New Sensation – INXS

 

 

Revirando fotos velhas, algumas impressas outras perdidas no computador. Revirando velhos poemas de bastante tempo atrás. Remexendo em coisas que eu pensava e que hoje fazem pouco ou nenhum sentido. Aliás, é estranho perceber como com o tempo a gente passa a ver coisas diferentes olhando para o mesmo ponto.

Fotos que eu achei perfeitas, sonhos que eu via como norteadores da minha existência, ideais que pareciam formar meu ser. Tanta coisa que eu não alcancei e percebi que hoje já não me faz assim tanta falta, na verdade, são coisas que já não me fazem mais sentido algum. Não sei ao certo o que mudou, mas algo mudou e não foi o que eu vejo, mas a percepção que eu tenho disso.

Percepção essa que muda constantemente. Talvez por que eu ainda não me conheça plenamente. Talvez porque a cada dia eu me conheça mais. Talvez porque eu fique mais maduro e com isso meus sonhos mudem. Ou muito provavelmente apenas pelo fato de que as coisas mudam, para o bem ou para o mal, elas mudam.

As fotos que eu tiro de cada momento. As fotos que eu planejo a todo instante perdem rapidamente o seu valor. Não que eu seja assim tão volúvel, mas porque a cada instante, como ocorre com qualquer pessoa, meus desejos se alteram, as coisas que eu tenho a dizer se alteram e principalmente eu me torno uma pessoa diferente. Não tão diferente a ponto de renegar tudo aquilo que vivi ou de mudar radicalmente minhas ideias. Mas diferente o suficiente para conseguir aceitar novos nuances em tudo aquilo que faço.

Talvez por isso esteja tão difícil para mim escrever poesia atualmente. Talvez por isso esteja tão complicado sair de casa para alguns cliques. Tenho as ideias na cabeça. Tenho um novo livro aparentemente pronto. Só que ele não consegue sair. Parece preso em algum lugar profundo dentro dos meus pensamentos. Perdido entre meus sonhos, cercado pelos meus desejos.

Talvez esteja mesmo difícil para mim entender essas pequenas nuances que surgem de repente no meu jeito de pensar. Talvez seja complicado para mim nesse momento aceitar que o que eu quero dizer já não é exatamente aquilo que eu queria dizer a duas horas atrás. Imagine então se eu tentar levar adiante ideias antigas, que ficaram meses circulando pela minha mente e de uma forma ou de outra não conseguiram sair.

Não que eu mude totalmente tudo o que penso a todo instante. Muita coisa parece fazer parte do meu ser e sempre se mantém. Mas e os detalhes? Será que não é por isso que algumas ideias ficam presas? Será que elas sentem medo de ainda não terem se tornado definitivas e por isso se escondem? Esperando que eu matute um pouco mais e tenha certeza absoluta do que penso?

Penso nisso muitas vezes. Penso nisso praticamente o tempo todo. Entendo que esteja numa fase de enorme transição. Percebo que muita coisa está mudando em mim. Muita coisa parece ganhar um novo significado. Novos sonhos fervilham, novos desejos nascem e novas fotografias de velhas cenas aparecem diante dos meus olhos o tempo todo. Pena eu não conseguir clicar todas. Pena a câmera estar travada, talvez esperando o momento decisivo. O momento em que tudo passa a fazer um real sentido.

Enquanto esse instante não chegar e as coisas começarem a fazer sentido, provavelmente eu me sinta assim meio incapaz e perdido. Talvez seja necessária mesma essa fase de adaptação para que eu consiga finalmente voltar a apontar as lentes para algum ponto e dele tirar uma cena interessante. Olhar para a foto e dela extrair um poema com versos que realmente digam aquilo que eu penso. Talvez seja preciso assumir alguns dos meus desejos. Aceitar que algumas coisas são passageiras e outras permanentes, aceitar que minha opinião pode mudar enquanto eu não me conheço o suficiente.

Enquanto eu não viver o suficiente para experimentar todas as sensações que me atraem, nunca saberei exatamente quais me fazem falta e quais eu desejo. Enquanto eu não sentir tudo o que existe para ser sentido, sempre vai ficar um vazio em mim, que sem saber como eu vou acabar querendo preencher com sonhos frágeis e superficiais, como as fotos que eu vejo agora diante dos meus olhos. Como muita gente faz o tempo todo e pouco depois de se entregar a esse sentimento vazio … se arrepende.

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