Fly Like an Eagle – Seal

Hora de continuar a falar do filme Vingadores, não que o filme tenha sido tão bom assim. Não é. É sim um filme divertido, mas pouca coisa além disso. Acontece que os personagens me remetem a uma distante infância. Um tempo em que eu realmente ficava horas lendo histórias em quadrinhos (ok,eu ainda leio hoje, só destino menos tempo pra esse tipo de leitura).  Até por isso acredito que vale a pena tentar fazer um breve paralelo dos heróis com coisas que eu penso e coisas que eu ando vivendo.

Começo a série falando do herói mais modificado no cinema. O Gavião Arqueiro está bem longe de ser o soldado sério da Shield. Nos quadrinhos seu comportamento lembra mais o aplicado ao Homem de Ferro dos cinemas. Um personagem que de certa forma traz bastante do que eu sinto hoje. Claro que na sua versão quadrinhos.

Afinal como ele, eu me sinto diminuído diante de algo que eu sei ser maior do que eu. A diferença talvez esteja no fato de que eu não respeito tanto assim o que me sufoca. Me sinto também um tanto derrotado e me vendo obrigado a mudar radicalmente de ação para que eu consiga resultados minimamente satisfatórios. Além de, infelizmente, ver cada vez mais claro a barreira que existe entre mim e algumas coisas relativamente simples para quase todo mundo.

Pra quem não sabe, o Gavião era um bandido inicialmente e virou herói ao ter a chance de se tornar um vingador. No grupo sempre acabou intimidado pela presença do Capitão América, a quem queria mostrar ser um líder ainda melhor. Talvez por ver naquele homem uma espécie de lenda. Nas vezes em que liderou grupos, acabou arrumando confusão com seu modo arrogante e o engraçado é ver quase um bordão seu dizendo “o que o capitão faria nessa situação?” sempre que aparecia um problema.

Mudou várias vezes de uniforme, mudou de identidade tentando ser alguém realmente importante. Perdeu muito também, inclusive a vida mais de uma vez (a vida eterna e o renascimento são realmente a grande maravilha dos quadrinhos). Perde até hoje, onde aparentemente se mostra mais maduro e consciente de seu papel e seus atos. Nesse ponto eu me sinto igual. Alguém sem poder algum, com alguma habilidade e que tenta fazer algo pra tornar o mundo um lugar melhor aos meus olhos. De certa forma já troquei a fantasia mil vezes.Já ofereci a cara para o combate de diversas formas diferentes. Se cai em todas elas, levantei diferente e fortalecido, buscando novamente acertar e mirando sempre nos acertos dos meus ídolos.

Não me vejo assim tão falastrão. Nas poucas vezes em que eu realmente me gabei por algo, vi vitórias certas escorrerem por entre os dedos. Vi as falhas estampadas no meu rosto e tive que abaixar a cabeça e aceitar com um sorriso amarelo um resultado inesperado. Coisa que aliás eu tenho feito exatamente agora.

Sou alguém também sem auto estima suficiente para ter real consciência do que posso fazer. Sou alguém que acaba se arriscando mais por medo de falhar do que por vontade e certeza de vencer. A certeza também me torna imprudente como o arqueiro. A empolgação me fragiliza. Como se eu lançasse as flechas sem rumo e elas acabassem voltando todas diretamente para o meu peito. Fazendo-o sangrar até que o corpo desabe inerte no chão.

Só depois dessa morte lenta e dolorosa. Renascido dentro desse pesadelo que eu mesmo criei é que me vejo novamente pronto para seguir adiante. Sentindo muito medo. Agindo muitas vezes por desespero. Apontando o olhar de águia para longe, porque hipermetrope de perto nada vejo. Se acerto e assassino a dor externa, deixo a dor interna me consumir por todo o sempre.

2 respostas para “Fly Like an Eagle – Seal”

  1. A ferida exposta, o corpo sangra….
    Maldita inercia…que nos faz esperar por “Dan” enquanto seria bem mais facil “lamber a ferida”…

    #insoniarules

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