Bonnie and Clyde – Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot

 

 

Tem dias em que a gente se sente mal e cansado. Tem dias em que a gente só espera que tudo termine. Não que algo de ruim tenha acontecido. Muitas vezes, naqueles momentos de balanço diário antes do sono chegar, já com a cabeça apoiada nos travesseiros a gente percebe e tem toda a convicção de que o dia foi até bom, a gente é que não está no mesmo clima do dia dia.

Meu time joga bem, está ganhando o jogo, apesar da dificuldade comum de fazer gols, não toma sustos e nem isso me anima. Sai pra jantar, tirei uma folga pra mim, papo agradável e boa companhia. Ao fundo tocava boa música, tudo bem que era gravação, mas era boa, pareciam aquelas músicas dos filmes de gângster antigos, aquele jazz bem leve e gostoso de se ouvir, que parece ser mesmo a trilha mais adequada para uma boa conversa. E nem assim me animei.

Parece que acordei cansado. Parece que mesmo com tudo funcionando bem algo que me faz falta. No fundo, eu tenho a sensação de que preciso apenas e tão somente dormir, dormir eternamente. Me sinto como se tivessem roubado toda a minha energia. Como se tudo o que me faz ficar desperto tivesse sido levado por alguém que veio, estilo Mata Hari, me dominou e levou aquilo que queria.

É como se tivessem levado todos os meus sonhos. E eu assim fico cansado, fazendo apenas aquilo que eu sei que tenho que fazer. Sem ter aquele gás adicional que nos faz sempre querer dar mais um passo rumo a um novo ponto ainda desconhecido. Parece que por hora se foi o desejo de sonhar, de viver, de amar, de possuir. Até o desejo de estar parece ter sido alvo desse furto.

Pena não poder dormir agora. Pena não poder dormir eternamente ao menos por umas 12 horas. Porque é assim, o infinito é sempre meio enquanto dure. Que o amor seja eterno enquanto dure e que a dor também tenha a mesma sina. Eternamente curta, eternamente efêmera, a ponto de desaparecer junto com o sono que me persegue nesse dia infinitamente bom.

Pena ela ter roubado minha alegria. Com uma rajada de balas que povoa e tumultua meus sonhos e me impede de simplesmente adormecer. Roubou meus sonhos e deixou só o desejo do sono, mas infelizmente eu não consigo adormecer.

Nem presto atenção no jogo. Meu time ainda vence sem sustos (espero que vença), mas a mente ainda está longe, procurando algo num coração vazio. Pois é, ele está vazio, levaram tudo aquilo que o mantinha aquecido e desperto, agora ele só bate porque sabe que tem que bater. Eu sinto falta sim daquele calor gostoso e por vezes indeciso. Eu sinto falta daquele desejo que a gente nem sabe muito bem qual é. Sinto falta de olhar para um mundo preto e branco e vê-lo todo colorido. No fundo eu apenas sinto falta e por isso nada sinto.

Por isso a música do doce casal de ladrões. Aqueles que viveram de certa forma todas as suas mais malucas aventuras. E até por isso cedo pereceram. Acontece que eles viveram muito. Tinham o coração cheio naquela sua balada de amor bandido eles encontraram algo que lhes preenchia. Um desejo interno que lhes mostrava qual seria o seu caminho.

É disso que eu sinto falta, algum tipo de desafio. Sinto falta de sentir algo, como senti já algumas vezes. Algo que mostre para onde ir, independente de ser este o melhor caminho. Afinal, nem sempre o melhor é fazer a coisa certa, mas sim fazer aquilo que a gente acha ser o melhor. Quero deixar de lado o fazer por fazer e quem sabe brincar um pouco de viver por viver, porque no final das contas, viver é a única coisa que realmente importa.

Você já teve dias assim? Dias em que por mais que tudo de bom aconteça nada realmente te anima? Quer falar deles? Aproveite, o espaço é seu…

2 respostas para “Bonnie and Clyde – Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot”

  1. Arrebentou nesse texto aqui hein? Eu mudaria apenas o final. Você deixar uma pergunta é até legal, mas tirou totalmente o ritmo que estava o seu texto.
    E todos temos dias assim. Todos sentimos falta de algo, por mais que alguns não saibam do que (como eu). O negócio é dormir, e ter a certeza de que vai ter um novo dia … =)

    1. Fico feliz que tenha gostado do texto. Entendo sua colocação no final, pensei nisso também, a pergunta quebra um pouco, é uma falha que eu cometo as vezes, mas agora fica meio estranho tirar, vou tentar evitar isso nos próximos textos. Aliás, onde estão os seus textos?

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