Ideal Portrait – Hino=Kikuchi Quintet

 

 

Começo pedindo desculpas pela ausência de texto aqui na quarta-feira. Problemas na internet, muito sono e uma vida corrida me impossibilitaram de escrever. Até pensei em colocar um texto aqui na quinta, mas achei melhor deixar para o domingo.

Eu escrevo os textos minutos antes de postá-los, por isso o dia da postagem influencia muito o que vem para o blog. Posso ficar dias matutando um assunto e de repente surgir algo que me faça mudar de ideia e criar um texto completamente diferente do que seria publicado inicialmente. Hoje mesmo foi um desses dias. Tinha planos pra falar de tanta coisa, mas depois de um sábado corrido e uma manhã de domingo fria e preguiçosa ouvindo música tudo mudou.

Fiquei lembrando de cenas isoladas e da saudade que tenho de sair por ai clicando. Fiquei lembrando de pequenos fatos e da forma como eu interpretei cada um deles. Dando uma roupagem totalmente particular a coisas extremamente simples que vivenciei e que não fazem sentido pra mais ninguém.

Essa forma pessoal de ver as coisas é extremada quando eu tenho uma câmera em minhas mãos. Quando consigo de um todo particular separar uma pequena cena mais particular ainda. Uma visão totalmente pessoal e parcial de algo. São momentos em que não preciso me preocupar em ser justo, não me preocupo em ser verdadeiro. Me preocupo apenas em ser honesto com os meus sentimentos. Quero mostrar para os demais aquilo que eu consigo ver e sentir. Quero eternizar a minha visão parcial do todo. Se existem outras coisas ao redor e eu não as capto, pouco importa, só importa naquele instante aquilo que me chama a atenção.

Frase egoísta? Muito menos do que aparenta. No fundo eu queria que mais pessoas apresentassem o seu retrato ideal do que observam. Mais pessoas deveriam seguir além do lugar comum e deixar claro o que sentem, com o que sonham, o que lhes faz falta. Aceitar tudo o que nos oferecem como sendo o máximo e o único necessário.

É claro que é preciso ouvir o outro. É claro que é preciso saber que nossos olhos não nos trazem a verdade, apenas talvez a nossa verdade. Mas é preciso respeitar essa verdade pessoal, esse desejo. É preciso aceitar o que se sente e a partir daí sair do próprio mundo com seus próprios sonhos. Adentrar no mundo real e coletivo com objetivos para que se saiba o que fazer e pelo que lutar.

Acho que é por isso que eu só consigo fazer fotos extremamente pessoais. Nunca curti a ideia de fotografar festas e eventos. Mesmo publicidade. Até já fiz um ou outro clique nessa linha, mas nunca curti. Pode até exigir mais técnica, mas acaba exigindo menos linguagem. Eu não posso mostrar apenas aquilo que vejo (e no caso é o ver com os olhos e com os sentimentos) tenho que mostrar o que outra pessoa vê. Algo extremamente complicado.

Demorei tempo demais pra aprender a fazer meus retratos. Por isso entendo tanta gente que não consegue ainda dizer o que deseja de forma clara. Eu mesmo as vezes ainda travo. Travo porque é difícil muitas vezes encontrar o equilíbrio entre o que eu quero e o que os demais querem. É difícil perceber o momento em que a foto na parede será a que eu bati ou a que outra pessoa bateu. Mais difícil ainda tem sido encontrar quem tenha tirado fotos parecidas. Gente que tenha sonhos parecidos e que de uma forma ou de outra queira caminhar junto.

As vezes até encontramos pessoas que possuem retratos parecidos com os nossos. Gente que aponta suas lentes para os mesmos pontos que a gente. As vezes mais pra um lado, outras vezes com mais ou menos luz, mas gente que tem interesses similares. É essa gente que eu busco. É a gente que eu quero para meu convívio.

Busco para meus amigos não quem tire sempre fotos iguais as minhas, mas sim gente que faça seus retratos e divida comigo algumas cenas. Gente com quem eu consiga fazer uma exposição com fotos minhas, fotos suas e fotos feitas em conjunto. Gente que eu queira estar ao lado por ser gente que apesar das diferentes consegue sonhar vez ou outra os mesmos sonhos que eu. Apreciando os retratos que faço e produzindo retratos que eu também admiro de tão perfeitos que parecem aos meus olhos.

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