Procura-se

Roque, cãozinho desaparecido!!!
Roque, cãozinho desaparecido!!!

Uma amiga carioca (a Claudia) está desesperada procurando seu cãozinho Roquinho, a sua dor me comoveu, a ponto de colocar a primeira foto não feita por mim no blog e principalmente a tentar fazer dos leitores comparsas nessa busca pelo pobre animalzinho.

Sua busca vem acompanhada do seguinte texto: ROQUINHO SEM OLHO E SEM ORELHA, DESAPARECEU EM BENTO RIBEIRO, MAS FOI VISTO EM MADUREIRA! OFEREÇO RECOMPENSA! RAÇA: POODLE COR: CINZA ESCURO CARACTERÍSTICAS: NÃO TEM O OLHO NEM A ORELHA ESQUERDA ENTRAR EM CONTATO COM: CLÁUDIA OU ANDRÉ: 3018-4676 / 9280-5711 / 9191-0405

Percebe-se claramente que a busca é totalmente sentimental, não tem valor financeiro ou qualquer outro que se possa atribuir. Nos anos 80 Eduardo Dusek cantou troque seu cachorro por uma criança pobre, não é a questão, cada um possui aquilo que lhe completa e é justamente essa busca que virou o mote para o texto de hoje.

 

Vista de Serra Negra (lugar calmo pra passar as férias)
Vista de Serra Negra (lugar calmo pra passar as férias)

Pois é gente, procura-se, procura-se um amigo carinhoso, um amigo fiel, um amor verdadeiro. Procura-se. Todos procuramos algo no outro, algo que nos complete e que nos anime a dar os passos que damos todos os dias.

Muitas vezes o anúncio é de algo que já está provado e consagrado. Uma perda que nos faz falta e nos instiga a pensar que precisamos daquilo de volta. Eu procuro muita coisa, o último post fala disso descaradamente, do que eu procuro, e da forma como eu procuro algumas coisas.

Procuro um amor, procuro vencer meus medos, procuro acertar mais e errar menos. Procuro fazer o melhor possível no meu trabalho (quem não sonha em ser a pessoa perfeita, mesmo que não se saiba o que é perfeição?). Essa busca no fundo é tudo o que nos motiva a continuar fazendo as coisas que fazemos todos os dias.

Que mulher não quer se sentir bela como uma modelo?
Que mulher não quer se sentir bela como uma modelo?

Viver nada mais é do que procurar incessantemente respostas e prazeres que nos completem e melhorem segundo os padrões que acreditamos corretos. Sempre o que vale são os nossos padrões, muito mais do que os padrões sociais vigentes.

Você pode querer férias num lugar com uma vista maravilhosa, um trabalho no topo do mundo financeiro ou simplesmente terra pra plantar. Você pode procurar um amor fugaz, uma companhia pra uma noite de bebedeira vendo seu time jogar ou o amor da sua vida. Você pode procurar qualquer coisa e ninguém vai poder te questionar, porque ninguém sente aquilo que você sente. Da mesma forma que a dor é sempre sua, a alegria também será.

Falando da Claudia, ela quer seu cão de volta, alguns podem achar estranho, outros se sentirem solidários, mas ninguém vai poder questionar a sua escolha. Ninguém sabe o pedaço que o Roquinho preenche na vida dela. Talvez seja o mesmo espaço que meu livro preencheu em mim, talvez maior do que o espaço que a fotografia criou na minha vida.

Achar o cão não é mais importante do que o futebol de quarta à noite, nem menos importante do que a reunião do grupo de assistência social que vai doar sopa aos necessitados nas noites frias. A importância é sempre a mesma, porque mesmo sendo ações diferentes, vão tocar fundo as pessoas envolvidas.

Brincando com seu cão
Brincando com seu cão

 

 

Caro leitor, aproveite e conte seus desejos mais simples, vamos discutir sobre eles e por favor, caso tenha alguma notícia do Roquinho, avise a Claudia, se você pode fazer alguém feliz com um ato simples, por que não fazer? Eu desde já agradeço!!!

Aprendendo a falar e a viver

Capa do meu primeiro livro
Capa do meu primeiro livro

Voltando a falar dos medos que sinto, acho que vale a dizer como nasceu o meu livro. Que são fotos e poesias que fiz a um certo tempo acho que todos os que leram o livro (e espero que mais gente leia) já sabem. Mas esse teve uma gênese bastante forte pra mim.

Nasceu de uma confusão de sentimentos. sentimentos fortes que eu acho que nunca trabalharei de forma correta ao certo. Nasceu de um amor verdadeiro, tanto que dediquei o livro pra quem me ensinou a sorrir. Não vale a pena dar nome aos bois, mas confesso que me enche de orgulho saber que ela soube (tá, eu disse pra ela) que o livro foi escrito em sua homenagem.

É até hoje um sentimento que me balança, mexe com meu humor. Não me sinto mais preso e dependente como estive a alguns anos atrás, mas também não posso falar que apaguei tudo de bom que vivi ao lado dela. Aliás é justamente esse o ponto. Por que temos que apagar os bons momentos quando o tempo passa? Não seria mais justo consigo e com a outra parte lembrar do que foi bom, e deixar tudo seguir seu caminho sem receios?

uma das fotos do livro
uma das fotos do livro

Alguns talvez digam que eu perdi anos da minha vida devotando uma paixão sem retorno, que deveria ter encurtado o período de luto (essa frase é da minha psicóloga, luto pra mim é forte demais). Mas eu discordo. Até posso ter sofrido, e sofri muito. Mas também ganhei, o livro foi algo importante pra mim. As poesias que estão ali, por mais vagas que possam parecer trazem um imenso prazer a mim. Eu me lembro de bons momentos, mesmo quando falo de dor. Me lembro, aliás, de como ter uma paixão (mesmo platônica) me ajudou a superar momentos extremamente amargos da minha vida que vivi depois de todo o ocorrido.

É justamente ai que entra o medo. Fiquei pensando em coisas que tenho ouvido e lido, algumas a meu respeito, outras sobre meu texto (principalmente o livro). Dizem que o texto não é tão melancólico quanto imaginavam, ou ainda dizem que o sofrimento ali incomoda por ser palpável e humano demais pra uma pessoa como eu. E ai eu começo a achar graça. Afinal existem dois grupos de pessoas que me conhecem, as que me acham duro e frio, funcional; e as que me acham dócil, carinhoso e prestativo.

Como se esse quadro de Jeckill e Hyde nunca pudesse ser oferecido ao mesmo indivíduo, sendo eu para alguns o monstro e para outros o médico. Essa dualidade é que me amedronta, porque eu realmente me percebo assim as vezes, o medo me afasta de alguns e o mesmo medo me aproxima de forma bastante intensa de outros.

Uma das fotos do livro
Uma das fotos do livro

O medo pelo medo no fundo é o que me move. A dificuldade de ler as pessoas sempre me afasta delas. Consigo ficar horas viajando em teorias, preso a trabalhos diversos que exijam apenas a minha atenção e alguma destreza que eu apresente. Nem o cansaço é tão forte assim. Mas relacionar-me por 5 minutos que seja, me trava. Me destrói as entranhas. Alguns dizem que isso acontece simplesmente porque eu não tenho controle da situação e ai me perco. Talvez seja verdade.

Porém, não é exatamente falar desse tipo de dor o objetivo deste post. Mas sim pra falar de como por medo bobo a gente complica coisas simples. Deixa os desejos se perderem por tabus que a gente nunca entende.

Meu livro inteiro fala de pequenos tabus, de escolhas que são ou foram difíceis. E que quando colocadas apenas no lado mais racional da vida se tornariam muito fáceis de tomar. As poesias falam dos traumas ou coisas que eu apenas comecei a levar a sério quando estive realmente apaixonado. Da forma como essa paixão me transformou para melhor, não só olhando pra mim, mas principalmente me tornar uma pessoal socialmente melhor. Posso ainda não ter aprendido a trocar com o outro, mas já aprendi que isso é importante e segundo uma velha frase feita, ninguém é uma ilha.

Como brinco com amigos, conhecidos e outros, já me sinto livre pra outro amor(ou o mesmo novamente, vai saber o que o futuro nos reserva), já estou forte o suficiente pra não comenter os mesmos erros e principalmente não errar tanto e nem temer errar como temi no passado, simplesmente por não saber como agir. Hoje tenho consciência de que vou sentir medo de qualquer forma, então que eu sinta medo sentindo algum prazer. E o meu primeiro livro é justamente um marco sobre isso. Ele é a prova de que já senti vários tipos de prazeres e que eu devo sentir essas sensações novamente.

Ficou curioso pelo livro? Entre em contato comigo….rs

Ai vão um poema e uma fotografia do livro, da forma como aparecem

Avessas
Avessas

O mundo pode ser visto de várias formas

E ainda assim nos prendemos a certo e errado
Como se existissem dois lados
Duas verdades que infelizmente são frouxas
Pois nada representam do que realmente somos
Nem nada fala do que somos
Apenas nos prendem como cordas
Por isso eu vejo um mundo que não me agrada
Onde bem e mal são só opções numa busca por prazer
Dentre os mil caminhos que ainda quero conhecer
Até que a morte me avise que chegou a hora
Enquanto isso eu reviro tudo pelo avesso
Numa busca desenfreada e infantil pelo desejo
Um prazer supremo que quem sabe acalme a alma
Alex Martins
Aguardo ansioso os comentários de você que leu este post até aqui, obrigado pela visita

Visões

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Catedral da Sé

Passeando pelo mundinho virtual (muitas vezes pelo mundinho visual azul do orkut) vejo como é complexo tentar ver o que o outro vê. As vezes as brigas surgem e pessoas estão dizendo exatamente a mesma coisa, mas como não existe um rosto, não existe a chance de se entender as expressões.

Nesse mundo virtual, um local onde muitas vezes encontro esse tipo de postura é no Mundo Fotográfico (fórum de fotografia que eu recomendo nos links ai do lado). Muitas vezes leio coisas que parecem atravessadas, mas ai me lembro de como são essas pessoas ao vivo (muitos são meus amigos pessoais) e nem me estresso. Aliás na maioria das vezes tento evita que alguém se estresse por um comentário mal escrito, ou aparentemente atravessado.

O aparentemente, neste caso, é o mote pro texto de hoje. Relembrando um passeio antigo com amigos desse fórum, fomos todos ao centro de São Paulo, fizemos um percurso relativamente longo, começando no metrô São Bento, indo até a Praça da Sé e partindo em direção ao mercado da Cantareira. Cada um foi fazendo suas fotos, eu fiz as minhas.

Voltei pra minha casa e fiquei pensando no que era esse centro, o que ele me passava, era bonito? Feio? Perigoso? Acolhedor? Fiquei um tempo bem neurótico com isso e acabei traçando umas linhas a respeito, o texto é velho, mas está logo abaixo e continua totalmente atual pra mim, ainda vejo tudo do mesmo jeito lá.

Estação da Luz
Estação da Luz

Bom o Centro!!! A cidade que nasceu ali no Pátio do Colégio, hoje transformado em museu e que se expandiu para todos os lados tem alguns marcos na região central. A catedral da Sé, imponente marca o Centro Histórico da Cidade, belíssima construção. Ali pelas redondezas, vemos o Tribunal João Mendes, Mosteiro de São Bento, Estação da Luz , Teatro Municipal, etc.

Então a cidade é bela, certo? Depende de quem vê. Nesse mesmo centro vemos os prédios todos decaídos, precisando de reformas, Na praça da Sé, ao lado da imponente igreja, vários meninos de rua e mendigos vivem da caridade de pessoas que passam por lá. As vezes pequenos crimes são cometidos, mesmo com o forte policiamento na área.

Existe um submundo entre as construções históricas importantes, se vê droga, descaso, prostituição, violência. É essa vista que pode afastar as pessoas de uma região, e aliás afasta, conheço várias pessoas que temem o centro da cidade, outras adoram.

Essa diferença de gostos se dá por modos diferentes de se ver o que aparece ao redor, uma pessoa próxima tem me dito ultimamente que podemos optar entre curtir todos os momentos ou focar todas as esperanças num único ponto. Não sei ao certo se é tudo 8 ou 80, talvez existam pontos intermediários, mas não os julgarei aqui.

A questão é que se você quiser realmente poderá encarar algo como lindo e maravilhoso, fechar os olhos para todos os problemas que ele apresenta, como a degradação e sujeira do centro, o perigo e a violência. Por outro lado pode fazer também o contrário, passar correndo temendo os perigos e não perceber detalhes ricos como a beleza do Municipal, nunca entrar na Catedral da Sé ou no mosteiro de São Bento, que são duas belas construções.

mosteirodesaobento
Mosteiro de São Bento

Eu sinceramente vejo que teríamos que encarar tudo como uma terceira via, não só observar o belo, nem apenas enxergar o triste, mas isso é difícil e complexo, as vezes nosso olhar se vicia e procura apenas aquilo em que acrditamos, as verdades que nos são passadas dia após dia por amigos, meios de comunicação, por tudo o que nos cerca.

A leitura de mundo assim acaba viciada e intolerante, talvez seja esse um dos motivos para tanta violência sem razão, não aprendemos a utilizar os olhos dos outros, apenas os nossos captam a verdade. Mas eu deixo uma pergunta, Existe Verdade????

Esconderijos

Quase não se vê

Como segundo post, resolvi falar um pouco da forma como o mundo se apresenta pra mim.

As vezes eu me sinto como esse lagarto ai da foto. Procurando se esconder de tudo o que está ao redor e em busca de algo interessante que passe diante dos meus olhos, algo que me faça dar um passo adiante

Se nada me fizer andar, fico ali parado mesmo. Só observando o mundo, sem querer fazer parte dele. Na verdade eu me sinto externo ao mundo. Alheio ao que acontece, como um observador perdido numa rua movimentada de uma cidade em que não se conhece nada.

Vejo as coisas como se nunca fossem comigo, isso de certa forma incomoda, é verdade. Mas também é verdade que me permite fazer certos apontamentos e mesmo dizer algumas coisas com muito mais calma. Ser crítico sem envolvimento é sempre mais fácil.

Por isso eu fotografo da forma que fotografo, fazendo recortes de cenas que passam diante dos meus olhos, eu adoro as teleobjetivas, elas me permitem selecionar apenas a parte da cena que quero comentar ou destacar. Ao contrário das grande-angulares que te inserem dentro da cena, eu nunca me sinto parte.

Essas reações distantes também me permitem uma leitura diferente, é possível entender porque uma pessoa sente dor se você não a sente, ou não se influência por ela. Dessa forma você consegue dissecar a cena toda e entender exatamente qual foi o pisão no calo que causou a dor.

Dor aliás que me persegue, porque se eu consigo ler a dor do outro, a minha fica mais difícil, ela está guardada em mim e não consigo ver de fora. Eu gostaria de conseguir, confesso. Talvez isso me fizesse ser alguém melhor e mais alegre.

Alguns amigos me dizem que eu me escondo dos meus medos e a dor é resultante dessa fuga. Talvez isso seja realmente verdade. Afinal quem não se esconde em algo? Existe alguém 100% autêntico e com tanta coragem? Eu até assumo que tenho medo das pessoas, medo daquilo que não consigo entender

Aliás, se você ler esse post, que tal se abrir um pouco? Fale do seu esconderijo, fale daquilo que você foge. Fale do que você gostaria de mudar.

Prisioneiros

Alguém já viu uma cela com grades assim?

     Pois é, virei blogueiro, ou pelo menos tentarei virar. A idéia é sempre que me surgir algum assunto interessante vir aqui. Falar aquilo que penso e da forma como penso.

Começar algo nunca é simples, mas é sempre necessário. Escolher o tema do primeiro texto também não foi tão fácil. A primeira opção e justamente a que venceu foi falar daquilo que mais me incomoda. A vida urbana, a forma como as cidades nos dominam.

Com um grupo de amigos fotógrafos, estou tentando dissecar a urbe e mostrar o que vejo e sinto dela. Acho que nesse espaço posso brincar um pouco com isso. Sem me aprofundar muito, quero ao menos lançar as idéias que estou desenvolvendo nesse ensaio fotográfico.

Eu sempre fui (e ainda sou) uma pessoa que teme multidões, pessoas me assustam e nunca escondi isso de ninguém. O que talvez tenha escondido nesse tempo todo é que sinto uma certa inveja da forma leve como todo mundo encara a multidão. E justamente pra tentar ler essa multidão que eu procuro entender as cidades. Se repararmos, num ambiente urbano vivemos presos em regras.

Ninguém se pergunta o motivo, mas todos se vestem de forma parecida, possuem sonhos parecidos, comem coisas parecidas, se divertem de forma parecida e até se irritam pelos mesmos motivos. Você já se perguntou pelo real motivo de ter que trabalhar todos os dias? Por que as mulheres usam saias e os homens calças compridas (calma não quero andar por ai de saias)? Por que é divertido ficar dançando a noite toda? Por que fico com raiva toda vez que um folgado não cede lugar no metrô pra um idoso?

Até respondemos essas perguntas, mas concorda que todas as respostas são superficiais? No fundo, a resposta mais coerente pra essas e diversas outras questões seria por que todo mundo age assim também. E nessa brincadeira, confesso que me sinto como as formigas no filme FormiguinhaZ, onde a diversão delas é dançar macarena todo mundo junto.

Essa padronização acaba surgindo também em quem deveria transgredir as regras. Os artistas adoram se dizer diferentes, mas será que fogem desse lugar comum? Os conceitos de belo e feio são padrões, e preferencialmente padrões simples de serem decodificados por qualquer pessoa que veja o que se apresenta.

Existe espaço para o realmente diferente na nossa sociedade? Infelizmente acredito que não e ai me sinto preso também dentro desse contexto. Atrás de grades dispostas sempre da mesma forma, por que é assim que sempre foi e assim sempre será.