Things We Said Today – Paul McCartney

 

 

Se algo tem se mostrado muito claro para mim nesses dias é que cada um deve sempre fazer as coisas do seu jeito. Que não existe um único jeito de se fazer uma coisa nem mesmo um único caminho a ser seguido para se chegar a algum lugar. Por mais que a gente diga que existem fórmulas corretas em determinados assuntos. Por mais que a gente muitas vezes queira dizer que existe um jeito certo e único para determinadas coisas, sempre aparece alguém que de repente nos mostra outra forma, uma variação bastante interessante do tema inicial.

Falo isso porque nos últimos dias eu tenho sido bombardeado por versões renomavadas de “verdades absolutas” que eu tinha em mente. É uma forma nova de fazer um prato (que aliás era o único que eu realmente cozinhava bem) e que me mostra que um sabor pode ser muito melhor do que eu imaginava (será que vou ter a chance de cozinhar para alguém?). É uma história que eu achei que só poderia ser contada de um jeito e dá origem a um filme que me surpreende.

Sou obrigado mesmo assumir que é muito gostoso ver que alguns castelos que eu imaginava eternos e imponentes eram na verdade de areia e bastou chover no tempo certo para vê-los ruir. Como eu me sentia preso no calabouço desses castelos, ao vê-los sucumbir, me senti livre e finalmente pude ver a luz do sol.

E assim pude ver no mundo novas cores. Pude perceber que nas flores existe um perfume especial, que parece naturalmente feito para mim. Pude finalmente entregar-me aos sorrisos que me dirigem e sonhar com amores, para os quais quem sabe eu entregue flores, quem sabe elas realmente pensem em mim?

É divertida a sensação de que agora qualquer coisa possa realmente acontecer. A ideia de que no mundo existem muito mais dimensões do que realmente acreditamos. É a sensação de que se pode tudo, de que se é capaz de fazer qualquer coisa. Afinal, as regras que regem o universo são muito mais frágeis e variáveis do que a gente realmente acredita.

É engraçado relembrar que eu já tenho tomado sustos assim a algum tempo. Ideias que tem derrubado meus mais arraigados preconceitos e que tem de alguma forma me deixado mais feliz. Eu que nunca gostei de rap, anos atrás ouvi um do Zeca Baleiro e curti o resultado, mas era de um cara da MPB, assim não valia. Ai ouvi Criolo cantando “Não Existe Amor em SP”, me rendi ao som e movimento. Não que eu tenha virado fã, mas vi ali muito mais do que protesto, vi uma arte que me tocou e me fez pensar.

Assim como eu ainda me sentia preso a um amor antigo. Daqueles que morre mas nos leva junto. Achei que nunca mais pudesse amar. Me interessar de forma verdadeira por alguém. E de repente me vejo sonhando acordado. Elas existem e retornaram em outros corpos, minhas musas caminham por ai no corpo de mulheres  interessantes que me fazem rabiscar linhas mal traçadas com versos frágeis e idéias fortes na cabeça. Sim. Tem gente por ai que faz meu coração bater mais forte. Só que agora ele bate forte e livre, porque não tem mais medo do seu ritmo não ser ouvido. A canção das batidas está solta por ai, e a musa que a ouvir vai dançar no mesmo ritmo que eu.

Afinal, existem beijos e beijos. Cada um tem seu sabor. E podemos sim gostar de mais de um. Afinal, existem desejos e desejos, e eles tem cada qual a sua cor. Preto, branco, azul, amarelo, multicolorido. Existem cores para todo sorriso. E todos eles tão bonitos me encantam com a junção de cor e sabor.

Não, eu não me sinto num restaurante onde eu tenha que provar cada prato feito por um chef diferente até encontrar a refeição perfeita. Mas nada mal também me dar o direito de perceber que existe sim mais de uma opção agradável e se faço a escolha por determinado bistrô, é porque eu tenho a certeza do que quero. Se ele não quer me atender porque eu não uso as roupas que ele espera, sinto muito, outro vai me oferecer refeição tão saborosa e provavelmente num ambiente mais agradável.

É nessa linha de pensamento que surge a música de hoje. Eu me lembro de tê-la ouvido a primeira vez cantada num show do Paul McCartney. Nem sabia que tinha inicialmente sido gravada pelos Beatles. Adorei já na primeira audição. É a típica canção que eu um dia sonhei em tocar para alguma namorada no violão. Achei-a perfeita, simples, mas perfeita, sem poder ser modificada. Eis que ouço no rádio a pouco tempo atrás, uma versão mais “jazz”, gravada pelo John Pizzarelli. Outro jeito de fazer algo bom, e sob diversos aspectos ficou bem melhor as outras duas versões que eu conhecia.

Um jeito diferente de fazer algo que eu achava definitivo. Um jeito que me agradou muito. Acho que dessa forma, pelo menos por enquanto eu nunca seria capaz de tocar. Mas bem que a gente podia sentar num local e ouvir juntos, quem sabe? Falta só ela aparecer e me dizer o que acha da ideia. De repente até me apresenta alguma forma mais interessante. Pena eu não achado um vídeo da versão do Pizzarelli no youtube. Se você quiser ouvir a versão, clique no link e se deleite http://www.myway.pt/musica/john_pizzarelli/01dd4023-8124-463b-82ca-788de21d4b73.aspx Se alguém achar algum vídeo dessa música, por favor me mande o link. Se alguém tiver alguma história de mudança de paradigma e quiser contar, aproveite, o espaço é seu.

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