Free to Be – Wynton Marsalis

 

 

Não costumo escrever fora dos finais de semana. Mas hoje eu confesso que tive vontade. Dia bem aproveitado em casa. Dia de uma merecida folga onde pude simplesmente pensar em mim e fazer coisas pra mim. Pude ver os livros que tenho e quero ler. Pude começar a rascunhar o novo livro que quero escrever nas minhas férias e quem sabe lançar perto do meu aniversário no final de março. Pude até parar pra cozinhar o meu almoço, algo que nem gosto tanto assim de fazer, mas que hoje teve um valor imenso e de certa forma necessário.

Eu até queria ver o jogo do Santos hoje de manhã, torci abertamente para o time do litoral apesar do meu imenso prazer em me assumir corinthiano em todos os poros do meu corpo. Eu queria ver o jogo, mas hoje eu podia dormir e assim fiz. Acordei, liguei a TV e até cheguei a ver os primeiros lances. Não que o jogo estivesse ruim, mas a sensação de liberdade e poder simplesmente adormecer na hora em que o sono aparecer foi mais forte, dormi enquanto Neymar e seus companheiros faziam 3 a 1 na equipe japonesa.

Acordei descansado, acordei realmente desperto, coisa que não fazia a tempos, nem nos finais de semana. E acordei apenas porque quis. Poderia ter dormido o dia todo, como cheguei a fazer em alguns domingos por cansaço. Dessa vez não havia cansaço, existia apenas a vontade de fazer o que o corpo quisesse e foi o que fiz. Até tenho ainda coisas a fazer, mas dei-me um dia, assim como me darei diversos outros e percebi como isso é bom.

Sai de casa pouco depois da hora do almoço, peguei o carro sem pressa e dirigi sem me preocupar com tempo. Sequer reclamei de dirigir hoje, algo que eu constantemente faço, dirigir nunca foi minha maior diversão. Passei horas conversando e vendo livros, namorando livros que não comprei e que talvez eu passe amanhã lá só pra comprar, ou não, porque amanhã novamente o dia será meu e eu farei o que quiser.

Essa sensação de liberdade me fazia falta. Eu me sentia um tanto escravo do tempo e das ações. Sem tempo para ser eu mesmo. Sem tempo para entender o que acontecia ao meu redor. Basta lembrar dos diversos dias em que sai de casa muito antes do sol nascer e só retornei várias horas depois dele ter se posto. Dias em que cheguei em casa, abri a porta e me joguei no sofá esperando alguma comida congelada ficar pronta no microondas. Dias em que mesmo morando num lugar previlegiado, onde as noite costumam ser lindas e estreladas pouco vi o céu, algo que eu adoro fazer. Gosto de ver as constelações a olho nu e chamá-las pelo nome, como se fossem grandes companheiras, amigas pra quem eu conto meus problemas e que me respondem com sua dança pelo céu, cada uma no seu tempo.

Por azar hoje o céu tem nuvens e não pude ou poderei ver as estrelas, mas sei que conseguirei fazer isso muitas vezes nesse meu tempo de descanso. Vou chorar minhas mágoas pra Órion nas noites desse verão, contando as histórias dos meus dias livres. Dias em que eu vou finalmente poder ser quem eu realmente sou.

Até tomei coragem pra deixar de ser sedentário. Procurei uma academia aqui perto. Tive mais sorte do que imaginava. Aulas de judô (meu esporte predileto) num horário que coincide com os que eu provavelmente vá ter livre no próximo ano. Sinal de que é hora de voltar a ser quem sou. Buscar meus sonhos, escrever mais poesia, escrever prosa, aliás voltar a ter tempo pra “prosear” livremente, quem sabe encontrar alguém legal e voltar a namorar.

Hoje tive paciência pra ouvir jazz, um som que adoro, mas que me exige mais do que tempo pra uma simples audição. Até ouço sempre um programa numa rádio sobre o tema, mas a música apenas rola enquanto dirijo. Hoje não, hoje eu parei pra ouvir, fiz inclusive questão de que a música desse post fosse um tema de jazz. Porque pra mim jazz é a música mais livre e inventiva. É a música da liberdade e Free to be é como eu me sinto hoje. Eu me sinto livre para ser o que quiser. Livre para ser eu mesmo. Espero conseguir fazer isso durante o próximo ano todo. Espero poder equilibrar de forma mais justa, curtir o trabalho, mas me curtir também um pouco mais. Ter tempo para produzir, mas também ter tempo para ser.

Hoje foi só um desabafo, prometo no final de semana voltar a falar do Slam, aliás o livro é realmente muito bom, recomendo.

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