Secret Love – Chet Baker

 

 

Quem nunca tentou descobrir um segredo alheio? Eu mesmo sei que sou uma pessoa extremamente curiosa. Gosto de saber o que se passa ao meu redor. É estranho isso, mas eu sempre organizo as informações que recebo e delas acabo gerando mais informações que servem para nortear as minhas ações. Eu odeio pisar no calo de outras pessoas. Mais do que isso detesto a ideia de fazer alguém sofrer e saber o que se passa ajuda e muito a evitar problemas.

Engraçado também é o fato de que provavelmente as informações sobre mim mesmo são as que mais tenho dificuldade de entender o obter. Não que eu seja uma pessoa de muitos segredos, não sou mesmo. Tento ser até bastante transparente. Se me perguntam algo certamente serei sincero na resposta. Entretanto existem aqueles pontos perdidos no meu pensamento que nem eu mesmo acesso, aqueles pontos que eu gostaria que alguém acessasse, descobrisse o que exatamente minha mente quer e me dissesse. Gostaria que fizessem comigo o que de certa forma eu faço com os outros.

Essa linha de pensamento maluca me faz lembrar de outro personagem do filme Vingadores. A Viúva Negra, a espiã russa, inicialmente inimiga do Homem de Ferro (nos quadrinhos), que faz uso de todo o seu treinamento militar para manter o auto controle (nem sempre consegue) e obter as informações que necessita (sempre consegue).

Informação para mim é um tipo de poder. Poder traz consigo responsabilidades (tem um personagem que se balança em teias que diz algo similar nas histórias em quadrinhos). Saber algo é ser responsável pelos efeitos da informação que se possui. Estranho ver o que tanta gente faz com aquilo que sabe. Ou pior do que isso, o que tanta gente faz ao simplesmente descartar aquilo que sabe.

Quando eu vejo pessoas cometendo erros que não deveriam cometer por já terem conhecimento de um caminho seguro fico imensamente irritado. Quando alguém não usa aquilo que sabe por desleixo me parece que falta pra essa pessoa amor próprio suficiente para acreditar em si mesmo.

Sinto pena daqueles que usam aquilo que sabem para destruir, irritar, atrapalhar, enfim prejudicar outras pessoas. É gente pequena que não percebe até onde pode ir a dor do outro, ou pior, gente que não liga para isso. Gente que pensa apenas no próprio umbigo e acha que levar vantagem em tudo é a única coisa que realmente importa.

Convivo com gente assim todos os dias. Pessoas que evito dizer qualquer coisa que não seja obrigatória e pessoas que eu mantenho os dois olhos atentos. Gente que me faz querer saber o máximo a respeito delas, entender suas ações para quem sabe evitar problemas maiores num futuro próximo.  Entretanto convivo também com gente que soma. Gente que te traz novas informações, que recebe as suas e que junta tudo num grande caldeirão onde se formam novas ideias, novos paradigmas, novas coisas. Gente que só quer fazer crescer e somar e não apenas subtrair.

É dessa gente que me orgulha que eu retiro as melhores informações. É pra essa gente que me orgulha que eu tento me mostrar mais transparente. Eles que no fundo conseguem me ler melhor que eu e que me trazem aquilo que eu não compreendi ainda. Eu acabo fazendo o mesmo por eles e por isso existe a troca. Uma troca justa de pessoas que bem ou mal querem apenas ver quem gostam melhor.

Porque amigos não são aqueles que te acompanham,mas sim aqueles que te entendem de uma forma que nem você mesmo consegue e que sabendo disso, fazem de tudo para que você saiba melhor quem é. Os amigos são aqueles que estão junto com você sabendo exatamente onde estão e porque estão ao seu lado. Entendem suas falhas e não se sentem incomodados em te informar de cada um delas para que você possa quem sabe melhorar como pessoa.

Já os inimigos? Estes são aqueles que apenas pegam aquilo que sabem sobre a gente e transformam num veneno doloroso que vai nos corroendo por dentro até que a gente não consiga fazer mais nada. Se os amigos nos protegem com aquilo que sabem, os inimigos fazem questão de criar o nosso fim a partir de uma informação qualquer.

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