When I Sixty Four – The Beatles

 
http://youtu.be/VH9-UYX8RlQ
 

Muitas vezes ouvimos frases que marcam. Frases que aparentemente chegam aos nossos ouvidos sem motivo algum e ficam. Outras vezes essas frases marcam pelo número de vezes em que as ouvimos num determinado período. Parecem mantras que se tornam populares aos nossos ouvidos.

Ouvi de mulheres diferentes, em momentos diferentes e situações diferentes a reclamação das mesmas que o tempo passou e elas não possuem mais seus 20 anos. Dito de forma a parecer que a passagem do tempo é algo negativo. Como se o tempo fosse inimigo e os 20 anos marcassem uma data especial, uma espécie de ápice pessoal e tempo ideal para a realização de sonhos.

Interessante que pelo menos algumas das mulheres que reclamaram da passagem do tempo fazem parte do meu círculo de amizades a muito tempo. A grande maioria eu já conhecia antes mesmo delas completarem os tais 20 anos de idade. E posso garantir com quase 100% de certeza que as mesmas são pessoas muito mais interessantes hoje acima dos 30, em alguns casos perto ou acima de 40 anos do que eram nos seus 20 anos.

Geralmente o tempo faz bem a quem é inteligente. Por mais que se sofra e a vida seja dura, só o tempo é que pode trazer a maturidade necessária. Só o tempo ensina a gente a aproveitar melhor o que cada idade pode fornecer e por isso só o tempo pode ensinar formas de realçar belezas outrora escondidas ou descartadas.

Se um bebê é belo aos olhos de todos, uma criança é sempre vista como fofinha e simpática e o jovem tem na plenitude física e no fogo da inquietude os atributos que o tornam interessantes, só mesmo o adulto é que passará a ser visto pelas suas próprias características e por isso reconhecido por um tipo pessoal e próprio de beleza. Nesse caso a beleza não reside mais no grupo a que se pertence, mas sim ao indivíduo.

E é assim que eu vejo cada uma dessas mulheres que em momentos diferentes reclamaram dos 20 anos terem passado. Muito mais belas agora do que no passado. Afinal, hoje elas são muito mais plenas e reconhecíveis por suas características do que pela rigidez do corpo. As curvas podem ser outras, a pele pode trazer marcas e até o cabelo pode ter se modificado. Mas no caso delas tudo foi lindamente alterado pelo tempo. As experiências criaram a força expressa nas pequenas marcas no rosto. Os dissabores que cada uma passou podem ter se tornado gramas a mais ou a menos. Os banhos de chuva podem ter modificado o brilho dos cabelos. Mas tudo isso trouxe um novo brilho aos olhos, um andar mais altivo, um sorriso mais verdadeiro e uma confiança que não se encontra ainda em quem pouco viveu ainda no início da vida adulta.

Mesmo a mulher que amo, é muito mais bela aos meus olhos hoje do que a 15 anos atrás quando nos vimos pela primeira vez. Hoje ela se tornou muito mais encantadora e bela, se tornou mais completa, mais viva. Não que antes não fosse bela, ela era, sempre foi, mas hoje traz mais de si nessa beleza. Vai além do físico, chega a algo que se pode de alguma forma chamar de alma, uma beleza mais ampla.

E é essa a beleza ampla que me encanta, que me faz por vezes sonhar ouvir e viver a música dos Beatles que nomeia o texto. Chegar aos meus 64 anos ao seu lado. Aproveitando cada segundo e reinventando esse amor e carinho. Descobrindo novas facetas dessa beleza que se altera a cada dia.

Não falo só dela, falo de todas. Minha mãe é mais bela a cada dia, minha irmã também. Minha avó apresenta um tipo bem peculiar de beleza encantadora e isso acontece com todo mundo, mulheres e homens. Porque só o passar do tempo nos ensina a valorizar e a expressar a nossa verdadeira beleza, aquela que irradia de dentro pra fora e não o contrário.

Pride (In The Name Of Love) – U2

 

 

Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias. O mundo parece ter virado do avesso e sensações que pareciam óbvias transformaram-se em novidades daquelas que nos fazem ficar sem chão. Contar todas as histórias seria algo demasiadamente longo e com certeza algo se perderia no meio da narrativa. Justamente por isso, mais fácil é se prender ao ponto mais importante disso tudo. Tentar narrar apenas o sentimento mais intenso, o que mais marcou.

No fundo pouco importa o local onde eu estava. Pouco importa se estive em São Paulo, Brasília, Paris ou Bombaim. Importa a sensação de orgulho, o quanto eu vibrei por uma vitória daquelas que não se divulga. Não existe um prêmio com esse nome, mas deveria se premiar quem aprende a crescer de forma plena. O adolescer adulto é duro e cansativo, acredito que mais doloroso até do que o adolescer infantil. Ter responsabilidades cansa, amedronta e em certa conta dói.

Nessas horas eu procuro me lembrar da forma como fui educado. Da maneira como fui deixando de ser criança e me tornei adulto. Sei que ainda sou um adulto em constante mutação e vejo isso nos jovens que crescem ao meu redor. Vejo as grandes mudanças pelas quais passam, deixando de ser dependentes e passando a assumir suas opiniões e principalmente as responsabilidades de seus atos.

Nos meus 13, 14, 15 anos eu já trabalhava. Ainda moleque eu tinha minhas responsabilidades, mas meus atos ainda eram vigiados e de certa forma chancelados por meus pais que davam as ordens ou permissões necessárias para tudo. Pouco a pouco fui ganhando autonomia até conseguir me ver livre e autônomo. Algo que a meu ver só chegou mesmo na faculdade, já com meus 17, quase 18 anos.

O que eu vi foi algo um pouco mais veloz, mesmo num período muito mais paternalista e protetor da nossa sociedade. A fome faz com que o homem aprenda a caçar e pescar. A necessidade faz com que se aprenda e eu vi jovens aprenderem de forma bastante rápida, vi jovens crescerem bem mais rápido do que o esperado.

O melhor disso tudo é perceber que enquanto os observo crescendo, acabo crescendo junto. Consigo fazer novas coisas e me sinto cada vez mais livre. Aproveito melhor a juventude e me encanto mais com a idade que vai se somando. Observo neles coisas que vivi e a partir disso corrijo rotas erradas que escolhi em minha vida.

Mais do que ações, me assusta o que ganhei em sentimentos. Como aprendi a ser mais livre com o que sinto, mais honesto comigo mesmo. Assumo de maneira mais livre que amo ou odeio, que adoro ou detesto ou que algo simplesmente não me importa. Percebi o quanto é mais simples apenas sentir.

E nisso se junta mais um motivo de gratidão a esses jovens, se primeiro veio a sensação de carinho, depois a preocupação, e se seguiu o orgulho até que apareceram o medo, o desespero e uma alegria desmedida que de alguma forma se traduz de maneira crua e simples num singelo amor.

Porque nessas horas a gente percebe que as verdadeiras vitórias são aquelas que a gente nunca comemora, os maiores prêmios são aqueles que a gente nem se dá conta e o verdadeiro vencedor é na verdade aquele que mais aproveitou a disputa.

Por isso eu posso dizer que venci, posso dizer que vencemos. Posso afirmar que alguns podem até ter chegado na nossa frente, mas duvido que alguém tenha crescido, aprendido e se divertido tanto quanto a gente. Afinal, todos sabemos que o que vale é o lazer e que se não for pra ser divertido, não vale a pena.

Every Little Thing – Yes

 

 

Segunda-feira fiz um bate e volta no Rio de Janeiro. Queria ter ido com mais tempo e visto mais pessoas. Peguei o ônibus e viajei durante a madrugada, fiz o que tinha que fazer e voltei rapidamente para Sampa. Nem pude curtir a cidade, ver os amigos, ver a beleza do lugar.

Consegui só ler as últimas páginas do Juliet, Nua e Crua enquanto tomava café na rodoviária, logo após chegar. Comi dois pães de queijo enquanto me despedi de um livro que de certa forma acabou sendo um bom soco em meu estômago. Me fez pensar em muita coisa, algumas delas ainda em fase de digestão.

Outras bateram mais rápido. Como um tapa forte em meu rosto. Me acordaram para pequenas coisas que na verdade são grandes.São enormes porque se mostram importantes de um jeito que a gente só percebe quando perde e sente falta. Ou quando não faz e sente o dia incompleto, sente a necessidade desse gesto simples.

Quando no texto se percebe que Tucker Crowe está cercado por amor, por 3 formas diferentes de amor. Eu me vi rindo e pensando no assunto. Falar eu te amo é algo muito forte. Eu raramente uso essa expressão, até por não conseguir realmente definir o sentimento. De certa forma, me vi o exato oposto dessa cena, enquanto Tucker é quem recebe diferentes formas de amor, eu me vejo sentindo diferentes formas de algo que não consigo nomear direito. Não chamo de amor, porque para mim o amor é algo pleno e completo, irrestrito e profundo, totalmente louco e provavelmente irresponsável. Eu já senti isso e quero sentir novamente. Mas não é esse o único modo de se admirar muito alguém.

E tem muitas formas de se admirar alguém de um jeito especial. Tem aquela que te ensina sem saber. Aquela que você quer seguir como exemplo. Aquela que te faz suspirar sem saber o motivo. Tem aquela pessoa que encanta só pela presença e aquela que te conquista simplesmente por ser quem é. Pelos defeitos e qualidades que tem. Por ser gente simples, gente que te ensina e aprende com você.

Sim tem quem me provoque desejos, mas também existe aquela pessoa que eu admiro com carinho amigo e fraternal. Eu admiro tanta gente que fica difícil chamar isso de amor. Por isso chamo de carinho e na minha timidez imensa eu tento demonstrar de toda forma tudo o que eu sinto de positivo por alguém. Por isso me preocupo, por isso respeito, por isso cuido, por isso desejo. Cada pessoa recebe de mim um tipo especial de atenção. A atenção que eu acho que mereça, nem sempre o carinho que merecem, muitas vezes eu não consigo. Até tento, mas em algum ponto eu travo e não posso dizer realmente aquilo que eu gostaria de falar, muito menos fazer o que gostaria de fazer.

Tento assim mostrar meu parco carinho em ações simples. As vezes escrevo por aqui para as pessoas que admiro. Sei que nem sempre elas encontram esse lugar. Mas ele existe muito por causa delas. Gente que me faz crer que são enormes as pequenas coisas. Por isso a música dos Beatles, na versão do Yes. A escolha da banda tem muito a ver com isso. Uma forma carinhosa de lembrar de alguém que não vejo a muito tempo.

Entretanto, tenho que admitir que mais que as pequenas coisas. Existem coisas que eu queria poder dizer e fazer todo dia. Outra canção dos Beatles que eu adoro e que só não nomeou o post porque eu a utilizei a poucos dias. Coloco aqui de novo o clipe. Eu queria o do John Pizzarelli, mas não achei nenhum.

Vai o clipe pra lembrar que além do valor das pequenas coisas, existem também as coisas que eu queria poder dizer todo dia. Eu adoro muita gente e queria poder saber falar isso olho no olho. Eu adoro muita gente e queria saber demonstrar isso nos meus atos. Eu adoro muita gente e queria que essas pessoas soubessem o quanto são importantes para mim.

Pose – Engenheiros do Hawaii

existem coisas invisíveis mesmo diante dos nossos olhos

Estou ainda numa fase complexa da minha vida. Pensamentos malucos me fazem escrever sobre coisas malucas. Eu até ia brincar um pouco mais com o tempo e a forma louca como me relaciono com ele, mas eu acabo sempre falando disso e de forma até repetitiva. Mas como minha mente está confusa e eu acho que posso falar algo novo mesmo na eterna repetição, resolvi seguir adiante com o último post e retomar alguns posts antigos.

Para começar, parte da história me lembra muito um pouco um personagem do Quarteto Fantástico. Pra quem não curte quadrinhos de super-herói, existem dois filmes com os personagens, até certo ponto bem interessantes. São 4 pessoas que adquiriram superpoderes após uma problemática viagem ao espaço. Um consegue gerar chamas e calor com seu corpo (o Tocha-Humana), outro transformou-se num monstro de pedra (o Coisa), a mulher do grupo consegue ficar invisível e criar campos de força (a Mulher-Invisível) e o líder do grupo que tem o poder de modificar e esticar seu corpo (Senhor Fantástico).

O líder do grupo é meu foco. O Senhor Fantástico é um dos maiores gênios do seu universo de histórias. Cientista famoso e bastante renomado. Porém, percebe-se que relacionamentos interpessoais não são exatamente o forte dele. Quem leu as histórias do início do namoro com a sua esposa Sue (mulher-invisível) e mesmo as que contam o relacionamento do casal, percebe isso de forma clara e até certo ponto divertida.

A outra parte da equação do texto de hoje é a música que dá título ao post. Pose (clique para ouvir) dos Engenheiros do Hawaii tem uma coisa que serve para justificar o que eu penso. A música é agradável, mas sua letra é quase um nonsense total. Uma sequência de frases aparentemente sem nexo que de certa forma tentam dar um up nas pessoas que estão ouvindo. O importante é ir atrás de tudo o que se possa imaginar.

Dois posts antigos meus servem de base para o que eu quero dizer, eu quero retomar as ideias discutidas em High (clique para ler) e principalmente em Too old to rock’nroll too Young to die (clique para ler). Além do óbvio post anterior a este que escrevo hoje. A ideia é falar um pouco de pessoas que nos encantam. Gente que faz diferença em nossas vidas e nos faz tentar se aproximar e principalmente tentar tomar cuidado com nossas ações.

Hoje tive uma tarde extremamente agradável. Um restaurante exótico ao lado de alguém que obviamente faz a diferença para mim. Uma sensação estranha. Um misto de satisfação, receio, medo e principalmente dúvidas. Por isso a música, minha cabeça viaja tentando juntar as diversas peças desse quebra-cabeça que tenho total consciência de que apenas eu montei. Procuro fazer uma leitura racional dos fatos, mas de que forma?

É justamente nessa busca racional que aparece o Senhor Fantástico na história. Ser racional é sempre a parte mais fácil da vida. Algumas coisas são óbvias e fáceis de ler e compreender. Eu diria que para pessoas como eu, um gráfico resolve muita coisa. Porém, outras são extremamente sutis e tentadoras. Um exemplo disso é essa notícia (clique, vale a pena). A distância entre a arte e a ciência pode muito bem ser tênue, mas infelizmente nem sempre isso é percebido. Ao ouvir sobre essa exposição, parte de mim pensou no belo, mas confesso que parte ficou procurando formas de repetir isso, entender o processo físico da coisa. E isso, é chato, até porque eu sou um cara que realmente adora poesia, poxa, escrever poesia e fazer fotos é o que mais me relaxa.

Essa pequena dificuldade de sentir ou perceber esses pequenos nuances é o que torna minha mente enevoada. Eu sei o que penso e sinto. Sei que essa pessoa não passa indiferente por mim e não consegui ainda descobrir se hoje fui chato, causei medo, afastei ou o que eu posso realmente representar para essa pessoa. Coisa simples e até certo ponto óbvia de fazer, mas pra mim parece física quântica, se bem que nesse ponto eu estou mais para o Senhor Fantástico, conheço mais sobre física quântica do que sobre o que se passa com as pessoas.

Hoje percebi da forma mais dolorida possível que isso é um grande erro, infelizmente não sei ainda como corrigir isso.

O Homem dos Olhos de Raio X – Lenine

Tudo aquilo que fazemos espelha nos que são mais próximos a nós

Dentre todas as formas de influência das ações, talvez a mais simples e visível seja a que é vista nos relacionamentos. Como uma pessoa apaixonada age, como uma pessoa por quem se apaixona age, como cada um reage ao outro. De certa forma retomo aqui algumas idéias e até uma frase que já usei antes, só que num momento de ira. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, frase de Antoine de Saint Exupery num livro que eu confesso que odeio, O pequeno príncipe.

Devo admitir entretanto que a frase é ótima, traz um peso bastante forte a influência que causamos uns aos outros. Aliás dá um certo tom ao peso que devemos todos carregar por sermos responsáveis por todas as nossas ações com as pessoas que nos cercam.

Para falar disso demorei um pouco na escolha da música. Acabei parando no cantor e compositor pernambucano Lenine. Gosto muito do som dele, músicas divertidas, com uma levada interessante sem nunca perder a característica de sua terra, o cara abre a boca e você sabe que ele veio do Nordeste. De sua imensa lista de músicas uma conta uma história que tem tudo a ver com o que eu quero dizer. O homem dos olhos de raio x (clique aqui para ver o clipe da música), fala de como um homem ficou fragilizado ao sentir-se apaixonado por uma mulher. Mostra que todas as ações da amada geram reações fortes no cantor.

Isso conseguimos ver em qualquer relacionamento. O grau de envolvimento gera ações e reações constantes, o que um faz interfere no comportamento do outro de forma positiva ou negativa. Tem gente que leva na boa essa situação, tem gente que se sente amedrontado e tem gente que adora controlar o outro com suas reações.

Particularmente me preocupam as pessoas que se divertem manipulando aqueles que se interessam por elas. Pra mim são pessoas tão frágeis de caráter que nem mereciam ser amadas. Vejo como pessoas que fazem qualquer coisa para reafirmar a si mesmas que são amadas. Por outro lado, quem não percebe esse tipo de atitude também está sendo frágil e bobo. Tem tanta falta de amor próprio como quem controla e precisa aprender a observar o que acontece a seu redor.

É claro que todos temos nossos momentos de fraqueza. Nesses momentos é que costumamos ter as atitudes mais infames tanto conosco quanto com o outro. O que deveríamos fazer é nos policiar para evitar tais movimentos.

Entretanto, nem tudo o que ocorre nos relacionamentos gira em torno de manipulação emocional barata. Quando no flerte, buscamos quaisquer sinais de aceite da outra parte. Durante o relacionamento, os sinais de confirmação funcionam como gasolina para que o relacionamento continue fluindo e para que as ações realizadas continuem seguindo a mesma linha.

Um olhar atravessado, uma mudança no tom de voz, um telefonema não retornado podem servir de sinal de alerta. Muitas vezes esse alerta vem como sinal de desespero, precedido da frase: “O que eu fiz de errado agora?” Muitas vezes, entretanto, nada aconteceu de errado, apenas um mal dia, ou, num caso pior, o relacionamento ruiu porque tinha que ruir.

Esse ruir, entretanto, muitas vezes machuca mais do que deveria, gera uma certa dependência da relação e é nesse ponto em que ocorrem as manipulações que tento combater aqui. O choro público, uma declaração mais forte, promessas vazias acabam inclusive destruindo o que restou de positivo de um relacionamento. Terminar e aceitar isso de cabeça erguida talvez seja a melhor forma de se retomar uma história no futuro, quando os movimentos de um voltarem a modificar positivamente os movimentos do outro e não passarem a gerar movimentos antagônicos, a presença de um faz o outro se levantar e ir embora. O nome de um gera mal estar se pronunciado próximo do outro e assim vai. Para se manter como num estágio equilibrado, não adianta um apenas estar apaixonado como na música do Lenine, mas sim os dois devem saber o que sentem e se respeitar acima de tudo

So Far Away

Trazer para perto os que temem se mostrar

Fechando a semana de relacionamentos virtuais trago uma banda dos anos 80. Dire Straits é uma banda que eu curto muito. Fez muito sucesso principalmente com seu disco Brothers in arm, com vários sucessos. Um deles é justamente a música de hoje (clique aqui para ver o clipe da música) So far away. Ela fala de uma pessoa que retorna a uma cidade que não gosta sem o seu amor que está distante e deixa claro que a distância não é suficiente para diminuir esse amor.

História bonita não acham? Justamente é isso que acreditam as pessoas que buscam namoros pela internet. A importância não é nada comparada com o amor. O amor não tem fronteiras. Nos últimos posts eu falei de relacionamentos totalmente virtuais, porém, algumas pessoas saem desse mundo virtual e trazem para a realidade.

O trazer para o mundo real onde as coisas não são tão facilmente ajustáveis é o ponto mais interessante de tudo. Você se arrisca a ver tudo aquilo que sonhou entre bits ruir ao perceber que a outra parte digita melhor do que age. Por outro lado existem surpresas positivas. Conheço histórias (sim é bem mais que uma) de pessoas que se conheceram através da internet e descobriram que o ao vivo não era somente bom, mas melhor do que o virtual.

É claro que não citarei nomes, mas duas amigas minhas pelo menos trocaram realmente de cidade, aliás trocaram de continente em busca do amor, e pelo tempo em que estão nesses relacionamentos e a forma como falam de suas novas vidas e do que estão fazendo na sua reconstrução profissional fora do país, só posso dizer que as histórias realmente deram muito certo. Um final mais do que feliz.

Isso falando de gente que mudou até de país. Se eu for olhar para gente da mesma cidade ou de cidades aqui mesmo no Brasil, a lista é até grande. Afinal, a internet funciona apenas como mais um canal de comunicação. Se conhece gente no trabalho, na escola, na rua, por que não na internet? Essa é uma fala constante de algumas pessoas e sou obrigado a concordar com ela em gênero, número e grau. Você conhece as idéias das pessoas e se relaciona com elas.

As pessoas também acabam entrando em chats, sites de relacionamento e até mesmo em sites especializados em formar casais. Agências de namoro modernas e virtuais, onde as pessoas colocam seus perfis, dizem o que querem, o que gostam e o que buscam. Uma forma a mais de driblar a solidão.

Eu particularmente nada tenho contra estes meios todos. Confesso que acho alguns deles mais engraçados do que outros. Nos chats, por exemplo, achei coisas super engraçadas. Ainda é claro a forma como alguns se fantasiam nos chats. Lê-se coisas como eu adoro baladas, saio pra dançar todo fim de semana, mas a pessoa está a 1 da manhã teclando todos os dias na mesma sala de bate-papos. Isso é comum. Talvez esse seja o risco, seja a pessoa que frustre ao se conhecer. Talvez seja alguém que queira sim sair pra dançar, mas não tem coragem de fazer isso só e é capaz de ao fazer isso, mesmo acompanhado, a pessoa não consiga se sentir a vontade.

Ou ainda pessoas que não se sentem a vontade com a própria imagem e mandam fotos de outras pessoas, escondem quem são e mentem a respeito de si mesmos. Essas pessoas são o risco de se passar do virtual ao real. Na verdade pessoas acabam se aproveitando do sofrimento de outros e podem até ser perigosos.

Mas reparem, eu não sou contrário a essa passagem do virtual para o real, na verdade a acho até bastante útil e talvez a verdadeira função da internet, unir as pessoas, comunicar, relacionar. Só digo que devemos sempre tomar alguns cuidados. Coisas simples como não se expor mais do que se deve (isso vale pra adolescentes principalmente). Vai conhecer uma pessoa? Procure um lugar público e pelo menos deixe com alguém o local onde você vai estar e maneiras de contato. Procure referências sempre. Não custa nada se prevenir.

Eu mesmo uso a rede para me contactar com novas pessoas, fiz e faço amigos, conheço gente e não sinto medo em afirmar isso. Apenas procuro fazer isso de forma segura e sou daqueles que não acredita que o mundo virtual substitui o real, ele pode apenas ampliar um pouco mais as opções. Se você quiser contar alguma boa história sobre relacionamentos virtuais que passaram ao real, será bastante interessante ler. Aguardo as histórias.

Já sei Namorar

o amor da sua vida pode estar muito além de onde sua vista pode alcançar

Sexo virtual foi o tema de terça-feira. Hoje ainda continuamos no mundo virtual, mas em outra instância. Ainda nos relacionamentos, mas agora falo dos namoros virtuais, relacionamentos que nascem e crescem na internet e do uso da ferramenta para manter e aquecer alguns relacionamentos.

Como tenho feito nos últimos posts, coloco um link pra um clipe de uma música que serve de título para o post. Hoje resolvi usar Já sei namorar dos tribalistas, clique aqui para ver o vídeo no youtube. Os Tribalistas foram um projeto de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, consta que reunidos para gravar um disco solo do Arnaldo Antunes, os 3 começaram a compor algumas músicas e resolveram lançá-las em um cd. O resultado fez muito sucesso no Brasil e algum sucesso no exterior.

A música escolhida fala da frivolidade das relações hoje, afinal diz que já se sabe namorar, beijar de língua, só falta sonhar mesmo, porque o resto todo já se sabe. Um verso entretanto me chamou a atenção, logo na primeira estrofe aparece a seguinte afirmação: “Já sei onde ir/ Já sei onde ficar/ Agora, só me falta sair” realmente para muita gente falta sair. Falta partir para o mundo real e é esse o mote.

Não estou em uma campanha contra o mundo virtual, afinal eu mesmo passo horas e horas por semana usando a internet para as mais diversas atividades. Apenas estou tentando dissecar parte do que ocorre aqui no mundinho virtual. Nesse aspecto, também não quero dizer que todo mundo deve ganhar as ruas e se relacionar com todo mundo das mais diversas formas. Apenas quero falar que tem gente que só se relaciona via computador.

Diferente do pessoal da terça-feira, que faz do sexo virtual sua única forma de sexo, as pessoas que fazem uso da internet para namorar buscam outro tipo de satisfação, não é um prazer mecânico, mas sim uma ação emocional e sensorial. As pessoas querem se conhecer, querem sentir-se amadas e querem amar. Para tanto precisam de alguma intimidade com outras pessoas e essa intimidade é o namorar.

Onde as pessoas se conhecem? Locais costumam ser padrões, como trabalho, vizinhança, escola, igreja, clube, cursos, enfim, quaisquer lugares onde se tenha espaço para ser visto e tempo suficiente para se mostrar quem realmente se é. É claro que existem os casais que se formam nas baladas e em encontros fugazes e mesmo assim passam a vida toda juntos, mas a regra é as pessoas se conhecerem e se empolgarem com um certo tempo de contato.

Nesse ponto a internet acaba tendo certas vantagens, visto que, o que se vende são apenas as idéias, as imagens muitas vezes são forjadas (idéias também, mas isso é mote pra outro post), as pessoas falam o que pensam e emitem opiniões e acabam por agrupar-se de acordo com o que pensam. Ai podem surgir relacionamentos desse contato virtual, não pelo interesse físico, mas por um suposto interesse de idéias.

Parte desses relacionamentos sobrevive todo o tempo no mundo virtual. Pessoas de países diferentes, cidades diferentes, mundos diferentes conversam entre si através de um computador. Chegam a virar confidentes e, de alguma forma estranha, chegam mesmo a enamorar-se mesmo sem o contato físico e real. Aqui, entretanto, diferentemente do que disse sobre sexo virtual, o peso da imaginação é bem menor, é claro que existe, mas existe também uma pessoa real, que imagina-se saber o que pensa sobre determinados assuntos e é justamente por essas idéias que as pessoas se apaixonam. Existem casos que vão pro mundo real e dão certo e casos que naufragam (eu vou falar desse tipo de coisa no post de domingo).

As pessoas criam encontros virtuais e marcam horários com chats e câmeras com a mesma seriedade que se vai com a(o) namorada(o) ao cinema ou a um restaurante. Raramente é algo escondido, não existe motivo pra isso ser escondido, existe cobrança, existe o tal relatório diário de como foi seu dia, existem todas as convenções de um namoro real, afinal para os envolvidos é um namoro, apenas sem o contato físico que existe nesse tipo de relação. Para mim, alguém ligado ao mundo real a história inicialmente pareceu coisa de louco. Conversando com gente que passou ou passa por isto comecei a entender a lógica.

Para quem namora por computador, isso não é forma de suprir carência, é apenas a maneira que encontraram de se aproximar da tampa de sua panela independente do local onde ela esteja e em muitos casos, realmente existe uma passagem para o mundo real. Esse tipo de relacionamento não é para todo mundo, eu não me veria realmente preso a alguém que não vá ver e tocar e que mora a uma distância irreal de mim, mas tem gente que encara isso e até mesmo se programa para diminuir essas distâncias. Cada um sabe como lida com aquilo que lhe incomoda. No fundo, o que importa é que as pessoas sempre partam em busca de sua própria felicidade.