Blue Monk – Thelonius Monk

 

 

É dia de postar no blog. Na verdade já passou do dia, já que quando eu posso, gosto da ideia de escrever mais de uma vez por semana, as quartas e aos domingos. Acontece que hoje eu não sabia muito bem o que dizer. Não que faltasse assunto, eles estão todos por ai, espalhados pelo ar. Tem muita coisa para ser dita e muito mais para ser escrita.

Acho que vale a pena falar do novo livro. Não, ele não está pronto. Na verdade é justamente o oposto. Eu até tinha muita coisa encaminhada. Queria falar sobre minha relação com a música. Do que eu gosto de ouvir e do que isso representa para mim. Queria me aprofundar um pouco mais do que faço aqui no blog. Aqui as músicas funcionam quase que como um acompanhamento para a leitura. É claro que existe sempre um motivo para a escolha de cada uma, mas nem sempre essa ligação é assim tão forte.

A ideia seria mostrar como cada música me influencia e o que eu penso quando ouço cada uma delas. Algo de certa forma similar ao que aparece no livro 31 Canções do Nick Hornby. A diferença é que seriam outras músicas e num outro contexto um pouco mais emocional.

O problema é que enquanto eu escrevia senti falta de embasamento musical pra fazer o livro. Senti falta de poder explicar de forma mais lógica o porquê de escolher uma versão em particular de determinada música, o porquê de determinada linha melódica mexer tanto comigo em determinada fase da minha vida. Inicialmente isso pra mim pouco importava, o problema é que a gente sempre acaba conversando com quem sabe mais que a gente. Aliás, isso é bem comum, afinal todo mundo sabe mais que a gente determinadas coisas, essa é uma das graças da vida. Saber que por mais que a gente saiba algo, alguém sempre vai saber mais e por mais que alguém não saiba determinada coisa, sempre vai ter algo que essa pessoa poderá nos ensinar.

Mas voltando a conversa, fui falar sobre meu livro e principalmente sobre música. Não de forma direta, mas sutil. Fui na verdade mais ouvindo, porque confesso que é encantador ouvir alguém falar de algo com paixão e conteúdo. É divertido aprender e perceber que é possível sim conhecer mais de algo que não conhecemos em sua plenitude. Aliás, esse é outro ponto bastante interessante, é ótimo não saber nada em sua plenitude. Faz muito bem pra cabeça a certeza de que existe ainda algo a ser aprendido, principalmente quando você encontra alguém com quem gostaria de aprender.

Falamos de gostos musicais similares e ao mesmo tempo diferentes. Gostos literários totalmente diversos, mas ao mesmo tempo confluentes. Falamos de ideias de mundo diferentes e visões diversas sobre o futuro.

No fundo, é isso que mais me agrada nas férias. Não que eu não curta as pessoas do meu trabalho, muito pelo contrário, aliás. Já disse em outros posts, recentes até, que eu finalmente nesse ano me percebi no lugar certo e feliz por ter feito a escolha que fiz. Acontece que não tenho tempo de conversar com muita gente que eu adoro. A falta de uma organização melhor da minha agenda e a correria diária me impedem de coisas simples como, por exemplo, sentar para tomar um café (eu tomei um gatorade e comi uns salgados) numa lanchonete ruim e ficar batendo papo sobre nada enquanto se decide se mais livros serão comprados ou não.

A falta de tempo me impede de coisas como essa, ou de ir a um restaurante sem se preocupar com o tempo, esperando curtindo cada minuto da companhia sorrindo. Aproveitando realmente o sabor de cada prato, sem pensar se no dia seguinte o despertador irá tocar as 5 da manhã ou não. É disso que eu sinto falta nos dias de trabalho. É isso que eu desejo fazer mais nesse ano. Até por isso tive que trocar o tema do livro. Não que eu não pudesse realmente falar das músicas. Até posso, desde que aprenda mais sobre elas (e quero aprender, acreditem, estou estudando e descobrindo muita coisa interessante sobre isso). Mas algo mais urgente apareceu.

Nem é um pensamento novo. Era algo que já estava agendando para aparecer na sequência. Ganhou força quando eu consegui voltar a escrever poesia e principalmente quando eu percebi a falta que sinto de algumas pessoas e como elas ajudaram a moldar o meu caráter. Sejam pessoas próximas ou pessoas um tanto distantes, de certa forma me sinto fruto do contato com as pessoas. Pessoas boas e ruins, pessoas que me ajudaram e as vezes atrapalharam também o meu caminho. Me sinto fruto dessa relação.

Por isso estou escrevendo sobre esses contatos, essa forma coletiva de crescimento que me fez ser quem eu sou e faz você ser quem é. De certa forma é uma leve homenagem a quem ajudou a produzir essa pessoa que acerta e erra, que ensina e aprende, que ri e chora e que tenta de alguma forma viver.

É nessa linha inclusive que eu escolhi a música do post. Porque eu até gosto de jazz, mas a pessoa que me fez mudar de ideia sobre o livro e as ideias que eu tinha sobre meu conhecimento musical simplesmente ama o ritmo, principalmente Thelonius Monk, que é colocado por ela numa categoria a parte. Segundo ela existe a arte ruim, a boa, a ótima, a excelente e a sublime, onde se encaixam poucas pessoas como Thelonius Monk. Não sei dizer se vejo da mesma forma, mas gosto do som. E você quer opinar sobre? Já tenho alguma conversa informal que sem querer mudou os rumos de algo que você pretendia fazer? Aliás, aproveito também para agradecer a você que lê o blog, pois é justamente você que me faz pensar e crescer enquanto escrevo.

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