The Price – Twisted Sister

 

 

Nunca pensei que uma pergunta pudesse me fazer parar por tanto tempo. Nunca pensei que algo banal pudesse ter tanto valor a ponto de me deixar dias remoendo atrás de uma resposta que em teoria deveria ser simples. Uma pergunta lida num perfil de rede social, feita de uma forma bem diferente da que li, diga-se de passagem, tomou ares de “teoria de tostines”, onde não se sabe se vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais.

Todos nós passamos por diversas histórias diariamente. As coisas acontecem muitas vezes numa velocidade alucinante. Se em momentos até temos a chance de escolher uma opção, em outros as coisas apenas acontecem e o nosso papel é apenas o de compreender o ocorrido e aceitar. Dentro desse jeito maluco de perceber essas coisas, me fica na cabeça uma dúvida. Não sei se o que importa é o viver a história ou o contar essa história a si mesmo, ao ponto de até acreditar na possibilidade dela.

Confesso que provavelmente tudo isso ficaria escondido. Que provavelmente eu nem me tocasse da profundidade da questão se não observasse coisas que me cercam. Amigos e conhecidos vivendo crises justamente nessa tênue linha. Pessoas que vivem histórias que acreditam ser impossíveis e improváveis e que por isso machucam e muito de um lado. Do outro pessoas que sofrem por entender a história, aceitar e por mais estranha que a história possa parecer, prontas para encarar os riscos e preços de suas ações, mas que não sabem ao certo que caminho fazer para chegarem a essas histórias.

Eu mesmo sempre fui alguém muito mais próximo do contar as histórias do que vivê-las. Em geral o preço cobrado pelas minhas ações é sempre previsível porque já pensei muito naquilo que ocorreu e já me vi disposto a pagar o preço. Conheço pessoas que são o meu extremo oposto. Pessoas que vivem tudo o que a vida aparece. A cada momento encontram uma nova história e que sem saber exatamente o que será cobrado, sofrem muito ao terem que pagar o preço. Alguns não seguram a onda, eu elocubro e busco, mas raramente encontro o caminho para a história que procuro.

Atualmente acompanho um sofrimento particular. Vindo de uma forma inesperada quando observo a pessoa que me serve de modelo para o caso. Alguém que sempre viveu suas histórias e correu sem pensar muito os riscos inerentes a cada ato, agora tenta agir de forma diferente. Ver a forma como alguém que vive tenta contar suas histórias me faz pensar em como eu me sentiria se tentasse viver tudo sem contar os passos antes.

Ambos sofrem. Ambos agem sem saber exatamente o que fazer. Como se fossem programados para ler o mundo de uma única forma e a mudança repentina fosse a causa de um descompasso difícil de ser superado. O que serve apenas para me mostrar que não existe um único modo de se ver as coisas, mas sim que cada um encontra o seu jeito, e se ele funciona já pode ser considerado correto.

Mas voltando para a pessoa que observo. É estranho ver a dor que ela sente ao notar que suas ações tem preço. O custo pode até ser alto, mas pra quem observa com detalhes, como eu faço de fora, posso garantir que nada custará tão caro quanto outras histórias que essa mesma pessoa já viveu sem pensar e pagou o preço que devia ser pago sem chiar. O problema é que o pensar antes no custo, para essa pessoa funcionou como um freio.

Volto a mim e lembro da oficina de Clown, maravilhosa oficina, aliás. Cheguei sem medir exatamente os custos, e na hora não consegui pagar direito o que me foi cobrado. Eu travei, como essa pessoa trava agora. Modos de ação diferentes, resultados similares em cima de alterações nossas.

Não é afirmar que não possamos mudar. Afinal a gente muda todo dia a todo tempo. O que me parece claro é que não dá pra mudar sem se saber exatamente o porquê e nem de forma radical sem que a cabeça realmente queira agir de um modo diferente. Acelerar demais processos (meu caso) ou atrasá-los por receio e dúvidas (no que observo) tendem a não ser boas opções se você não se sente preparado para agir dessa forma.

Percebo isso porque se hoje eu fui muito feliz por agir sabendo exatamente o preço que me seria cobrado (e que pago com gosto). Ouvir de alguém ao fone que saber que as coisas tem um preço torna tudo mais difícil me fez sentir-se menos covarde por recuar algumas vezes ante a um ato inesperado. No fundo o que nos resta apenas é pagar as nossas contas com a vida. Sabendo o preço ou não pouco importa. De toda forma seremos cobrados é só encontrar o melhor jeito para si de receber a conta.