Todo se Transforma – Jorge Drexler

 

 

Ainda com sono nesse dia que foi morno. Dormi quase o dia todo e sem ânimo pra muita coisa. A roupa que tinha que lavar ficou para amanhã, assim como dar uma geral na casa e torná-la realmente habitável. Preciso resolver logo esse problema de falta de ânimo. Detesto andar assim no automático, sendo levado pelo vento e pelas ondas, sem ser realmente o senhor de minhas ações.

O cansaço que sinto é muito mais fuga do que excesso de atividades. As vezes tenho a sensação de que pequenas e simples atitudes resolveriam tudo, pena que que não consigo saber que atitudes devem ser essas. Sei que devo mudar esse estado de inércia para quem sabe voltar a sorrir e produzir. Só preciso encontrar o que me faz falta.

Muitas vezes penso que o que me faz falta é justamente ter perdido o ânimo com o simples. Ter perdido o gosto pelas pequenas coisas que realmente fazem tudo valer a pena. Falta aquele combustível que eu não sei onde acabou e que agora não sei mais onde encontrar.

Até por isso, tentei escolher para hoje uma música mais animadinha. Tentando de certa forma trazer um pouco de alegria a esse meu aniversário amanhã dia 26. Gosto muito de Jorge Drexler, acho que em espanhol ele e a Julieta Venegas são os artistas que eu mais gosto. E essa música em questão traz alguns elementos que eu preciso voltar a acreditar.

Eu sei que muitas vezes coisas aparentemente sem ligação alguma acabam mostrando-se mais próximas do que a gente pode imaginar. Tudo de uma forma de outra acaba encadeado. E nem pensem que vejo isso como algo místico ou misterioso. Apenas percebo que as nossas ações refletem nas ações de outros que refletem nas ações de outros e que em algum momento da história podem refletir na gente de novo.

Talvez esse seja o principal motivo de eu tentar ser uma pessoa boa. De eu tentar levar uma vida correta. Claro que tem muito da educação que recebi dos meus pais e do desejo interno de viver num lugar melhor, num planeta mais justo e belo do que este em que resido.

Acontece que eu me sinto um pouco cansado de ser sempre assim digamos tão bonzinho. Sei que é o correto, mas o andar na linha parece não me trazer os resultados que eu esperava. E nem pense que eu imagino que por ser uma boa pessoa nada de ruim vai acontecer ou que todos os meus sonhos seriam realizados num piscar de olhos. Seria estupidez pensar dessa forma e nem é essa a minha linha de pensamento. Eu só queria mesmo é um pouco mais de equilíbrio e de sonho. Talvez um pouco mais de alegria.

Só um pouco mais de combustível. Assim quem sabe eu consigo sorrir mais e ter mais cuidado. Formar mais gente que se preocupe com o próximo. Gente que mudará esse mundo e que quando eu estiver já velho e realmente cansado possa ter o que meus avós não possuem hoje do mundo. Eu preciso ter forças para continuar tentando. Preciso continuar acreditando que vale a pena todo o esforço. Eu sei que preciso e tento, mas confesso que tem hora que o cansaço toma conta e isso me irrita. Ficar o dia todo deitado no sofá esperando a hora passar, fugindo até da fome porque não sou obrigado a levantar é sinal de perigo.

O cansaço não é físico nem mental. Sinto um cansaço emocional, regado a muita tristeza, vazio e solidão. Por isso eu quero crer que existem outras formas de ver esse mundo. Por isso eu quero acreditar que como canta Jorge Drexler cada um dá o que recebe e recebe o que dá. Quero acreditar pra poder continuar dando o meu melhor e esperando receber ao menos um pouco disso de volta para continuar fazendo mais.

2 respostas para “Todo se Transforma – Jorge Drexler”

  1. Esse cansaço emocional, depois de muito pensar e passar por isso, creio que venha da criação de expectativas. Fazer/ser e esperar um retorno, querer sentir sempre algo diferente e incrível, encontrar um amor profundo e eterno, acreditar que o encanto nunca acaba… Os momentos mais felizes que tenho experimentado são justamente os despretensiosos. Aqueles em que eu não esperava retorno, que não tinha expectativas e, principalmente, que eu não fiquei acomodada esperando acontecer… Toda vez que esse cansaço (ou ressaca) emocional está por perto, começo a me movimentar. E nem é algo fora do comum, um movimento de 360º, mas algo simples. E talvez relembrar nosso velho Caeiro seja bem adequado para esse momento:

    “O mistério das cousas, onde está ele?
    Onde está ele que não aparece
    Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
    Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
    E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
    Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
    Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

    Porque o único sentido oculto das cousas
    É elas não terem sentido oculto nenhum,
    É mais estranho do que todas as estranhezas
    E do que os sonhos de todos os poetas
    E os pensamentos de todos os filósofos,
    Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
    E não haja nada que compreender.

    Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
    As cousas não têm significação: tem existência.
    As cousas são o único sentido oculto das cousas.”

    Querido Alex, tentar encontrar a “fórmula do ânimo” talvez seja o caminho mais complicado. Deixe-se existir e então o mistério do questionamento deixa de ser mistério.

    Desculpe-me por ter escrito tanto…

    Beijos

    1. Talvez eu não tenha sido tão claro quanto deveria. Mas de certa forma o vazio vem justamente por não saber exatamente o que me falta, isso incomoda e faz parecer que a gente acaba fazendo algo, apenas por fazer, não por sentir. Está bem aquém da ideia de esperar algo. Raramente eu espero algo, aguardo pra saber o que virá, apenas isso, mas é preciso ter vontade de seguir alguma direção. A expectativa não me atrapalha, até porque geralmente ela não existe.

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