real. Aqui as coisas não acontecem apenas por  obra do acaso. Se a gente não aprender a apreciar tudo o que está ao nosso redor e ampliar a nossa lista de desejos, muita coisa vai se perder e viver vai se tornar uma experiência muito mais dolorosa.

Broken Heart – Eddie Vedder

 

 

As férias acabaram e já voltei aos meus alunos, ao ritmo corrido e a correria de sempre. Mesmo assim, ainda é tempo de digerir fatos ocorridos nas férias. Tempo de lembrar-se de um passeio e mil conversas. Tempo de lembrar-se de cada conversa e digerir o que levou cada uma delas a um caminho distinto e um mesmo final. A falsa impressão de vitória, coroada por uma derrota estranha e fria que de modo algum se explica.

Mas mais importante que a derrota é o clima e o que envolve tudo isso. É interessante como num mesmo ambiente, pessoas se relacionam o tempo todo em busca de algo. Cada um busca seu algo, aquilo que o complete naquele momento e pode ser oferecido pelo entorno. E mais divertido que isso é perceber que eu posso mais do que partir em busca de um único algo, correr atrás de diversos. Olho nos olhos de uma pessoa que me ensina, cobiço a pessoa que me encanta e tento me afastar daquela que me provoca asco.

Ai surge algo que incomoda. Essa coisa toda parece ser muito eu, eu, eu. A gente tem cada vez mais vivido dentro de uma realidade individualista. Importa o que eu desejo. Vale a luta pelo que eu quero. Pouco importa o desejo do outro. Pouco importa que alguém sofra se eu puder conseguir o meu objetivo. Vencer, vencer, vencer, mais do que um trecho do Hino do Flamengo se tornou mote da nossa sociedade que já passou do competitiva para se tornar mimada.

Porque competir não é exatamente buscar a vitória a qualquer custo. Competir é mostrar-se justo e equilibrado. É apresentar suas armas e defesas e enfrentar não um inimigo, mas sim um adversário que não precisa ser humilhado, mas sim celebrado, por dar mais valor a cada simples conquista.

O passeio foi rico dessas cenas. Caçadores desejando diversas caças. Pessoas, ideias, cargos e status cortejados das mais diversas formas, pelas mais diversas pessoas e com os mais diversos intentos. Cada um queria apenas sua própria vitória e a derrota e o escárnio do outro. Aliás, é engraçado como não se pensa no que o próximo vai sentir. Pode-se pisar em qualquer um a caminho de uma glória fútil, só pelo prazer de mostrar força, não me acostumo com isso na vida moderna.

Não digo que a gente deva abdicar do que deseja só para que outra pessoa não sofra. Isso seria se anular. Mas também não precisamos ir aos extremos de menino mimado que costumo ver com certa frequência por ai. Não existe mais um meio termo. Eu preciso vencer e isso já não me basta, devo no processo mostrar a todos o quanto sou superior, destruindo oponentes reais ou imaginários. Atrapalhando vitórias alheias só pelo prazer de demonstrar que nessa noite, a única vitória será minha.

Outra face dessa mesma história é voltar ao início e perceber que numa noite de lobos, cada um escolhe um tipo diferente de caça. Já não se caça mais em grupo. Não existe matilha. Não existe ajuda, nem mesmo quando dois lobos podem se ajudar a chegar na caça pretendida. Aliás, não se conversa mais, não se troca informações. Vale apenas a busca pelo que se quer. Porque cada um só se importa com o próprio desejo, independente do que essa busca cause ao que está ao redor. Não fui criado assim, sei de mais gente que pensa de forma similar e é esse tipo de pessoa que quero em minha vida, é esse tipo de pessoa que quero formar. Gente que se preocupa em não ferir os outros a toa e gente que sabe seu papel no mundo.

Highway to Hell – AC/DC

 

 

Fiquei um bom tempo sem internet. Por isso fiquei um bom tempo sem conseguir postar no blog. Volto hoje com um texto que já foi feito e refeito inúmeras vezes. Eu escrevi e apaguei diversas vezes as impressões que tive desse filme, material que assisti um pouco antes do Natal. Já estava comigo a um pouco mais de tempo, mas eu precisa de tempo e calma para ver o filme.

Numa noite de dezembro, coloquei o DVD no aparelho em uma noite em que eu particularmente não estava muito bem comigo mesmo. Estava meio perdido. O título inesperado do filme (A Faísca da Vida, ou La Chispa de La Vida no original em espanhol). Era um pouco o que eu buscava naquela noite. E ver aquela comédia maluca até me trouxe um pouco disso, mas não da forma que eu esperava.

A história do homem fora famoso e agora não arruma emprego. E que faz do acidente que sofre (muito grave por sinal) a chance de reorganizar a vida financeira de sua família, enquanto sua esposa (no fundo por quem ele faz tudo isso) não acredita na loucura do marido. Uma gama de situações nonsense passava na tela (e Highway to Hell tocada logo no começo passa a fazer sentido cada vez mais). É um bom filme, eu recomendo. A leitura que fiz dele pode ser extremamente particular, mas o filme diverte.

Pensei em como o filme chegou até mim e comecei a sorrir. Pensei em pessoas que conheci e que sem motivo nenhum aparente conseguem me trazer um sorriso ao rosto pela simples presença ou as vezes menção do nome. Gente que povoa meus sonhos ou me alegra só pela voz e sem ter um motivo especial pra isso além da própria existência.

Gente por quem eu faria as loucuras do filme se fosse o caso e necessário (por mais que eu ache isso excesso de loucura). Aliás isso é um ponto importante. Todos temos períodos em que parece que as coisas não andam. Ai de repente surge alguém do nada e sem saber como ou porque consegue mudar tudo em nossa vida. Gente que nos tira da estrada para o inferno e nos coloca rumo a uma alegria divina.

Não adianta sair por ai procurando gente assim. Essas pessoas simplesmente aparecem vez ou outra em nossas vidas. E temos que mantê-las próximas da gente da maneira como for possível, mostrar que elas são importantes e mostrar o seu verdadeiro valor. Imagino que quando isso ocorre deva ser mútuo. Assim, penso que além de sorrir ao pensar em determinadas pessoas, essas pessoas também devem sorrir quando pensam em mim. Tudo isso torna a convivência ainda mais fácil e agradável.

E é divertido pensar em como pessoas improváveis nos fazem assim tão bem. Na forma como elas chegam a nossa vida. Cada história maluca e surreal que fica até difícil contar, mas fica extremamente saboroso relembrar como são divinos os minutos ao lado dessas pessoas. Tempo em que sempre fica uma triste sensação de quero mais.

Não estou dizendo que a gente depende do outro para viver. Temos que encontrar muitas vezes o nosso caminho sozinhos. Temos sim que estarmos bem conosco e por nossa causa. Temos que ser a nossa principal companhia. Afinal, só mesmo assim poderemos aproveitar o máximo do outro e oferecer ao outro algo que possa ser proveitoso para ele. É uma troca constante que só pode funcionar se as pessoas sentem-se seguras a ponto de saberem que realmente podem ser boas companhias a quem estiver ao seu lado.

O texto de hoje é assim mais um agradecimento a quem tem me feito sorrir. Gente  que faz meus dias mais fáceis do que realmente são. Faz o peso dos problemas parecer bem menor do que realmente é e me anestesia a ponto de ter um sorriso no rosto mesmo durante a mais dolorosa lesão. Porque ainda bem que existem pessoas que são especiais de uma forma tão intensa que mais do que brilhar sozinhas fazem o nosso brilho também crescer.