One More Kiss, Dear – Vangelis

Hoje eu peço que você deixa a música tocando enquanto lê o post. Na verdade eu sempre achei que essa era a melhor forma de acompanhar meus textos aqui no blog, mas hoje o texto realmente pede trilha.

Em 1982, um dos melhores filmes que já vi chegou ao cinema. Blade Runner – O caçador de andróides. Um filme de ficção meio policial noir. Cores escuras mostravam um futuro sombrio e triste, onde ao som de uma bela trilha sonora composta por Vangelis em cima de pequenos temas de Jazz se constrói uma história rica e contagiante.

Andróides mais fortes e tão inteligentes quanto os humanos são criados para trabalho escravo em lugares perigosos. Eles se revoltam e são mortos por policiais chamados Blade Runners. Podia entrar em detalhes em cima do que o filme discute. E até confesso que isso daria um texto bem interessante. Mas vale a pena falar hoje de algo mais próximo e pessoal, menos geral.

Apesar da correria dos últimos dias, da febre que teima em não sumir e da quantidade imensa de coisas que tenho para fazer. Consegui arrumar tempo para duas conversas mais do que agradáveis, necessárias. Uma delas na noite de sexta num ótimo restaurante japonês em Cotia (eu nem sabia que isso existia por aqui).  Conversa e companhia agradáveis, papos profundos, literatura, vida, relacionamentos. Um pouco de tudo em pauta. E a máxima acaba sendo quase sempre a mesma. O que esperam de nós? Porque quando fazemos algo inesperado ou fora do script da maioria acabamos isolados?  Somos taxados muitas vezes por seguir uma lógica simples e bem menos ritualística do que a grande maioria. Apenas somos quem realmente somos.

Corte para o domingo, preso em casa pela febre, muita coisa pra fazer e de repente uma mensagem no sms. Direto da Alemanha mais uma conversa daquelas definitivas. Trabalho, sonhos, vida, caminhos. E o assunto de forma similar reaparece. É difícil ser a gente mesmo. Quando a gente faz qualquer coisa inesperada ou tenta viver a própria vida acaba sempre sendo julgado e caçado por isso. E nem estou falando em temas polêmicos, até porque me parece que ser polêmico é o que se espera de todo mundo hoje.

Depois dessas conversas é que me vi meio como um replicante (nome dos andróides do filme). Na verdade pensei no grupo que é caçado pelo Harrison Ford simplesmente porque deseja uma forma de viver mais. Apenas isso viver mais. Justamente tudo o que qualquer pessoa quer. O direito a viver a sua própria vida sem incomodar a vida de qualquer outra pessoa.

Ser julgado por usar drogas, beber demais, cometer crimes sociais e morais eu acho aceitável pois no fundo se está quebrando alguma regra existente. Quando se quebra uma regra, deve-se aceitar as conseqüências disso e assumir os riscos dos seus atos. Mas e ser perseguido e isolado apenas por conseguir ser independente? Por conseguir resolver os seus problemas básicos sozinho?

A independência relativa é necessária nos dias atuais. Não consigo aceitar ver mulheres totalmente dependentes dos maridos para tudo. Mulheres que dependem de um sim do parceiro para comprar uma agulha na venda da esquina. Assim como também não vejo com bons olhos homens que exercem domínio psicológico, social ou econômico sobre suas companheiras, chegamos ao século XXI a um bom tempo já.  Me assusta ver que assumir uma postura como essa ainda afasta pessoas e que uma mulher é chamada de machona só porque faz questão de ela própria resolver seus problemas básicos. Como se homem nunca pedisse ajuda pra nada.

Outra história dessa polícia comportamental é a obrigação de sermos amigos de todos o tempo todo. A necessidade de sorrirmos e batermos papo com gente que nem entendem direito o que a gente fala. Pior ainda é ter que ouvir que somos esnobes por não gostar de A ou B já que a maioria gosta.

Coisas como essas nos isolam e nos deixam como os replicantes, igualzinho aos humanos mas renegados e caçados. Vistos como diferentes a serem abatidos de qualquer forma. Deslocados socialmente em busca de um espaço que nem deveria ser conquistado. Afinal esse espaço existe desde sempre.

Isso incomoda, como o filme incomoda quando visto com os olhos de quem quer pensar sobre. Como de certa forma incomodou-me descobrir coisas nessas agradáveis conversas. Mas sem o incômodo, quem sairia do lugar? Impossível crescer acomodado. O problema é que o mundo todo é acomodado e quem não é, é visto como replicante. Nessa eu só posso desejar um beijo mais querida e aguardar os Blade Runners encontrarem a porta da minha casa enquanto busco um modo de simplesmente poder VIVER mais e a vontade.

Elephant Gun – Beirut

Tem dias em que tudo parece bom e perfeito. São os dias que a gente quer que não terminem nunca. Existem, porém, outros dias. Aqueles que pouco importa o que aconteça não fedem nem cheiram, os tais dias comuns em que a gente mal liga se está alegre ou triste, na verdade nem percebe isso. E infelizmente também existem os dias em que o mau humor impera. Em que tudo o que a gente faz parece incomodar em maior ou menor grau.

São nesses dias de baixa, onde a auto estima some, que a gente se perde e deixa os fantasmas virem a tona. Dias em que se coloca uma música no último volume e a mente voa ao som dos acordes escolhidos. Dias em que a gente só quer que as horas passem. Dias em que a gente fica pensando besteira sobre nossas dores e acha que a dor que sentimos é a pior do mundo, mesmo tendo total consciência de que tem gente passando por coisa realmente pior e que a nossa dor é apenas dor de consciência.

Eu hoje escolhi uma música que estou ouvindo a dias, até falei dela rapidamente com uma amiga ontem. De uma banda que conheci a pouco tempo e com um vocal chorado, tudo a ver com meu dia de auto piedade sem sentido. Escolhi Elephant Gun, porque gosto de ouvi-la e porque a letra tem bastante coisa a ver com o que eu estou pensando/sentindo hoje. A segunda estrofe diz exatamente o que eu quero fazer com meus fantasmas.

“Longe de casa, com armas de caça

Vamos abatê-los um por um

Nós vamos derrubá-los, eles não foram encontrados, eles não estão aqui. ”

Eu queria mesmo poder atirar nas minhas incertezas e em meus medos. Queria poder acertar bem entre os olhos da minha insegurança e descobrir o que me impede de dar um passo adiante. Queria matar minhas fraquezas com a mesma frieza de um caçador diante de presa. Por outro lado, vale a pena também pegar outro trecho da música.

“Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade

Enterraria meus sonhos debaixo da terra

Assim como eu, nós bebemos até morrer, nós bebemos essa noite”

As vezes me sinto velho demais. Um erro besta, pois o que eu temo pode até ser algo velho, mas não eu, de certa forma ainda sou jovem e posso sim mudar o que aparece diante dos meus olhos. Talvez eu precise mesmo fugir dessa cidade fantasma onde me escondi e enterrar nela o que me prende a esse passado. Não enterrar meus sonhos, eles me permitem ficar vivo e eu sei que dependo deles. Também admito que de certa forma eu também seja fruto dos meus medos, mas quando esses medos fazem os frutos apodrecerem nas árvores, impedindo as aves de coletá-los, chega a hora de se desfazer do espantalho emocional colocado no meio do pomar.

Talvez esse tipo de reflexão seja a única coisa boa de um dia de mau humor. Afinal, nos dias bons a gente esquece aquilo que nos incomoda, porque existem coisas que superam essas dores. Nos dias normais, a gente pode até perceber o incomôdo, mas está tão blasé que deixa a vida seguir. Só mesmo o mau humor nos faz reagir.

E é necessário reagir, afinal, enquanto esses fantasmas são pequenos podem ser facilmente derrotados, mas e quando crescem? Ai eles tornam todos os nossos dias ruins. Tudo vira motivo para mau humor. Um sorriso que poderia vir fácil ao nosso rosto vira algo raro e dia a dia passa a ser cada vez mais doloroso e complicado.

Claro que os fantasmas fazem parte da vida de todo mundo. Claro que nunca tudo será perfeito. Mas não custa lutar para que a vida seja a melhor possível. Fugir dos medos é errado, uma hora isso se torna impossível e a gente tem que enfrentar. Se os medos já se tornaram enormes como resolver isso? Onde arrumar uma arma potente para matar o medo? Vamos deixar o medo nos travar? Melhor tentar matar o medo quando um simples bodoque ainda resolve.

E você tem seus medos? Algo que te breque? Algo que parece ser mais forte do que você? Como você passa seus dias de mau humor?

Ghostbusters – Ray Parker Jr.

Dia das Bruxas, hora de exorcizar fantasmas. Ontem eu fui numa dessas festas de halloween, nem vou entrar no stress da discussão sobre comemorar o Saci, o Halloween ou ter um Papai Noel de bermuda no Natal. Afinal tecnicamente eu não comemoro nenhuma das 3 coisas. Para mim dia das bruxas, Jesus, Papai Noel, Saci, boitatá ou qualquer outra coisa similar não existe. Isso entretanto não me faz odiar quem acredita neles ou mesmo fugir das comemorações feitas. Vale a festa, seja qual for o motivo.

Mas deixa isso mais pra frente, hoje quero falar dos nossos fantasmas interiores. Como disse ontem fui numa festa de Halloween na casa de uma contadora de histórias. Imaginem a produção do evento. Luz negra, máscaras, um pequeno cemitério montado no jardim, sonorização de filmes de terror. Tudo para gerar um clima de acordo com o tema da festa. Todo mundo fantasiado. Padre Voador, Jason, Freddie Krugger, bruxas, Chuck e claro para destoar um jogador de futebol (eu fui de ex-jogador em atividade, fantasiado de Ronaldo nos tempos de Corinthians, algo que tem tudo a ver com meu físico atual).

Boa música, boa comida (cada um levou alguma coisa, bem legal isso), gente animada, bonita e divertida. Papos descontraídos, sérios, amenidades, seriedades, enfim, um ambiente alegre numa festa divertida. Apesar de tudo isso, confesso que a festa me fez pensar. Até por ouvir uma frase algumas vezes durante a festa. “Eu faço tudo certo direto, hoje tenho direito de relaxar”.

Todos temos o direito de aproveitar da melhor maneira possível as nossas vidas. Sem sentir culpa alguma por sermos ou estarmos felizes. Todos temos direito a sermos quem somos sempre. Todos podemos aproveitar cada momento de nossa existência. Infelizmente quase nunca isso ocorre da forma como deveria.

Afinal temos fantasmas para todas as nossas ações. Demônios invisíveis que sem saber porque criamos e alimentamos sempre. Sentimentos que nos impedem de simplesmente sermos felizes, sermos quem somos, viver o que queremos. Exorcizar esses fantasmas é necessário sempre. Exorcizar nossos medos para que uma verdadeira liberdade surja. No fundo é o que eu pensei nesse dia das bruxas, naquela decoração bonita e divertida. O objetivo daquilo tudo foi  esse. Livrar-me dos medos e me fazer um pouco mais livre.

Nessa linha, me lembrei do filme que vi em minha infância. Onde os 4 caça-fantasmas saim a procura dos seres ectoplásmicos com suas armas malucas. Enfrentando coisas estranhas como o boneco gigante de Marshmallow ou poltergeists que faziam tudo voar pelos ares. Engraçado pensar que segundo a idéia do filme, a gente poderia pagar alguém para combater os nossos demônios, alguém que fizesse o trabalho sujo pela gente.

Eu discordo totalmente disso (apesar de adorar o filme). Quando se vai a um psicólogo, ele não nos cura sozinho, na verdade nos dá o caminho para que a gente encontre a própria cura. Quando a cura se dá pela fé, é preciso que a pessoa realmente acredite naquilo. É preciso vontade para que algo ocorra, é um algo que não se compara a passividade de simplesmente se contratar alguém que elimine seus fantasmas.

Você tem fantasmas? Quer falar sobre eles? O que seria capaz de fazer pra se livrar deles?

Não Existe Amor em SP – Criolo

 

Raras vezes eu começo um texto tendo apenas a música como tema para o que eu quero expressar. Em geral a busca nasce do oposto. Sempre tem algo que eu quero dizer e de repente vem uma música que me ajuda a pensar um pouco sobre o tema.

Acontece que essa música está marcando tempo em meus ouvidos. Ouvi outro dia por indicação de uma amiga e depois acabou tocando no rádio algumas vezes. Justo eu que nunca fui fã de rap e hip hop me senti realmente encantado por uma música. Fui até atrás de outras produções do artista e sou obrigado a admitir, o som que ele produz ganhou mais um ouvinte.

Não existe amor em SP é a música em questão. Um rap do Criolo, músico paulistano de muita qualidade que eu confesso, desconhecia até poucos dias atrás. A música fala de uma cidade fria, como muitas vezes São Paulo parece ser. É uma sensação similar a que eu tenho quando ando pela cidade de forma despreocupada.

Para mim Sampa sempre me passa a idéia de solidão, de medo, de fobia. Por mais bela e colorida que ela possa estar, eu sempre tenho essa mesma sensação. São Paulo é uma cidade que amedronta. É incrível como em Sampa podemos achar de tudo, viver qualquer experiência e mesmo assim sobre nós paira uma aura estranha de austeridade acima da média.

Sampa para mim parece ser a cidade do fazer, não a do viver. Parece ser a cidade do estar e não a do ser. Sinto em Sampa a pressa exagerada a todo instante. Sempre todos passam correndo diante dos nossos olhos. Tudo deve ser feito com urgência, até as sensações me parecem urgentes por aqui. Isso acaba tornando tudo mais frio e de certa forma mais próximo da música do Criolo.

Lembro-me de uma conversa com amigos a algum tempo. Fomos a Atibaia fotografar o pessoal que salta de asa delta e parapente lá na Pedra Grande. Lugar lindo, próximo a capital e rápido pra chegar. Após as fotos, fomos a um barzinho da cidade. Espetos, algo bem comum em Sampa, saborosos, rápidos para fazer e a preço convidativo.  Fizemos os pedidos, fomos tomando as bebidas enquanto esperávamos a chegada dos espetos.

Eis que surge a surpresa, depois de 15 minutos, quando esperávamos já a chegada do pedido, vem o garçom dizer que não poderia nos atender, pois alguns sabores estavam esgotados. Engraçado como nós, paulistanos ficamos estressados e os atibaienses simplesmente se preocuparam em escolher novos sabores. A gente se preocupou com o tempo do atendimento, sem se tocar que tínhamos ali todo o tempo do mundo. E apesar da demora, os atendentes eram realmente simpáticos e a comida era muito boa.

É a pressa típica da cidade, mesmo quando o tempo não é uma variável, acabamos por trazê-lo ao nosso meio. Depois que percebemos isso, na verdade uma amiga que mora em Atibaia perguntou porque a gente se irritou, tudo virou motivo de piada. Mas se trouxermos isso para fora da situação, perceberemos que não temos mesmo paciência.

Não costumamos ter a paciência necessária para apreciar aquilo que a própria cidade nos oferece. A pressa nos impede de viver melhor com nossos vizinhos, amigos, colegas, etc. Tudo é feito as pressas e a cidade assim se torna sem amor. Mas a falta de amor não é culpa de Sampa. É culpa da gente que fez isso com ela. Da gente que criou um monumento a pressa composto de prédios cinza, concreto, fumaça e filas desesperadas onde todos querem tudo ao mesmo tempo, muitas vezes sem saber porquê.

Eu vejo a pressa como a principal vilã. É ela que transformar a cidade naquilo que eu e o Criolo vemos. Uma cidade onde as relações acabam sendo frias, onde tudo ganha tons cinza e um ar desesperado.

Quando a gente se dá conta disso e desacelera, nem que seja só um pouquinho, passa a ver a cidade de outra forma, passa a encontrar vida nas pessoas e sonhos nos olhares. Passa a ver cores nos prédios acinzentados e delicadeza nos passos apressados. Basta desacelerar para que o amor volte a pulsa em Sampa, mas é preciso querer isso. Você consegue desacelerar? Você consegue ver a beleza de Sampa, ou de sua cidade? Qual a sua maior pressa?

O Segundo Sol – Cássia Eller

 

 

Hoje de manhã fuçava no facebook e vi uma das atualizações da revista Galileu. Ela falava de uma descoberta interessante, um planeta distante que orbita duas estrelas. Além da clara referência a essa música (que confesso ter feito imediatamente. A outra grande referência a isso é o filme Guerra nas Estrelas, citada em todas as reportagens que li. Afinal, a família Skywalker vem de um planeta chamado Tatooine, que orbita um sistema binário como o desse novo planeta, formado por uma estrela amarela e uma vermelha.

Não vou entrar na piração científica aqui. É um assunto que eu adoro, mas sei que não é o forte desse meu blog. Talvez até seja o momento de abrir também um espaço para isso, quem sabe mais pra frente quando conseguir organizar melhor meu tempo. Porém, algo interessante surge dessa notícia. Na verdade dois pontos me chamaram a atenção. O primeiro é que muitas vezes a gente passa a vida toda acreditando que algo é de um jeito e de repente todas as nossas convicções vão por terra, sem nem pedir licença. A segunda tem a ver com o fato de que as vezes sonhamos coisas que achamos impossíveis e de repente elas acontecem como imaginamos.

Hoje fico restrito ao primeiro tema, semana que vem falo do segundo. Não que eu achasse impossível existir um planeta como esse encontrado. Na verdade achava até viável, mas conheço muita gente que nem acredita que o homem foi a lua e por mais argumentos que tenha a seu dispor, só vai acreditar se for numa viagem até lá.  Não os culpo, até porque eu sou semelhante a essas pessoas em algumas coisas. Preciso muitas vezes de provas consistentes para acreditar em algo.

E eu confesso que gosto de ver esses meus paradigmas quebrados, gosto da idéia de ser obrigado a recomeçar um pensamento que já não tem validade devido a novas informações. Não que eu goste do erro, confesso que detesto errar. Mas também não me importo em mudar de rumo, muitas vezes somos obrigados a mudanças e geralmente elas nos tornam mais fortes.

As vezes tudo ocorre de maneira veloz e rápida, quase traumática e a gente nunca esquece que mudou, sempre lembra o que aconteceu. Muitas vezes, porém, as mudanças acontecem de forma bastante lenta e demorada, como se a prisão da certeza fosse pouco a pouco sendo enferrujada até que a fechadura se quebra. Ou melhor, como se a cada instante a cela fosse ampliada, e de repente deixa-se de existir sem que a gente percebe-se que algo mudou.

Escrevo isso não só pela notícia, ou pela música, que aliás de certa forma trata do tema. Mas porque percebo que mudei alguns conceitos. Percebo que passei a acreditar em coisas diferentes e principalmente fui convencido de que algumas verdades que eu tinha como gerais, na verdade não passavam de verdades relativas, como qualquer outra e que só tinham validade porque me eram úteis por um período da minha vida. Agora mudo de paradigmas, mudo de linha de pensamento para poder seguir mais adiante.

A maior sacada da notícia é mostrar que não existem verdades absolutas, tudo depende do ponto de vista e principalmente o quanto você caminha vai depender daquilo que você acredita. No fundo é a sua verdade que te prende. Enquanto você consegue caminhar, vale a pena seguir uma verdade. Quando percebe que estagnou, está na hora de repensar o que é certo. Se um dogma te impede de seguir adiante, talvez seja o momento de rever o dogma, ou pelo menos entender de que forma ele te barra.

Se alguém me perguntar o que eu quero dizer com o ir adiante. Bom eu chamo o ir adiante de buscar seus sonhos, crescer o que quanto se quer na tentativa de ser feliz. Eu mudei, percebi que o que eu imaginava ser um cometa que me visitava muito raramente talvez possa ser outra coisa.

Percebi já a algum tempo que a estrela que eu orbitava não era uma estrelas, estrelas  emitem luz e a têm dentro de si. Eu orbitei ao redor de um falso astro que parece nunca teve luz própria, era um satélite que refletia a luz que lhe tocava, agora nem isso faz mais. Aponto a nave pra outro ponto do universo e tento descobrir exatamente onde devo orbitar.

Você já mudou de paradigma radicalmente ou de forma gradual? Quer contar a história?

You and Whose Army – Radiohead

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pHdPtlIeJYQ&w=480&h=390]

Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 

21st Century Schizoid Man – King Crimson

Infelizmente nós nos escondemos ao invés de assumir que erramos

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=g8Yo3FJDrbc&fs=1&hl=pt_BR]

Já fazia um tempo que eu não passava por aqui. Uma série de pequenos problemas me fez sumir do blog por esse tempo. Um misto de ressaca causada por problemas de saúde do meu pai, excesso de trabalho e até das eleições (que ainda terão segundo turno para presidente). Enfim,  tudo passou, ou talvez seja melhor dizer está passando, as coisas seguem seu caminho e novos problemas e novas alegrias surgem.

O que me fez vir aqui escrever depois de todo esse tempo foi um fato corriqueiro. Hoje fiz um passeio rápido no parque CEMUCAM, parque da prefeitura de São Paulo, situado já no município de Cotia. O parque é bonito, cheio de verde, com ciclovia, espaço para corridas e tudo mais. Até espaço pra camping tem, mas devido a falhas na segurança, ai está algo que eu não recomendo.

Bom, estava eu no parque, andando quando de repente um golden retriever salta nas minhas costas do nada. Os donos do animal se desculparam? Claro que não, chamaram o animal de volta, entregaram de novo a guia para uma criança e passaram por mim como se nada tivesse acontecido. Fiquei pasmo, o mínimo a se fazer era pedir desculpas e perguntar se eu estava bem, o animal tinha focinheira, mas é um animal grande e se eu não fosse também grande provavelmente teria me machucado, sorte que minha câmera fotográfica não quebrou, apenas uma camiseta rasgada nas costas pelo animal.

E assim vivemos nesses dias. Cada vez mais na defensiva em todos os aspectos. Fugindo de responsabilidades básicas. A culpa é do cachorro que saiu correndo e não do responsável pelo animal. A culpa de se eleger um Tiririca da vida é dos políticos que não fazem por merecer os votos e não de quem votou nele. A culpa pelo feijão ter queimado é da panela e não de quem cozinha. Enfim a culpa é sempre do outro, nunca minha.

Tento aqui exorcizar alguns de meus erros, assumir algumas de minhas culpas, talvez não consiga assumir todas, mas deveria, todos deveríamos fazer isso, até como forma de tentar melhorar como ser humano e melhorar esse mundo em que vivemos.

Eu voltei pra casa ouvindo uma música do King Krinsom que achei que tinha tudo a ver com o que eu queria dizer nesse posto. 21st Century Schizoid Man é uma daquelas músicas em que a letra não diz absolutamente nada. Várias músicas encaixam-se nesse perfil, isso é importante ser ressaltado. Porém, nessa música, a viagem toda acaba fazendo algum sentido, mesmo que raso.

Escrita em 1969, a música fala de problemas que assolavam o período em que foi escrita, mas 40 anos depois e no século seguinte, pode-se dizer que o tal homem esquizóide vive os mesmos problemas do homem do século passado. Mulheres inocentes violadas, crianças esfomeadas, a mesma paranóia de sempre. O descaso social que existia naquele período ainda é encontrado, talvez com diferenças, mas ainda com bastante força.

Temos que mudar nossa linha de ação e fazer algo para que no próximo século, os próximos homens esquizóides não vivam aquilo que vivemos hoje, o descaso com tudo, inclusive com a nossa própria culpa. Temos que ter a coragem de assumir os nossos erros, sem isso que capacidade temos de apontar os erros dos outros? Eu fiz isso com o cão, mas será que agi certo apontando o erro deles e não pensando nos meus?