Angry World – Neil Young

 

 

Impossível nunca ter perdido a calma. Pouco provável conseguir manter sempre a linha, o tempo todo e a todo instante. Sempre acontece algo pra tirar a gente do eixo. Algo que faz o nosso chão ruir de forma tal que nada mais é possível além da ira. Nem o desespero é capaz de expressar de forma tão contundente aquilo que parece querer saltar do nosso peito nesses momentos.

No fundo todo mundo tem seus momentos Dr. Jekill x Mr. Hyde. Aqueles momentos em que brigamos tanto com a nossa consciência pelo direito de explodir. Deixar o monstro fluir mundo a fora preservando um mínimo de sanidade no homem. As vezes é necessário ser louco e irracional.

Eu mesmo tenho vivido a minutos de uma grande explosão. Segundos têm me separado desses acessos de raiva poderosos e destrutivos. Falta bem pouco para que eu deixe todas as minhas frustrações ganharem força e me transforme no monstro verde que destrói tudo aquilo que realmente me incomode.

Essa dualidade encontrada no Hulk é o que mais me chama a atenção no personagem. O vingador irracional que num segundo de descontrole passa de frágil gênio a poderoso e descerebrado. Mais médico e o monstro que isso impossível. Uma forma não tão moderna (já que o personagem foi criado a 50 anos) de se contar uma ótima história clássica. Aliás,muito mais que isso. Uma forma bastante inteligente de demonstrar uma vertente bastante humana. O descontrole.

Pode até ser que você não saia por ai quebrando tudo a cada momento de descontrole. Pode sentir-se frágil e chorar por um longo tempo. Pode sentir-se perdido e fugir de tudo e todos. Pode se afogar no álcool, na droga, em qualquer coisa que sirva de desculpa. Independente do que você faça, a única coisa que realmente conta é que nesses momentos toda a razão se perde e o homem se revela em sua porção mais animal e instintiva.

É o momento em que o pacifista empunha armas e ataca. O segurança se derrete em lágrimas e medo e o mais comunicativo e sociável dos homens se apequena e silencia fugindo de tudo. É o momento em que a gente não faz o que quer. Na verdade nem faz o que pode. Faz apenas o que o corpo faz sozinho, sem o nosso controle.

Eu me lembro de forma clara de cada descontrole. De todas as coisas que destrui nesses momentos. Não objetos, coisas materiais. Certamente tenho destruído em cada acesso coisa muito mais valorosa. Destrui sorrisos, carinhos, abraços, sentimentos. Apaguei histórias ou impedi que elas existissem. Mostrei não saber lidar tão bem assim com minhas falhas. Mostrei não saber ao certo como agir diante daquilo que parece ser mais forte do que eu.

Eu sou daqueles que abomina perder o controle. Gosto de viver sempre no meu lado racional. Ser sempre o Bruce Banner. Só que agora vivo mais tempo na linha tênue que separa o homem racional e o sentimental. Preciso de equilíbrio. Busco algo que não encontro e nessa história o que me preocupa não é o viver do homem, mas sim o conter o monstro.

2 respostas para “Angry World – Neil Young”

  1. Acho que a dualidade, por pior que seja na prática, é o que nos mantém humanos e mentalmente sãos. A partir do momento em que só um dos extremos nos dominar, perderemos o contato com essa humanidade.
    Ser iluminado parece ótimo, mas o objetivo dessa vida é vivenciar a humanidade, não?
    Pelo menos, é o que acho.
    Mas, cá entre nós, você é uma das pessoas mais adoráveis que conheço.
    Beijos

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