How Deep is the Ocean? – Chick Corea Akoustic Band

 

 

Quanto o oceano é profundo? Como as ondas podem ser tão parecidas e tão diferentes entre si? Como as pessoas podem agir assim como as ondas, indo e vindo? Quanto tempo os meus lábios ficarão distantes dos seus ainda?

Perguntas, perguntas e mais perguntas. De certa forma são elas que nos fazem seguir adiante. Tentar responder o que não se sabe é provavelmente a forma mais lógica e rápida para se aprender algo. Se você não se sente impelido a encontrar uma resposta, a chance de aprender algo novo é bem pequena. Você pode ser obrigado a várias coisas, mas não a aprender. Isso muitas vezes é um problema grave. Mas nem é esse o mote principal do texto.

Quando eu ouvi os acordes de Miles Davis (sim eu ouço essa música enquanto faço esteira na academia), não pensei exatamente no quão profundo é o oceano, isso é até fácil de descobrir, a parte mais profunda do oceano está a cerca de 11.500m da superfície. Longe pra caramba. Acho que a média deve gerar em torno de 4.500m. Ainda é bastante, mas isso me impede de me jogar no mar? Eu levo isso em consideração quando escolho entrar na água?

Quão profundo é o oceano? Quanta coisa tem nele que eu sei que infelizmente nunca verei? Quanta coisa ali deve me causar medo? É estranho como muitas vezes a gente se joga sem pensar nos riscos. E se diverte muito quando age dessa forma. É quando a gente age com o desejo. E faz as escolhas sabendo que elas podem até ser perigosas, mas com certeza trazem recompensas que compensam.

Várias vezes fui à praia com gente que tem medo de nadar. Gente teme até a areia, mas que pouco a pouco se aproxima da água. Primeiro molha os pés, depois se ajoelha perto de onde as ondas alcançam e vai pouco a pouco rumo ao fundo, se entregando aos poucos à água e ao sal. Até se jogar de corpo, alma e desejo nas ondas e tentar já sem tanto medo dar as primeiras braçadas enquanto engole suas primeiras gotas de água salgada.

E assim a gente acaba fazendo com tudo na vida. Quando algo nos amedronta a gente logo pensa, será que esse oceano que se formou embaixo de mim dá pé? Será que água é tão gelada quanto parece? Será que eu vou conseguir chegar na margem caso precise? A gente acaba sofrendo por medo de afogar.

É assim que eu me sinto agora. É assim que eu me sinto muitas vezes. Quando eu vejo o que eu busco está a um oceano de distância, sem um barco ao meu dispor só me resta nadar. Nadar, nadar e nadar. Nem mesmo um barco surge no horizonte. Eu só vejo as ondas diantes de mim e meu coração servindo como bússola. Me mostrando a direção que deve tomar cada braçada.

É assim que eu me pergunto a todo instante. Será que dá pé? Será que eu consigo atravessar? Será que as ondas vão me jogar nas pedras? O que será que eu devo fazer? É tão difícil assim fazer uma escolha? Por que a gente simplesmente não se joga de cabeça e esquece os riscos? Aliás, por que existem riscos? Por que muitas vezes a chance de derrota é tão grande?

O engraçado é que na grande maioria das vezes a gente joga contra. A gente acredita que as chances de morrer afogado são muito maiores do que as de chegar na outra praia e encontrar o tesouro abandonado pelos piratas. Tudo isso é medo. Medo não só de perder, mas também medo de ganhar. O que fazer se tudo der certo? É bem mais fácil deixar as coisas como estão e não se arriscar. A desculpa pra tristeza acaba sendo bem mais fácil de aceitar que o motivo pra sorrir.

Ainda assim, eu teimo em arriscar. Tento me jogar no oceano que se formou e tento nadar na direção certa. Quero surfar nas ondas que se formam, quero chegar na praia distante e ainda diminuir a zero a distância que separa os meus lábios dos lábios que eu desejo. Eu quero me jogar no mar. Quero descobrir o quanto ele é fundo se for preciso me afogar, quero meus não só meus sonhos, mas que meus medos se afoguem juntos.

E você? Costuma ver oceanos diante dos seus olhos? Eles parecem intransponíveis? Quer falar sobre?

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