Epitáfio – Titãs

 

Ufa, finalmente consegui dormir bem, ou pelo menos bastante. Estava cansado, semana de feira na escola. Muita coisa pra fazer, muita coisa pra pensar e pra piorar, a vida não para porque você tem muito trabalho. Nesse tempo amigos, parentes, paqueras, todo mundo que convive com você continua solicitando a sua atenção. Alguns de forma distante, outros com mais urgência e necessidade, mas se você é uma pessoa normal e pretende ter uma vida socialmente saudável, nunca pode abandonar aqueles que realmente gostam de você em nome do trabalho que gosta apenas daquilo que você executa em nome dele.

E é justamente nessa linha que surge o post de hoje. Ele na verdade tem duas origens, a primeira uma conversa no facebook, onde eu deliberadamente pedi um tema pra escrever aqui hoje num grupo de amigos. As idéias foram as mais variadas possíveis e uma delas acabou vencendo, sendo até ligada a um tópico em uma comunidade do Orkut com esses mesmos amigos. Acontece que o tema vai de encontro a conversas que tenho tido com outros amigos, de outros lugares. Muita gente parece estar indecisa sobre o que motiva suas escolhas.

A música do tema é até lugar comum, mas como o assunto também é clichê, nem vejo muito problema nisso. Epitáfio dos Titãs fala em seus versos que a gente deveria simplificar nossas escolhas para poder de certa forma viver melhor. Que menos rigor em alguns casos pode significar mais felicidade. Esse é o ponto principal das minhas idéias hoje.

Vejo muita gente reclamando da solidão (eu incluso nesse grupo), vejo muita gente que não quer estar só (de novo eu incluso nesse grupo) e gente que nem só está, mas que acaba tendo medo das escolhas que faz e se preocupa o tempo todo em saber se fez ou não a coisa certa. E é justamente esse o ponto. Tem gente que cria tanto limite para suas paixões que caso alguém que fuja uma linha desse padrão chame a sua atenção vai entrar em crise, porque o (A) príncipe (princesa) encantado(a) não é exatamente aquele que se apresentou.

Acontece que não dá pra ter controle total sobre nossas paixões (ops essa frase veio de outra discussão do mundo virtual). Quando temos contato e vivenciamos algo, podemos nos apaixonar por aquilo. Faz parte de tudo que experimentamos gostar ou não de algo. Se você em algum momento experimenta, já se arrisca a uma paixão, talvez uma paixão irresponsável, mas que em algum momento foi desejo seu.

Hoje vivemos num mundo cada vez mais aberto aos experimentalismos sociais. É comum ver as pessoas, principalmente os mais jovens, procurando experimentar de tudo e de todos. Por farra, diversão ou mesmo curiosidade. O problema surge quando o emocional não suporta as sensações desencadeadas por essas experiências.

Imagine que eu dissesse o seguinte: – Só vou me envolver com uma mulher que tenha entre 1,70 e 1,75, tenha cabelos loiros tom médio, quadris largos, seios fartos, tenha pés tamanho 37. Fale 5 línguas, tenha doutorado no MIT, seja super bem humorada, cozinhe maravilhosamente bem, goste das minhas piadas, me ensine a dançar e ainda me ame. Se eu criar esse modelo na minha cabeça, nunca vou desencalhar, até porque uma mulher com 10% de tudo isso ai nunca vai olhar pra mim…rs

Por outro lado. Imagine que eu mantenha essa decisão maluca e mesmo assim me apaixone por alguém, só que a mulher em questão tem 1,68, calça 35 e fez o doutorado em Sorbonne. Eu deveria entrar em crise por causa disso? Afinal ela não atende a aquilo que eu sempre quis. Deveria dispensá-la? Claro que não. Também não deveria acreditar que o mundo deveria acabar por causa disso e me questionar.

É muito mais fácil viver e curtir o momento. Vejo gente que se envergonha devido a idade do (a) companheiro(a), o grau de instrução, a religião ou qualquer fator que fuja do script pré estabelecido. O mundo é invejoso e sempre alguém vai falar alguma besteira sobre as escolhas que fazemos e a nossa felicidade. O que não podemos é nós mesmos acreditarmos que o que nos traz felicidade está errado quando não está.

É claro que aqui eu tiro da lista coisas que são contra a lei, namorar uma criminosa ou uma menor de idade nem por paixão. Aliás, acho que meus pré conceitos nem me deixariam chegar perto disso. Mas dentro daquilo que não é ilegal, se questionar por um desejo e questionar o próprio prazer é no mínimo estúpido, não?

Afinal quem vai encontrar alguém que se encaixe em tudo aquilo que sonhou? E pior que isso, caso você encontre alguém que seja tudo aquilo que sonhou, pode muito bem se irritar com todo o pacote que vem junto.  Portanto o que eu posso dizer é apenas tente viver da melhor forma possível e encontrar a sua felicidade de forma mais ampla, perder a felicidade por auto preconceito é no mínimo risível. A primeira lealdade que você deve é a você mesmo, só assim você pode ser leal com o mundo que te cerca.

Uma resposta para “Epitáfio – Titãs”

  1. Eu precisava ler isso rsrsrs Nos parece tão dificil sair dos “sonhos”, pela primeira vez experimenetei um “baixinho” (1,80 m) e eh tão adoravel, que fico pensando comigo mesmo, quantas oportunidades deixei ir …

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