I,m a Cuckoo – Belle and Sebastian

 

 

Dia de sentimentos mistos e acelerados. É tudo muito intenso. Dia de sensações alegres, tristes, confusas. Dia de sentir saudade e de sentir o excesso da presença. Dia de sentir a falta e o incômodo. Dia estranho,mas no fundo um dia bom.

Todos os dias em que algo acontece de positivo podem ser vistos como bons dias. E hoje eu tive tantas boas notícias quantas um coração velho pode aguentar sem sofrer alguma avaria. Hoje eu fiquei feliz não por mim, mas por aqueles que tento fazer crescer todos os dias. Esperanças novas vindas. Fico muito feliz quando vejo que eles acertam. Fico contente quando vejo o esforço deles dando resultado.

Isso de comemorar a vitória alheia parece estranho. Mas quem não vibra com o time de futebol vencendo sem ter entrado em campo? A vitória do próximo é no mínimo um bom motivo para se sentir bem só pelo fato do outro também estar bem. Alegria e tristeza contagiam e eu fico chateado quando percebo que é o meu mau humor que domina o ambiente. Por isso, nesses momentos de alegria desmedida e desenfreada, nada melhor do que esquecer os pequenos problemas que a gente vive e curtir o que existe de bom acontecendo.

Hoje foi um pouco assim, foi um dia de colocar tudo na balança e ver o prato bom vencer. Mesmo quando do nada vem uma notícia maluca e sem sentido que te faz pensar até que ponto tudo isso vale a pena. A gente pensa nisso o tempo todo quando vê o trabalho que dá, a dor de cabeça que dá o cansaço que surge. Só que ao perceber em olhares especiais não a alegria pela vitória, mas sim a força para aguentar uma derrota que poderia ter vindo tudo muda de figura. Mesmo quando tudo parece jogar contra, no final das contas vale a pena.

E eu me vejo então tão maluco quanto eles. Vibrando por cada pequena coisa, por encaixes de peças plásticas, por um gráfico que finalmente sai, por uma ideia que finalmente surge ou principalmente por uma aula que passou numa velocidade tal que ninguém conseguiu perceber, já era hora de partir.

Hora de partir, aliás é esse o principal problema. Tem um momento em que você percebe que todos eles devem partir. É o momento em que você fica para trás e deixa cada um viver seus sonhos sozinho. Para alguns bate uma solidão imensa. Eu confesso que sempre lidei bem com isso. Até porque acredito que meu papel é o de criar gente livre. Gente que não se prende, gente que sonha e faz virar realidade. Gente capaz de enfrentar o que vier pela frente. Gente como eu acredito que deveria ser.

Talvez por isso eu não seja pai. Não consigo me ver tão maduro assim. Não sei se conseguiria deixar o sangue do meu sangue esmurrar as paredes que ele criar sozinho. Até por isso entendo muitas vezes uma certa superproteção. O que me encanta, entretanto, é o perceber o quanto os jovens são mais fortes do que a gente. O quanto eles aguentam as próprias brigas e fazem isso de peito aberto porque sabem até onde podem ir. Mais do que isso até. Eles sabem o momento certo de pedir ajuda. Talvez seja esse o maior aprendizado que eu esteja recebendo todo dia no trabalho.

Já vi tantos crescerem, já vi tantos partirem e eu fico. Fico porque se eles amadurecem, eu ainda tenho muito a aprender se não com eles, com os novos que chegam a cada ano. É uma troca. Um escambo feito de um jeito que pai e filho nunca fazem, feito de um jeito que só mesmo sendo professor pra conseguir. Por isso eu vibro tanto com as vitórias deles. Fico maluco com eles e por eles. E aproveito pra sonhar, imaginando o que os que virão no lugar destes serão capazes de me ensinar.

6 respostas para “I,m a Cuckoo – Belle and Sebastian”

  1. Saber conduzir é uma arte, porque basta um passo – em qualquer direção – para que se saia do lugar em que se encontra.
    Simples não é mesmo? Um paso e você já consegue olhar o mundo de outra forma.
    Imagine-se fotografando uma paisagem. Basta um passo em qualquer direção e a foto não será mais a mesma e assumirá outros ângulos e contornos.
    O mundo anda morno demais, todo mundo morrendo de medo de arriscar, de tentar, de fazer, por isto você deve receber como uma vitória pessoal o sucesso dos seus alunos, um crédito a sua competência profissional (que por tantas vezes esbarra nas questões pessoais de cada um deles, uma preocupação genuína de “pai” ).
    É dia de coroar a sua auto estima.
    P A R A B É N S !!!!

  2. Bom, não achei a aba de comentários…desculpe minha incapacidade para isso. Mas vou comentar aqui mesmo, rs. Só dizer que gostei muito do post e acredito que esse seja o caminho do mestre, o de percorrer no aprendizado constante e fazer com que, no mínimo, seus alunos pensem, caso não consiga ensinar o que deveria…e que as coisas passam, pois é inerente ao tempo.
    Bjs

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