Não Sei Quem Sou – Inocentes

 

 

Tenho pensado em muitas coisas nestes últimos dias, até mesmo tem me faltado um pouco de coragem para escrever. Escrevo quase sempre sobre coisas muito pessoais. Preciso ter certeza do que penso para que as palavras não me soem falsas no exato momento em que partem dos meus dedos para o computador e dali para o blog que agora você lê.

Acontece que de alguma maneira eu pareço diferente. Algumas ações novas, algumas perguntas novas, novas ações, novos medos e até mesmo novas coragens. Eu acho que já não sei quem sou. E guardo aqui uma frase ouvida na última sexta a noite, durante um instigante curso de fotografia. A gente não quer ser algo, a gente é, gostando ou não do que se é, isso é tudo o que a gente pode mostrar ao mundo. A frase não foi exatamente dirigida a mim, mas ficou na minha cabeça mais do que as que realmente e pessoalmente me foram dirigidas.

Depois de uma semana intensa onde foquei muito do meu trabalho em dizer aos jovens que eles devem se expressar de maneira verdadeira a partir daquilo que conhecem eu aqui me vejo sem saber exatamente o que eu tenho pra falar, ou mesmo se tenho algo pra falar que mereça ser dito. Paradoxo interessante que parece vai ser levado adiante por mais um tempo ainda.

Eu vejo algumas dessas mudanças, falo com gente nova, vivo experiências novas e me arrisco mais. Mas ai outro paradoxo, nessa busca pelo novo, no fundo eu me percebo buscando aquilo que já conheço. Não que eu queira voltar no tempo, não é isso, aliás, muito pelo contrário. Mas de alguma forma, enquanto o novo parece brilhar diante dos meus olhos, o antigo também ganha forma, coisas que eu de certa forma desprezei no passado, agora parecem me encantar.

Penso que provavelmente essas mudanças pelas quais tenho passado estejam me jogando de volta ao passado. Parece que eu aprendi a olhar de um jeito diferente o que já passei e assim aprendi a valorar o que vivi de outra forma. Aquilo que já me foi valoroso hoje não interessa e o que eu já descartei me faz falta, percebo isso hoje e de certa forma tento recuperar o que perdi.

Percebo que tenho mais coragem. Percebo que os estranhos me amedrontam bem menos do que antes. Não que tenha deixado de ser tímido, apenas enfrento de forma um pouco mais corajosa a timidez.  Se ainda tenho minhas travas e cometo os mesmos erros descritos no texto passado, hoje eu arrisco de forma mais clara, talvez ainda tentando entender quem eu realmente sou.

Quem eu sou? Perguntaram-me isso de formas distintas pelo menos umas 5 vezes nos últimos 10 dias. Acho que pela primeira vez em minha vida eu não tive a menor ideia de como responder. Sempre achei que poderia ser definido por aquilo que faço. O problema é que de uma forma ou de outra faço coisa pra caramba, algumas dessas coisas até mesmo muito conflitantes, praticamente opostas.

Talvez eu seja definido não pelo que faço, mas sim por aquilo que não consigo fazer. Tenho meus limites como qualquer um e eles acabam sendo bem mais claros do que as coisas que eu consigo fazer. Provavelmente eu faça algo pelo simples fato de que eu consiga fazer aquilo. De forma quase automática não sou barrado e sigo adiante. Por outro lado, coisas simples as vezes parecem tão difíceis. Ainda é mais fácil tentar desvendar os segredos do universo do que pedir um telefone ou algo similar.

Hoje mesmo cheguei a ouvir que pareço duas pessoas. Percebo infelizmente isso ser verdade, hoje sou duas pessoas. Uma parte de mim que acha que tem que seguir adiante e outra que fica parada por não ter a menor ideia do caminho a ser seguido. Preciso achar o caminho e descobrir quem sou, porque só assim vencerei os meus maiores medos e as verdades que falo terão sabor de verdade para quem ouve.

4 respostas para “Não Sei Quem Sou – Inocentes”

  1. Os pensamentos são livre e voam…buscamos a paz, a felicidade, a realização em todas as áreas da vida, queremos respostas concretas para algo muito abstrato que sabemos não existir plenamente na prática.
    Nossa vida é cheia de varíaveis e por isto mesmo devemos saber aproveitar as surpresas e as transformações momentâneas e diárias, mesmo que estas nos parecam duras demais num primeiro momento.
    Esta adaptação está baseada na lei da tentativa e erro, já que a vida não nos apresenta um manual com instruções para fazer o melhor e acertar sempre.
    Curve-se à mudança, aceite a flexibilidade, curta cada adaptação e arrisque-se dizer ” EU ESTOU…” ao invés de “EU SOU…”

  2. Sua visão sobre a vida muda, vc passa a dar ou tirar importância de alguma coisa o que te era cara antes e passa a não ser mais ou vice versa.

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