Who Are You – The Who

 

 

Quem nunca olhou para o espelho e se perguntou quem realmente é? Mais do que isso, alguém realmente encontrou a resposta certa pra pergunta? Aliás existe uma resposta certa? Ando numa fase em que os posts aparecem meio tristes. Minha vida anda de certa forma corrida, e maluca. Minha vida anda um pouco fora do eixo. Mesmo assim, eu estou bem melhor agora do que já estive no passado. Tenho minhas crises, mas sei que são em sua maioria passageiras e que hoje sou mais forte do que já fui.

Sim, é claro que ando meio triste. Mas ando também mais forte, a tristeza já não me derruba como antes. E se me perguntam de onde vem essa força toda. Bom, eu de certa forma me conheço um pouco melhor. Isso me faz perceber de maneira mais próxima do real o que me incomoda e o que me faz falta. Me faz perceber o que eu desejo e com o que eu sonho. Me dá até mesmo uma noção um pouco mais clara sobre quem realmente é importante para mim.

Isso pode servir para explicar vez ou outra um presente inesperado, um sorriso mais aberto ou mesmo um olhar torto aparentemente sem motivo. Alguma coisa que alguém faz sem perceber nos irrita profundamente e muitas vezes a gente nem sabe o que nos leva a tamanha ira. A vida é assim, quando a gente não sabe muito bem quem é. Nem o que quer, muito menos os motivos que nos levam a agir de determinada forma.

Uma frase que surgiu num bate-papo informal tocou bem mais fundo do que eu imaginava. Ouvi me dizerem que na maioria dos casos os outros nos conhecem bem melhor do que a gente. Que a melhor forma de saber como realmente somos é ouvir o que o outro nos diz. Num primeiro momento, meu pensamento foi que isso não é exatamente uma verdade, afinal o outro só percebe da gente aquilo que a gente quer que ele perceba. Uma leitura parcial e muitas vezes alterada da nossa própria realidade.

Mas e se muitas pessoas nos dizem a mesma coisa? Bom, se isso acontece, provavelmente a imagem que a gente passa é mais real do que a gente acredita. Ninguém consegue fingir ser o que não é por muito tempo. E nesse caso eu acredito que o fingimento maior seja pra gente mesmo e não pro outro. Até porque a gente até sabe que tem defeitos, mas quando os percebe? Quando os aceita? Só mesmo quem convive com a gente é capaz de perceber os nossos erros mais comuns.

Se é assim com os defeitos, as qualidades vão pelo mesmo caminho. A gente se vê como alguém totalmente diferente do que é. E se perde nessa confusão. Quantas vezes a gente corre atrás de algo que acredita ser essencial pra gente e ao conseguir descobre que não era aquilo que a gente queria? Quantas vezes a gente deixa algumas coisas para lá e depois de um tempo percebe que o que foi deixado no passado era tudo o que era necessário para suprir nossos desejos?

Eu percebo cada vez mais que pouco me conheço. Sei que descubro coisas novas sobre mim a cada dia, mas ainda me falta um longo caminho. O que me deixa mais calmo é perceber que esse caminho é também longo e árduo para quase todo mundo que eu conheço. Poucas pessoas dentre as que convivo me parecem realmente seguras do que são e do que querem. A maioria titubeia em pontos chave, se apega a pequenas coisas que parecem mascarar desejos mais reais e intensos.

Claro que o vazio que eu sinto em parte pode ser preenchido por coisas que eu sei o que são. Por desejos reais e bem definidos. Mas também tem a parte do vazio que eu nunca sei porque existe. Por mais que eu procure raramente entendo o que me falta. E vejo essa mesma queixa em muita gente. Buscamos algo sem saber exatamente o que. Buscamos alegria sem saber o que nos trará esse sorriso e esse conforto.

E justamente essa ignorância sobre quem realmente somos é o que leva para caminhos mais tortuosos e doloridos. Eu quero entender quem sou e perceber de forma clara quais são os meus reais desejos. Quero entender o que eu sou realmente capaz e assim poder levantar todo dia de manhã sabendo exatamente o que eu quero e busco. Quero parar de andar em círculos sem nunca chegar a lugar algum. Porque está difícil escolher uma direção já que aparentemente caminho nenhum me atrai.

É estranho como é duro ficar e como é duro partir para algum lugar se a gente não tem segurança naquilo que quer. Talvez por isso eu me sinta tão estagnado. Talvez eu precise apenas parar de olhar pra fora e tentar entender o que está dentro de mim. Talvez eu tenha que ter coragem suficiente para encarar toda a dor da dúvida e assim descobrir o que realmente procuro.

4 respostas para “Who Are You – The Who”

  1. Alex, eu acho que existem momentos mesmo nos quais todos nós sentimos que estamos como um barco sem rumo. E até saber quem nós somos não é uma tarefa simples, porque somos seres humanos em transição. Mudamos de idéias, de amigos, planejamos um novo futuro, tentamos nos reinventar. Talvez a essência fique inata, mas certamente não somos os mesmo através dos anos.
    Nas nossas longas conversas vc sabe que eu já tive (e tenho) dessas crises existenciais. A única coisa que salva é que no final das contas a gente não desiste de tentar se encontrar.
    Beijosss

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