Book of Days – Enya

O post de hoje nasceu de uma brincadeiras dessas que surge vez ou outra no facebook. Montar uma lista com os meus autores prediletos, ou melhor os que mais me influenciaram. Foi duro fazer a lista, mas nem é esse o caso. O primeiro foi o mais fácil. Posso até vez ou outra esquecer do nome do Nick Hornby, mas se esqueço do nome, não esqueço dos livros. O autor realmente fala comigo de forma quase terapêutica (ele não compete com minha psicóloga, mas tem seu espaço…rs).

Um livro em especial tem muito a ver com este blog. É ele que inspirou o formato. Tem uma obra chamada 31 canções em que o Hornby fala das 31 músicas mais importantes pra ele, não importa a qualidade das músicas e sim que ele gosta delas. Em geral canções pop e rock inglesas. Textos sem nenhuma pretensão de teoria musical. Textos de um fã das músicas para fãs do autor. Eu planejo escrever um livro assim, não com a genialidade do Hornby, ou com todo o seu público, mas de certa forma quero sim contar ao mundo minha trilha sonora e fazer pequenas discussões sobre ela. E nesse modo de pensar, o blog segue como um teste para o livro.

A música de hoje fala um pouco disso. Ao ouvir a Enya cantando eu sinto como se a cada verso os acontecimentos diários fossem todos escritos num grande livro que guarda toda a história. Tudo, é claro, sob o ponto de vista de quem detém o poder sobre aquele livro. Como se cada um de nós tivesse um livro próprio que só chegará ao fim com a nossa morte. E ai ao pensar na brincadeira e ouvir essa música, confesso que fiquei pensando em como seria o meu livro dos dias. O que será que estaria escrito nele?

Tenho que admitir que a maioria das páginas viria acompanhada de uma série de acontecimentos cotidianos extremamente chatos e sem muita ação. Provavelmente pouca coisa fugiria do levantou, saiu para o trabalho, voltou ligou a tevê e o computador, adormeceu e esperou o despertador tocar novamente. Nos poucos dias livres muda um pouco para adormeceu sem ter hora pra acordar. Quando abriu os olhos o sol já alto entrava pela janela, ligou a tevê e o computador até a hora de dormir. Teve medo de viver. Talvez essa seja a melhor reflexão.

Garanto que se em algum momento no lugar das ações, meus pensamentos fossem escritos, a história seria bem mais divertida. Se no campo das ideias eu consigo assumir meus medos e meus erros. Falta um pouco ainda pra passar para a ação, falta aquele empurrãozinho final. Preciso fazer isso o mais rápido possível para que no final meu livro tenha algo mais do que obviedades.

Porque mais importante do que belas palavras numa folha de papel seriam belas histórias gravadas nesse livro dos dias. E elas não existem em parte por fragilidade minha. Pena que mudar nunca é tão fácil quanto parece, mas um dia eu aprendo.

Like a Virgin – Madonna

30 criminosos destruíram uma vida. É essa a grande manchete de todos os jornais, ou pelo menos a leitura que eu faço dela. 30 criminosos, não consigo ler de outra forma. E diariamente milhares de outras vidas são destruídas de todas as formas possíveis e imagináveis. Dessa vez, porém, a dor parece maior.

Não pelo crime em si, que é realmente hediondo. Me incomoda muito mais a impressão de que tem gente tentando simplesmente fazer discurso em cima do sofrimento alheio. Aliás, infelizmente é o que mais se tem feito. Pessoas defendem bandeiras e usam tudo o que está ao seu alcance para provar que o seu jeito de pensar é o correto, esquecendo do principal, a dor de quem sofre.

Acho justo neste momento as mulheres levantarem suas bandeiras pedindo sim uma mudança de pensamento. O risco existe num comportamento perigoso que ainda reside em muitas mentes. Não mudo minhas fotos nas redes sociais, mas apoio a luta, é uma postura pessoal. Nem mesmo em causas que me afetam de maneira bem mais direta como o movimento negro me forçariam a tanto. Até por pessoalmente eu pensar numa linha bastante diferente destes movimentos.

É nessa diferença que surge o incômodo ao ver a maneira curta de pensar de alguns. Eu tenho amigos ligados a direita e a esquerda que defendem suas ideias de maneira clara e dentro de um nível alto de respeito e educação. Tenho visto, porém, gente que extrapola. Se eu já me incomodava quando as falas eram Petralhas x Tucanalhas ou Coxinhas x Mortadelas, ver a apropriação da tragédia de uma pessoa como bandeira política e usar isso como ofensa ao pensamento do outro chega a ser repugnante.

Para começar as ideias mais imbecis que li. Gente, uma vítima não pode ser acusada de ser a culpada pelo crime que sofreu. Não importa onde ela estava, com quem estava ou o que vestia. Digo mais, não importa nem mesmo seu sexo biológico (ou orientação sexual). Não existe maneira de colocar a culpa na vítima e não nos estupradores. Não é culpa do capital e nem dos “direitos humanos”. É culpa dos estupradores e ampliando a discussão em certa linha também de quem tenta de alguma forma dourar a pílula.

Lembremos que vivemos num país em que um deputado diz que não estupraria uma pessoa por ela não merecer (aliás, alguém merece?) e nada acontece a esse deputado. Lembremos que do outro lado, anos atrás uma candidata a cargo eletivo num partido que recebia apoio da comunidade LGBT questionou a orientação sexual de outro candidato em sua campanha e também nada aconteceu. Ambos estão ai com sua vida política em dia.

Mas voltando ao caso. Não me sinto culpado apenas por ser homem. Aliás, esse tipo de comportamento me soa extremamente populista. Eu nunca vou me sentir culpado ou estuprador em potencial por ser homem. Mulheres podem ser tão ou mais machistas do que homens e defender o machismo causa mais casos de estupro do que ter um pênis. Ao invés de pedir desculpas, faça algo de útil. De alguma forma tente fazer com que cada vez menos pessoas acreditem numa superioridade de um sexo sobre o outro.

E nem falo em ser feminista. Eu não sou. Não participo de movimento algum, já escrevi isso antes. Apenas acredito que não existem pessoas de primeiro ou segundo escalão seja por sexo, orientação sexual, cor da pele, dinheiro ou o que quer que seja que de maneira artificial seja utilizado para nos separar. Por isso tento do meu jeito mostrar isso a quem convive comigo. Procuro passar essa ideia aos jovens que formo, aos adultos que estão ao meu lado, e nessa troca, ouço as ideias de todas as pessoas com quem convivo também, independente da classe social, idade, raça, credo, cor ou o que quer que seja.

E o mais divertido dessa convivência, é perceber que muitos dos problemas podem ser resolvidos com ideias adotadas ligadas tanto a direita quanto a esquerda. Uma boa ideia não tem lado. Uma forma de pensar pode se tornar melhor ou pior de acordo com quem a utiliza. Se você assim como eu também se chocou com esse caso de estupro, apenas aja, não culpe ninguém além dos estupradores e faça de tudo para que novos casos como esse não ocorram mais em nosso país. Nessas horas eu queria entender porque a gente sempre esquece que mais de um caminho pode levar ao mesmo local.

Only Angels Have Wings – Renaissance

Faz muito tempo que não venho aqui. Me faltava tema, me faltava estímulo e principalmente me faltava coragem. Este espaço, diferente de outros locais onde escrevo sempre foi extremamente pessoal. Sempre foi um lugar onde eu pude me abrir e contar exatamente quem eu sou, sem medo e sem a necessidade de esconder quaisquer sentimentos que surgissem em mim.

Durante um período isso deixou de ser verdade. Como qualquer pessoa eu passei por dores que não suportei e ai as palavras que costuma lançar por aqui já não conseguiam me acalmar, eram mais dor do que uma forma de diminuir o sofrimento. Foi nesse momento que eu percebi que precisava dar um tempo, crescer mais como gente e então quem sabe voltar mais tarde, mais maduro e mais forte.

E assim o tempo passou, quase dois anos se passaram com poucos e raros textos por aqui. Era ameaçar sentar na frente do micro e ter mais dor do que vontade de escrever. Isso até hoje. Quando depois de um final de semana complicado, mentalmente mais difícil do que o esperado eu consigo escrever. Consigo ouvir uma música inteira deixando a melodia e mesmo a letra falar comigo de forma mais intensa, consigo até mesmo me ver como alguém que ainda tem alguma coisa para dizer.

Eu hoje vim leve, sabendo que muitas vezes os nossos limites são bem maiores do que a gente imagina. Vim sabendo que tenho limites e que algumas coisas talvez eu nunca seja capaz de fazer. Mas vim também ciente de que algumas coisas que busco, por mais difíceis de conseguir, serão para sempre metas em minha vida, uma bússola para onde aponto a nau da minha vida e sigo contra toda a força das tempestades que teimam em tentar me parar.

É claro que me sinto fortalecido, de certa forma apaixonado pelo que vivo e por isso aguentando mais a dor que se avizinha. Mas é justamente nessas horas que a gente perceber que não é realmente tão fraco assim. É quando percebe que tem outras maneiras de se conseguir dar um passo adiante mesmo que as pernas estejam engessadas. Sempre vai existir uma forma de mudar o que nos incomoda.

Se agora não é fácil viver, provavelmente nunca tenha sido para ninguém e nem vai ser no futuro. Mas pode ser mais divertido e acolhedor. Basta a gente se abrir ao que aparece de bom diante dos nossos olhos e aceitar de forma mais leve os problemas que surgem. Nem todos terão solução. Não resolver não será um problema, será apenas algo natural.

Porque temos que saber nossos limites, não podemos fazer tudo, por mais que as vezes pessoas nos tirem do chão, não podemos voar, afinal só os anjos possuem asas…

Eu tô voando – Karnak

Vemos muita coisa diante dos nossos olhos e temos medo de agir

Depois de ficar duas semanas falando de internet, é momento de falar desse mundão real. Nessa semana pretendo falar da relação causa e efeito que temos nesse mundo. As escolhas que fazemos podem alterar o destino de outras pessoas? Até que ponto é viagem o tal efeito borboleta (eu sei que não é ciência, mas é engraçado como tem gente que vende isso como artigo científico)?

O tema nasceu de uma conversa breve com a amiga Lak do blog Desculpe, não ouvi. Ela contou de um filme que assistiu a um tempo e que mexeu com ela. Fala de um jovem que se mata e a sua morte influencia a vida de seus amigos durante um longo tempo. Enfim, uma idéia interessante para se discutir.

Mas por onde começar? Essa foi a questão inicial. Confesso que fiquei matutando sobre isso enquanto tentava dirigir no pesado trânsito paulistano num mês de férias. Acabei fazendo a opção mais lógica. Começar pelo medo de assumir qualquer responsabilidade que paira sobre muitos de nós em algum momento da vida. A vontade que às vezes paira sobre nós de ser apenas meros observadores do mundo que nos cerca. Eu tinha até a música perfeita para isso. Ano passado, fui ao teatro depois de um longo e tenebroso inverno (vergonha, preciso voltar a ver peças), fui assistir uma peça do Karnak e da Companhia Fractais chamada Universo Umbigo, muito boa por sinal. Numa das cenas, o André Abujamra é levantado por cabos e começa a cantar que do céu dá pra ver tudo, gente triste, gente feliz, passarinho voando, vendaval, cachorro, cabrito, etc.

Na letra ele é apenas espectador, fui atrás da música, se chama Eu to voando, para ver uma filmagem de parte da cena, clique aqui, se quiser ver um clipe completo da música, clique aqui pra ver uma apresentação do Karnak no Sesc Pompéia. Mas voltando, na cena o ator/cantor é apenas espectador e se sente maravilhado por aquilo. Tudo passa diante de seus olhos,  mas ele não tem vontade, coragem ou desejo de interferir nos atos.

Até que ponto nós somos assim? Assistimos a tudo o que passa diante dos nossos olhos sem ter a coragem de interferir. Seja um assalto na rua, uma pessoa que leva um tombo ou alguém que precisa de ajuda? E os mendigos invisíveis? Parece que temos medo de tomar parte, de assumir a nossa parcela de culpa e responsabilidade pelos atos da nossa sociedade.

Não é raro dizermos que isso não é culpa nossa, que não nos atinge ou que honestamente não vimos mesmo o que estava se passando diante dos nossos olhos. E assim a vida segue, elegemos pessoas e delegamos a elas todo o poder e responsabilidade por algo que também deveria ser de nossa responsabilidade. Damos o nosso apoio no momento positivo, em caso de derrota a culpa é sempre do outro (vide os atletas que só são valorizados em caso de sucesso, mas ninguém vê o quanto ralam pra competir em alto nível).

Cobramos de pessoas com um poder aquisitivo maior que ajudem a sociedade, sejam socialmente ativas, distribuam parte de sua fortuna, principalmente celebridades esportivas e artísticas, mas muitas vezes não fazemos nada. Julgamos o mundo que passa diante dos nossos olhos da janela que abrimos para ele e se algo ameaça respingar em nosso rosto, simplesmente fechamos a janela e continuamos julgando através da vidraça.

Por que temos esse medo? Eu imagino que esse medo surja por duas diferentes situações, a primeira é a falta de confiança em nós mesmos, o peso da decisão pode parecer forte demais para alguns. A segunda situação aparentemente parece ligada a primeira, mas não é. Não é o peso da responsabilidade, mas sim a sequência de ações que virão decorrentes de cada escolha feita.

Isso decorre do fato de em muitas de nossas escolhas sempre alguém sai machucado. Quando se faz a coisa certa pesa-se a dor causada ao outro e principalmente a força interior que temos para agüentar a responsabilidade de causar essa dor. Porque milhares de ações sempre acabam interligadas e julgar tudo o que está envolvido em cada ação é complexo e cansativo demais. Talvez por isso, em vários casos preferimos atuar como espectadores e repetir um bordão clássico de quem sempre espera: A VIDA SEGUE…

(I Can’t Get No) Satisfaction

Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

A internet hoje é vista como fonte de saber, entretenimento, lazer e até socialização. Já tenho falado disso a semana toda. Pretendo seguir com o tema pela próxima semana também. Hoje eu quero falar do uso que alguns de nós fazemos do mundo virtual. De fonte de prazer e realização. De um meio onde podemos encontrar toda a felicidade que não encontramos no cotidiano real.

Essa busca por um prazer quase viciante e irreal me fez buscar uma música super famosa dos Stones. Todo mundo conhece a banda e provavelmente todo mundo conhece a música que separei. (I Can’t Get No) Satisfaction é talvez uma das músicas mais conhecidas do mundo. Coloquei um link para a versão tocada pela banda no Rio de Janeiro alguns anos atrás, vale a pena clicar na música e ver e ouvir o som.

A letra da música parece levar a uma busca louca por algum prazer que motive a pessoa. Dirigir não é suficiente, ver TV não é suficiente, sexo parece ser a busca, mas as garotas fogem do cantor. E sua busca continua por prazer, ele quer prazer  porque nunca consegue se satisfazer. Talvez seja isso que leve uma grande parcela da população a ficar tanto tempo na frente de um computador buscando prazeres estranhos.

E aqui eu falo de prazeres estranhos não menosprezando as sensações, mas sim porque são prazeres do mundo real, levados de alguma forma para o mundo virtual. Não digo aqui se tratar de um complexo de Júlio Verne, onde alguém que mal pode sair de seu quarto consegue obter informações de todo o mundo dando a impressão de que tem total controle sobre essas informações. Isso é até factível e lógico. Usar conhecimento para gerar conhecimento é sempre algo interessante.

É claro que eu não quero que as pessoas parem de visitar o Museu do Louvre para fazerem visitas virtuais, a sensação seria totalmente diferente em cada um dos casos, mas uma visita virtual ao museu pode sim acrescentar algum tipo de informação útil. O que complica na verdade é quando não nos pegamos ao ato e sim a sensação gerada pelo ato.

Voltemos aos Stones, Mick Jagger quando fica pulando no palco e cantando: “Não consigo ficar satisfeito”, fica por acaso diferente das pessoas que criam toda a sua rede de relacionamentos e sensações no mundo virtual? Jogar todas as sensações no mundo virtual tem o mesmo peso de dizer o mundo real não presta. Tem o mesmo peso de dizer eu sou incapaz de viver sensações ao vivo, então as invento.

E dentro desse processo de invenção temos as pessoas que se reinventam totalmente. São as pessoas que acabam mudando nomes e imagens. Vendem-se com outro perfil, centímetros a mais, quilos a menos, músculos a mais, defeitos visíveis a menos. Pessoas altamente tímidas e inseguras que mudam completamente de comportamento protegidas por uma rede de cabos de fibra óptica.

Enquanto isso funciona como uma fantasia leve não existe problema algum. O problema é quando a pessoa simplesmente apaga seu mundo real e vive apenas em função desse personagem virtual que criou. Ao invés de tentar cada vez mais se aproximar no mundo real desse ideal criado, a opção acaba sendo destruir o real e viver cada vez mais o virtual. Como se só ele fosse possível de trazer algum tipo de felicidade e conforto para a pessoa.

Esses personagens passam a ganhar vida própria e tomam tudo o que deveria ser da pessoa, seu tempo, seu lazer, suas idéias e suas ações. O vício virtual chega ao nível de pessoas não conseguirem mais fazer nada que não seja ligado a rede. Todos os namoros são apenas virtuais, todos os amigos estão numa rede social na internet. A preocupação diária passa a ser chegar em casa o mais rápido possível para encontrar os amigos, sendo que na verdade esses amigos nunca foram vistos, possuem rostos, vozes e imagens criados virtualmente também.

Busque seu prazer, faça uso da rede, mas faça uso racional, faça com que o mundo virtual auxilie o real e não o oposto. É no mundo real que a gente ri, chora, tem medo e fica alegre. É no mundo real que a gente consegue ouvir os Stones berrando que não conseguem se satisfazer. Semana que vem eu continuo com isso. Quero falar de relacionamentos que começaram pela net e dão certo, os que falham e até sexo virtual, algo que confesso acho absurdo….rs

Pessoal, seu comentário me ajuda muito a escrever, mande sua opinião, fale o que achou dos textos e mesmo dê novas idéias para este espaço. Escrevemos porque outra pessoa vai ler e a resposta do leitor é sempre importante.

Computer Love Computerliebe

Buscando companhia e fugindo do contato

Pensando no tema dessa semana fui buscar músicas para ilustrar o que eu quero escrever. Confesso que já tinha alguma coisa em mente. Talvez uma das escolhas mais óbvias tenha sido a música que separei para hoje (mais óbvia que a do Gil de terça-feira passada). Provavelmente eles sejam os pais da música eletrônica, com seu som baseado em teclados e sintetizadores.

O Kraftwerk nasceu nos anos 70 e até hoje é considerada uma das bandas mais influentes da história. Escolhi uma de suas músicas pela letra. Computer Love (ou computerliebe). Ela fala da busca de um encontro no mundo virtual e isso em 1981, o clipe criado pela Dadaistique (clique no nome da música) retrata bem uma idéia que ainda existe nos tempos atuais.

Hoje vou falar da busca por relacionamentos virtuais. Nas grandes cidades a solidão tem funcionado quase como uma prisão para uma parte das pessoas. O ritmo acelerado, as diversas obrigações diárias, o medo de se expor e a fragilidade existente nas pessoas acaba tornando elevadíssimo o número de pessoas que sofrem com a solidão, mesmo cercados por milhares e milhares quase diariamente.

Estamos nos tornando cada vez menos sociais. O contato entre as pessoas diminui, apesar de ser fácil ver bares lotados, festas lotadas, cinemas lotados, estádios lotados. As pessoas não se conhecem. Basta uma conversa com pessoas de gerações anteriores. Antigamente era comum as pessoas se conhecerem numa festa de bairro, num ônibus, até num mercado. Hoje, eu vou ao mercado quase todo dia, vejo sempre as mesmas pessoas por lá e confesso que mesmo depois de 2 anos, não sei o nome de ninguém.

Shopping centers lotados pessoas andando de um lado para o outro, quase sempre apresadas. Quantas se falam durante esse passeio? E nos parques? Praias? Metrô? Vivemos um período de medo, temos medo do outro, aquele que está ao nosso é hoje fonte de medo.

E ai chegasse a casa, liga-se o computador e a internet. Faz-se o que? Busca-se gente. Busca-se contato, o mesmo contato do qual se fugiu o dia todo. Chats, sites de relacionamento virtual, agências de namoro e tudo mais viram opções para uma turma que perdeu a coragem de se expor no dia a dia.

Ama-se pelo computador, conheço gente que só vive de relacionamentos virtuais, conversa horas com pessoas que estão distantes, do outro lado do mundo. Mas não sabem sequer o nome dos seus vizinhos, aqueles que numa emergência teoricamente seriam as primeiras pessoas a serem procuradas.

Não estou aqui fazendo coro contra o mundo virtual. Apenas quero dizer que a gente não pode exagerar. Se buscamos pessoas reais no mundo virtual, por que não buscar pessoas reais no mundo real? São as mesmas pessoas. Imagino a cena, um cara indo a padaria de manhã cedo, compra pão e leite, compra o jornal e umas revistas na banca ao lado da padaria. Uma mulher muito bonita passa por ele, ambos se olham e viram o olhar pro solo. Ela compra seus pães, compra também algo da banca, ficam minutos por ali lado a lado, até observam a mesma revista. Sem dizer uma palavra um ao outro. Nem um bom dia.

Saem dali e cada um se dirige a sua casa, talvez até com a lembrança da pessoa que estava ao seu lado em sua mente. Porém, sem a coragem de falar algo. Eis que, coisas do destino. Entram num chat e acabam por conversar. O mundo virtual os aproxima. Conversa vai, conversa vem e se descobrem vizinhos. Marcam pra um tempo depois um encontro, quem sabe um café naquela mesma padaria? Qual seria a surpresa de ambos ao se reconhecerem?

Pois é, isso é possível e até provável no mundo atual. Fica-me a pergunta, por que temos tanto medo daquilo que buscamos? E nem falo de um relacionamento amoroso, falo de um relacionamento com o humano. Por que buscamos numa tela de computador aquilo que está a centímetros da gente? Por que fazemos a mesma coisa que foi dita nos primórdios da internet pelo Kraftwerk? E principalmente, como mudar isso?

Eu continuarei no tema, no domingo devo postar algo sobre relacionamentos virtuais, brincar com algumas histórias que conheço, algumas deram certo, outras nem tanto.

Pela Internet

A internet permite que você se sinta como no lugar da foto sem sair de casa.

Chegou o momento de falar do meio que uso para me comunicar com vocês. A internet, maravilhoso mundo virtual que faz com que gente do Japão possa saber o que eu penso e comentar as besteiras que eu escrevo. Já faz um tempo que eu queria usar o tema, escolher a música foi fácil, Gilberto Gil colaborou porque Pela Internet é perfeita para o que eu penso em falar hoje. Só demorei porque alguns temas acabaram ficando mais urgentes na cabeça de quem me lê.

Mas chegou o momento, confesso que tenho mesmo que criar meu website, fazer minha homepage com aquilo que faço e quero divulgar. Me falta habilidade pra aprender e encontrar a pessoa certa para isso. Mas é questão de tempo, até meu pai tem site , em fase de finalização, onde divulga o trabalho que faz com na área de recursos humanos.

Para mim, a internet é isso. Exatamente o que meu pai faz e o que eu faço aqui no meu blog. Um espaço onde você mostra ao mundo o que sabe fazer e recebe críticas ou elogios. É um centro de troca de informações. Um lugar para se conhecer gente (tema do próximo post) e para se aprender muito com gente. O uso correto da rede é simplesmente maravilhoso.

Como educador sempre vejo críticas fortes contra o uso da internet feito pelos jovens. Eu sou daqueles que acredita que mais importante do que proibir é ensinar a usar. Quase toda informação produzida nos dias de hoje pode ser encontrada na rede, por que não fazer uso dela? O que é importante é saber como fazer isso. Como selecionar a informação correta e principalmente como julgar aquilo que você lê. Porque mais importante do que a informação é o que se faz com ela e justamente é esse o grande ponto da educação atual, todos têm acesso a informação, mas quantos conseguem fazer algo de proveitoso com o que sabem?

Talvez seja esse o problema da internet, não o que ela traz, mas sim quem tem acesso ao que ela traz. É incrível a quantidade de absurdos que se lê por aqui. Mas também é incrível a quantidade de absurdos que encontramos em livros, nas ruas, na televisão, em qualquer local que se conviva com gente vamos viver cercados de absurdos. Mas também cercados de coisas úteis. O jogo correto é saber no que você quer se prender, ao útil, ao fútil ou ao perigoso?

Sim, é claro que sei que nem sempre tudo o que lemos deve ter alguma utilidade prática. O prazer faz parte do jogo, pode-se jogar, bater papo informal, conhecer coisas e nem por isso se perde tempo (se não for feito de modo excessivo). O problema é a informação perigosa, coisas do tipo como fazer uma bomba caseira, marcar brigas em sites de relacionamento e coisas afins. Esse é o erro de comportamento a ser caçado.

Aliás não consigo entender como tem gente que consegue gastar seu tempo com isso. Cada um faz suas escolhas, mas tem escolhas que nem deveriam ser cogitadas. Existem formas muito mais saudáveis de chamar a atenção e de maneira muito mais positiva para a própria imagem.

Eu disse o que penso, mas e você, que uso faz da internet? O que acha dela? No texto de quinta-feira falarei dos relacionamentos virtuais. Até lá.