Superperfeitos?

Não bastava ao herói voar, ser forte e resolver os problemas, ele tinha que ser perfeito.

Dando continuidade a linha de pensamento do último post, agora quero dar um pequeno passo adiante. Se discuti o fato de que temos dificuldade em definir certezas e verdades, hoje tento brincar com outra idéia a da mudança do modelo de perfeição social vista a partir dos super heróis.

Já disse antes que gosto muito de ler histórias em quadrinhos. Ainda hoje, já passado dos 30, gasto parte do meu salário comprando revistas como Batman e Liga da Justiça.  E como em quase tudo que me chama a atenção, sempre gosto de entender a origem das coisas, como elas surgiram e como mudaram. A partir deste ponto, acabo começando minhas viagens mentais, que agora derramo aqui no blog.

Pois bem, depois desse início quase enrolador, acredito que valha a pena dizer o que estou querendo. Não vou partir para o começo das histórias em quadrinhos e nem mesmo para o início das histórias de super heróis. Vou até o período da segunda guerra, naquele tempo tinhamos como personagens, superman, capitão america, batman e outros. Algo que se destacava em todos eles era a forte dualidade entre bem e mal. No caso do capitão américa desse período, o inimigo era o regime nazista e Hitler a figura a ser derrotada.  A idéia era simples, todas as virtudes estavam do lado americano e todos os defeitos nos vilões nazistas.

No caso so superman, a idéia era a mesma, o personagem kriptoniano possuia todas as qualidades possíveis e seus bandidos eram a encarnação de tudo que era mal. A humanidade também de certa forma era reverenciada como qualidade, visto que vários de seus inimigos como brainiac e a primeira versão de lex luthor eram ou fruto ou ligados a alta tecnologia, sem traços marcantes de humanidade.

Batman passou por situação parecida, quando criado, o jovem queria apenas vingar a morte de seus pais com justiça, seus inimigos eram quase cômicos, talvez tenha surgido em sua séria o primeiro caso de dualidade a ser observado. A mulher-gato, bandida com uma relação dúbia com o homem-morcego.

Isso’, é claro, no período clássico das histórias em quadrinhos, nesse tempo, e na sociedade provavelmente, herói era visto como herói. Não tinha essa coisa de você ser um herói e cometer falhas de caráter, qualquer falha levaria o herói a perder toda a sua credibilidade.

Ai o tempo passou, anos 80, 90, atual década e muita coisa aconteceu. O capitão américa continuou sendo o cara mais bonzinho do universo até ser morto e em seu lugar, um antigo parceiro assumiu seu uniforme. Agora o novo capitão usa até revólver. O superman continua o mesmo escoteiro de sempre (aliás escoteiro é uma expressão que aparece nas suas histórias), mas acaba sempre sendo de certa forma zombado por ser certinho demais sempre. Batman é quase o primeiro dos grandes anti-heróis. Passa por períodos mais violentos sempre, tem demônios internos e comete erros como todo mundo. Aliás essa mudança é que alavancou as vendas da revista.

Wolverine, um dos personagens mais populares da atualidade (filme em cartaz nos cinemas) é o próprio anti-herói, bebe, fuma, fala palavrão, faz uma série de coisas, mas naquilo que ele é bom, continua sendo ótimo, ele resolve o problema.

Esse gosto por heróis de comportamento questionável é que se torna interessante. Na ficção passamos a aceitar que os ídolos não precisam ser perfeitos, até talvez seja essa imperfeição dos perfeitos o que aproxima os homens dos personagens. Você não espera que o Wolverine pare de fumar, mas ele tem que continuar detonando os bandidos (que podem até ser bandidos, mas que hoje possuem requintes de humanidade como cuidar da mãe doente).

Hoje o mundo virou e já se aceitam heróis tão imperfeitos como nós, mas só na ficção
Hoje o mundo virou e já se aceitam heróis tão imperfeitos como nós, mas só na ficção

Destes heróis dúbios, o primeiro que me vem a cabeça é Han Solo, da série Guerra nas Estrelas. Tudo bem que Luke Skywalker era o jedi, o todo poderoso e tal, mas quem fez sucesso com a mulherada foi o personagem de Harrison Ford, que talvez seja até o mais popular do filme.

Aceitamos isso facilmente no mundo ficcional, mas porque não no mundo real? Voltando ao post anterior, não conseguimos aceitar pequenas falhas das pessoas que nos cercam. Mesmo que essas falhas sejam realmente pequenas e que essas pessoas sejam muito importantes para nós.

No próximo post eu termino essa linha de raciocínio quando falar dos nossos heróis de carne e osso, da relação que costumamos ter com eles e do que exigimos deles. Acho muito estranha essa relação de busca de perfeição idealizada.

O certo e o errado

minha avó até hoje não entende que eu não curta entrar numa igreja
minha avó até hoje não entende que eu não curta entrar numa igreja

Modelos de certo e errado fazem parte da nossa formação desde o primeiro choro. Essa definição é bastante sutil e em alguns casos difícil de definir. Até porque a verdade de cada um é variável. Cada pessoa acredita agir da maneira mais correta segundo seus preceitos e crê piamente na sua linha como a mais correta para toda a humanidade. Provavelmente essas diferenças de pensamento são o principal motivo pra maioria das brigas que encontramos por ai. Certamente os dois lados de uma guerra acreditam que a sua luta é justa.

Essa diferença de valores, entretanto, é sutil demais pra ser definida claramente. E ai as leis se fazem necessárias. Em alguns casos leis mais simples, em outras leis complexas com interpretação mais difícil ainda. E isso não vale só para as nações, também se enxergam problemas no relacionamento diário que temos com as pessoas. Algumas pessoas podem achar normal cumprimentar todo mundo com beijos e abraços de manhã, outras pessoas simplesmente sentem ojeriza do toque alheio. Basta isso para que as famas de pegajoso e anti-social sejam imediatamente criadas no ambiente de convívio.

Até porque temos uma dificuldade imensa de aceitar o diferente e principalmente de aceitar a diferença naquilo que temos como básico no nosso comportamento. Minha avó até hoje estranha o fato de que eu me recuso a assistir uma missa ou mesmo que eu coma carne normalmente numa sexta-feira santa. Eu tenho dificuldade em aceitar também algumas coisas, mesmo racionalmente sabendo que é escolha da pessoa e que cada um tem seus motivos pra agir como age, sempre existem coisas que me incomodam.

E muitas vezes é difícil conviver com esse diferente, não é possível simplesmente se afastar da pessoa, as vezes ela acaba se tornando mais próxima do que você gostaria. É o chefe que você acha imbecil, é o amigo que não sabe guardar segredos ou a namorada que demora duas horas pra definir a roupa que vai usar e depois decide passar a noite em casa.

Enquanto isso, o seu chefe aguenta os erros no seu relatório, seu amigo suporta seu mau humor quando o seu time perde e a sua namorada suporta o seu gosto duvidoso para os restaurantes (é sempre o mesmo e sempre o mesmo prato). E no fundo achamos isso normal, buscamos os erros dos outros e não observamos os nossos.

eu acho a moda fútil, mas tenho amigos que adoram
eu acho a moda fútil, mas tenho amigos que adoram

Pode até parecer mea culpa em relação aos últimos dois posts, mas não é. É apenas um assunto que eu gostaria de tratar aqui e que trará nova discussão. Quando, no próximo post, eu discorrer sobre a falta de heróis no nosso povo. Só quis abrir a linha de pensamento falando um pouco sobre como é duro perceber que aquilo que me agrada incomoda terrivelmente o outro.

Inspiração para escrever isto? Ser síndico no condomínio onde moro. Acho que esse tipo de convivência mostra claramente como não sabemos respeitar as diferenças e acreditamos que a única verdade realmente válida é a nossa. Infelizmente muita gente pensa assim. E como professor, percebo que infelizmente muitos jovens hoje são criados a pensar assim, o que vale é a sua verdade e não a do outro.

Vamos brincar um pouco, que tal me contar algo que te irrita profundamente no comportamento das pessoas. Eu começo dizendo que a falta de clareza, a preguiça e o descaso de algumas pessoas me irrita muito, e você?

Free as a bird…

Será que somos livres como pássaros?
Será que somos livres como pássaros?

Vinha pra casa, voltando da casa dos meus pais. Dia das mães, dia de reunir a família, como Natal, dia dos pais e outras datas. Corrida pra comprar um presentinho agradável (esse ano a conta bancária não permitiu, foi mal dona Nair), filas em shopping center, almoçar fora, um churrasco, essas coisas todas.

Enfim, voltava pra casa dirigindo, no intervalo do jogo (meu time perdeu, fazer o que?) mudei de estação e os versos da música que dá título ao post começaram a ecoar. Fiquei pensando, eu sou livre. Sou livre como qualquer pássaro. Era ao menos isso o que vinha na minha mente naquele momento.

Mas a música acabou, voltei ao jogo, confesso que estava tão morno que mal prestava atenção no que o radialista dizia. Comecei a pensar de novo na música, na tal liberdade dos pássaros. E vi que não sou tão livre, até já falei um pouco disso no post que inaugurou este blog, mas me deu vontade de retomar o assunto, questionar um pouco essa liberdade.

Vejam, eu moro sozinho, posso fazer o que quiser, não tenho horários muito rígidos e sou o dono de minha vida. Essa frase poderia ser meu mote, ou o mote de milhares de pessoas. Mas um olhar mais próximo trás outras verdades. O que me faz preocupar-me com o dia das mães? Dia dos pais? Natal (e eu nem acredito em deus, imagina em jesus)? Mas essas datas acabam mexendo comigo. Penso nos presentes deles e me policio pra visitá-los. Com a sexta-feira santa é mais ridículo ainda. Por que um ateu vai se preocupar em comer ou não carne nesse dia? Confesso que só me livrei desse dogma a muito pouco tempo, passando a comer o que está disponível, independente da origem do alimento.

Será que eu tenho a liberdade de escolher mesmo o que vou comer? E esse beija-flor?
Será que eu tenho a liberdade de escolher mesmo o que vou comer? E esse beija-flor?

Se viver assim é ser livre, nem imagino o que seja viver preso a algo. É claro que algumas convenções são úteis na vida social, mas e as que não são? Me lembrei do filme Homem Bicentenário, onde o robô vivido pelo Robin Williams queria se tornar humano. O filme é muito interessante, mas dói pensar que no fundo a única conquista realmente humana do robô foi a morte.

Extrapolando isso para o que vinha falando, eu não sou realmente livre, de certa forma sou um autômato que se acha livre, porque tenho hora pra cumprir, como o que é socialmente aceito, minhas roupas também fazem parte dessa identificação. As escolhas realmente livres acabam sendo poucas, como a pessoa amada. Mas mesmo assim, o amor parece parte dessa programação, caso contrário a forma como isso ocorre não seria tão parecida para todo mundo.

Se analisarmos friamente as pessoas, vemos desejos parecidos, parecemos pacotes programados, com desejos pré-definidos, habilidades vindas de fábrica e que usam a escola para aprender a se relacionar com outras pessoas robôs também programadas. E o mais engraçado é que esse programa ainda traz dentro de si a pretensa sensação de ser livre para fazer as escolhas que queremos, mesmo que estas sejam sempre óbvias e previsíveis.

Não somos livres como pássaros, mas livres como robôs (FREE AS A ROBOT)…

Torcida

Garoto que deve sonha em um dia defender as cores do seu time do coração
Garoto que deve sonhar em um dia defender as cores do seu time do coração

Hoje teve a final de vários campeonatos estaduais, dos principais, São Paulo (Timão Campeão, eu estou comemorando aqui com a camisa do time), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e por ai vai. No Rio Grande do Sul o Inter já tinha definido a fatura. Parabéns aos vencedores, que os vencidos levem a derrota na final numa boa.

Não vim aqui hoje falar de futebol, ou melhor não do esporte futebol, da ação que acontece dentro das quatro linhas. Hoje a idéia é outra. Quero falar do ato de torcer. Um ato estranho que nos leva a fazer coisas absurdas. Muito absurdas se formos analisar friamente.

Eu não saberia dizer o que me leva a ser corinthiano, sei apenas que é o time que mais mexe comigo, assim como pra outras pessoas o time que mais mexe é outro. Sei de minhas lembranças mais antigas do futebol. Lembro do time da Democracia e jogadores como Sócrates, Zenon e Casagrande. Também lembro com força da seleção brasileira de 82, eu chorei no terceiro gol da Itália.

A torcida acaba sendo sempre irracional, quero que meu time vença, quero poder sair com a camisa pelas ruas e tirar sarro dos amigos que torcem pra outros times. Quero isso sem saber o motivo. Alguém sabe o que o leva a torcer pelo seu time?

Quantos não torceram pelo Robert Scheidt nos jogos, mesmo sem saber as regras da vela?
Quantos não torceram pelo Robert Scheidt nos jogos, mesmo sem saber as regras da vela?

Se a torcida já é irracional no futebol, imagine em outras áreas da vida? Em programas de TV com calouros, ou diversos candidatos, sempre um é escolhido e se torce por alguém que você sabe que nunca vai ver, ouvir, ou encontrar de maneira próxima. Um herói pontual é escolhido por quem assiste o programa, que o diga os BBBs da vida. Ao ver um filme, ler um livro, assistir uma peça de teatro, alguns personagens também ganham mais força no nosso coração. E sem motivo real algum. Curioso isso. Ao menos para mim. Cantores que conseguem fãs clubes imensos, artistas em geram criam um grupo ao seu redor, chegamos a buscar pessoas nos nossos relacionamentos que tenham gostos parecidos aos nossos.

Faço parte de fóruns de fotografia (o que mais participo, o Mundo Fotográfico tem link ai do lado, na minha lista de indicações), e confesso que algumas vezes dou muita risada com eles. Vejo pessoas que torcem para empresas. Pessoas que torcem para que a concorrência suma, ou que adota uma marca e chegam a fazer propaganda gratuita e sem sentido de determinadas empresas, simplesmente por serem as empresas que produzem o material que usam.

Outros setores também ganham pontos com esse tipo de torcida de seus consumidores. Empresas automobilísticas, empresas de informática e até canais de televisão também passam a ser heróis acima de qualquer julgamento (uma força quase religiosa) e ganham rios de dinheiro com propaganda, pessoas que se fazem de outdoors ambulantes (e eu não me excluo desse grupo…rs tenho lá minhas empresas favoritas) de graça.

Por que tanta gente acompanha a vida de atores como o Daniel Oliveira?
Por que tanta gente acompanha a vida de atores como o Daniel Oliveira?

Nisso eu ainda não vejo problema, na verdade, vejo uma situação grave quando a torcida irracional é política. Nem precisa andar muito, encontramos pessoas que idolatram partidos ou políticos sem motivo real aparente ou sem  nada ganhar em troca, seja socialmente (o que seria o melhor e mais justo) seja até de forma escusa (o que eu condeno).

Políticos questionáveis como Paulo Maluf, possuem uma quantidade de votos já antes da eleição, independente de com quem concorram. Alguns partidos a direita ou a esquerda ou ao centro possuem eleitores independente do que preguem e por mais que façam besteiras no poder, continuam com eleitores fiéis que nada questionam.

O que nos leva a agir dessa forma?

Essa pergunta é que me inquieta. Eu penso que isso tem um pouco a ver com o meu post de abertura do blog, onde digo que no fundo todos vivemos dentro de uma prisão social e estética. Talvez esse comportamento de torcer seja parte disso. Outra hipótese que não exclui a primeira tem a ver com meu segundo post, onde discuto os medos que eu sinto. Será que não sentimos tanto medo das coisas que nos cercam que precisamos nos apegar a qualquer fagulha que possa nos reconfortar? Escolhendo assim pequenos grupos para pertencer dentro do grupo social principal.

Maria Rita até hoje tem que lutar contra a idolatria existente em torno do nome de sua mãe
Maria Rita até hoje tem que lutar contra a idolatria existente em torno do nome de sua mãe

Uma amiga, a Lak, me disse numa conversa que sente-se próxima de crianças e animais deficientes (vale a pena ler o blog dela, o desculpe não ouvi da lista ao lado). Diz que sente empatia por eles. Talvez por ser deficiente (auditiva no caso dela), ou talvez por sentir apenas empatia e carinho mesmo. É uma linha interessante para se analisar.

De qualquer forma, existe algo, socialmente falando, que nos faz agir de forma totalmente irracional e que nos aproxima de pessoas que nem conhecemos ou temos contato. Eu gostaria de saber o que é? Você tem idéia? Se tiver, me mande sua opinião, vamos discutir o assunto….

Enquanto isso…

SAUDAÇÕES CORINTHIANAS A TODOS!!!

Visões

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Catedral da Sé

Passeando pelo mundinho virtual (muitas vezes pelo mundinho visual azul do orkut) vejo como é complexo tentar ver o que o outro vê. As vezes as brigas surgem e pessoas estão dizendo exatamente a mesma coisa, mas como não existe um rosto, não existe a chance de se entender as expressões.

Nesse mundo virtual, um local onde muitas vezes encontro esse tipo de postura é no Mundo Fotográfico (fórum de fotografia que eu recomendo nos links ai do lado). Muitas vezes leio coisas que parecem atravessadas, mas ai me lembro de como são essas pessoas ao vivo (muitos são meus amigos pessoais) e nem me estresso. Aliás na maioria das vezes tento evita que alguém se estresse por um comentário mal escrito, ou aparentemente atravessado.

O aparentemente, neste caso, é o mote pro texto de hoje. Relembrando um passeio antigo com amigos desse fórum, fomos todos ao centro de São Paulo, fizemos um percurso relativamente longo, começando no metrô São Bento, indo até a Praça da Sé e partindo em direção ao mercado da Cantareira. Cada um foi fazendo suas fotos, eu fiz as minhas.

Voltei pra minha casa e fiquei pensando no que era esse centro, o que ele me passava, era bonito? Feio? Perigoso? Acolhedor? Fiquei um tempo bem neurótico com isso e acabei traçando umas linhas a respeito, o texto é velho, mas está logo abaixo e continua totalmente atual pra mim, ainda vejo tudo do mesmo jeito lá.

Estação da Luz
Estação da Luz

Bom o Centro!!! A cidade que nasceu ali no Pátio do Colégio, hoje transformado em museu e que se expandiu para todos os lados tem alguns marcos na região central. A catedral da Sé, imponente marca o Centro Histórico da Cidade, belíssima construção. Ali pelas redondezas, vemos o Tribunal João Mendes, Mosteiro de São Bento, Estação da Luz , Teatro Municipal, etc.

Então a cidade é bela, certo? Depende de quem vê. Nesse mesmo centro vemos os prédios todos decaídos, precisando de reformas, Na praça da Sé, ao lado da imponente igreja, vários meninos de rua e mendigos vivem da caridade de pessoas que passam por lá. As vezes pequenos crimes são cometidos, mesmo com o forte policiamento na área.

Existe um submundo entre as construções históricas importantes, se vê droga, descaso, prostituição, violência. É essa vista que pode afastar as pessoas de uma região, e aliás afasta, conheço várias pessoas que temem o centro da cidade, outras adoram.

Essa diferença de gostos se dá por modos diferentes de se ver o que aparece ao redor, uma pessoa próxima tem me dito ultimamente que podemos optar entre curtir todos os momentos ou focar todas as esperanças num único ponto. Não sei ao certo se é tudo 8 ou 80, talvez existam pontos intermediários, mas não os julgarei aqui.

A questão é que se você quiser realmente poderá encarar algo como lindo e maravilhoso, fechar os olhos para todos os problemas que ele apresenta, como a degradação e sujeira do centro, o perigo e a violência. Por outro lado pode fazer também o contrário, passar correndo temendo os perigos e não perceber detalhes ricos como a beleza do Municipal, nunca entrar na Catedral da Sé ou no mosteiro de São Bento, que são duas belas construções.

mosteirodesaobento
Mosteiro de São Bento

Eu sinceramente vejo que teríamos que encarar tudo como uma terceira via, não só observar o belo, nem apenas enxergar o triste, mas isso é difícil e complexo, as vezes nosso olhar se vicia e procura apenas aquilo em que acrditamos, as verdades que nos são passadas dia após dia por amigos, meios de comunicação, por tudo o que nos cerca.

A leitura de mundo assim acaba viciada e intolerante, talvez seja esse um dos motivos para tanta violência sem razão, não aprendemos a utilizar os olhos dos outros, apenas os nossos captam a verdade. Mas eu deixo uma pergunta, Existe Verdade????

Prisioneiros

Alguém já viu uma cela com grades assim?

     Pois é, virei blogueiro, ou pelo menos tentarei virar. A idéia é sempre que me surgir algum assunto interessante vir aqui. Falar aquilo que penso e da forma como penso.

Começar algo nunca é simples, mas é sempre necessário. Escolher o tema do primeiro texto também não foi tão fácil. A primeira opção e justamente a que venceu foi falar daquilo que mais me incomoda. A vida urbana, a forma como as cidades nos dominam.

Com um grupo de amigos fotógrafos, estou tentando dissecar a urbe e mostrar o que vejo e sinto dela. Acho que nesse espaço posso brincar um pouco com isso. Sem me aprofundar muito, quero ao menos lançar as idéias que estou desenvolvendo nesse ensaio fotográfico.

Eu sempre fui (e ainda sou) uma pessoa que teme multidões, pessoas me assustam e nunca escondi isso de ninguém. O que talvez tenha escondido nesse tempo todo é que sinto uma certa inveja da forma leve como todo mundo encara a multidão. E justamente pra tentar ler essa multidão que eu procuro entender as cidades. Se repararmos, num ambiente urbano vivemos presos em regras.

Ninguém se pergunta o motivo, mas todos se vestem de forma parecida, possuem sonhos parecidos, comem coisas parecidas, se divertem de forma parecida e até se irritam pelos mesmos motivos. Você já se perguntou pelo real motivo de ter que trabalhar todos os dias? Por que as mulheres usam saias e os homens calças compridas (calma não quero andar por ai de saias)? Por que é divertido ficar dançando a noite toda? Por que fico com raiva toda vez que um folgado não cede lugar no metrô pra um idoso?

Até respondemos essas perguntas, mas concorda que todas as respostas são superficiais? No fundo, a resposta mais coerente pra essas e diversas outras questões seria por que todo mundo age assim também. E nessa brincadeira, confesso que me sinto como as formigas no filme FormiguinhaZ, onde a diversão delas é dançar macarena todo mundo junto.

Essa padronização acaba surgindo também em quem deveria transgredir as regras. Os artistas adoram se dizer diferentes, mas será que fogem desse lugar comum? Os conceitos de belo e feio são padrões, e preferencialmente padrões simples de serem decodificados por qualquer pessoa que veja o que se apresenta.

Existe espaço para o realmente diferente na nossa sociedade? Infelizmente acredito que não e ai me sinto preso também dentro desse contexto. Atrás de grades dispostas sempre da mesma forma, por que é assim que sempre foi e assim sempre será.