The Sound of Silence – Simon & Garfunkel

Quando o som do silêncio nos traz medo e desespero é sinal de que o limite está chegando

Hora de buscar outras fontes pra escrever. Infelizmente acabou a sequência em cima do Uma Longa Queda do Nick Hornby. Agora as ideias estão fluindo a partir de uma história em quadrinhos que virou filme. Eu adoro quadrinhos, acho uma linguagem super divertida. E como gosto de ver filmes, quando juntam as duas linguagens geralmente procuro saber qual foi o resultado final.

Só consegui assistir Watchmen hoje, e isso porque o final já saiu em DVD a um certo tempo (quase um mês). Eu adorei a história criada por Alan Moore, junto com Sandman e talvez Hellblazer é o que eu já li de mais interessante no universo dos quadrinhos. Confesso que fiquei com medo do filme. Fiquei imaginando se iriam dar uma pasteurizada nos personagens, tirar muito peso da história ou se a mesma perderia a magia ao mudar de mídia.

O bom disso é que o resultado foi em grande parte satisfatório, gostei tanto que pretendo usar o filme e os quadrinhos pra mais uma sequência de posts aqui no blog. Começo de onde terminei a sequência anterior. O tema suicídio e morte ainda vai pairar por aqui um tempo. Talvez por ser um tema que me chame bastante a atenção, talvez pela insuspeita falta de criatividade que surge em alguns momentos na criatividade de qualquer pessoa.

Para começar, escolhi uma das músicas da trilha sonora, a música que toca durante o enterro do Comediante Sound of Silence de Simon & Garfunkel (clique aqui para ver um clipe da música). Aqui já surge algo divertido, durante o filme, a versão que toca é a original da dupla dos anos 60/70, mas no Youtube você vê e ouve a versão de uma banda de Death Metal chamada Atrocity (clique para ver essa versão) com várias cenas do filme. Vale ouvir as duas e comparar, gostei das duas.

Apesar de ter citado a morte do Comediante, não é ele que começa essa série. Prefiro primeiro dar uma geral sobre como enxergo essa história. Situando o povo, numa realidade alternativa onde os EUA venceram a Guerra do Vietnã e Nixon não passou pelo Watergate, tendo se mantido popular como presidente até 1985 pelo menos, ano em que a maior parte da história se passa.

Existe um cenário bastante apocalíptico, com a Guerra Fria chegando ao limite máximo e o medo rondando a população. Nesse mundo, os heróis são seres comuns, sem super poderes, inicialmente policiais mascarados que faziam uso desse artefato para caçar os bandidos que se mascaravam para não serem reconhecidos. Depois surgiu uma nova geração de heróis que aparentemente se divertia com isso. Porém, a população pediu o fim desses heróis e o presidente assinou um decreto onde todos foram proibidos de agir.

Três deles mantiveram suas atividades. O Comediante, que trabalhava para o governo, o Dr. Manhattan, único com super poderes e no caso dele poderes praticamente divinos, também trabalhando para o governo e Rorschach que se manteve o tempo todo no submundo.

Viver nesse sistema é complicado. Todos os personagens parecem oprimidos. Todo mundo parece a beira da loucura, a população parece precisar ser protegida dela mesma. É como se todo mundo estivesse esperando a morte chegar de alguma forma e procurando levar as sensações sempre ao extremo e sempre da pior forma possível. Essa loucura e medo fazem você esperar uma morte a todo instante. A mensagem mais clara de toda a história é a de que não existe esperança. Justamente o que a meu ver é o suficiente para fazer com que alguém se mate. Por outro lado, essa sociedade doente não é muito diferente da que vivemos hoje, talvez a grande diferença seja a possibilidade de sonhos que ainda nos mantém vivos. Quando os sonhos deixam de existir, o peso da realidade cai nos ombros e o som do silêncio nos leva a perceber que a morte pode sim ser um caminho razoável.

Too Old To Rock’n roll Too Young To Die – Jethro Tull

A calma e a perseverança que nos levam a sempre fazer o que a gente faz da melhor maneira possível

Mudo hoje o tema para um breve texto. Sei que ainda falta fazer o texto do JJ pra fechar a série sobre o livro Uma Longa Queda. Só que hoje me deu vontade de fazer um post diferente, sobre outro livro que li e de certa forma também uma breve homenagem a quem me emprestou esse livro.

Terminei nesse final de semana a leitura de O Velho e o Mar do Hemingway, a melhor definição que eu tenho sobre esse livro é a de que foi uma leitura especial, providenciada por alguém também especial. Alguns detalhes do livro me fizeram pensar no livro do Hornby que estou citando no blog e também na pessoa que me emprestou o livro. A história do velho pescador pra mim tem uma trilha sonora fácil, nem é o chavão clássico de se utilizar algo gravado por músicos cubanos, principalmente os que participaram do filme Buena Vista Social Club. Eu confesso que sou mais rock (apesar de adorar esse filme e esses músicos). Escolhi Jethro Tull, uma banda de rock progressivo que adoro e a música Too Old To Rocknroll Too Young To Die (clique para ver o clipe).

Como relacionar a aventura de um velho e pobre pescador, com uma música do Jethro Tull e com uma de certa forma homenagem a alguém que eu acho legal? Tudo pode parecer confuso, mas possui a sua lógica. Primeiro porque eu recomendo fortemente 3 coisas, ler este livro, ouvir esta música e banda e conhecer essa pessoa. Não que isso seja razão suficiente para um post, na verdade não é mesmo, mas já serve de início pra minha escrita.

Vale lembrar alguns fatos do texto de Hemingway. O pescador perde seu ajudante por estar a vários dias sem conseguir pescar nada. O jovem o adora, mas sua família o obriga a ir com outro pescador, isso, no entanto, não diminui o entusiasmo e nem o respeito sentidos pelo jovem com seu primeiro mestre. O pescador, mesmo velho, castigado pelo tempo e sem sorte, parte todo dia. Reconhece sua sorte e mesmo assim nunca desiste de tentar o melhor. Sua luta com o gigantesco peixe e com os tubarões o faz ir até seus limites e mesmo assim ele não desiste. Ao retornar, exausto, age como se apenas tivesse sido mais um dia comum.

A música do Jethro Tull fala um pouco da passagem do tempo, de como é difícil encarar a realidade. O tempo passa para todo mundo, mesmo que tentemos esquecer ou fugir disso, o tempo passa. Como passou para o velho pescador. Porém, mesmo assim, ele nunca deixou de ser quem é, de acreditar e ser quem ele realmente é. Você pode até sentir-se velho para o que fazia com vigor antes, mas deve lembrar-se que ainda está jovem para morrer, na verdade deve apenas diminuir o ritmo e se adequar a sua realidade. Eu gostaria de poder me dar tão bem com o tempo como o velho pescador, mas confesso que o tempo é provavelmente meu maior inimigo. Vez por outra falo disso por aqui. Quem sabe um dia essa briga não tem um vencedor.

E quem me proporcionou essa leitura? O que tem a ver com o livro? Muita coisa. Primeiro o fato de ser uma pessoa extremamente humana e até certo ponto transparente, o que é extremamente raro nos dias de hoje. Todos temos dias de bom e mau humor, aceitar isso é simplesmente aceitar-se humano, aceitar-se como realmente se é. Algo que eu confesso, gostaria de fazer com mais facilidade do que faço hoje. Eu seria alguém mais tranquilo se soubesse me comunicar com um olhar ou um sorriso, da mesma forma que essa pessoa faz.

O pescador também se preocupa muito com a qualidade daquilo que faz, irritar-se com falhas no processo as vezes parece medo, eu enxergo isso como responsabilidade. Quem não se chateia quando algo foge do controle? Eu, dentro de uma linha de raciocínio pessoal, acabo me preocupando demais com possíveis soluções ou porquês que geralmente me esqueço de perceber aquilo que sinto. Ai está mais uma coisa para aprender.

Ainda poderia dizer muito mais, como o fato de não precisar mostrar ter conhecimento, somente ser o que se sabe, assim como o pescador, ou mesmo, a força pra continuar sempre tentando pescar o enorme peixe, mas ai vai parecer excesso de rasgação de seda…rs

Também não quero apagar tudo sobre o livro do Hornby, JJ de certa forma acaba aparecendo um pouco aqui também, mas isso fica pra um próximo post.

Sobre a música, bom a pessoa ainda está extremamente jovem e pode curtir o rock e está a anos luz de ter idade pra morrer.

“… toda vez que falta luz o invisível nos salta aos olhos …”

As vezes a luz está tão distante que só nos restam as trevas
As vezes a luz está tão distante que só nos restam as trevas

Neste post quero dar continuidade a idéia da mudança de comportamento que as vezes nos atinge. Ontem estava lendo uma revista do Batman (poxa pessoa não levem a mal, eu adoro quadrinhos, leio bastante, chego quase a colecionar). Numa das histórias, a que abre a revista, a trama gira em torno de uma armadura que quando vestida faz com que quem a vestiu passe a ter ações mais violentas. No caso do homem-morcego, o que aflorava era uma vontade imensa de matar os bandidos e não prendê-los.

E o que isso tem a ver com o último post? Tudo. No último post, eu discuti o que o sentimento de traição causava em mim e a forma como eu me sinto incomodado com uma situação que de certa forma estou vivendo. Tudo bem que o traidor sou eu mesmo, mas a traição me incomoda e me faz agir de forma diferente.

Existem sempre os gatilhos que nos tiram do eixo e que parecem liberar o nosso lado mais sombrio. As pessoas mais ponderadas que eu conheço, em determinados momentos de sua vida, acabam cometendo atos que parecem ser realização de outras pessoas. Seja um ato intempestivo, uma discussão fora de hora, cenas de choro e desespero ou até mesmo violência.

Em alguns momentos os fantasmas conseguem se libertar de sua prisão em nossa mente
Em alguns momentos os fantasmas conseguem se libertar de sua prisão em nossa mente

Ai fiquei pensando em meus fantasmas. Tudo aquilo que escondo no meu lado mais sombrio. No geral, quando saio do eixo, a violência que uso é mais verbal, por sorte tive juízo pra evitar nomes e acusações diretas no último post. Uma atitude constante nos meus momentos de falta de controle é me isolar. No geral eu costumo fugir de qualquer pessoa que se aproxime, e quando essas pessoas se aproximam, torno-me altamente mal educado e ácido. Conseguir evitar besteiras no trabalho (afinal trabalho com pessoas) confesso que é algo complexo demais.

Nesses momentos costumo ser frio com as palavras, escrevo de forma mais ácida e crítica, confesso que precisei de muita calma pra não citar nomes no último post. Confesso ainda que mais engraçado foi ter recebido pedidos de desculpas de pessoas que nada tinham a ver com o post. Admito que depois disso também fiquei com vontade de pedir desculpas para algumas pessoas, gente com a qual certamente pisei na bola da mesma maneira como pisaram no meu calo mais sensível a ponto de me fazer escrever o que escrevi.

Teve gente que me perguntou se a pessoa que me causou tamanha raiva se desculpou, bom eu nem sei se a pessoa lê esse blog, provavelmente não. Mas isso não importa, até porque o que eu queria levantar mesmo era a traição universal, não o sentimento que EU sinto, mas o que TODOS sentem.

E agora assumo o medo real que sinto de vestir a tal armadura do batman, de liberar meus fantasmas e agir de formas que eu imagino não serem corretas. Como o homem-morcego, também tenho medo de num apagar de luzes eu perceba que na verdade esses fantasmas que eu prendo são a minha verdadeira essência e que a prisão que eu criei para estes fantasmas seja apenas uma máscara.

Provavelmente eu seja um pouco dos dois lados, algo na linha nada é 100% bom nem 100% ruim. Provavelmente o que sirva de prisão pra uma parte desse lado sombrio seja apenas convenção social. Afinal muito do comportamento vem da relação com o outro, como um espelho (e ai que eu sinto raiva e a idéia de traição ganha forma, todo mundo joga esse jogo, mas alguns seguem apenas as regras que lhes convém).

A vida em sociedade é o que prende os comportamentos que nos envergonham
A vida em sociedade é o que prende os comportamentos que nos envergonham

É nessas horas que ao fechar os olhos para dormir, todos os fantasmas abrem suas celas na prisão da mente e surgem diante dos meus olhos, como descrito de forma indireta nos versos da música Pianobar do grupo Engenheiros do Hawaii que dá nome ao post.

Você também tem seus fantasmas? Quer falar sobre eles? Quer que algum tema seja discutido nesse espaço? Deixe um comentário.

Aliás, ainda não esqueci os dois temas que estou devendo, apenas estou coletando informações para falar deles com mais segurança.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

nunca cause dor no outro por descaso
nunca cause dor no outro por descaso

Tem situações em que nós ficamos tomados pela raiva. Loucos de desejo de vingança. Algumas ações nos tiram do sério de tal forma que acabam expondo nosso pior lado. O bom senso se perde, junto com ele toda a tão bem desejada boa índole e respeito ao próximo somem de forma rápida e direta.

A sensação de sentir-se traído é uma dessas situações. Sentir-se enganado é terrível. E é justamente assim que tenho me sentido a alguns dias. Na verdade essa sensação incômoda vem e vai a algum tempo. antes das piadinhas maldosas, não é a típica dor de corno, afinal um solteiro não pode sentir esse tipo de dor.

Tem dias em que dói muito, como hoje. Sinto-me traído no ponto mais íntimo. O descaso as vezes é o que mais incomoda. É claro que fazer qualquer coisa esperando uma resposta específica de alguém é no mínimo burro e totalmente imbecil, mas algumas coisas são realmente padronizadas.

Espera-se encontrar carinho como resposta para carinho, respeito como resposta para o respeito e descaso como resposta para o descaso. Sei que essa linha é totalmente pavloviana, mas a não ser que ações absurdas tenham sido condicionadas no ser, a resposta padrão esperada é essa. Você não trata com descaso quem te trata com respeito. Ao menos eu não espero isso de ninguém que eu realmente respeite.

É ai que eu vejo traição. Falo da traição existente na quebra desse protocolo social. Me sinto traído algumas vezes por causa disso. Tem gente que se sente usado, eu nunca me sinto usado. Faço algo por alguém porque quero bem essa pessoa, faço algo por alguém porque de certa forma me faz bem ver o outro bem. O que incomoda muitas vezes é um tipo velado de descaso.

as vezes é simples tirar do rio alguém que se afoga
as vezes é simples tirar do rio alguém que se afoga

Até entendo o motivo deste descaso, dos tais sumiços e de certa forma respeito isso. é um direito de cada um agir como quiser, fazer o que quiser e buscar aquilo que lhe é necessário nos momentos em que surgem os problemas. A forma como isso é feito também é uma arma de cada um, cada pessoa faz o que acha justo e correto.

Se eu entendo a ação, por que me sinto traído? Nunca esperei prontidão, o carinho, ou o desapego com que trato algumas questões, isso é a forma como eu atuo, cada um tem a sua. Mas respeito é algo simples. Alguns sentimentos são absurdamente primários, principalmente os meus, eu sou sentimentalmente primário, não acesso sentimentos mais complexos em relação ao outro, vou pouco além do gosto e não gosto. Queria apenas saber o que realmente acontece, me sinto jogado no vazio muitas vezes.

ações simples podem salvar alguém
ações simples podem salvar alguém

E pior do que a traição do outro é a minha própria traição. Viver já não é fácil. Se traindo fica mais difícil ainda. E nesse aspecto eu me traio muito. Parece que acredito em contos de fadas que eu mesmo crio como falsas esperanças para um mundo aparentemente melhor, que na verdade não é melhor. Sei que deveria dizer não algumas vezes, mas também assumo que nunca vou fazer isso. Se assim o fizer fica a sensação de saber que poderia ter feito algo simples pra alguém que faria a diferença e não fiz, por mais que isso me magoe (e magoa no final), fazer é muito mais prático.

Nesse desabafo todo, no fundo eu acho que só queria que as pessoas todas se lembrassem da frase escrita por Saint-Exupéry (eu odiei ler o Pequeno Príncipe, mas tenho que admitir que ele merece ser lido): “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”