No Excuses – Alice In Chains

 

 

Levei uma bronca merecida. Dessas que machucam porque mostram uma falha que a gente sempre reclama quando fazem conosco. Nem tem como pedir desculpas, muito menos imaginar uma forma melhor de explicar as coisas. O correto (aliás, única coisa viável é ser correto) é apenas contar em detalhes tudo o que aconteceu, como forma de reverência e aceite da culpa, pelo menos a parte da culpa que realmente me pertence.

Eu que reclamo do tempo, o fiz passar de forma errada. Fiz com que aparentemente ele levasse uma amizade sincera pra longe. Nunca me esqueci de todas as conversas, de todos os conselhos e de toda a preocupação. Disso não posso e nem aceito ser acusado. Mas de certa forma me afastei. E nada tem a ver com a distância. Em tempos virtuais, a distância se faz bem menor do que a presença física limita.

Eu por vezes paro de falar com algumas pessoas. Sempre tenho a ridícula sensação de que mais atrapalho do que ajudo. Principalmente quando vejo que essas pessoas estão bem. A eterna falta de amor próprio me faz crer que se está tudo bem, para que eu preciso me fazer presente? Porque eu sempre acho que só preciso ficar perto se alguém precisa da minha ajuda?

Anos de terapia talvez resolvam isso. Mas ser cobrado exatamente por agir assim, me abriu os olhos. Tem gente que me quer por perto, apenas porque me quer por perto. Tem gente que gosta de mim pelo que eu sou e não pelo que eu posso fazer pela pessoa. Essa falta de amor próprio deve ter me afastado de muita gente interessante e deve ter me aproximado de muita gente interesseira (calma aos mais próximos, essas pessoas não ficam, pegam o que precisam e logo se vão, não falo de nenhum de vocês aqui e agora) que só me fizeram sentir-me menos ainda do que sou.

Deixar de falar com alguém que sempre esteve presente. Com alguém que sempre me estendeu a mão foi apenas mais um grande sinal de fraqueza pessoal. Não me resta muito além de pedir desculpas e dizer que eu ainda acompanho o que acontece com você, que vibro com todos os momentos de felicidade. Acompanho suas vitórias e me alegro com todas. Afinal, eu sei que se existe alguém que muito sofreu e merece a felicidade, esse alguém é você.

Ontem vi um filme bobo. Mais pra frente quero falar mais dele, mas ele serviu também como alerta. Uma frase besta, bem padrão dos livros de auto ajuda, mas que me fez pensar. Era mais ou menos assim. Mitos são mais importantes do que homens. Bom, eu confesso que penso de forma exatamente oposta. Não quero ser visto como mito por ninguém. Quero apenas ser reconhecido como um bom homem por aqueles que conviverem comigo. Porque me importa é a impressão dos próximos do coração e não o olhar falso dos próximos do corpo.

2 respostas para “No Excuses – Alice In Chains”

  1. Pegue o telefone e diga pra esta pessoa o quanto ela é importante para vc, apesar da distância. Um colinho via embratel pode ser bem quentinho e aconchegante.

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