Aurora

https://open.spotify.com/playlist/3wgorGZOPR0diOBUlPacQd?si=SzojvuP9SaW4dN6Pn_J39A

E de repente um novo dia nasce. É a chance de tudo mudar e surgir de um modo diferente. Mais justo, mais amigável, mais honesto e equilibrado. Um mundo onde viver a própria vida é o que todos buscam, sem se importar com as escolhas dos outros, principalmente aquelas que não afetam a sua vida.

É dessa forma que as músicas da playlist Aurora vão surgindo, faixa a faixa partindo de um clima festivo para canções mais calmas em momentos voz e violão. Tem espaço para todos os gostos, da balada anos 80 e 90 até o que nos acostumamos a chamar de MPB. E no fundo a vida é isso. Um lugar onde existe espaço para todos serem como realmente são, sem medo de perseguições que se não faziam sentido anos atrás, mas eram comuns, hoje fazem menos sentido ainda e seu questionamento social causa ira aos perseguidores.

Não consigo fugir da ideia de preconceito ao ouvir essa playlist. Lembro dos meus tempos de adolescente e jovem adulto. Era comum a ofensa maior ser relacionada a sexualidade. E hoje, pensando com mais idade, maturidade e principalmente com um novo olhar comum a este mundo moderno, fica difícil entender isso. Afinal, a sexualidade nunca deveria ser mais importante que o caráter de uma pessoa.

Enquanto eu crescia, começavam-se a se formar guetos, tinham bares onde só iam homossexuais e se nós héteros éramos vistos neles, já se criava uma fama ruim. Baladas praticamente o mesmo. E se dizia que as baladas gays eram até mais animadas. O som produzido nesse tempo de certa forma também recebia alguma classificação pejorativa. E em todos os graus ninguém se preocupava que ali tinha uma pessoa que sofria. Que situações sobre as quais ela não tinha escolha nenhuma faziam com que o mundo fizesse leituras a seu respeito e oportunidades poderiam surgir ou sumir  sem qualquer lógica.

As pessoas queriam saber onde você morava, a cor da sua pele, com quem você se relacionava, quanto de poder financeiro você tinha. Eram esses valores fugazes que definiam o mundo. Piadas comuns e fáceis de se ver envolviam também estes temas e se você estava em uma das minorias, tinha que ter força para aguentar e tocar a sua vida sem atrapalhar o bom andamento social, afinal você era o errado. Quem mandou não nascer homem, branco, hétero, rico e sem qualquer problema físico? Se nasceu com certeza a culpa era sua e por ser inferior com certeza sofreria.

Sua única esperança era ter em seu círculo gente que entendesse e não ligasse para isso. Coisa rara lá pelos anos 80 e 90 e ainda bem, mais comum nos dias atuais. Engraçado que pessoas ouviam canções feitas por Elton John e pelo Queen (que está na playlist), só pra ficar em dois exemplos. Como os negros nos times de futebol, serviam para entreter, mas nunca para conviver. 

Talvez por isso eu tenha gostado tanto do título dessa playlist e da forma como ela foi montada por quem me mandou. Quantas vezes o Sol precisou nascer como esperança para que hoje a gente consiga viver num momento em que minorias sofram um pouco menos?

Quanto a gente não teve que levantar torcendo para realmente estarmos num mundo de festa e justiça? Quanto tempo vamos ter que esperar para realmente vivermos num novo tempo? Onde todo o preconceito será jogado no lixo e as pessoas deixarão de ser julgadas pelo que parecem e passem a ser vistas pelo que são?

Confesso que a partir de hoje, cada vez que ouvir essa playlist, fatos como a origem do dia das Mulheres, o que se quer do dia da Consciência Negra, a luta pela liberação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e a força que emana de eventos como os Jogos Paralímpicos serão lembrados por mim. E eu que sou negro e deficiente me vejo obrigado a perguntar, o que estou fazendo para que a festa desejada na playlist possa realmente ocorrer? Já pensou no tema? Você faz algo para um mundo melhor? Comente aqui o que pensa sobre o assunto e ouça a playlist e siga o Instagram do livro. Por acaso o tema vai aparecer lá também!

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