The Boy With A Thorn In His Side – The Smiths

 
http://youtu.be/DYp2LGKOF_M
 

Tem dias que a gente se sente tão vazio que nada parece ser capaz de nos trazer um sorriso ao rosto. Nada nos preenche. Por mais que muita coisa tenha até andado de forma positiva, o saldo parece no vermelho, parece que algo extremamente importante ficou para trás.

É assim que tenho me sentido em muitos dos meus últimos dias. Como se algo faltasse. Algo extremamente importante e necessário. Tenho visto os dias passarem muitas vezes com sabor de derrota e acordado com o amargo do fracasso na garganta sem ter necessariamente disputado as batalhas que realmente me incomodam. Na verdade me incomoda muito é o não saber a forma correta de entrar nessas pelejas. Fica sempre a sensação de que sou tão péssimo jogador que nem mereço entrar no campo de batalha.

Acontece que a gente sempre trava mais de uma disputa por vez. Somos desafiados em diversos aspectos da nossa existência e por infinitos competidores e motivos. Parece que existimos apenas para sermos confrontados. Existimos apenas para a cada minuto resolver uma nova questão um degrau mais difícil do que a anterior e em todos os aspectos da nossa vida.

Incomoda é quando a gente empaca. Incomoda é quando a gente percebe que por mais que diversos pontos de nossa vida caminhem a passos largos, um fica para trás e a gente perde horas e horas nele tentando primeiro entender o que fazer e depois batendo e batendo num enorme muro que teima em resistir aos nossos golpes.

Por sorte raramente tudo realmente dá errado de uma vez só. Por mais que as vezes os problemas parecem se multiplicar. Sempre tem um ponto onde a gente consegue se apegar e a partir dele damos alguns passos adiante. Isso nos dá um leve refresco e uma esperança de vitória. É o famoso aprender a curtir sempre as pequenas vitórias, vibrar mais com o caminho do que com o destino da viagem, afinal aquela bela estrada pode nos levar a uma estadia chuvosa numa praia baraulhenta e suja.

O problema é que chega um momento em que a gente não aguenta mais perder sempre o mesmo jogo. Não importando a forma como as peças são colocadas no tabuleiro, o resultado parece ser sempre o mesmo. É nesse momento que surge o homem atormentado. O homem que vê seus sonhos e desejos barrados por algo aparentemente frágil, porém, intransponível. Nesse momento as outras vitórias parecem perder sabor. A gente se fixa só naquilo que não consegue e fica procurando os motivos para tantas derrotas.

Incapacidade? Falta de compreensão das regras do jogo? Medo? Pode ser tanta coisa. Nessas horas a gente nem sabe direito para onde olhar e o que fazer. É o momento de pedir ajuda. E a gente pede. Eu pelo menos tento pedir. Só que geralmente o outro nem sabe como te ajudar nessas horas. Isso as vezes acontece. Seu problema é tão infantil que já foi derrotado pelo outro a tanto tempo que ele nem lembra mais que passou por aquilo. E ai você se sente arrasado e atormentado. Tentado a desistir de tudo o mais rápido possível. Só se mantendo na linha porque percebe que alguém precisa de você e você pode ajudar de alguma forma.

Porque tem vezes que nossas derrotas são tão intensas que só as vitórias dos outros podem nos trazer algum alento. Quem sabe a felicidade alheia não nos contagia. Quem sabe alguém consegue me ajudar, me dizer o que fazer ou me apontar algum caminho menos sinuoso, menos doloroso e possível de ser vencido.