People like us

No fundo só procuramos alguém que seja como olhar num espelho

Tem um filme do David Byrne chamado True Stories, de 1986 que sempre me vem na memória. Nunca achei pra comprar, acho que nem saiu em dvd, o que é uma pena. O filme funciona como uma espécie de colagens de clipes para o álbum do mesmo nome, pelo youtube, eu até ia colocar o link, mas não achei o da música que eu queria. People Like Us. Aliás até achei o filme todo, mas o trecho que eu queria é o único sem som e ainda partiram justamente essa cena no meio.

Por que justamente essa música? Aliás desse filme eu até poderia ter escolhido outros exemplos pra falar de relacionamentos amorosos, como Love for Sale, ou mesmo Wild Wild Life. E na verdade Love for sale foi minha primeira opção, confesso. Mudei de idéia depois de um bate papo agradável e inesperado.

Imaginem a cena, pós ressaca do dia dos encalhados, ops namorados, 6 solteiros, 3 homens e 3 mulheres, sentam-se num bar por duas horas para um papo rápido regado a coca-cola, batata-frita, h20h e cerveja (pras meninas). Adultos, jovens, solteiros e de certa forma querendo encontrar alguém especial. Conversa vai, conversa vem e ai surge o mote que eu precisava pra escrever este texto. O que acontece que tem tanta gente solteira por ai?

No filme, tem um solteirão a procura de casamento e justamente quando ele canta a música título na tevê encontra a mulher de sua vida, que sensibilizada acaba indo atrás do cara. Afinal ele só quer alguém como ele. O que no fundo é o que todo mundo busca, ou não? Ai talvez paire a dúvida, buscamos alguém como somos ou como imaginamos que somos?

Deixa a metafísica pra depois, ainda tem alguns assuntos a serem retomados da conversa no bar. A primeira coisa a ser ouvida foi que não existem homens no mercado. Nós rebatemos dizendo que as mulheres estão muito exigentes, afinal, as mulheres dizem que até existem homens, mas eles são canalhas. E no fundo fica esse de empurra empurra. Analisando friamente talvez todo mundo estivesse certo e errado ao mesmo tempo. Certos porque não existem mesmo as pessoas que aparecem em nossos sonhos, certos porque exigimos aquilo que achamos ser o que merecemos e merecemos muito, certos porque tem gente que realmente só pensa em si e no seu prazer. Porém, estamos errados também, errados porque muitas vezes existem pessoas e não nos arriscamos, errados porque alguns dos desejos da outra parte são simples e justos e não queremos ceder e errados porque esquecemos que vivemos num mundo real.

Um mundo real onde as vezes a carência nos leva a fazer besteiras como se aproximar de pessoas erradas justamente por medo e receio de ficar só (e ai vale o post anterior onde falo de enamorar-se), ou fugir de todo mundo porque achamos que todo mundo vai abusar da nossa dedicação.

Tem gente que leva isso tão na boa e nunca entra em crise, solteiro ou acompanhado segue sua vida tranquilamente,tendo as crises que todo mundo tem. Tem gente que não, que sofre sempre, independente do que ocorra. Eu sou daqueles que acredita que temos que encontrar nossos iguais, pessoas que pensem de forma parecida e tenham sonhos parecidos, isso para os nossos principais relacionamentos, sejam eles emocionais, sexuais ou amizades verdadeiras. Até para que possamos nos ajudar e entender o que se passa na cabeça do outro.

É claro que divergências vão sempre existir e são boas para fazer crescer, mas não dá pra conhecer alguém sabendo que essa pessoa gosta de ir pra balada toda semana e depois de uma semana querer proibir isso (isso é óbvio, mas é incrível como esse tipo de coisa ainda acontece nos dias de hoje, gente mandando em gente, escravidão já acabou faz tempo).

No final a conversa acabou pela metade, infelizmente a zona do lado de fora perturbou a paz e fez todo mundo ir embora, pena, até porque está com gente como eu, gente comum e a discussão ia longe. Serviu pelo menos de mote e para marcar outras conversas.

Aliás, se alguém souber onde vende o filme do David Byrne, por favor me avisa, esse eu quero mesmo comprar!!!

5 respostas para “People like us”

  1. Estive pensando justamente nisso nesses dias, talvez inspirado pelo clima de “dia dos namorados/noite dos solteiros”. Gostei muito da discussão do bar que você citou, foi bastante produtiva para uns insights que tive ao ler. Sobre filmes, desse cara que você citou eu não conheço, porém, sobre relacionamentos tem os do Eric Rohmer, um francês que dirigiu uma sequencia chamada Contos das 4 Estações, dai tem um de cada: Conto de verão, conto de inverno, etc… Cada um fala sobre um tipo de relacionamento amoroso. Os diálogos são bem diretos, chega até a chocar um pouco pela “crueza”. Eu, como aluno de psicologia, gostei mto. Ah, tem disponivel para download num blog: http://myonethousandmovies.blogspot.com/search/label/Eric%20Rohmer É isso.

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