Uma Coisa de Cada Vez – Titãs

 

 

E no final eu acabei não publicando ontem. Infelizmente tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo que eu mal tive como pensar em algo. Simplesmente travei. Meu mundo virou de ponta cabeça, coisas boas, coisas ruins, coisas péssimas, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. Sem tempo nenhum pra refletir, só sendo levado pelo que acontece.

Aliás, tem um disco do Titãs com esse nome. Uma das músicas do disco (a que encerra) se chama “Uma coisa de cada vez”, é justamente o que eu estou precisando. Preciso focar em uma coisa apenas. Viver um problema ou uma solução a cada instante. Não consigo nem aproveitar o que está acontecendo de bom, nem ficar com raiva quando acontece alguma coisa ruim. Afinal tudo se sobrepõe e eu fico perdido no meio de um furação que ao invés de me destruir e me levar pra longe, apenas me prende em seu olho. Não me deixando fazer nada a não ser esperar.

Esperar que o tempo passe nunca foi algo que eu soube fazer. Esperar sem agir é sempre algo que não me agrada. Esperar sem pensar pra mim é quase o mesmo que não existir. Aliás, esse é o ponto mais duro de toda essa história. Perdido no meio disso tudo, eu simplesmente nem sei ao certo se existo. Não sei muito o que fazer, porque não consigo pensar.

Assim como a letra da música, composta por apenas dois versos (o primeiro é o título da música e o segundo é o título do disco). Uma repetição longa e de certa forma lógica. É assim que a minha cabeça está nesse momento. Cada uma das coisas que acontece fica parecendo uma daquelas músicas chiclete que a gente ouve e não esquece, mas que também não entende muito bem o que a letra diz, seja porque a letra não diz muito, seja porque a gente não consegue prestar atenção.

E mesmo assim a gente cantarola, sai por ai dizendo os versos mais estúpidos da face da terra. Faz isso sem perceber que faz. E o pior faz isso odiando cada uma das letras e cada nota da canção entoada. No meu caso é assim que me sinto. Porque eu vejo passar diante dos meus olhos um monte de coisas diferentes. Vejo coisas acontecendo e penso que eu deveria poder opinar sobre cada uma delas, infelizmente eu não consigo e isso me irrita.

Assim como esse post está repetitivo. Como eu seu ficasse o tempo todo escrevendo a mesma frase de formas diferentes. Tentando quem sabe fazer com que algo faça sentido para mim. Eu espero realmente encontrar algum sentido. Assim quem sabe eu possa falar de algo com o mínimo de coerência. Além disso, é necessário realmente ter calma. Eu preciso ter calma para resolver algumas das coisas que passam diante dos meus olhos. Nem tudo o que acontece é ruim, mas é necessário ter calma e agir corretamente para que as coisas boas que surgem não se percam.

Nestes últimos dias, eu vivi como se tivessem passado anos, séculos. Conheci gente legal, me empolguei, reencontrei pessoas, fiquei triste, fiquei preocupado, fiquei doente, me curei, até de casa eu praticamente mudei e nem me dei conta disso. Por isso eu saio cantando a música dos Titãs. Uma coisa de cada vez, não precisa ser tudo ao mesmo tempo agora.

Você já passou por uma fase dessas? Prometo um post mais claro no meio da semana, provavelmente eu atrase a postagem para a quinta-feira. Se conseguir limpar um pouco a mente, coloco na quarta. Espero você por aqui.

32 Dentes – Titãs

Todo adolescente é um tanto guerreiro irresponsável

Domingo é dia de post novo no blog, a falta de tempo tem me forçado a escrever apenas uma vez por semana, uma pena porque confesso que o blog funciona como uma terapia pra mim. Alguns leitores até me pediram pra de novo fazer um post falando de namoro/encalhe, como a série que fiz ano passado sobre o dia dos encalhados.  Se alguém quiser ver os posts, vale clicar aqui para ler o primeiro da série “É impossível ser feliz sozinho”, para ler o segundo clique aqui “Eu me amo, não posso mais viver sem mim…” e para ler o terceiro clique aqui “People like us”.

Eu resolvi, porém, continuar o tema da semana passada. Falar dos sonhos jovens está sendo interessante. Falar do envelhecer da mente. Ainda mais depois do ocorrido nesta semana. Depois de um longo tempo sem esse tipo de atividade. Sexta-feira de manhã fiz uma pequena palestra sobre fotografia para os alunos de uma escola chamada Giordano Bruno, situada na zona oeste de São Paulo, na rodovia Raposo Tavares. Dessa vez não fui falar do meu livro, mas sim falar mesmo de fotografia e da forma como eu encaro a fotografia como linguagem. Algo bastante preso a mensagem e a composição e pouco preso a ruído, foco, etc. Uma maneira pessoal de ver a arte fotográfica.

Fui a pedido de uma grande amiga minha, professora desses alunos, revê-la é sempre instigante, digamos que sempre temos o que conversar, sempre temos assunto e sempre vale a pena. Só por isso já valeria o esforço de acordar muito cedo nessa sexta fria que passou. Mas existiu muito mais do que isso. Bem mais, aliás.

Semana passada eu dizia que ser adolescente era ser meio irresponsável, ser dono do mundo. Eu dou aula para adolescentes e vejo isso todo dia. As respostas curtas e rápidas para tudo e soluções básicas parecem resolver todos os problemas do universo. Eu vejo isso no meu mundinho. Vi isso também num mundinho em que não estava acostumado a frequentar.

Vi ali a passagem nítida da infância para a adolescência. A vontade de falar e o medo de se expor ao mesmo tempo. Era engraçado como quando pedi para produzirem uma foto a partir do que querem dizer ao mundo, alguns tinham um discurso pronto, outros tinham vontade de falar mas tinham medo e outros refugiaram-se no vou falar o óbvio até entender o que exatamente vai acontecer aqui. Tivemos dentro do mesmo espaço, demonstrações de medo infantil, medo senil (sendo aqui senil não pejorativo, mas vinculado ao post anterior) e irresponsabilidade adolescente.

Agora estou aqui ouvindo Titãs, a música 32 dentes (clique para ouvir) tem tudo a ver com o que estou pensando. Tem uma música do Marcos Valle, Com mais de 30 (clique para ouvir) que é anterior e na verdade parece até ter sido a base para a música dos Titãs. Essa história do confiar ou não em alguém, do confiar mais em si mesmo do que no outro é algo que me encanta até certo ponto na adolescência. Uma irresponsabilidade dócil e divertida, uma liberdade de pensar baseada  no eu vou sim sofrer os riscos e seguir o que acredito.

Encontrar uma postura de olhar nos olhos e ser igual de um grupo de jovens que você já conhece e convive até um certo ponto é normal, receber esse mesmo tratamento de pessoas que você nunca viu se torna algo deliciosamente divertido. Não encaro isso como empáfia, não encaro isso como soberba, vejo apenas como excesso de auto-confiança, até porque no final das contas, todos me ouviram, me questionaram no que quiseram e o que é mais importante, não aceitaram de mão beijada tudo o que eu falei.

Questionar faz parte de criar um futuro melhor, questionar faz parte do não aceitar pronto uma verdade que nos querem colocar goela abaixo. O grande problema disso tudo é saber a forma correta de questionar, como se questiona? Como professor é isso que mais me incomoda, será que eu ensino de forma correta meus alunos a questionarem? Será que eles possuem a autonomia necessária?

Tudo isso veio depois da conversa com esses alunos. Foi divertido perceber que jovens são jovens em qualquer lugar que estejam. Divertido ver que realidades diferentes acabam convergindo e que as diferenças de informação não alteram a principal característica desse grupo, que é o questionar e duvidar. Inicialmente duvidam de tudo e todos, até que consigam criar o seu pequeno repertório de crenças e locais onde possa se fixar para então usar como referência a seus questionamentos.

E confesso, é muito gostoso ser questionado, te faz crescer, bem mais divertido do que questionar, talvez por isso eu escreva esse blog, é um espaço onde eu posso ser questionado por quem me lê e onde eu posso de forma adolescente falar o que me dá na telha, conseguir juntar essas duas coisas é a máxima liberdade.

Sei que tudo parece meio confuso nesse texto, mas no fundo eu quero apenas dizer que adorei a sexta-feira e que ela me fez perceber que faço a coisa certa quando peço que questionem aquilo que eu penso. Aliás, você que está me lendo, o que questiona? Alguma grande questão? Hora de voltar ou viver a adolescência no meu blog.

Epitáfio – Titãs

Que as pétalas aplaquem a dor da saudade

Hoje foi um dia triste, aliás, não foi, está sendo. Acabei de vir de uma cerimônia de cremação.  A morte de uma pessoa conhecida. Esse tipo de evento sempre choca e tira o ânimo. A dor da perda é sempre forte, principalmente para as pessoas mais próximas. Ver o sofrimento do outro hoje doeu muito em mim.

Desde que nascemos sabemos que a única certeza é a da morte. Desde que abrimos os olhos sabemos que um dia não mais perceberemos que o tempo passa. Eu particularmente encaro a minha morte como algo totalmente normal. Tenho uma relação dúbia com a vida. Porém, confesso que a dor do outro me incomoda muito. Ver alguém chorando por uma pessoa que partiu machuca.

Depois de deixar as pessoas que me acompanharam em parte do trajeto, vim para casa pensando. Eu iria falar nessa semana de preconceitos, tinha até bolado a sequência, mas confesso que o que vi hoje me fez mudar de idéia. A primeira música também foi até que óbvia. Confesso que fiquei com ela na cabeça. Sempre gostei dos Titãs e das mais recentes, Epitáfio (clique aqui para ver o clipe) é uma das que mais gosto.

Essa idéia de aproveitar melhor a vida, viver ao máximo é instigante. Confesso que pensei nisso durante todo o dia. Sempre me parece que a dor da separação está mais ligada a sensação de que não se viveu tudo o que se poderia ao lado da pessoa. Esse sentimento de perda não está só na morte, mas em tudo aquilo que nos é caro, seja um relacionamento, seja um emprego, seja uma idéia.

A dor é maior quando percebemos que nada mais pode ser feito. Tudo aquilo que foi pensado e planejado simplesmente é tirado da gente. E sem chance de retomar. Tem quem consiga levar isso de forma tão leve que não se abala com nada. Tem que se desmonte a cada derrota.

As pessoas que conseguem levar a vida as últimas conseqüências, procurando aproveitar todos os segundos e tirando o máximo de proveito de cada ação talvez sejam as mais corretas. Estas nunca poderão dizer que não aproveitaram ao máximo tudo o que viveram. Estes estão sempre prontos para a morte, porque buscam a intensidade na forma de viver.

Estas pessoas vistas por muitos como irresponsáveis, talvez estejam elevando ao máximo a sua responsabilidade. A responsabilidade que cada um carrega para com a própria existência. Justamente por isso assumem riscos, tudo em nome do prazer e de marcar a sua vida como algo positivo, independente do tempo em que ela dure.

Hoje, com a dor que eu estou sentindo, a única coisa que posso recomendar ao meus leitores é que procurem viver bem o tempo que possuem, procurem encontrar o prazer existente em tudo o que fazem. Deixe boas lembranças em quem convive com você e não deixe nada incompleto. É claro que quando você partir as pessoas vão chorar por você, mas se você fizer isso, o choro será um choro de saudade como o que vi hoje e não de desespero, medo ou ódio como vi em outras situações.

Rest in Peace.