The Circus Music – Charles Chaplin

 

 

Quem nunca se colocou numa situação difícil de forma consciente? Quem nunca testou seus limites e tentou entender até onde vão os erros e as dores que a gente suporta? Se você não fez isso ainda, recomendo que faça. Vale a pena saber quais são os nossos verdadeiros limites, descobrir isso de forma controlada, onde você tenha a chance de desistir se for o caso, ou de ir adiante caso descubra que já consegue caminhar mais um passo.

Foi o que eu fiz no último sábado. Primeiro dia das férias. Primeira chance de tentar mudar minha vida nesse curto espaço de 30 dias. Adoro escrever, me sinto livre aqui nesse mundo de palavras onde exponho minhas dores, meus amores, meus medos, minhas alegrias de forma ágil e rápida. Escrever é fácil e simples, as palavras fluem como se fosse algo natural.

Fotografar também é fácil para mim, quase um lugar comum. É ver de fora e distante. É estar longe de uma cena e retirar dela uma leitura altamente pessoal. Importa o que eu vejo e como eu sinto aquilo que passa diante dos meus olhos.

Sábado eu tentei fazer outra coisa. Tentei me expor. Deixar de ser observador e ser atuante. Modificar o outro de maneira instantânea e não como costumo, a partir do tempo. Parti para tentar o contato, abandonei a proteção de letras e lentes e lancei-me diante do outro de posse apenas do meu corpo.

Uma rápida oficina de clown. Bem organizada, bem estruturada, cheia de gente divertida e com conteúdo. Uma oficina onde se pretendia não formar profissionais, mas sim abrir uma porta para que cada um pudesse olhar para um espelho imaginário e ali encontrar seus medos todos ao seu lado, de forma que eles possam ser vistos do tamanho que realmente são e justamente por isso vencidos.

Entrei nessa, até porque, sinceramente eu costumo assumir meus medos sempre. Não me preocupo com o ridículo nesse caso. Quase todos os meus amigos mais próximos reconhecem aquilo que me amedronta pois são pontos que eu sempre trago para diante dos meus olhos. Meus textos falam disso, minhas fotos falam disso, minhas ações refletem isso.

E começa a oficina. A condução afiada e lógica pede a exaustão física para que entremos num estágio em que a mente sobreponha o corpo. Um instante em que as ideias possam ser livres o suficiente para vencerem as barreiras morais e estéticas que criamos. Um momento em que deixamos de ser aquilo que pensamos e passamos a ser aquilo que realmente somos.

Essa busca por uma movimentação energética, um desequilíbrio lógico e por incrível que pareça ordenado foi o primeiro ponto onde travei. Cético até o último fio de cabelo (ok, nem tenho tantos fios assim), racional em toda a minha essência, foi impossível deixar um lado sentimental aflorar (até porque eu acho que nesse aspecto ele nem existe, sou corporalmente racional). Meu corpo não flui dessa forma. Meus movimentos sempre foram pensados, nunca consegui me soltar, talvez por isso eu nunca dance, fico procurando sentido nas músicas e não encontro esse sentido nos movimentos.

Ainda assim tentei seguir adiante. O corpo cansou nos movimentos rápidos e dentro da minha lógica coesos (uma pequena subversão dentro da ótima proposta a que eu fui atrás, admito a falha). E tentei fazer do nariz de palhaço a mesma coisa que a câmera e a lente fazem por mim. Tentei criar um escudo protetor de onde eu poderia inclusive tirar sarro de mim mesmo e ao mesmo tempo me sentir protegido.

Tentei, apenas tentei. Conseguir? Passei bem longe disso. Fiz o que me foi pedido. Mas fiz tremendo e com medo. Um tipo de medo que a tempos eu não sentia. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim dominado pelo medo. Tentando fugir sem encontrar uma saída. Um medo sem explicação, sem razão, sem causa e nesse caso felizmente sem consequência.

Porque às vezes a gente simplesmente tem medo e não sabe o motivo. E tem que enfrentar o medo até que o motivo apareça. Só assim a gente cresce e passa a enfrentar outros medos, já que os antigos vencidos viram parte do passado e ninguém vive sem medo de algo. Já que o medo é a nossa medida de bom senso. Eu deveria voltar ao curso e enfrentar novamente as mesmas sensações até que elas passem a se tornar aceitáveis e depois capazes de serem definidas. Até que eu consiga ver com clareza o que me travou tanto. Só não sei se já tenho coragem para isso.

2 respostas para “The Circus Music – Charles Chaplin”

  1. Alex sair da zona de conforto já depende de uma enorme coragem e isto vc já demonstrou ter. PERMITA-SE experimentar, errar, acertar, mas principalmente SENTIR. Sem explicações, sem porquês, sem nada… apenas deixe-se levar e tente absorver as tantas sensações que vc vão ir ao seu encontro. Uma ótima viagem e grandes descobertas pra você. beijÃO

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