Simple Things – Belle & Sebastian

 

 

Primeiro texto no novo endereço. Ainda preso a antigas manias não consegui chamar de casa o lugar que me acolhe, por mais aconchegante que ele pareça e seja. Tudo perto e ao mesmo tempo tudo parece tão distante. Tudo fácil e ao mesmo tempo tão difícil. Tanto que enrolo a quase um mês para tentar publicar alguma coisa aqui no blog. A desculpa da internet não passa disso, desculpa.

Eu que mais uma vez entro num embate com o tempo. Eu que cada vez mais tenho percebido que envelheço. Sinto cada vez mais o tempo passar. Sinto cada vez mais a solidão pesar nas minhas costas. E essa dupla ingrata, tempo voando pelos dedos junto com uma forte sensação de solidão torna tudo mais amargo.

Falta sabor em tudo o que se faz. Falta tempero e na verdade o que mais falta é sorriso. Ai eu me pego olhando os livros que comprei já faz tempo. Procuro me lembrar do que me fez querer comprar cada um deles. Do que acreditava no momento da compra, do que me motivava. Percebo que teve um tempo em que eu realmente sabia sonhar. Sabia viver do desejo distante e dele tirava energia para seguir adiante.

Percebo que já vivi também as mesmas sensações que vivo hoje. Um misto de medo, letargia, fantasia e dura realidade. Percebo que não posso colocar a minha felicidade como fruto do que eu faça ou conquiste. Não serei feliz por estar nesse ou naquele lugar. Serei feliz apenas quando perceber a graça que existe nas pequenas conquistas que muitas vezes deixo passarem despercebidas diante de um olhar meu mais negativo.

É tão claro que eu conquistei tanta coisa em tão pouco tempo. É tão óbvio que eu deveria sim saber aproveitar essas pequenas vitórias e não focar apenas num único ponto falho. O problema é que o ser humano é um bicho estranho. Daqueles que nunca se contenta com o que tem. Sempre quer mais, mesmo que o que busque não seja algo que ele realmente mereça ou precise.

Por sorte esse não chega a ser meu caso agora. O que eu quero qualquer um pode querer. O que eu busco no fundo todo mundo precisa. Mas é preciso antes de mais nada entender o que acontece. É preciso entender que tudo tem seu tempo. Não adianta eu querer que algumas horas passem rápido e outras passem devagar. O tempo caminhará sempre do mesmo jeito, indiferente ao meu pensar e ao meu sentir.

Por mais que o meu vazio pareça ser duro demais de suportar, eu o suporto a tanto tempo. Tanto tempo que nem lembrava mais  quando tudo isso começou. E isso verdadeiramente não me matou. Tanto que estou aqui cada vez mais velho e rabugento reclamando das mesmas coisas. Tendo feito coisas diferentes em busca de uma nova resposta. Buscando, é verdade um caminho que parece inexistir. Mas eu busco. E a busca parece ser a chave. Enquanto eu não achar meus erros nela, dificilmente encontrarei alguma forma de encontrar o que busco.

Geralmente a gente sempre busca coisas simples, simples demais para perceber que elas estão diante dos nossos olhos. Eu sei disso e nem assim consigo ver o que me falta nessa busca. Isso me irrita, mas não deveria. Eu deveria curtir o novo lar, fazer dele um espaço novo para novos sonhos. Um espaço aberto para gente de coração aberto e quente. Gente que me aqueça, que me inspire, que me ensine. Deixei para trás um antigo lar com todas as dores que vivi ali. Devo colocar nas prateleiras só as boas lembranças e os bons momentos. Imagino que não seja crime despejar a tristeza no fosso do elevador a partir do andar mais alto desse prédio.

Devo me ater a coisas simples, ideias simples que possam quem sabe me ajudara ser feliz. E devo sim buscar a minha felicidade. Sei que ela está dentro de mim e devo ter coragem de expor isso ao mundo. Mais do que expor, aliás, devo ter coragem de viver essa felicidade. Sela ela qual for. E quando essa felicidade aquecer meu coração,eu sei que perceberei que nesse tempo todo eu nunca estive só, a solidão era apenas um sonho mau que mascarava o prazer que eu sentia em ter a própria companhia.

 

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