In a Sentimental Mood – John Coltrane & Duke Ellington

 

 

As férias terminaram. Primeira vez no ano que saio de casa ainda com o céu escuro. Algumas estrelas visíveis no céu. O despertador toca lá pelas 5 da manhã. É só um tempo pra entender o que aconteceu, tomar um banho, me trocar, beber um suco, comer uma torrada com geléia e partir pro trabalho.

Sem entrar nessa de lembrar o quanto era bom acordar tarde (e realmente é bom), sem falar da preguiça que no fundo quase todo mundo sente uma vez ou outra. Na verdade o que vale falar é daquele friozinho na barriga que surgiu pela volta a um lugar em que bem ou mal eu me sinto em casa. Um lugar onde eu de certa forma vivi muita coisa, na verdade vivo muita coisa.

Por outro lado, esse mesmo lugar que me faz viver também me prende. Os períodos em que fico lá são bastante extensos. Em algumas épocas vivo em quase imersão total, mal tenho tempo de ver os amigos de fora do trabalho, ver coisas fora do trabalho, saber das notícias muitas vezes parece ser algo bastante complicado, mesmo para alguém que vive conectado na internet o tempo todo.

Talvez por isso hoje eu senti um pouco de medo. Eu queria voltar, queria muito voltar, coisas precisam ser feitas. Também um sentimento de saudade. Entretanto, muito medo no ar. Medo de repetir os mesmos erros de sempre. Medo de entrar de cabeça no trabalho e esquecer de todo o resto. Esquecer que eu tenho vida fora de lá.

Engraçado que em cerca de 30 dias eu consegui ver vários filmes, ir a restaurantes, ir ao cinema, ler, viajar, ver o mar, enfim viver um pouco coisas que me agradam. Falei com amigos que não via por puro descaso meu. Falei com gente que me encantou, falei com gente que me ensinou (e olha que eu aprendo muito no trabalho). Vivi coisas que não tinha percebido que realmente eram importantes para mim.

Ouvi jazz, fazia tempo que não conseguia ouvir. Invariavemente foi minha trilha sonora durante as leituras. Meus olhos percorriam as letras das páginas dos livros seguidos pelo som melodioso, belo e livre de Coltrane, Miles Davis, Louis Armstrong, Winton Marsalis, Duke Ellington, enfim uma galera boa e cheia de suingue e música de qualidade.

Eu ouço outros sons também, o blog é prova disso, posso dizer que gosto de muito mais do que 90% de todas as músicas postadas aqui. A grande maioria das músicas que eu posto possuem alguma importância pra mim. Marcaram-me de alguma forma. Acontece que todos temos as nossas manias. Eu tenho as minhas e algumas delas acabam ligadas ao jazz. É a música que eu gosto de ouvir para relaxar e pensar na vida. E é estranho como eu fiquei tanto tempo sem ouvir. Isso me leva a perceber o tempo que eu fiquei sem pensar direito. Deixando as coisas me levarem como se eu fosse um pedaço de madeira jogado no mar, sendo levado pela correnteza para lá e para cá.

Por isso a farra dos últimos textos em cima do ritmo. Por isso o medo de perder o que eu de bom grado conquistei nas férias.  Mesmo assim, ainda que sonado eu fui feliz para o trabalho. Tenso, é verdade, mas feliz. Ainda mais que ao ligar o rádio, a Eldorado me fez uma boa surpresa. Em geral, nesse horário toca alguma coisa de pop rock oitentista (que eu também adoro), ou MPB. Hoje pra minha surpresa, primeiro tocou uma do John Pizzareli interpretando Beatles, muito legal o som. E logo depois, a música que dá título ao post.

E eu estava mesmo num clima bem sentimental. Ver gente legal depois de tanto tempo foi divertido. Me afastar um pouco de gente legal para ver outras pessoas legais não foi tão estranho quando eu pensei que fosse. Basta eu me lembrar (e me cobrar) de ver e sempre procurar essas pessoas. Basta eu também cuidar de mim e dos meus sonhos e desejos. Basta eu perceber que para que o que eu faço tenha realmente alguma importância, é necessário que eu viva também. Não posso apenas deixar o tempo passar diante dos meus olhos sem perceber exatamente o que acontece.

Aliás gostou da música? Já a conhecia? Como você faz para equilibrar a vida pessoal e a vida profissional? Estou precisando aprender e aceito boas dicas.

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