Efêmera – Tulipa Ruiz

 

 

No último post eu falei da dor de algumas pessoas que conheço. De como eu esperava um homem vindo do espaço quando eu era mais novo. De como isso me marcou e de como eu me lembro disso até hoje. Lembro também de muitas outras coisas. Dos passeios com meus pais, de vários beijos, de vários abraços, de várias palavras que eu falei.

Na verdade, percebo que geralmente as coisas que mais marcam são aquelas que na verdade deveriam durar apenas o tempo de sua própria existência. Sorrisos, abraços, frases ditas, carinhos, tudo isso não foi feito para ser eterno, mas para ser efêmero, e por isso mesmo saboroso. Acontece que algumas vezes, a carga emocional adicionada ao fato é tão grande que a gente acaba transformando um simples gesto em algo eterno

Pena nem sempre esse eterno criado vai ser algo alegre. Muitas vezes é algo que dói bastante e demora muito para cicatrizar (ou nem cicatriza). Ainda me lembro de algumas besteiras que fiz e achei que fossem coisas sem importância. Algumas delas espero que não tenham se tornado marcas profundas em outras pessoas, mas isso é história pra outros posts.

A música que eu escolhi hoje é uma daquelas que a gente ouve e gruda nos ouvidos. Uma melodia agradável e uma letra simples e fácil de decorar que nos faz ficar cantarolando sem perceber. Um monte de gente tinha me falado da Tulipa Ruiz, eu tinha lido coisas sobre a cantora, várias críticas positivas. Porém, nunca tinha parado para ouvir alguma coisa produzida por ela. Por sorte, voltando pra casa a alguns dias, nem me lembro de onde vinha, ouvi a música no rádio. Os versos entrando em meus ouvidos e eu logo estava cantarolando junto com aquela voz macia que eu ouvia.

O que me cativou na letra foi a simplicidade dela. E de certa forma uma verdade escondida. A gente realmente gosta de muita coisa efêmera e ainda bem que gosta dessas coisas. Pois justamente o fato delas durarem pouco é que nos faz de tempos em tempos ter vontade de repeti-las. A saudade e o desejo nascem assim. Da falta de algo que muitas vezes a gente nem sempre sabe o que é. Ai, de repente, algo acontece, geralmente algo que inicialmente não teria importância alguma. E tudo muda. Um sentimento se forma e aquilo vira eterno.

Um simples passeio a um parque, uma conversa descompromissada, um jogo de futebol com os amigos, qualquer coisa. Tudo pode se tornar realmente importante quando a gente encontra ali algo que nos preencha de forma única ou que nos esvazie de forma dolorosa. O melhor disso tudo é perceber que na verdade a vida toda é efêmera. A gente que acaba valorando tudo o que faz. Transformando sorrisos em marcas, olhares em cicatrizes e palavras em lembranças.

Mais divertido que isso, é perceber que cada um faz isso do seu jeito. Cada um sente do seu jeito e interpreta do seu jeito. Eu hoje vi uma exposição que me emocionou, seja pelo que vi, pelo que senti, pelo que ouvi, pela companhia. Aparentemente dificilmente esquecerei o dia, mesmo frio e chuvoso ele terminou quente. Prometo falar mais disso no texto de quarta-feira. Só adianto que a exposição me fez lembrar e desejar coisas muitas vezes comuns e efêmeras.

Eu quis sim ficar mais um pouquinho apreciando as coisas boas que eu imaginava no caminho. Eu quis andar devagarinho e curtir cada segundo que eu vivi nesse domingo. Como quero aprender a curtir mais a vida e olhar bem de mansinho para aprender com tudo o que me aparece enquanto vivo.

Preciso deixar sair as coisas que martelam a minha mente. E simplesmente viver mais pianinho, aproveitando curtindo as pequenas coisas que me surgem no caminho. Perder o medo daquilo que eu sei que é efêmero. Se for mesmo efêmero, perderá a importância no exato momento em que acabar, se for bom ou ruim o suficiente para se tornar perene, a graça de tudo estará em ter vivido.

Então quero sorrir mais, tocar mais, beijar mais, acariciar mais, chorar mais, rir mais, viver mais. Quero dar atenção maior para as pequenas coisas que acabam passando despercebidas justamente por serem pequenas e acabarem sendo vistas como efêmeras. Quem vive muito no mundo das idéias muitas vezes esquece de sair da caverna e participar do mundo maravilhoso que existe lá fora.

Você tem alguma coisa efêmera que goste muito de fazer? Alguma coisa que gostaria de fazer, mas por ser pouco importante e talvez até efêmera sempre adia? Vai adiar seu comentário aqui?

2 respostas para “Efêmera – Tulipa Ruiz”

  1. Gosto tanto das coisas efêmeras que, às vezes, distraída com moscas e borboletas, não vejo os gigantes se aproximando de mim… Talvez eu deva aprender isso tudo ao contrário.
    (Será que qarta-feira tem Miles Davis????)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.