The Old Landmark – James Brown (in The Blues Brothers)

 

 

Tenho me mantido em silêncio ultimamente. Percebo que quando a fase não é boa, o melhor é tentar me resguardar. Tentar entender os motivos que me deixam tão triste e a partir daí buscar a melhor forma para mudar o que incomoda. Fingir que tudo está funcionando nunca foi a atitude mais inteligente. Ir com sede demais ao pote também acaba sendo um erro. Logo melhor agir com calma e perceber de onde vem minha fragilidade.

O sentir-se frágil é algo que eu sei fazer parte da natureza humana. O homem é frágil e tem medo de aceitar isso. Tem medo de aceitar seus limites. Se por um lado é bom querer ir além dos próprios limites, por outro, não aceitar-se limitado pode transformar a sua própria existência numa vida falsa, em que todas as nossas falhas são atribuídas a outros.

Tenho amigos que me dizem que a fase é ruim porque me falta fé, deus no coração, aceitar Jesus ou quaisquer outros motes similares. Tenho amigos que dizem que quando algo não  funciona é porque seu deus não ajudou. Se algo dá certo é sempre graças a deus. Falta nisso assumir a sua responsabilidade pelos atos. Falta entender que algo dá certo ou errado pelo nosso esforço pessoal somado a grandes doses de acaso e quem sabe até sorte.

Calma, eu não quero jogar a crença de ninguém no ralo. Muito menos desrespeitar costumes antigos da nossa espécie. A fé é importante para muita gente. Só não me é útil e eu vejo também como algo bastante destrutivo quando passa a servir como muleta para as ações de uma pessoa.

Falar da intolerância à crença alheia seria no mínimo imprudente e desleal. Afinal eu conheço diversos ateus tão intolerantes quanto religiosos fervorosos. Se hoje existem brigas por religião (algo até esperado devido ao grande número de deuses e de formas de cultuar esses deuses), visualizo num futuro infelizmente não tão distante um número imenso de brigas pela crença na não crença.

É preciso entender que existem diferentes formas de se ver o mundo. Aliás, a quantidade de  belas criações advindas dessas formas diferentes de se ler o mundo é quase inesgotável. A fonte para a escrita desse texto mesmo é um desses deuses muito antigos. Fiz o texto pensando no Thor, dos quadrinhos e do filme os Vingadores. Um deus nórdico. Uma divindade adorada antigamente e que hoje é vista como mito. Como talvez os deuses que são cultuados hoje se tornem mitos num futuro próximo e quem sabe surjam novos deuses ou a volta dos antigos.

Se antes os deuses eram todos ligados a fenômenos naturais, um representava o sol, outro a luz. A chuva era divina assim como os rios e lagos. Hoje eles se apresentam mais complexos, como complexa é a nossa sociedade. Os deuses hoje tratam de sentimentos e deveres. Se antes representavam a nossa fraqueza moral, hoje definem de forma mais clara como deve ser o nosso comportamento.

Porque eu não sei se os deuses existem ou não. Confesso que acredito que eles não existam. Mas vejo de forma clara que existência deles é totalmente dependente da crença. Os deuses só existem porque os homens acreditam neles. Uma via de mão dupla da fé. Você acredita que algo especial existe e dá a esse algo poder inclusive sobre você. Você tira a responsabilidade de sua mente e a entrega a uma criação sua, imaterial, intangível e inquestionável. Todas as grandes decisões passam a ser desse ser criado. Sua consciência sai de você e vai para algo especial.

Fica muito mais fácil se sentir livre dessa forma. Fica muito mais fácil suportar a dor de cada decisão e aguentar a frustração de cada derrota.  Vendo o mundo dessa forma, nunca é a gente que perde, afinal a decisão pertence a mais alguém. A inspiração passa a não ser nossa, mas divina e se no final tudo falhou. Tudo bem, assim o deus escolhido por mim quis.

Prefiro eu mesmo ter o peso de cada decisão. Assumir sozinho os riscos dos meus atos. Hoje isso até parece errado. Pensar assim é pedir um julgamento social intenso do qual não fujo. Assumo a decisão e entendo que seja o  mais comum não assumir. Respeito com toda a minha verdade pessoal cada decisão de cada pessoa.  Existe quem precise de alguma forma encontrar um deus fora ou dentro de si. Eu só me sinto livre tendo minha consciência como única divindade.

2 respostas para “The Old Landmark – James Brown (in The Blues Brothers)”

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