Sueños por fuera de la realidad

https://open.spotify.com/playlist/3YDAi6Hy87oIGm6uYKb3Zq?si=PnP8lD2BQbOq4HxBEF0YhQ

Escrever estes textos está sendo sensacional. Cada playlist que eu coloco para tocar enquanto escrevo me faz viajar e pensar em quem me mandou, mas mais do que isso. Me faz tentar imaginar a razão das escolhas destas músicas. Provavelmente nunca saberei ao certo o que faz alguém escolher Extreme, Rachmaniof, música latina e canções infantis. Mas posso sim viajar muito em cima disso e fazer a minha reflexão. 

Não tenho conhecimento musical profundo (acredito que nem raso, só gosto de ouvir mesmo), e esse ato de brincar de crítico é para mim muito mais um exercício literário (não que eu seja tão bom nessa linha também). Uma forma de me aproximar de pessoas que de dispuseram a dividir parte do que são comigo. E é engraçado como eu acabo desenvolvendo um carinho imenso por cada uma das listas que recebi.

Tudo isso pra falar de uma das playlists mais difíceis de comentar até o momento. E não pelo conteúdo difuso, que sim é um dos mais variados entre todos os que eu recebi. O que torna a escrita mais difícil é justamente a tentativa de analisar e descobrir contextos. De entender pessoas a partir de recortes e de querer fazer jus a quem deu seu tempo para mim.

E se eu me lembro de um bate papo de muitos anos atrás numa tarde chuvosa no CEPEUSP, também me lembro que circunstâncias fizeram o mundo mudar. Cada um seguiu seu rumo até que sem nem saber como ou porquê, pessoas se reencontram

E se reencontram diferentes, pois viveram histórias diferentes num mundo diferente, passaram por pessoas e situações que moldaram o que cada um é hoje. A ponto de num bate-papo virtual (coisas da pandemia) dois amigos enxergarem nos problemas dos outros antigos problemas seus, situações pelas quais já passou. E ver essa alento no outro, traz de certa forma um alívio, porque no fundo ambos acabam acreditando que é possível passar por tudo isso e seguir adiante, seja lá qual for a sua meta adiante.

Talvez por isso essa playlist faça tanto sentido pra mim e ao mesmo tempo cause tanto incômodo. Talvez por sentir que de alguma forma eu já passei por grande parte dela e ainda tenha tanto a passar ao mesmo tempo. Talvez por ela ser sua e ao mesmo tempo relembrar em mim pontos que eu espero resolver ou que eu já tenho resolvidos e espero que você resolva.

Esse é o problema das confidências. A gente descobre tanto de si ao ler o outro que fica com medo. Afinal, até podemos acreditar que as respostas do outro também devem valer para você. Mas será que é mesmo assim? Infelizmente não. Muitas vezes são apenas um norte e em outras vezes, nem isso.

Talvez seja por isso que não se escute música latina no Brasil. Não como deveríamos, pelo menos. Nem com a obrigatoriedade do idioma espanhol nas escolas passamos a consumir a cultura dos nossos vizinhos. E isso por puro preconceito, ou talvez medo, de olhar para algo que se tem vergonha e reconhecer-se como parte daquilo. Latino americano, sem dinheiro no banco, parece que preferimos fingir ter parentes importantes e de preferência vindo do exterior (se for a Europa). 

Olhar dentro dessa playlist é mesmo buscar por sonhos fora da realidade. É querer um mundo equilibrado entre o popular e o acadêmico, com espaço para todos, é falar com o calor do coração para todos, inclusive chamando nossos vizinhos de América do Sul para bailar conosco.

A Friend is a Friend – Pete Townshend

Amigo é quem se despe dos receitos e te trata como igual, te ajuda e te solicita em equilíbrio

Semanas corridas, falta de tempo, excesso de sono e muito cansaço. Todo mundo passa por períodos assim de tempos em tempos. São períodos onde a gente funciona basicamente no automático.  Sabe que tem que dormir, acordar, comer, tomar banho, trabalhar, enfim uma série de coisas básicas.

Nesses períodos a gente perde a paciência muito mais rapidamente. Algumas pessoas possuem sensibilidade suficiente para perceber que devem respeitar esses momentos nossos de introspecção e ira. Qualquer pessoa com bom senso percebe ao primeiro olhar ou na primeira frase colocada que tem dias que não podemos realizar todos os favores que nos pedem, seja por falta de tempo, falta de ânimo e até falta de vontade. Sim as vezes a gente simplesmente não tem vontade de ajudar alguém, simplesmente porque estamos cansados e precisamos olhar um pouco a nossa própria vida.

Coloco isso pensando em algo que vivi nesses dias. Tem gente que te solicita e antes pergunta como você está, sabe que você não está numa fase legal, sabe que está cansado e te pede favores viáveis que realmente fazem a diferença pra pessoa. Nesses casos, o cansaço até some. Afinal é gente que te respeita e entende que você tem seu tempo, nem sempre estará disponível. Enfim é gente que sabe que existem dois lados em toda história. Gente que assim como te solicita, também se coloca a sua disposição quando você precisa.

Mas nesse meio tempo também surge gente que só vê o próprio umbigo. Só te procura quando precisa de algo. Pra essas pessoas o tempo sempre urge, só seus desejos interessam. Por menores que sejam esses desejos, são vistos como maiores do que qualquer necessidade que não seja de quem faz a solicitação. E tente pedir um favor a uma pessoa como essa. O pedido pode até ser feito, mas a negativa e alguma desculpa sempre virá.

Eu encaro amizade como troca. Não uma troca comercial, mas uma troca respeitosa, onde os dois lados contribuem para o crescimento de ambos. Onde o respeito e a coerência definem os limites. Nunca é uma via de mão única, nunca é uma situação onde não se respeita o momento de cada um.

O verdadeiro amigo é aquele que não afaga, mas que diz o que deve ser dito, o amigo oportunista é aquele que não aceita ouvir que extrapolou e muito menos aceita ouvir um não para qualquer coisa que peça, independente do estado em que se encontra a pessoa a quem solicitou.

Esses oportunistas eu pouco a pouco mando embora, não faço questão de convívio e infelizmente acabam sendo aqueles que mais te procuram. Engraçado como essas pessoas não respeitam o seu momento.

Nesse fim de semana passei por duas situações emblemáticas, recebi um telefonema de alguém que faz parte do rol de amigos, me pediu ajuda, tentei por fone, não consegui, a pessoa acabou resolvendo sozinha e assim que conseguiu fez questão de me avisar, atitude mais do que correta. Por outro lado, outro telefonema, assim que digo que estou ocupado sou obrigado a ouvir besteiras de quem não entende que o mundo não gira ao redor do próprio umbigo.

Você tem alguma história com amigos oportunistas pra contar? Se quiser contar aqui, aproveite e concorra a um livro!!!