Inspiração de Adolescente

https://open.spotify.com/playlist/0M9szWsvYN4D6MZ5KRPrWL?si=_h1WG_U6R-GKNv5JAvMQiw

Deixar a infância de lado e crescer. Deixar as respostas fáceis de um mundo totalmente preto e branco e passar a existir num mundo cheio de tons de cinza. Cheio de respostas incompletas e mais do que isso, cheio de respostas que mudam a cada instante. Não importa a pergunta.

Deixar de ser o garotinho (a) do papai (ou da mamãe) e cada vez mais ser o responsável pelos próprios atos e principalmente pelas escolhas. Só que quem disse que nos ensinam a escolher?

De repente saímos de um mundo pequeno e protegido, onde tudo parece sob controle. Somos jogados num mundo estranho, onde nada parece ficar no lugar onde deveria. Onde a a gente percebe que as nossas vontades são apenas isso, nossas e que todo o resto ao redor não liga nada para elas. No máximo nossos pais nos ouvem.

E junte a isso a quantidade de sensações novas, desejos novos, o corpo muda tanto que nem sei se somos a mesma pessoa de um dia para o outro. O mal humor é talvez o menor dos problemas. A gente só não sabe mesmo como agir, ou pior para que agir. Afinal por mais que a gente tente, o próprio ato de existir continua incomodando e não sabemos como fazer parar.

Todos os que hoje são adultos passaram por isso. E em muitos casos, vindos de uma geração onde o estudo e o conhecimento aumentavam a passos largos de uma geração para outra. Sem falar na tecnologia, essa ainda muda a alta velocidade, mas pelo menos uma parcela considerável dos adultos de hoje já consegue se entender bem com ela. Diferente de nossos pais.

Era essa a confusão pela qual passava a cabeça dos adolescentes da minha geração. Gente que, inclusive, me mandou esta trilha sonora. Aqui tem de tudo, moda de viola, folk, rock, mp3 estilo banquinho e violão. Tem música que aponta para tudo quanto é lado. E apesar da capa mostrar uma certa rebeldia comum aos anos 80 e 90 (confesso que fiz a capa pensando num disco do Ultraje a Rigor. Com a cara sapeca de quem achava uma baita transgressão falar palavrão. 

Tempos são outros, as músicas falam muito mais de inquietação do que a capa insinua. Mas ela fala justamente do período de transição. Onde a gente sentia vergonha de ser a gente mesmo, de crescer. Era, por assim dizer uma porta de entrada para os pecados da vida adulta. O momento em que você passa a dominar o dial do seu rádio (coisa de velho?) e o que toca não precisa fazer exatamente sentido para seus pais, mas sim para você. É uma versão um pouco menos infantil das mensagens que você trocava com seus amigos de infância e ninguém podia saber o que significavam (por mais que elas não significassem nada, de verdade). 

Tudo o que você quer é poder ficar sozinho no seu quarto, com seus livros, sua música, seu jogo de computador. Com qualquer coisa que você possa verdadeiramente chamar de sua e que te ajude a entender quem realmente você é. Por que no fundo a adolescência é apenas isso, um período em que a gente fica desesperado tentando entender quem somos. Ai a gente descobre que nunca vai saber a resposta, e quando isso para de doer é porque nos tornamos adultos.

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