Friday I’m In Love – The Cure

 
http://youtu.be/wa2nLEhUcZ0
 

Raras vezes eu tive tantas músicas na cabeça pra escrever um post. Raras vezes eu tive a cabeça tão cheia de ideias, o coração quente e a mente fervilhando. Tanta coisa aconteceu e eu não sei bem nem como ou por que. Tanta coisa mudou de uma hora para outra e no final tanta coisa boa aconteceu e ainda acontece.

Veio agora a flor da cerejeira em minha mente, as floradas que já vi e as histórias que ouvi sobre o evento. Me vem sempre em mente a ideia de felicidade. Ver a florada é de alguma forma Alcançar uma felicidade plena, como de certa forma agora sinto.

Outra leitura interessante que se faz é a que associa o tempo de vida do samurai ao tempo de floração extremamente curta dessa planta. Eu associo agora com outra realidade. Penso que a flor simboliza o que penso. As flores surgem rápidas e fagueiras enquanto a gente fica alegre e em desordem, e de repente elas até somem, mas a árvore que trouxe o sonho continua e a gente fica contente em cuidar dela para que as flores sempre apareçam. Os samurais eram as flores que protegiam a árvore que era seu senhor.

Não quero flores novas, quero a mesma flor e deixo isso bem claro. Mas remeto no caso a floração como a renovação da alegria. E remeto ainda ao fato de que o período entre as florações é aquele hiato no tempo em que a gente se afasta da árvore, em que fica contando as horas (que parecem anos) para novamente chegar perto da cerejeira que a gente sempre encontra em flor.

O mais interessante é perceber que a floração demora um tempo. Após ser plantada, a árvore tem que crescer um pouco, maturar, ser protegida até esteja forte o suficiente para dar ao mundo as flores. É meio assim que me sinto. Penso nisso e me lembro de um tempo que passou. Uns 15 anos passaram rapidamente diante dos meus olhos como se não tivessem existido. Lembro-me da semente ser plantada a tanto tempo atrás. Lembro-me de imaginar que nunca veria as flores dessa cerejeira. E não é que o mundo nos prega surpresas? Sexta-feira, quando esperava apenas ver a cerejeira fortalecida, percebi o quanto ela cresceu e pra minha surpresa, as flores se abriram diante dos meus olhos.

Eu vi a florada acontecer. E tento reter na memória o tempo em que cada botão se abriu até que a árvore ficou toda colorida e eu sorrindo mais e mais a cada tempo. Nem vi o tempo passar, se foi um dia todo que imaginei ser breve. E de repente veio um dia longo quase eterno, em que senti falta da flores, esperei ansioso nova florada que veio forte e bela hoje novamente. Pena que a florada se foi e agora aguardo ansioso pelo tempo de rever novamente a beleza dos sakurás.

Como disse, pensei em muitas músicas para hoje. A ideia era alguma coisa que falasse de felicidade, a MPB tem diversos bons sons nessa linha. Ai pensei em como me senti e um verso de Infinita Highway não me sai da cabeça “…Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão…”, tentei  voltar no tempo até o fim dos anos 90. Mas no fundo, pra me lembrar do tempo que passou e retornou, acho que The Cure  acaba como melhor opção.

Afinal foi uma sexta especial, cheia de possibilidades e sonhos. Uma sexta que fez com que uma semana pesada se tornasse leve e talvez a melhor de um ano marcado por sonhos de recomeço e mudança. Se não cheguei lá ainda, ao menos percebo que estou no caminho.

Tão diferente foi essa semana (e esse post) que a foto que o ilustra nem minha é. É uma foto de uma cerejeira que serve pra que eu me lembre sempre da minha cerejeira em flor quando algo apertar no meio peito. Não digo aqui o nome de quem fez a foto, mas aviso que se ela quiser, pode e deve solicitar a autoria da foto no comentário

I,m a Cuckoo – Belle and Sebastian

 

 

Dia de sentimentos mistos e acelerados. É tudo muito intenso. Dia de sensações alegres, tristes, confusas. Dia de sentir saudade e de sentir o excesso da presença. Dia de sentir a falta e o incômodo. Dia estranho,mas no fundo um dia bom.

Todos os dias em que algo acontece de positivo podem ser vistos como bons dias. E hoje eu tive tantas boas notícias quantas um coração velho pode aguentar sem sofrer alguma avaria. Hoje eu fiquei feliz não por mim, mas por aqueles que tento fazer crescer todos os dias. Esperanças novas vindas. Fico muito feliz quando vejo que eles acertam. Fico contente quando vejo o esforço deles dando resultado.

Isso de comemorar a vitória alheia parece estranho. Mas quem não vibra com o time de futebol vencendo sem ter entrado em campo? A vitória do próximo é no mínimo um bom motivo para se sentir bem só pelo fato do outro também estar bem. Alegria e tristeza contagiam e eu fico chateado quando percebo que é o meu mau humor que domina o ambiente. Por isso, nesses momentos de alegria desmedida e desenfreada, nada melhor do que esquecer os pequenos problemas que a gente vive e curtir o que existe de bom acontecendo.

Hoje foi um pouco assim, foi um dia de colocar tudo na balança e ver o prato bom vencer. Mesmo quando do nada vem uma notícia maluca e sem sentido que te faz pensar até que ponto tudo isso vale a pena. A gente pensa nisso o tempo todo quando vê o trabalho que dá, a dor de cabeça que dá o cansaço que surge. Só que ao perceber em olhares especiais não a alegria pela vitória, mas sim a força para aguentar uma derrota que poderia ter vindo tudo muda de figura. Mesmo quando tudo parece jogar contra, no final das contas vale a pena.

E eu me vejo então tão maluco quanto eles. Vibrando por cada pequena coisa, por encaixes de peças plásticas, por um gráfico que finalmente sai, por uma ideia que finalmente surge ou principalmente por uma aula que passou numa velocidade tal que ninguém conseguiu perceber, já era hora de partir.

Hora de partir, aliás é esse o principal problema. Tem um momento em que você percebe que todos eles devem partir. É o momento em que você fica para trás e deixa cada um viver seus sonhos sozinho. Para alguns bate uma solidão imensa. Eu confesso que sempre lidei bem com isso. Até porque acredito que meu papel é o de criar gente livre. Gente que não se prende, gente que sonha e faz virar realidade. Gente capaz de enfrentar o que vier pela frente. Gente como eu acredito que deveria ser.

Talvez por isso eu não seja pai. Não consigo me ver tão maduro assim. Não sei se conseguiria deixar o sangue do meu sangue esmurrar as paredes que ele criar sozinho. Até por isso entendo muitas vezes uma certa superproteção. O que me encanta, entretanto, é o perceber o quanto os jovens são mais fortes do que a gente. O quanto eles aguentam as próprias brigas e fazem isso de peito aberto porque sabem até onde podem ir. Mais do que isso até. Eles sabem o momento certo de pedir ajuda. Talvez seja esse o maior aprendizado que eu esteja recebendo todo dia no trabalho.

Já vi tantos crescerem, já vi tantos partirem e eu fico. Fico porque se eles amadurecem, eu ainda tenho muito a aprender se não com eles, com os novos que chegam a cada ano. É uma troca. Um escambo feito de um jeito que pai e filho nunca fazem, feito de um jeito que só mesmo sendo professor pra conseguir. Por isso eu vibro tanto com as vitórias deles. Fico maluco com eles e por eles. E aproveito pra sonhar, imaginando o que os que virão no lugar destes serão capazes de me ensinar.

In My Life – The Beatles

 

 

Nesses dias tenho percebido a lua sorrir para mim. Percebi isso principalmente no domingo a noite. Ao voltar para casa depois de um dia alegre e divertido. Um dia onde o mais óbvio dos endereços se fez distante e errático. Até hoje não acredito que não consegui um bom restaurante japonês no bairro da Liberdade.

Dessas coisas que no fundo ninguém entende, mas que parecem fazer todo o sentido do mundo. A cidade atravessada em minutos, e os minutos parecendo ser segundos de tão rápidos e frágeis. O tempo voo e o que era centro virou zona norte. Os sushis e sashimis como que por magia viraram picanha, arroz e salada. Muita picanha, muito arroz e muita salada. Não que a quantidade realmente  importasse, aliás, nem mesmo a qualidade do alimento era realmente importante. Apesar de saborosa, a comida era somente um pretexto. Um frágil pretexto para olhares e frases muito mais doces do que fora a saborosa sobremesa.

E no fundo foi assim que fez-se o dia. Frases soltas que se uniram num sentido que só quem pode ouvir realmente conseguiu compreender. E olhares. Muitos olhares. Olhares perdidos, olhares meninos. Olhares leves com o mais puro sentimento juvenil. As frases só fazem sentido se vistas, e os olhares só ganham força quando acompanhados da frase certa.

Nessas horas a gente percebe o quanto o tempo passa rápido demais.Nessas horas a gente aprende  a tentar reter tudo o que pode. Tudo o que puder ser lembrado depois merece ser guardado. Afinal, existem instantes que não voltam nunca mais. O primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro passo, o primeiro toque. O primeiro momento de mal estar por não saber nem como nem porque se está ali, mas justamente perceber que ali é na verdade o único lugar onde se realmente quer estar.

E assim se paga o preço. Vai-se para o segundo olhar, o segundo sorriso (esse talvez meio amarelo pelo medo), o segundo passo e o segundo toque. Um segundo passa as vezes tão depressa e noutras parece durar a eternidade. É preciso saber apreciar esse momento. Como todos os outros ele nunca mais vai se repetir. Só que de forma diferente. Ele não pode ver-se perdido por ai. Ele merece a eternidade, nem que seja em sonho, nem que seja em pensamento.

Nessas horas o pensamento vai tão longe. Vai distante que se perde entre o real e o imaginário. Tudo vira sonho. Todo sonho cresce de tal forma que muitas vezes nos faz perder o controle. O chão some mas a gente não cai. Flutuamos e saímos por ai meio sem rumo. Levados por desejos para lá de juvenis. Quem não gosta de viver isso de tempos em tempos?

Viver, no fundo essa é a palavra chave. Algo que agora faço porque já sei o preço. Algo que agora consigo porque sei o quanto custa. E vivo assim sem pressa, ou melhor com a pressa ávida de cada momento. Como se cada momento fosse único (e realmente é), como se cada momento fosse importante e me cobrasse bem mais do que nacos de energia e oxigênio. Porque a vida no fundo cobra muito mais do que isso.

E pagar esse valor tranquilo é o que me faz feliz. Saber que o preço pago vale e muito a pena. Porque se eu hibernei num longo inverno, agora acordo numa aconchegante primavera.

Rock And Roll All Night – Kiss

 

 

Por uns dias fiquei em silêncio. Uns dias recluso para entender o que eu quero, rever promessas, definir caminhos e me entregar a preguiça. Coisas que só um período de férias pode fornecer a alguém. E férias mais do que necessárias. Eu realmente precisava parar por uns dias, estava cansado e me tornando chato e repetitivo.

Nesse meio tempo vivi uma fase de amor e ódio com palhaços,tomei chuva, voltei a fazer exercícios (espero não parar). Li, reli,joguei (e viva o videogame), até me viciei num joguinho do facebook chamado SongPop. Vi meu time finalmente ganhar uma taça Libertadores, pra se ter uma noção exata do tanto de coisas que vi e fiz, até vi o Palmeiras ganhar um título.

Isso me faz perceber que o tempo passa independente do meu querer ou meu fazer. O tempo anda e por mais que eu sonhe em dominá-lo, ele pouco se importa comigo. Eu que me preocupo em entendê-lo, ele sequer percebe a minha existência. As vezes eu acredito saber algo sobre o tempo, quando consigo fazer versos que parecem ritmados, quando percebo a graça nas batidas de uma música.

Aliás, dias atrás também foi o dia do rock. Mais um dia que para variar eu não comemorei. É claro que ouvi uma ou outra melodia enquanto transpirava na esteira. A cada grama levantado na academia era rock o ritmo que me embalava. Mas sinceramente, não vi muita razão pra comemorar a data.

Não que me falte atualmente clima para festa. Ele existe tanto que vou numa festa junina fora de época no próximo fim de semana. Estou leve,mesmo percebendo que as férias voam a uma velocidade absurda. Metade do tempo já foi e eu ainda vejo muita coisa por fazer. A metade do tempo que me resta parece tão pouco,mas de que adianta reclamar se eu não me preocupar apenas com o aproveitar o tempo?

É isso, é esse o truque. Por isso que fico afastado daqui nesse período. Aproveito o pouco tempo que me resta para ser um pouco mais eu mesmo. Aproveito o tempo para tentar ser feliz e descobrir que sou feliz fazendo coisas simples. Aproveito para rascunhar novamente um novo livro, novas ideias que eu deixei trancadas dentro de mim.

Pouco importa se faz frio lá fora. Eu quero e vou sair. Tomar chuva, tomar vento, sentir o frio bater em meu peito e mesmo assim não ver a temperatura do corpo baixar. Isso porque existe emoção e vontade suficiente para seguir adiante. O corpo e a mente sabem o que buscam. Enfrentar o tempo de forma a deixar as horas divertidas mais longas. Fazer de cada noite e cada dia eternos.

Porque a gente sabe que o tempo parece correr mais rápido quando a gente está feliz. Se eu fiquei triste por ficar tanto tempo longe daqui. Também fiquei alegre ao perceber que consegui fazer muita coisa nesse tempo. Só queria ter feito mais, escrito mais e partilhado mais com você que me lê. Assim, nesse curto fim de férias, quero encontrar a chave para fazer das festas eternas e as dores imediatas e efêmeras. A ponto de viver 15 dias plenos, como plena deve ser toda a nossa existência.

Piruetas – Os Trapalhões

 

 

Fazia tempo que eu não ia ao cinema. Aproveitando as férias acabei optando logo por uma sessão dupla. Coisa que eu só faço as vezes em casa. Onde junto a turma, escolhemos o filme, cada um traz um petisco e a gente assiste os filmes discutindo sobre eles. É mais motivo pra bater papo do que uma sessão de cinema propriamente dita.

O espaço cinema pra mim é um pouco diferente disso. Não permite todo esse falatório. Apesar disso, eu ainda acho o cinema um ato coletivo. Pra mim ir ao cinema tem quase sempre 3 estágios, o primeiro é o escolher o filme, o segundo ver o filme propriamente dito e o terceiro discutir com a companhia as impressões sobre o filme. Isso vale mesmo que não seja algo exatamente inédito para quem assiste, afinal dependendo do estado de espírito de cada um, a mesma obra pode ter leituras diferentes mesmo com o passar do tempo.

Cada um tem o seu ritual, eu confesso que não ligo tanto assim para o barulho da sala, eu me ligo apenas ao filme, só a tela me prende a atenção. Tem gente que se irrita com qualquer comentário feito. Exige silêncio total para curtir a sessão, abolindo até mesmo a tradicional pipoca, achando isso uma afronta a arte. Eu sou daqueles que acredita que a arte deva ser sempre popular. Sou dos que acha que a interação deveria ser sempre calorosa, que o público deveria poder expressar de forma mais firme o que sente. Isso é algo que as vezes me incomoda nos concertos e em algumas peças de teatro. Os concertos até possuem preços populares. Super barato assistir apresentações no Municipal de São Paulo ou até mesmo na Sala São Paulo, mas uma parcela da população simplesmente se vê expulsa desses locais justamente por achar que não pertence a esse espaço.

Pertencer, aliás, pra mim é um dos grandes desafios da arte. Num dos filmes que vi na segunda-feira talvez esse tenha sido um dos aspectos que mais me chamou a atenção. Em O Palhaço, uma trupe de circo vive no limite indo de cidade em cidade sempre com a dificuldade recorrente da carreira, mas fazendo rir quem os assiste nas pequenas cidades desse Brasil enorme.

Eu cresci ainda vendo o circo como algo popular. Bem antes da existência por aqui de espetáculos como os do Circo da China ou o Cirque du Soleil. Circo era coisa de criança, palhaços, mágicos, alguns acrobatas, eles tinham bichos, leão, cavalo, elefante. Eram montados nos terrenos baldios dos bairros afastados das cidades. Era um acontecimento ir ao circo. Me lembro de ter ido em dois que foram montados perto da minha casa na periferia de São Paulo.

E os artistas queriam ver a alegria do povo. Queriam os risos, as sensações, as brincadeiras, as falas. Queriam o povo se expressasse, afinal o espetáculo era para eles. Eu, durante o filme tive essa mesma sensação de criança. Me lembrei até dos filmes dos Trapalhões que gostava de ver na minha infância. O filme pra mim teve cheiro de infância, faltou só vender algodão doce no cinema. Hoje, bem mais velho, penso que justamente o que mais me atraia no circo era essa ideia de ser um espetáculo feito para se extravasar. O riso e o choro eram não só permitidos, mas algo que o artista desejava. Comentar com alguém do lado sobre uma mágica feita ou uma brincadeira do palhaço era até certo ponto estimulado.

Talvez porque para esse tipo de artista, a arte é feita para o público, ele devota o público e não exatamente espera ser devotado. Nos concertos a impressão que tenha é justamente outra, no teatro também, o artista espera devoção por seu trabalho e por isso o silêncio e a hora certa para o aplauso. Eu confesso que até hoje não entendo o motivo de ter que se conter tanto para algo que se vende como expressão de um sentimento. Sigo as regras quando vou, mas entendo quem não se controla. Algumas vezes a música é tão bela que dá mesmo vontade de aplaudir.

Isso leva a outra breve discussão também. Parece que é algo bonito se conter. Parece que mostrar-se contido em relação ao que se sente é sinal de cultura. É sinal de inteligência, é sinal de estilo. Confesso que pra mim é sinal de medo e de vergonha.

Reparem como as pessoas mais simples costumam ser muito mais autênticas com seus sentimentos. Reparem como deixam claro o que gostam e o que não gostam, como aplaudem ou vaiam com muito mais autenticidade, pelo simples fato de gostarem ou não de algo. Reparem como pessoas que não são tão contidas conseguem muito mais felicidade em seus relacionamentos, afinal falam e buscam o que sentem. Falam e buscam o que são. Não precisam viver personagens, nem se conter, preocupam-se apenas em ser e viver.

Nesse ponto as crianças são imbatíveis, sempre sorrindo ou emburrando sem ligar para o que pensam delas. Sempre são autênticas. A gente quando cresce perde isso. Quando cresce passa a ter vergonha dos próprios sentimentos e sensações, passa a julgar o outro e a se julgar.

Falta se preocupar um pouco mais com a felicidade e menos com a aparência, geralmente pompa e circunstância não nos levam a lugar algum. Só criam um ambiente cheio de regras que muitas vezes não são entendidas nem por quem as cria.

É nesse ponto que eu sinto mais saudade do circo. Mais saudade do palhaço, que hoje virou clown e não pergunta mais se tem goiabada e marmelada. Sinto saudade da mágica simples e anterior ao mister M. Isso o filme reacendeu em mim. A busca pela simplicidade. O desejo de ir a um restaurante não pela fama e pela forma, mas sim pela comida. De ouvir uma música do meu jeito, ler um livro que me agrade ou até mesmo ver um programa idiota na TV.

Esqueça as aparências e deixe florescer o palhaço que existe dentro de você. Seja feliz e brinque, pule e dance se assim achar que deva fazer. Aplauda e elogie aquilo que gostar sem medo de ser repreendido. Viva, apenas viva. E curta muito, afinal a vida é simples, a gente que complica tudo criando regras que geralmente servem apenas para conter os nossos melhores sentimentos.

Viva La Vida – Coldplay


Hoje estou cansado, muito sono. Hoje realmente sinto os olhos querendo fechar. Mas não quero dormir agora. Não posso!

Sabe aqueles dias em que tudo parece lindo e colorido? Sabe aqueles dias em que aparentemente tudo deu certo? Pois é, é assim que eu me sinto. Hoje eu sinto orgulho do meu trabalho. Sinto orgulho dos meus alunos e feliz por isso.

Para quem não sabe ainda, ontem eu comecei um novo projeto, escrevendo para uma revista de moda ecológica sobre sustentabilidade. Uma parceria entre a Atitude Terra (empresa para a qual presto serviços) e a revista Eco Fashion. Um pequeno início de uma grande parceria.

Fora isso, mais coisas me deram alegrias hoje. Muitos aqui sabem que eu sou professor. Ver meus os resultados de alguns de meus alunos hoje me deixou também feliz. Não uma felicidade que cega e faz tudo parecer lindo até aquilo que não presta. Mas sim uma felicidade de dever cumprido.

Conversava com uma amiga sobre essa onda feliz. Ela que me disse pra colocar isso no blog, até indicou a música. Inicialmente What a Wonderful World, que infelizmente eu já utilizei. Passou a segunda opção, Viva La Vida do Coldplay. Nem lembrava da música, mas fui ouvir. E sinceramente adorei, adorei porque ela me permite falar de coisas que podem parecer malucas para alguém que está feliz, mas que merecem ser ditas.

Eu curto a felicidade porque sei que não apoiei meus sentimentos em uma construção com pilares de areia. O sentimento é firme e resistente porque vem de bases que foram construídas lentamente. O trabalho é algo que não nasceu hoje, mas sim vem de anos. Há anos que escrevo, esse espaço prova isso e sempre tem gente que passa por aqui, pra ver o que eu penso. As aulas que trouxeram a alegria vieram também de anos. Trabalhos que pouco a pouco vão se consolidando.

Alguns alunos vi crescendo pouco a pouco até chegarem onde chegaram. Vi mais do que isso, um conceito se fortalecer. Uma idéia que cresceu (graças ao auxílio de muita gente) e que se mostrou verdadeira e perene, agora começo a colher os resultados. Sei que para continuar colhendo os resultados preciso de mais coisas. Preciso continuar corrigindo algumas falhas, agregar mais gente e ter mais tempo e paciência. Mas sei que existe um caminho formado.

Acredito que todo mundo quer ter orgulho do que faz. Quer encontrar um caminho profissional que mais do que dinheiro (que sim, é muito bom) traga conquistas, as vezes pequenas, as vezes grandiosas. Todo mundo quer ter a sensação, mesmo que momentânea de que está transformando o mundo num lugar melhor.

Talvez essa sensação boa suma quando eu fechar os olhos e dormir. Quando eu acordar amanhã ainda sonado me sinta impotente e veja o copo ainda esvaziado e não por encher. Ai quem sabe eu lembre dos versos da música e me lembre que eu já fui rei, reinados acabam, mas reis nunca perdem a majestade, mesmo que suas rainhas os abandonem. Minha rainha hoje é a alegria profissional e espero que ela continue comigo por muito tempo. Viva La Vida e que tudo siga adiante se possível cada vez melhor.

Bohemian Rhapsody – Muppets

 

 

Não ia postar texto novo hoje, cheguei agora, cansado do trabalho. Mas tem datas que merecem ser lembradas e pessoas que merecem sempre serem reverenciadas. Não que eu tivesse isso anotado na agenda ou uma memória extraordinária. Na verdade como data marcante para hoje, eu só lembrava do início da primavera, coisa que até citei aos meus alunos ontem e que serviu de base para o post do dia da árvore no blog do meu novo projeto.

Acontece que cheguei em casa e fui pegar o material do curso em que sou aluno amanhã (as aulas de Astronomia aos sábados de manhã realmente estão divertidas, nem reclamo de ter que acordar cedo todos os sábados). Enquanto fuçava no computador, bateu a vontade de ouvir uma música, não lembrando do nome o que a gente faz? Apela ao Google como qualquer um na modernidade. Ai ao abrir o site me deparei com o doodle em homenagem ao Jim Henson (se alguém aqui achar que tem algo a ver com a banda Hanson eu mato…rs).

Pra quem não sabe, Jim Henson foi o criador dos Muppets, bonecos que eu adorava ver quando criança na TV, infelizmente perdi o Vila Sésamo, ele foi anterior a minha infância, mas de vez em quando, alguém mais velho que eu comenta com lágrimas nos olhos como foi assistir as peripécias do Garibaldo na TV durante a infância. Eu perdi essa, mas não perdi Caco, Miss Piggy, Fozzie, Gonzo e outros.

Personagens que construíram uma parte do meu imaginário infantil. Personagens que me fizeram rir, chorar, ter medo, ter pavor e principalmente me divertir muito. Não vou entrar na onda de falar que eles eram melhores do que o que se tem hoje pras crianças. Sou dos que acredita que em muitos casos é impossível a comparação entre períodos tão distantes, cada geração tem seus mitos, seus heróis e seus vilões. Cada geração constrói a sua moral. E se eu acreditar que o que tem hoje é pior do que tinha no passado, devo aceitar a culpa por isso, afinal é a minha geração que hoje produz o que as crianças consomem.

Mas nem é disso que eu quero falar. Quero falar é dos devaneios infantis e adolescentes que vivi vendo os Muppets. De como me diverti tentando entender porque a Miss Piggy era tão canastrona e apaixonada pelo Caco, vez ou outra tentei rir de uma das piadas sem graça do Fozzie e sempre tentei entender afinal o que era o Gonzo. Escrever isso aqui tem mesmo um certo ar saudosista. Confesso que meus olhos marejaram quando me lembrei não só do que vi, mas das situações em que vivi quando tinha idade para ver o programa. O brincar na rua, o correr a vontade, o empinar papagaio e e ver TV nos dias frios sentado no sofá embrulhado num cobertor comendo bolinhos de chuva e tomando chá feitos pela minha mãe, invariavelmente com minha irmã do lado.

Isso me faz pensar em como o tempo passou e em como eu já fiz muita coisa, só não posso esquecer disso nunca. Não posso apagar o passado ou me prender apenas ao que não deu certo. Até porque a maioria das coisas sempre dá muito certo pra maioria das pessoas, é a gente que muitas vezes por causa de algum pequeno contratempo se prende somente às histórias ruins. Elas parece que grudam na memória de um jeito que não pode ser retirado. É preciso lembrar de coisa boa.

Por isso hoje nem falo muito da música que escolhi, ela está aqui só pra ilustrar o post e porque é um dos números mais divertidos que já vi com os Muppets,  a versão da música do Queen é sensacional. Até acho que só vi esse vídeo recentemente e não na minha infância, mas sinceramente pouco importa. Ele me trouxe boas lembranças de um tempo bom. E principalmente me fez acreditar, que os pequenos contratempos da vida servem só pra mascarar os ótimos momentos que vivemos diariamente. Nós nos prendemos nas coisas erradas, deveríamos curtir mais cada momento e até mesmo dar risada das piadas sem graça do bondoso Fozzie, amar com o fervor e a dedicação da Miss Piggy e ser sempre simpático e carinho como o Caco.

Você tem alguma lembrança assim de sua infância que te dá forças pra ver o dia melhor? Quer contar pra gente? Lembre-se, o espaço também é seu.