Outono – Djavan

Nada mais belo que o entardecer do outono…

Fins de tarde no outono tendem a ser tão lindos. Os dias começam pouco a pouco a diminuir e as noites caminham para o máximo quando começar o inverno. O azul do céu é todo próprio, a luz do Sol vem de um jeito diferente das outras estações e refrata de outra forma. Tons amarelos, laranjas e vermelhos colorem cada fim de tarde.

Milhares de fotos postadas nesta pandemia. Vejo gente dizendo que não lembrava de um céu tão bonito quanto este. Talvez apenas a gente não tivesse parado para olhar. Os céus de outono surgem todo ano diante dos nossos olhos, só que a correria do cotidiano nos faz apenas prestar atenção no relatório a ser entregue, no ônibus lotado e na correria para tentar chegar em casa e quem sabe ainda encontrar a família desperta para um boa noite.

Em tempos de pandemia e desaceleração obrigatória, todos tivemos que parar e paramos. Todos pudemos olhar o que nos cerca, inclusive como é belo o céu ao entardecer. Parece uma ação simples, mas é mais simples ainda perceber que o mais comum é não olhar. Pena, pois se parte do nosso tempo fosse dedicado a apreciar o que está ao redor, com certeza perceberíamos que tem muita coisa bela diante dos nossos olhos.

E aí uma nova brincadeira, tentar entender o que é o belo. Cada um tem um gosto e um senso estético próprio. Cada um é sensibilizado por uma cena diferente, eu não sei o que vai te tocar e você não sabe o que me toca.

Ontem mesmo, dentro da aparente moda de ver os fins de tarde, postei uma foto do entardecer aqui da laje da casa dos meus pais. Lugar onde estou em quarentena. Uma cena que se repete inúmeras vezes e já cliquei diversas vezes. Inclusive foi uma das minhas primeiras fotos quando passei a levar o hobby a sério. 

Fotos de por do sol sempre estão entre as mais clichês. As mais comuns e talvez as mais simples de tirar. Raramente a câmera erra, mesmo no automático. Raramente o enquadramento é errado, afinal é só apontar para o ponto mais bonito e clicar. No máximo um pequeno ajuste de cores no pós processo e olhe lá.

E fazem um sucesso tremendo, mesmo muitas vezes falando bem pouco para quem fotografa. Vejam só. publico geralmente fotos que me falam muito mais. Que me exigiram muito mais aprendizado para fazer e tem mensagens mais profundas. Não que eu seja um grande artista, estou bem longe disso, mas reparo que não é isso que importa e sim o que cada um sente ao interagir com o que você mostra. 

É preciso nunca esquecer isto. Por mais que algo tenha um valor inestimável para mim, não posso esperar que tenha o mesmo para outro. O sentimento de cada um é único e deve ser respeitado. E mais do que isto. Num momento duro como o atual, por acaso realmente é capaz de existir algo mais reconfortante e acolhedor do que um belo fim de tarde outonal? Eu duvido.

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