Elephant Gun – Beirut

Tem dias em que tudo parece bom e perfeito. São os dias que a gente quer que não terminem nunca. Existem, porém, outros dias. Aqueles que pouco importa o que aconteça não fedem nem cheiram, os tais dias comuns em que a gente mal liga se está alegre ou triste, na verdade nem percebe isso. E infelizmente também existem os dias em que o mau humor impera. Em que tudo o que a gente faz parece incomodar em maior ou menor grau.

São nesses dias de baixa, onde a auto estima some, que a gente se perde e deixa os fantasmas virem a tona. Dias em que se coloca uma música no último volume e a mente voa ao som dos acordes escolhidos. Dias em que a gente só quer que as horas passem. Dias em que a gente fica pensando besteira sobre nossas dores e acha que a dor que sentimos é a pior do mundo, mesmo tendo total consciência de que tem gente passando por coisa realmente pior e que a nossa dor é apenas dor de consciência.

Eu hoje escolhi uma música que estou ouvindo a dias, até falei dela rapidamente com uma amiga ontem. De uma banda que conheci a pouco tempo e com um vocal chorado, tudo a ver com meu dia de auto piedade sem sentido. Escolhi Elephant Gun, porque gosto de ouvi-la e porque a letra tem bastante coisa a ver com o que eu estou pensando/sentindo hoje. A segunda estrofe diz exatamente o que eu quero fazer com meus fantasmas.

“Longe de casa, com armas de caça

Vamos abatê-los um por um

Nós vamos derrubá-los, eles não foram encontrados, eles não estão aqui. ”

Eu queria mesmo poder atirar nas minhas incertezas e em meus medos. Queria poder acertar bem entre os olhos da minha insegurança e descobrir o que me impede de dar um passo adiante. Queria matar minhas fraquezas com a mesma frieza de um caçador diante de presa. Por outro lado, vale a pena também pegar outro trecho da música.

“Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade

Enterraria meus sonhos debaixo da terra

Assim como eu, nós bebemos até morrer, nós bebemos essa noite”

As vezes me sinto velho demais. Um erro besta, pois o que eu temo pode até ser algo velho, mas não eu, de certa forma ainda sou jovem e posso sim mudar o que aparece diante dos meus olhos. Talvez eu precise mesmo fugir dessa cidade fantasma onde me escondi e enterrar nela o que me prende a esse passado. Não enterrar meus sonhos, eles me permitem ficar vivo e eu sei que dependo deles. Também admito que de certa forma eu também seja fruto dos meus medos, mas quando esses medos fazem os frutos apodrecerem nas árvores, impedindo as aves de coletá-los, chega a hora de se desfazer do espantalho emocional colocado no meio do pomar.

Talvez esse tipo de reflexão seja a única coisa boa de um dia de mau humor. Afinal, nos dias bons a gente esquece aquilo que nos incomoda, porque existem coisas que superam essas dores. Nos dias normais, a gente pode até perceber o incomôdo, mas está tão blasé que deixa a vida seguir. Só mesmo o mau humor nos faz reagir.

E é necessário reagir, afinal, enquanto esses fantasmas são pequenos podem ser facilmente derrotados, mas e quando crescem? Ai eles tornam todos os nossos dias ruins. Tudo vira motivo para mau humor. Um sorriso que poderia vir fácil ao nosso rosto vira algo raro e dia a dia passa a ser cada vez mais doloroso e complicado.

Claro que os fantasmas fazem parte da vida de todo mundo. Claro que nunca tudo será perfeito. Mas não custa lutar para que a vida seja a melhor possível. Fugir dos medos é errado, uma hora isso se torna impossível e a gente tem que enfrentar. Se os medos já se tornaram enormes como resolver isso? Onde arrumar uma arma potente para matar o medo? Vamos deixar o medo nos travar? Melhor tentar matar o medo quando um simples bodoque ainda resolve.

E você tem seus medos? Algo que te breque? Algo que parece ser mais forte do que você? Como você passa seus dias de mau humor?