Menos famosos do que deveriam

https://open.spotify.com/playlist/0P0HuQ7A3T2DBKPdAPFL0b?si=PQUAZD_7SAKQs80BbfNCIg

Se na primeira playlist recebida eu brinquei com uma capa que lembra um disco dos Beatles, nesse eu fui por um caminho bem diferente. Tanto pelo conteúdo quanto pelo que as músicas tentam dizer era necessário pensar de forma diferente. Assim, olhei  várias capas dos discos da Blue Note. Capas simples, fotos escuras (justamente como eu sempre gostei de fazer) e maior importância ao título. Como se fosse um recado ao comprador. Olha, só o nome desses músicos, eles estão aqui expostos porque se garantem, são muito bons.

Foi justamente a sensação que eu tive ao ouvir essa playlist e pensar no título. Ok, não é uma lista de jazz, mas é uma lista de ótima música e se eu conhecia já uma certa parcela das canções, preciso admitir, realmente não são artistas muito populares. É realmente gente que deveria ser mais famosa do que é. Como o músico que eu cliquei num dia de Festival de Inverno de Paranapiacaba anos atrás. Nunca mais ouvi falar da banda que tocava na rua, mas o som era muito divertido.

E aqui começa a diversão. Muitos de nós somos muito menos famosos do que deveríamos. Não que a fama e o reconhecimento devam ser medidas de caráter. Na verdade a ideia é bem outra, valorar também o que está aqui, ao alcance da mão. Valorizar o que se sabe, gostar também do que se conhece e respeitar isso.

E digo isso num pais onde artistas de rua tem uma dificuldade incrível de sobreviver. Artistas que fogem do mainstream e fazem um trabalho sensacional não são reconhecidos simplesmente porque não conseguem espaço para divulgação ou não são reconhecidos pelo grande público. Não se encontram mais festivais, não se encontram formas de divulgação. Afinal, se a internet por um lado permite que se conheça algo de qualquer lugar do mundo, por outro também esconde as informações que se perdem entre os infinitos megabytes de conteúdo que nunca teremos tempo ou chance de acessar.

Em períodos de recessão lá vou eu falar em fomentar o consumo. Aumentar o consumo de cultura é necessário. Aumentar o consumo de gente, de ideias e sim, até mesmo se gastar com isso. Quando será que a arte e a cultura terão o mesmo valor de outras áreas da produção humana? Quando é que escrever poesia terá o mesmo valor que trabalhar na bolsa de valores? Quando vamos valorizar todas as produções humanas?

É maluco pensar em onde esta playlist me levou. Na quantidade de pessoas que deveriam ser mais famosas do que são. No seu “Zé” que faz um pão maravilhoso, na dona “Ivone” que de sua casa produz vestidos lindos para noivas. A dona “Marisa”que limpa todos os dias os trens que milhares pegam todos os dias. O Manoel que toca violão na saída do metrô com uma perfeição técnica. Todos eles artistas anônimos do que se propuseram a fazer e nem sempre bem remunerados por isso.

Que todos possamos valorizar melhor quem deveria ser mais reconhecido. Que todos nós possamos ser reconhecidos pelo nosso esforço e qualidade do que produzimos. Que essa loucura que vivemos agora nos faça Não consumir menos, mas consumir de forma diferente, valorizando inclusive aquilo que a gente ainda não aprendeu a valorizar mas precisa. Que mais gente conheça todas as músicas dessa playlist e os artistas envolvidos.

Parte Um: Concluída

https://open.spotify.com/playlist/11FRZEQ5YOKDUERq6JcNHp?si=B1x9ap6pRBWEI1DDgVyrmw

E abrindo a série de playlists que recebi para o livro escolhi uma que me fez chorar. Um pouco por não esperar que viesse da forma que veio e muito por me fazer lembrar de uma série de fatos da minha vida. Um período em que praticamente vivi em uma nova família todos os meus fins de semana. E valeu muito a pena!

Só que estes textos não são pra falar de mim. São pra viajar em cima dessas músicas, lembrar de quem a enviou e brincar com as palavras. Nisso o título foi providencial. Parte um: Concluída, quem não vive várias fases em sua vida? Quem nunca encontrou marcos nessas fases indicando início e fim?

E esses marcos muitas vezes são extremamente importantes. Mostram momentos de crescimento, de medo, de angústia e claro, de transformação. E como você mudou nesse tempo todo. Não vou dizer quem me mandou a playlist, se a pessoa quiser ela pode se identificar, mas posso dizer que foi sensacional acompanhar uma série de mudanças em sua vida. Ver o tempo passar e perceber que ele passa muito mais rápido quando a gente é novo. As mudanças são muito mais rápidas e principalmente um minuto tem muito mais valor.

Fico imaginando de modo fictício uma parte um na vida de um jovem qualquer. Qual a conclusão esperada? Qual o desejo do jovem? É o mesmo dos pais? Aliás, o que terá mais peso? É tão difícil passar por essa fase.

Se você é da classe média, provavelmente teve sonhado para si um futuro onde o estudo vai te levar até uma boa universidade. A liberdade de escolha da carreira nem sempre é tão grande quanto deveria, assim como as escolhas das ações. Toda família sonha em ter engenheiros, médicos e advogados. Poucas sonham em ter gente feliz. Você tem que estudar e pronto. Suas habilidades importam menos do que talvez devessem em alguns casos. 

Se é este seu caso, pense nos seus sonhos e converse com sua família. Mas lembre-se é você que vai sofrer as consequências dos atos. Então pense bem no que vai fazer e como vai fazer. Assuma os riscos e cresça! Aliás, crescer é concluir a primeira fase.

Por outro lado, você pode ter nascido na periferia e ser pobre. Cheio de necessidades e sem muitas ilusões. Sem grande chance de sonhar, afinal o mundo não lhe dá muitas opções. Nesse caso, provavelmente você concluiu a parte um cedo demais. Entrou na primeira porta que se abriu e seguiu adiante. Pegou a estrada disponível e a viu como uma realidade possível. Torço pra que num futuro próximo, numa fase 3 ou 4 você possa voltar a sonhar e então fazer as suas escolhas.

Por sorte tem gente que teve a chance de poder ser feliz. Teve a chance de viver o próprio sonho e ver ser concretizado. Você pode dizer que venceu! Concluiu com perfeição e seguiu adiante para o próximo sonho/desafio. E aqui vai um ponto importante, é preciso saber seguir adiante, jogar uma pá de cal no passado e ter forças de admitir que aquilo terminou. Parabéns, você foi capaz disto.

Ao menos é o que consigo ler ao deixar passar música a música. Diferentes ritmos, diferentes tons e mensagens. Como se cada uma marcasse uma coisa que passou e marcou. E aqui confesso, uma delas tocou também em mim. Se a fase um me parece assim tão boa e bem vivida, admito estar ansioso para num futuro próximo ouvir as boas novas vindas de um início da fase 3!

That Thing You Do – The Wonders

Estou esperando a sua playlist, ok? Fale comigo

Mais um dos pensamentos da quarentena aflorando. Enquanto não posso lançar meu livro procuro trabalhar nele e até por achar importante que ele seja uma obra coletiva, faço um convite para você também tomar parte da sua criação.

Ok, o texto está pronto. Mas ele é formado pela trilha sonora de um período da minha vida. Sendo mais justo, pela trilha da maneira como eu li uma série de fatos importantes em minha vida e como eu mudei meu olhar sobre o mundo e minha existência. 

Parte da brincadeira foi a de me imaginar como um rockstar. Que músicas eu comporia e o que eu queria dizer com elas. Como essas canções poderiam contar a minha história e mesmo como é que eu as organizaria num disco. Sou do tempo das bandas de garagem e dos lançamentos dos discos como evento. Fazer o que, o tempo passou pra mim. Adoro os serviços de streaming, mas ainda penso em algumas obras como fechadas e alguns discos só fazem sentido pra mim se ouvidos totalmente. Mania de velho.

Nunca toquei numa banda, faltava habilidade e coragem. Nunca compus, o máximo foi escrever poesia, mas sendo sincero, só uma ou outra digna de nota. Mas a música sempre teve um papel importante em minha vida e é isso que eu quero marcar nesse livro. Canções sempre marcaram histórias e fases da minha vida.

Justamente por isso eu convido outras pessoas a me enviarem suas playlists. Já recebi algumas, mas quero mais. Quem se interessar, por favor separe cerca de 12 músicas (é o que costuma vir num disco de vinil) e dê um título para sua lista. Com isso em mãos prometo fazer uma brincadeira legal.

A ideia é que você se imagine como um grupo musical fictício desses de filmes como o The Wonders (da música deste post) ou o Spinal Tap. Será legal ver você quais são as músicas da sua vida. E ai o critério é seu, gosto, importância, lembrança de um momento, tanto faz. A trilha é sua. Ela fará parte do lançamento, deste blog, do Spotify e do Instagram do livro. 

Vou tratá-lo como uma estrela pop e produzir o material com o maior carinho do mundo. Aos que se preocupam com o anonimato, fiquem tranquilos, preservarei o nome de todos os autores das playlists. Será apenas um exercício divertido tanto para vocês na elaboração das listas, quanto para mim ao conhecê-los um pouco melhor e tentar produzir algo bem legal.

Aguardo suas listas gente! Entre em contato para saber como participar!

Outono – Djavan

Nada mais belo que o entardecer do outono…

Fins de tarde no outono tendem a ser tão lindos. Os dias começam pouco a pouco a diminuir e as noites caminham para o máximo quando começar o inverno. O azul do céu é todo próprio, a luz do Sol vem de um jeito diferente das outras estações e refrata de outra forma. Tons amarelos, laranjas e vermelhos colorem cada fim de tarde.

Milhares de fotos postadas nesta pandemia. Vejo gente dizendo que não lembrava de um céu tão bonito quanto este. Talvez apenas a gente não tivesse parado para olhar. Os céus de outono surgem todo ano diante dos nossos olhos, só que a correria do cotidiano nos faz apenas prestar atenção no relatório a ser entregue, no ônibus lotado e na correria para tentar chegar em casa e quem sabe ainda encontrar a família desperta para um boa noite.

Em tempos de pandemia e desaceleração obrigatória, todos tivemos que parar e paramos. Todos pudemos olhar o que nos cerca, inclusive como é belo o céu ao entardecer. Parece uma ação simples, mas é mais simples ainda perceber que o mais comum é não olhar. Pena, pois se parte do nosso tempo fosse dedicado a apreciar o que está ao redor, com certeza perceberíamos que tem muita coisa bela diante dos nossos olhos.

E aí uma nova brincadeira, tentar entender o que é o belo. Cada um tem um gosto e um senso estético próprio. Cada um é sensibilizado por uma cena diferente, eu não sei o que vai te tocar e você não sabe o que me toca.

Ontem mesmo, dentro da aparente moda de ver os fins de tarde, postei uma foto do entardecer aqui da laje da casa dos meus pais. Lugar onde estou em quarentena. Uma cena que se repete inúmeras vezes e já cliquei diversas vezes. Inclusive foi uma das minhas primeiras fotos quando passei a levar o hobby a sério. 

Fotos de por do sol sempre estão entre as mais clichês. As mais comuns e talvez as mais simples de tirar. Raramente a câmera erra, mesmo no automático. Raramente o enquadramento é errado, afinal é só apontar para o ponto mais bonito e clicar. No máximo um pequeno ajuste de cores no pós processo e olhe lá.

E fazem um sucesso tremendo, mesmo muitas vezes falando bem pouco para quem fotografa. Vejam só. publico geralmente fotos que me falam muito mais. Que me exigiram muito mais aprendizado para fazer e tem mensagens mais profundas. Não que eu seja um grande artista, estou bem longe disso, mas reparo que não é isso que importa e sim o que cada um sente ao interagir com o que você mostra. 

É preciso nunca esquecer isto. Por mais que algo tenha um valor inestimável para mim, não posso esperar que tenha o mesmo para outro. O sentimento de cada um é único e deve ser respeitado. E mais do que isto. Num momento duro como o atual, por acaso realmente é capaz de existir algo mais reconfortante e acolhedor do que um belo fim de tarde outonal? Eu duvido.

Medo do Medo – Paralamas do Sucesso

Quando é o seu medo que mantém sua sanidade…

Já que citei a série Monk nesse primeiro texto da volta, ficarei mais algum tempo falando dela. Gosto muito da série. O detetive cheio de traumas e com grande habilidade e observação é um personagem intrigante e que me faz pensar. Tirando o óbvio do superar medos e utilizar limitações a seu favor, é possível visitar outras linhas de pensamento. Hoje mesmo sigo uma extremamente pessoal.

Quase usei esta música no livro (que vai sair assim que a crise passar). Falar do medo é de certa forma uma constante para um medroso contumaz como eu. Consigo ver diversas nuances do assunto e ele parece não se esgotar. Talvez pelo fato de que infelizmente o medo nunca se afasta de mim.

E nesses tempos de COVID 19, onde todos ficam presos dentro de suas casas (ou deveriam para que a gente possa retomar a vida normal o mais rápido possível), é justamente o meu medo que mantém a minha sanidade. Estranho isso, mas confesso que a pandemia me jogou no melhor lugar imaginável e da melhor forma possível. E eu sinto uma certa vergonha disso, afinal, minha comodidade vem acompanhada do desespero e da desgraça de muita gente.

Preso em casa, sem poder sair, posso dizer sem medo de errar, estou tranquilo. Não preciso interagir muito. Por ser do grupo de risco, realmente não saio e se o fizer, será totalmente paramentado, com máscara e tudo mais. Uma máscara que certamente me fará sentir-se protegido, por não precisar falar com ninguém. Uma sensação ampliada dos fones de ouvido que me acompanham todo dia. Eu me cerco num mundo meu e através dele é que eu consigo passear sem ser importunado pelo mundo em que todos os outros habitam.

Esse é também o mundo do Monk, o detetive que faz das suas manias uma ferramenta de isolamento e ao mesmo tempo aproximação. Talvez se não fosse tão exagerado, Stottlemeyer, Natalie, Sharona, Randy, os poucos que realmente fazem parte do universo de Monk são os que no fundo ele permitiu e tiveram a paciência necessária para vencer as barreiras que ele criou. Ele se sente protegido com poucos e são apenas estes que ele deixa chegarem perto dele.

Eu percebo que sou um pouco assim. E nestes tempos de isolamento, parece que finalmente me sinto livre. Mu aniversário mesmo foi comemorado dessa forma e eu estive muito bem. Os cumprimentos a distância e poder ficar sozinho em casa foram um alento. Não que eu não goste das pessoas que me cumprimentaram. Gosto muito delas, admito. So o contato muitas vezes é excessivo para mim. Eu suporto no cotidiano, mas ao fim do dia me sinto cansado de um jeito que nem sei como explicar. 

Não é físico, mas mental, e isso se reflete num corpo dolorido e cabeça cheia e pesada.  Só que eu gosto e vejo valor no que faço. Antes até me sentia mais invisível. Conseguia ir fazer o que tinha que fazer e voltar para casa ao fim do dia. Sem interagir mais que o necessário, sem me expor tanto quanto hoje. Em que até mesmo definir o que tenho que fazer é obscuro. 

Talvez por isso eu comemore essa loucura toda. O poder voltar ao meu mundo neste momento de crise mundial e pessoal. O poder me reorganizar e entender quais passos devo seguir para continuar sendo uma pessoa relevante e útil e ao mesmo tempo me preservar. Por mim, confesso que só sairia de casa novamente quando tudo isso estivesse resolvido. Tanto no mundo quanto dentro de mim.

“Ouve o que eu te digo / Vou te contar um segredo / É muito lucrativo / Que o mundo tenha medo / Medo da gripe / São mais uns medicamentos / Vêm outros vírus / Reforçar os dividendos”

It’s a Jungle Out There – Randy Newman

Por enquanto, se conseguir fique em casa e se puder ajude quem está passando fome!

E o isolamento social segue firme e forte. Evitando o máximo possível mortes desnecessárias devido a falta de leitos e respiradores nessa pandemia. Todos em casa, pelo menos todos aqueles que podem. Com isso a cidade vazia e um clima pré apocalíptico toma conta de todos. Nunca vi tanto medo nas pessoas. Nunca senti tanto medo no ar. Nunca vi tanto desespero.

E o medo vem de diversos pontos, não só do vírus, mas também da fome e do desemprego. Algo precisa ser feito e me parece que não vai. É preciso entendermos que não existe uma vida mais importante do que a outra. Não é uma escolha tão simples assim. Por isso o medo.

E nesse tempo trancado em casa, é preciso encontrar o que fazer. Estudar, aprender coisas novas, produzir e até escrever, por que não escrever? Voltei a escrita. Tem livro novo chegando por ai. Lanço assim que este inferno todo passar e todos possam circular livremente pelas ruas. Até lá retomo o blog. Faz tempo que não vinha aqui, uns 4 anos. Vivi muita coisa nesse período e no fundo, o que percebi é que acabei mesmo retomando velhos hábitos. Então nada melhor do que fazer algo que me deixa feliz, escrever.

Tenho visto muita coisa nos serviços de streaming, séries e filmes me acompanham em muitos momentos. É preciso de alguma forma manter a sanidade. Uma das séries que tenho visto bastante é Monk. Um personagem que dentro de todas as suas manias tem tudo a ver com o nosso atual momento. Principalmente quando a gente pensa em todos os medos que ele sente.

A música tema, inclusive, pode muito bem servir de trilha sonora para essa fase que o mundo vive. “É uma selva lá fora / Desordem e confusão por toda a parte / Ninguém parece se importar / Bem, me importo! / Hey, quem está no comando aqui? / É uma selva lá forma / Tem veneno no muito ar que nós respiramos. / Você sabe o que tem na água que você bebe? / Bem, eu sei, e isso é assombroso!”.

É isso que vivemos desordem e confusão e medo. E no momento todos parecemos ter transtorno obsessivo compulsivo. Todos querem se proteger e proteger os seus. Todos querem também levar comida para casa e manter seus empregos e salários. Todos queremos fazer a coisa certa e ninguém parece saber que coisa é esta.

No fundo, o que falta é alguém com a perspicácia do detetive. Alguém que consiga juntar os pontos e indicar o melhor caminho a ser seguido, sem procurar culpados, preocupado apenas com a solução. Por enquanto, se conseguir fique em casa e se puder ajude quem está passando fome!

Falling to Pieces – Faith no More

falling

Vejo muita gente comemorando a saída da presidente e entrada do vice como agora presidente oficial. Sinceramente não vejo motivo pra comemorar. Nunca me senti representado pela Dilma, aliás, me sentia mal representado em diversos aspectos. Mas confesso que nunca comemoraria uma queda.

Como comemorar uma falha?  O fato de um governo dar errado, significa que o país naquele momento falhou. A queda da presidente é mais para ser sentida do que ser louvada. Até porque o motivo da queda não é consenso nem entre quem estuda a fundo a legislação. Pra mim, ela só caiu porque não tem mais apoio no Congresso, é o nosso presidencialismo de fachada, onde o executivo leva a culpa, mas não faz nada sem o legislativo.

Ainda no quesito frustração, vale lembrar que essa história poderia ter ocorrido em governos anteriores. Lulla e FHC tiveram vários pedidos de impeachment (tão malucos quanto este) que não passaram apenas pela força destes no congresso. Ou seja, pau que dá em Chico bate também em Francisco. De novo a nossa sempre irresponsável oposição (independente de quem seja governo ou oposição) se preocupa mais em encher o saco do que realmente fazer algo produtivo.

Isso, entretanto não serve pra transformar a ex-presidente em mártir. Ela não é santa e nem deve ser beatificada. Caiu porque cometeu seus milhares de erros políticos. Caiu porque para chegar ao poder escolheu seus companheiros de campanha e achou que eles não precisavam ter voz ativa em seu governo. O PT não é culpado pelos erros desse governo. Os erros são culpa do PT, do PMDB, do PSD, do PR, do PROS e de todos os partidos da base aliada. Se era pra tirar, que saíssem todos (e nem vem com essa de Aécio, novas eleições por favor e de preferência com uma reforma política e partidária séria, para que tantos partidos?).

Você que comemora a queda, espero que não fique cego e ache que tudo está resolvido. Vale lembrar que o atual presidente era vice, fazia parte do antigo governo e mesmo que não fizesse. Ele tem que ser cobrado. Tem que responder pelos seus erros, afinal ele é ficha suja, não?

Aos que choraram pela ex-presidente. Respeito os sentimentos, mesmo achando que não é pra tanto. Mas ao invés de se sentirem perseguidos, vale cobrar o novo governo e parar de querer criar mitos. A inocência passa longe de toda a turma que estava envolvida nessa história, não vale a pena se iludir por político.

Pensando nisso, sobra uma última reflexão nesse fla x flu político. Gente, direita e esquerda não são denominações de certo e errado. Ninguém é bom ou ruim por ter uma visão ou outra. Acreditar que só existe um caminho é de uma limitação de raciocínio incrível. Vejo gente bem formada e aparentemente bem informada ofendendo ambos os lados de uma forma que eu nunca imaginei ver em meu país. Nunca imaginei, aliás, ver meu país tão dividido numa briga em que infelizmente parece que todos os lados estão errados e que no fundo ninguém sairá ganhando, apenas os políticos. O povo? Seja a direita ou a esquerda, aparentemente só está servindo de massa de manobra para essa turma que nos governa.

Não consigo pensar numa música melhor pro nosso país do que essa que eu coloquei, afinal realmente eu vejo tudo caindo aos pedaços. Minha dúvida é será que a gente vai conseguir reconstruir?